CAPÍTULO III GESTÃO SOCIAL E SEU CONSTRUTO NO ÂMBITO LOCAL
3.4 Gestão e Responsabilidade Social Empresarial
A gestão empresarial é compreendida como gerenciamento das ações de responsabilidade social das empresas. Seu conceito é dinâmico e complexo, pois se refere a uma gama de noções acionadas nos mais variados contextos. Por isso, ora remete à noção de responsabilidade legal; ora remete ao ideal de um comportamento que seria socialmente mais responsável no sentido ético31. Para Gomes, a responsabilidade social é “[...] uma
30Em relação a idéia de democracia esse deve ser aquela considerada por Morin como sendo uma democracia cognitiva em que “[...] a sociedade possa efetivamente participar dessa tomada de decisões. Embora essa tarefa possa parecer impossível, ela não é. Basta considerar que a ciência cartesiana, que hoje morre, abriu o seu caminho com escritos e conferências privadas, numa época em que poucos liam e os meios de comunicação eram precários. Lembremo-nos também da atilada percepção de Thomas Kuhn quanto ao didatismo daqueles cientistas que tiveram de buscar o publico leigo para promover idéias que contrariavam os para paradigmas reinantes em suas diversas comunidades científicas” (LISBOA, 2009, p.139).
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Nesta tese, o sentido ético deve ser entendido como “[...] A ideia de viver de acordo com padrões éticos está ligada à ideia de defender o modo como se vive, de dar-lhe uma razão de ser, de justificá-lo. Desse modo, as pessoas podem fazer todos os tipos de coisas que consideram erradas, mas, assim, estar vivendo de acordo com padrões éticos , desde que tenham condições de defender e justificar aquilo que fazem. Podemos achar a justificativa inadequada e sustentar que as ações estão erradas, mas a tentativa de justificação, seja ela
nova consciência do contexto social e cultural no qual se inserem as empresas e os cidadãos. Ela pode ser entendida como a contribuição direta destes para o desenvolvimento social, e a criação de uma sociedade mais justa e igualitária” (2006, p.138).
No entanto, a ressponsabilidade social apresenta desdobramentos ao envolver as diversas estruturas da empresa e suas relações com fornecedores e clientes, bem como a busca pela produção de qualidade e pela satisfação de seus usuários; ao mesmo tempo em que emergem preocupações mais amplas quanto ao meio ambiente, a relação com a comunidade em que está inserida ou ainda ao respeito aos direitos humanos em todas as suas dimensões.
Gomes (2006) evidencia que a responsabilidade social torna-se uma ferramenta importante nas novas formas de gestão empresarial ao evidenciar valores e atitudes éticas, pois “[...] há um imperativo ético de comprometimento com toda a sociedade, buscando atender, além de suas demandas econômicas, as exigências sociais” (DUARTE; DIAS, 1986, p. 51-56), tendo como base as reivindicações do contexto social.
Por esta razão, a responsabilidade social pode ser concebida como o compromisso que os munícepes, as organizações possuirá em relação à sociedade, expresso por meio de atos e atitudes que os atingem diretamente. Em outras palavras,
agindo proativamente e coerentemente no que tange a seu papel específico na sociedade e a sua prestação de contas para com ela. A organização [...] assume obrigações de caráter moral, além das estabelecidas em lei, mesmo que não diretamente vinculadas a suas atividades, mas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável dos povos (ASHLEY, 2002, p.98).
Nesta perspectiva, a gestão social também entendida como responsabilidade social empresarial tem desdobramento de acordo com concepção das pesquisas da área. Assim, as mudanças decorrentes da globalização reconfiguraram o mercado, visto que os produtos e os parceiros dos negócios estão em qualquer lugar do mundo. Surgem novas demandas para as corporações, pois, assegura Santos que esta pode ser desenvolvida de modo que em “[...] qualquer lugar do mundo pode referir-se a um mercado de país desenvolvido, cujo consumidor está adquirindo ou já adquiriu consciência” (2005, p.63).
Desse ponto de vista, a responsabilidade social liga-se a questões e princípios bem-sucedida ou não, é suficiente para trazer a conduta da pessoas para a esfera do ético” (SINGER, 2006, p. 18).
éticos32 adotados pela empresa no que se refere aos problemas de ordem social. Surge, portanto, a ideia de empresa como elo entre sociedade, munícipes e governo, enquanto mecanismos estratégicos capazes de melhorar a qualidade de vida via desenvolvimento sustentável.
Assim sendo, uma organização socialmente responsável considera, nas decisões que tomam, a comunidade onde se insere e o ambiente onde opera. Há quem defenda que as organizações, como motor de desenvolvimento econômico, tecnológico e humano, só se realizam plenamente quando consideram na sua atividade o respeito pelos direitos humanos. Investe na valorização pessoal, na proteção ao ambiente, no combate à corrupção, no cumprimento das normas sociais e no respeito pelos valores e princípios éticos de uma sociedade. As empresas deverão procurar entender quais os impactos sociais nas atividades que desenvolvem e se existem possibilidades de atuar de forma a minimizar os eventuais efeitos negativos por elas criados. Podemos, então afirmar que, a responsabilidade social se baseia, essencialmente, em questões de natureza ética e moral.
A compreensão do lugar da gestão social no estabelecimento de estratégias de desenvolvimento sustentável local conduz à aplicação de dimensões por meio das quais é possível realizar a análise dos municípios sergipanos, a fim de melhor perceber como esses municípios vem exercendo ou não sua governança rumo a um desenvolvimento local sustentável.
32 Desse modo “[...] um principio ético não se pode dar em termos de qualquer grupo parcial ou local. A ética se fundamenta num ponto de vista universal, o que não significa que um juízo ético particular deva ser universalmente aplicável. [...] as circunstâncias alteram as causas. Significa isto sim, que, ao emitirmos juízos éticos, extrapolamos a nossa preferências aversões” (SINGER, 2006, p. 19-20).