ARTIGOS DE COMUNICAÇÃO ORAL
Eixo 1: Gestão, Planejamento, Territorialidade, Estudos Ambientais e Sustentabilidade Eric Silva dos Santos, UNEB
Nilmar dos Santos Silva, IF Baiano [email protected]
Taíse Menezes, IF Baiano [email protected] RESUMO
A educação do Campo conquistou espaços de debates no âmbito educacional e político, tem sido de extrema relevância discutir a potencialidade dos saberes populares dos povos do campo, importante para a produção de conhecimentos e sistematização de saberes dos povos do Campo, desta forma tais conhecimentos têm potencializado perceber como os sujeitos campesinos têm construído etnociência no âmbito comunitário e como estes estudos têm trazido para as populações rurais uma nova ótica sobre o seu lócus de vivência como também potencializado usos diferenciados dos recursos naturais.
No âmbito do semiárido, inclusive do Semiárido Baiano, os conhecimentos etnocientíficos tem possibilitado aos agricultores familiares e aos diversos atores que produzem sua existência no cenário rural a proposição de alternativa que viabilizem lidar com as especificidades ambientais desta região, devido à escassez de chuvas e as peculiaridades do clima que colocam em questão a emergência de se pensar em ações que possibilitem conviver com as peculiaridades geoambientais deste contexto regional. Objetivou-se neste trabalho, de modo, geral discutir a relação dos conceitos de etnociência, semiárido e convivência com a seca relacionada às perspectivas de problematização no cerne da Educação do Campo. Em contrapartida, de modo específico procurou analisar quais alternativas têm sido desenvolvidas pelos agricultores no âmbito do Semiárido Baiano no que concerne a construção de saberes etnocientíficos para lidar as peculiaridades geoambientais e, por fim, dialogar com a experiência agroecológica desenvolvida por Abelmanto na sua propriedade no distrito de Mucambo, no município de Riachão do Jacuípe, cidade situada no Território de Identidade Portal do Sertão, onde este agricultor familiar tem utilizado os saberes etnocientíficos e agroecológicos com o intuito de produzir e tem adequado o trabalho na propriedade a realidade climática e ambiental do semiárido.
De acordo com Diegues e Arruda (2001, p. 36) citado por Costa (2008, p. 132) os saberes etnocientíficos são compreendidos como os saberes populares que foram construídos pelos diversos grupos populacionais e que não foram formalmente sistematizados, portanto constroem outras perspectivas de fazer conhecimento diferente dos estudos cientificamente produzidos no âmbito formal. Diante disso, pensar na valorização e consideração dos conhecimentos produzidos pelos diversos sujeitos que
têm processos de produção de existência diferenciados, realidades de vidas distintas e práticas específicas perpassa por compreender que estes saberes populares têm sido produzidos principalmente por grupos comunitários de longa ancestralidade, como por exemplo, índios e comunidades quilombolas, por exemplo.
A partir das ideias de Costa (2008, p. 165), compreende-se que a perspectiva de etnociência não tem como propósito deslegitimar os conhecimentos científicos formais, mas sim evidenciar a importância e relevância dos saberes construídos pelos diversos grupos populacionais que possibilita a construção de processos que contribuem para a produção da ressignificação da vida dos sujeitos, como também para viabilizar no âmbito formativo outras possibilidades de aprendizagem.
A produção acadêmica em questão justifica-se pela necessidade de se pesar as diversas perspectivas de construção dos conhecimentos, pois vale ressaltar que a produção de saberes transcende a sistematização formal existente, mas que os diversos grupos sociais e identitários também têm construídos experiências que são de extrema relevância para o processo formativo e para a produção da vida dos sujeitos do campo e que contribuem para a construção de uma ação educativa mais condizente com as necessidades e demandas das populações campesinas.
Nesta perspectiva, Silva & Lima (2010, p. 10) apontam que o processo formativo que se almeja no campo possibilita a construção de novos pontos de vista se for alicerçado pelos ideais que tratam dos mecanismos para se conviver com a seca. Diante disso, a construção dos conhecimentos precisa dar conta de ações e práticas que possibilitem aos sujeitos adquir aspectos valorativos, atitudinais, saberes e atividades que trabalhem a necessidade de se fomentar o pertencimento dos indivíduos que moram na região semiárida e a construção de relações que coloquem em questão o fortalecimento dos espaços de formação e de vivência, como também dos ideais de convivência que são necessários nesta sub-região.
Quanto aos instrumentos metodológicos para o desenvolvimento desta produção acadêmica fez uma visita de campo a propriedade do agricultor Abelmanto e, posterirormente, desenvolveu-se uma discussão teórica a partir da busca de artigos científicos e documentos oficiais que versem sobre o tema em questão e, por fim, o desenvolvimento de um estudo de caso a partir das experiências vivenciadas na propriedade supracitada.
Observou-se que o trabalho realizado por Abelmanto tem sido responsável para agregar ao contexto comunitário atributos relacionados à sustentabilidade rural, ação que tem sido potencializada tanto com os moradores como na articulação com a escola. Assim, Abelmanto tem trabalhado na sua propriedade levando em conta o equilíbrio da biodiversidade e levando em conta os princípios agroecológicos.
Desenvolve-se intercâmbios onde se compartilham os saberes desenvolvidos no âmbito da propriedade, como por exemplo, o ensino de técnicas de manejo do solo, como a medida da acidez, plantio e adubação, técnicas para garantir a umidade do solo, necessária a criação vegetal, além disso, desenvolve um projeto de conservação das espécies endêmicas do local.
Abelmanto tem feito aporte dos saberes populares pautados na lógica da etnociência e da agroecologia para potencializar a produtividade da sua propriedade, assim, fazendo
experimentações, construindo alternativas para se fazer uma gestão da água que contribua para o processo produtivo, principalmente em momentos de estiagem, além disso, tem feito uso de diversas tecnologias sociais que potencializam o desenvolvimento de ações que contribuam para se lidar com as peculiaridades do semiárido, como o biogás, produzido por ele em sua propriedade.
Todas essas experimentações desenvolvidas pelo agricultor, são alternativas autorais, na tentativa de construir mecanismos de convivência com o semiárido, como também para aumentar a sustentabilidade e autonomia de sua propriedade. Em toda experiência de campo desenvolvida, o agricultor Abel mostrou-se atento a necessidade de sustentabilidade ambiental.
Enfim, ficou compreendido as diversas potencialidades que a etnociência pode trazer para o processo de produção da vida no cenário rural, visto que os saberes populares são tão relevantes como os conhecimentos sistematizados pela produção científica formal. São perceptíveis as diversas contribuições que a Educação do Campo pode trazer para o entendimento das questões do semiárido brasileiro, uma vez que possibilita ressignificar as representações sociais que se tem de rural, de sociedade, natureza, mulher e campo inclusive a partir da articulação com o paradigma de convivência com a seca e valorizando os princípios agroecológicos que trazer uma perspectiva holística para a construção de um processo educativo que dê conta da produção da vida dos povos campesino e que contribuam para a autonomia dos sujeitos.
Palavras-chave: Etnociência. Convivência com a seca. Semiárido. REFERÊNCIAS
COSTA, Ronaldo Gonçalves de Andrade. Os saberes populares da etnociência no ensino das Ciências Naturais: uma proposta didática para aprendizagem significativa. Revista Didática Sistêmica, ISSN 1809-3108, Volume 8, julho a dezembro de 2008. SILVA, Maria Sueleuda da & LIMA, Elmo de Souza. A educação do campo como estratégia de convivência com o semiárido. Programa de Pós-graduação em Educação. Universidade Federal do Piauí (UFPI). Teresina-PI. 2010. Disponível em http://www.leg.ufpi.br/subsiteFiles/ppged/arquivos/files/VI.encontro.2010/GT.16/GT_1 6_02_2010.pdf Acesso 12/01/2019.
UM OLHAR LITERÁRIO SOBRE AS CATEGORIAS GEOGRÁFICAS