3.2 A Pesquisa sobre Instalações Esportivas
3.2.6 Gestão Financeira de Instalações Esportivas
A gestão financeira de uma instalação esportiva também tem suscitado debate entre pesquisadores, sendo esta temática importante no âmbito da prática, já que a gestão de uma instalação precisa manter a ocupação da mesma em índices altos e garantir que isto aconteça de uma maneira economicamente viável (IVERSEN; CUSKELLY, 2015). Apesar de importante, a discussão deste tópico ainda se mantém muito em detrimento do financiamento da construção e gestão das instalações por fundos públicos, enquanto que os processos de gestão financeira são pouco abordados pela literatura. Em análise sobre eficiência econômica de uma instalação esportiva após implementação de um novo método de custeio através de estudo experimental, Kosmas e Dimitropoulos (2014) (KOSMAS; DIMITROPOULOS, 2014) advogam que o uso de um método ou modelo de contabilidade pode se provar útil para uma melhor delimitação do custo de produtos e serviços, a redução de custos, eficiência na operação e até lucratividade, visão corroborada por Becsky, Orbán, Dékán, Bács e Herczeg (2015).
57 instalação esportiva, o exame das fontes de custo e riscos podem auxiliar na tomada de decisão sobre este tipo de financiamento e minimizar os riscos (PROPHETER; HATCH, 2015). Em um estudo de caso de uma arena localizada na cidade de Seattle, Propheter e Hatch (2015) constataram que o risco associado a uma parceria público-privada na construçao e operaçao da nova arena tinham relação com custos adicionais relacionados à emissão de títulos; com a garantia da dívida do grupo de investimento; com os custos gerais de oportunidade de fundos; e supervisão pública limitada de licitações.
As empresas gestoras de instalações esportivas, que por meio de concessão ou contrato passam a gerir instalações esportivas públicas e privadas, são realidade na Espanha e seu desempenho financeiro tem sido seguido de perto por pesquisadores. Após a Espanha passar por crise econômica, os autores Gimaldi-Puyana, Gárcia-Fernández, Gómez-Chacón e Bravo (2016) investigaram o impacto desta crise na rentabilidade dessas empresas. Os autores puderam verificar que a crise impactou as organizações de forma diferente, pois constatou-se que as organizações de médio porte obtiveram resultados positivos mesmo após o período de crise, evidenciando uma maior eficiência no uso dos recursos ou na obtenção de benefícios de seus ativos, enquanto que as organizações de grande e pequeno porte apresentaram resultados financeiros inferiores aos obtidos anteriormente ao período da crise econômica (GRIMALDI- PUYANA; GARCÍA-FERNÁNDEZ; GÓMEZ-CHACÓN; BRAVO, 2006). Resultados semelhantes foram encontrados por Grimaldi-Puyana e Sanchez-Oliver (2017) em pesquisa com 888 empresas especializadas na gestão de instalações esportivas na Espanha.
Na literatura nacional, Barros (2016) examinou a viabilidade econômica dos 12 estádios sede na Copa do Mundo FIFA 2014 utilizando os dados de projeções de fluxo de caixa, o valor presente líquido e a taxa interna de retorno considerando um período de 20 anos. Os resultados do estudo mostraram que dos 12 estádios analisados, apenas as arenas Pernambuco e Beira Rio apresentam viabilidade econômica, principalmente porque os clubes que fazem uso das arenas apresentaram rendas elevadas com jogos de futebol, eventos (como shows e convenções, eventos sociais e corporativos), venda de camarotes, além de estarem entre as que menos investiram em sua construção/reforma. A Arena da Baixada também se apresentou viável, entretanto o autor salienta que os resultados apontam para um alto grau de incerteza quanto a viabilidade do projeto, enquanto que os projetos da Arena Amazônia, Pantanal, Dunas, Castelão e Brasília foram os que apresentam menor viabilidade, pois estas arenas receberam grandes investimentos em suas construções, mas não possuem fonte de receita com jogos e outros eventos, mostrando que o investimento foi realizado em projetos que não se mostraram viáveis economicamente, e por consequência deve onerar os cofres
58 públicos com sua operação/manutenção (BARROS, 2016)
Para que a sustentabilidade das instalações esportivas seja possível Kosztin e Balatoni (2015) indicam que os gestores devem estar atentos à ocupação desta instalação de forma multidisciplinar, ou seja, que apenas o evento esportivo dificilmente conseguirá manter esta instalação esportiva financeiramente saudável, e que a ocupação do espaço com outros eventos, tais como shows, eventos culturais, de lazer, coorporativos, dentre outros, pode garantir a sustentabilidade financeira desses espaços. Os autores realizaram estudo a respeito da exploração e sustentabilidade financeira de instalações esportivas da Hungria e chegaram à conclusão que apenas o esporte não resolve os problemas de operação e financiamento (KOSZTIN; BALATONI, 2015).
Esta ideia também é sustentada por Hammond (2017), que indica que a operação das instalações esportivas é onerosa, e a gestão deve criar alternativas de financiamento a manutenção dos espaços, e a exploração dos recintos esportivos por outras atividades que não esportivas pode ser uma alternativa. Porém, ao analisar como os departamentos atléticos das universidades utilizam seus campos/estádios de futebol americano, o autor constatou que apenas uma parte dos departamentos fornecem informações sobre a disponibilidade de seus estádios de futebol como locais para eventos não esportivos, sendo que os outros preferem manter essas informações internamente, disponibilizando os espaços a outros departamentos esportivos ou a instituições/organizações que eles já conhecem (HAMMOND, 2017).
Para que se possa realizar este trabalho multidisciplinar na instalação, é importante que a previsão destas atividades conste no planejamento/concepção da instalação esportiva, no que diz respeito ao espaço ser pensado de forma a poder receber atividades que não voltadas à prática da atividade física/esportiva (HUDEC; ROLLOVÁ, 2014). O planejamento de instalações esportivas, por fazer parte do processo de gestão da mesma, será tema abordado da seção seguinte da Revisão de Literatura.