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4.2 – Gestão Escolar e a Função do Gestor

Para a edificação de uma sociedade, mais, humana e justa se faz necessário um fortalecimento da práxis ensino-educação. Sendo cogente que elementos como a autonomia, a democratização, a equidade e a boa gestão da unidade escolar se façam presentes em dado processo. Elementos estes que estão alistados absolutamente à função do gestor, o qual deve avocar de forma integral tal cargo e perfil.

Dentre as funções do gestor, além das administrativas e burocráticas que possuem um estilo assaz centralizador e absorvedoras de grande parte do tempo, o mesmo fica incumbido de encontrar mecanismo para conciliar os afazeres administrativo e pedagógico, já que não existe a possibilidade da supressão de um pelo outro. Ambos se fazem necessários ao gerenciamento da unidade escolar. Em muitas das vezes, o que se tem ocorrido, é o predomínio do administrativo sobre o pedagógico (GADOTTI, 1994 e LOURENÇO, 1963).

Neste sentido, Fernandes e Muller (2006) afirmam:

“O que deve ficar claro para o gestor escolar é que o administrativo deve estar a serviço do pedagógico, isto é, deve servir de suporte para a consecução dos objetivos educacionais da unidade escolar.

Entretanto, na gestão de uma escola, a preponderância dos aspectos pedagógicos sobre os aspectos administrativos ainda é, para muitos gestores, um grande desafio a ser vencido. Isso se dá devido à forma como a gestão das escolas públicas está estruturada. O papel que o diretor deve ocupar, nesse momento, difere, em muito, daquele

burocrata, centralizador do poder, que está a serviço da burocracia e do Estado ou do Município. Ao diretor, cabe romper com essa postura autoritária e de passividade diante das orientações vindas de cima para baixo, como se fosse um funcionário burocrático do sistema.

Esse diretor, aqui entendido como sinônimo de gestor deve enxergar em si mesmo um representante de um projeto político-social de educação que passa pela ruptura com um sistema seletivo, excludente, e forjar uma gestão escolar mais aberta, arejada para os anseios populares” (p.131-132).

Cabe ao gestor assegurar, de forma específica e geral, que a unidade escolar realize sua incumbência, incumbência esta de ser um lugar de educação, no qual ocorre a incubação do saber, desenvolvimento de habilidades/competências e formação/reformulação de valores. Ainda cabem a ele a animação e articulação junto à comunidade escolar na execução do projeto educacional, ou político-pedagógico, dando incremento à gestão participativa da ação administrativo-pedagógica, norteando a gestão escolar em seus amplos aspectos (GADOTTI, 1994 e LOURENÇO, 1963).

O gestor é, ou se torna, o articulador e o mediador entre a unidade escolar e sua comunidade – intra e extra – escolar. Sendo de bom grado e cogente o incentivo à participação, respeitando todos os sujeitos inseridos e suas opiniões expostas.

É tida como gestão participativa aquela gestão onde os atores, de forma geral, envolvidos no processo ensino-aprendizagem participam das decisões, decisões estas que uma vez tomadas precisam ser tratadas no coletivo. Assim, de acordo com Luck (2002), "o conceito de gestão participativa envolve, além dos professores e outros funcionários, os pais, os alunos e qualquer representante da comunidade que esteja interessado na escola e no processo pedagógico" (p.15).

Partindo desse princípio, o gestor tem que se conscientizar de que ele não pode, tampouco conseguirá, gerenciar os problemas escolares em sua

totalidade. A solução encontrada é a descentralização, pois a ação de compartilhar as responsabilidades – com os educandos, responsáveis e educadores – gera um ambiente de maior respeito e confiança entre os pares e o todo.

Então, a unidade escolar se faz necessária estar bem orientada e coordenada. Tendo em mente que o sucesso escolar não jaz exclusivamente no educador que está como gestor. Pois, o papel do gestor é de um líder cooperativo, aquele sujeito que tem a capacidade de (re)unir as anseio, os vontades, as perspectivas, as esperanças da comunidade escolar, de uma forma geral, e engendrar um projeto voltado ao todo.

Dessa maneira, o gestor não pode se ater apenas às questões que lhe interessam ou que são mais cômodas. Como indivíduo consciente, cabe desenvolver uma visão ampla e diversificada e uma performance que abranja a unidade escolar em todos os seus aspectos.

Na visão de Luck (2002) a liderança é "a dedicação, a visão, os valores, e a integridade que inspiram os outros a trabalharem conjuntamente para atingir metas coletivas" (p.35).

Contudo, o gestor, basilarmente, tem que interiorizar o compromisso para com a educação, ratificando-se este pacto nas propostas que possua para avalizar a permanência do educando na unidade escolar, não meramente no que tange à merenda escolar, bolsa escola, etc. Mas sim, nos atos e atitudes que propiciem a necessidade e o contentamento do estar na unidade escolar.

CONCLUSÃO

Não se trata de uma tarefa intricada, mas discorrer a propósito da importância do direito educacional e da gestão escolar, no entanto, não se trata também de uma pratica habitual. Tem-se dessa forma o direito educacional como uma junção de normas e regras que disciplinam e doutrinam, tendo como foco a normatização e a melhora constante do processo ensino-aprendizagem.

Comumente se confunde o direito com a legislação educacional, entretanto não se deve confundir, já que a legislação se restringe à leitura e interpretação do conjunto de preceitos com vistas à educação e ao ensino, já o direito é um grandioso campo, que se é percebido como um unido de instrumentos, métodos e regras jurídicos sistematizados, os quais orientam o comportamento do sujeito conexo à educação e ao ensino.

Assim, o direito educacional é o resultado do desenvolvimento da educação hodierna, juntamente com as ciências jurídicas, abarcando finalidades visando tanto o pedagógico quanto o jurídico, se mostrando relevante mesmo que seja recente.

De modo generalista, no âmbito educacional pode-se observar uma aversão às leis, ainda que consideradas uma temática relevante pelos, e para, profissionais da educação. As leis são tidas em grande parte das vezes como uma coação ou obrigação, e o seu viés de direito comumente negligenciado.

Assim dificultando seu cumprimento pleno que está voltado para um bem comum.

O gestor educacional que se volta para o cumprimento e entendimento das leis que regem seu ambiente de serviço sempre agirá em prol da qualidade do processo ensino-aprendizagem. Pois, a lei é a rota mais segura para o gestor e é a alvedrio para o sujeito.

Seguindo o raciocínio, a lei se torna um fator libertador e para que ela seja bem executada se faz cogente uma liderança cônscia, onde seus atos são para todos e que a mesma está sendo observada por todos. Assim, gestor é visto como um padrão para sua equipe e o próprio não deve temer uma avaliação dos seus. Nada obstante, passar por avaliações é basilar para que seu afazer se apure, e logo o de sua equipe.

Ter um propósito a ser concretizado e uma estratégia para conquistar objetivos pretendidos é o ponto de partida para que as ações sejam bem sucedidas, entretanto quando uma estratégia falha, o gestor se volta à equipe e a incentiva a descobrir o que é necessário para se dar um passo a frente.

O papel do gestor é meramente o de cumprir e fazer cumprir normas e regras, deliberações, prazos de atividades e/ou comunicar aos demais atores da unidade escolar a tática a ser adotada no desenvolvimento dessa ou aquela atividade. O mesmo deve se portar de formar democrática – propondo, aceitando e opinando medidas – visando uma afinação nas atividades educacionais e educativas, o sucesso da unidade escolar como um todo, além de desempenhar sua liderança administrativo-pedagógica, focando a valoração e desenvolvimento da comunidade escolar.

Essa liderança é uma habilidade, habilidade esta que pode, e deve, ser aprimorada e praticada no dia-a-dia. Pois, agir como líder é pensar no progresso do todo. Desta forma capaz de adolescer a potencialidade de toda uma equipe, fazendo com que esta se sinta hábil em decompor e atingir com sucesso todo e qualquer projetos proposto pela e para a unidade escolar.

Liderança esta que deve estar em conformidade com a lei do contrário corre o risco de se tornar um gestor que não sagra a ética. Como já foi dito, e é de bom grado reafirmar, a lei deve ser o caminho pelo qual a gestão se efetiva.

O gestor trama sua liderança ao longo do ano letivo juntamente com os demais

educadores que estão sujeitos à sua performance, os quais colaboram na melhoria da mesma.

É necessário ter em mente que não é possível se alcançar a excelência, pois este é um termo muito subjetivo. Mas é possível atender os anseios da comunidade, onde todos os sujeitos têm direito ao ensino que melhor atenda às suas necessidades individuais, direito este garantido por lei.

Nesse sentido o gestor pode alcançar a excelência assegurando o acesso e a permanência, juntamente com sua equipe. Onde se as unidades escolares compõem o mesmo sistema de educação e este zela para que todos tenham os direitos garantidos, logo um educando não pode sair de uma unidade escolar e encontrar uma realidade educativa díspar da qual foi transferido, pois neste caso a lei não está se fazendo presente.

Faz-se necessário refletir sobre a questão de que todas as unidades escolares não terão a mesma cara, ou seja, a mesma identidade. A identidade será de acordo com os princípios e finalidades da comunidade de inserção, porém conforme a lei que dita os parâmetros comuns, para todo o país, de forma a garantir que a população tenha o mínimo necessário para seguir em frente. Para tal identidade se carente de autonomia, autonomia esta garantida pela legislação. No entanto, esta autonomia só pode ser realmente construída se forem respeitados os padrões mínimos que indicam a lei. Uma unidade escolar só irá construir sua identidade se edifica e executa um projeto político pedagógico, um planejamento estratégico ou outro dispositivo legal similar, de acordo com as regras estabelecidas democraticamente. Esta identidade se fará existir a partir das características sócio-econômica-culturais locais em consonância com as regionais e nacionais.

O gestor escolar deve ter consciência de que sua equipe não se limita a educandos e educadores da unidade escolar. A equipe escolar é composta também pelos pais e responsáveis dos educandos e por toda a comunidade

externa de uma forma geral, que precisa ser mobilizada para promover a principal finalidade do todo, que é a aprendizagem.

É basal ao gestor a aptidão em gerenciar conflitos, pois toda a unidade escolar, assim como qualquer outra instituição, muitas das vezes se encontra em conflito, o qual que pode ocorrer entre os membros da equipe, já que cada sujeito possui características singulares; conflito esse que também podem ser gerado por fatores externos ou internos ao ambiente escolar.

Se faz cogente crer no potencial que cada profissional se faz dono, ainda que esse potencial careça ser desenvolvido e ouvir o que os demais têm a dizer, isso é essencial quando se pratica a liderança, pois se torna impossível desenvolver atividades e conquistar os objetivos solitariamente. A visão, o foco de cada integrante da equipe é importante para o alcance dos objetivos comuns. O trabalho em equipe, as opiniões diferenciadas e o pensamento individual de cada um são fundamentais para que se construa o sucesso coletivo, sucesso esse conquistado quando se desenvolve uma gestão fundamentada dentro da lei e da democracia.

Para ter uma educação validada e se educar com seriedade há a necessidade de um respaldado em preceitos, regras e leis. Os quais muitas das vezes só são executados se houver o conhecimento de dado assunto.

Assim, enxerga-se no direito educacional, o acesso com vistas à influência recíproco entre educandos, educadores, unidades educacionais e comunidades escolares.

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ÍNDICE

FOLHA DE ROSTO 2

AGRADECIMENTO 3

DEDICATÓRIA 4

EPÍGRAFE 5

RESUMO 6

METODOLOGIA 7

SUMÁRIO 8

INTRODUÇÃO 9

CAPÍTULO I

LEI, LEGISLAÇÃO, DIREITO... 11

CAPÍTULO II

GESTÃO EDUCACIONAL 24

2.1 – Aspectos Históricos da Gestão Educacional 24

2.2 – Modalidades de Provimento 31

CAPÍTULO III

UM POUCO MAIS DE GESTÃO E LEGISLAÇÃO 38

3.1 – A Gestão Democrático-Participativa 38

3.2 – O Contexto Legal e Normativo da Gestão 46 3.2.1 – Nova Constituição da República Federativa do Brasil 47 3.2.2 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 48

3.2.3 – Plano Nacional da Educação 51

CAPÍTULO IV

O GESTOR ESCOLAR 53

4.1 – O Papel do Gestor Escolar 56

4.2 – Gestão Escolar e a Função do Gestor 59

CONCLUSÃO 62

BIBLIOGRAFIA 66

ÍNDICE 72

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