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2. GESTÃO, TOMADA DE DECISÕES E COMPLEXIDADE

2.1. GESTÃO E TOMADA DE DECISÕES

A palavra decisão deriva do latim, onde o prefixo “de” significa parar, extrair, interromper, e o sufixo “cisão” significa cindir ou cortar. No sentido estrito da palavra, decisão pode ser interpretada como deixar fluir. Diante de uma série de alternativas para a resolução de um problema, uma decisão precisa ser tomada de forma a propiciar o alcance dos objetivos identificados para a solução do referido problema (GOMES & GOMES & ALMEIDA, 2006).

Ainda segundo Gomes, Gomes e Almeida (2006), a tomada de decisões em ambientes complexos é uma das mais difíceis tarefas enfrentadas por indivíduos, ou grupos. Esta dificuldade decorre principalmente do fato de que, na maioria dos casos, tais decisões devem atender a múltiplos objetivos, muitas vezes conflitantes, e são tomadas em um ambiente com alto índice de incerteza.

A Teoria da Decisão procura explicar o comportamento (decisório) humano entendendo as organizações como complexos sistemas de decisões nos quais cada indivíduo participa conscientemente da tomada de decisões, com base em alternativas mais ou menos racionais de comportamento. Os campos de estudos da Teoria da Decisão se inserem em diversas áreas de conhecimento como a Administração, a Economia, a Psicologia e a Ciência da Computação, dentre outras (SIMON, 1997; GONTIJO & MAIA, 2004; CHIAVENATO, 2004; ESCRIVÃO FILHO, 1995).

Segundo Gontijo e Maia (2004), o modelo de Herbert A. Simon, fundador do campo de estudos de Teoria da Decisão, define um processo decisório é definido como um processo de pensamento e ação, que culmina em uma escolha. Esta, por sua vez, reside em selecionar um curso alternativo de ação ou rejeitar uma determinada ação.

De acordo com Chiavenato (2004), os elementos comuns em processos de tomada de decisões são:

• Tomador de decisão: o indivíduo, ou grupo de indivíduos, responsável pela seleção ou escolha entre várias alternativas possíveis de ação;

• Objetivos: são resultados ou metas, que o tomador de decisão pretende alcançar com as ações;

31 • Critérios: são regras ou preferências que o tomador de decisão utiliza para

fazer a escolha de uma ou mais ações;

• Estratégia: é o caminho ou método que o tomador de decisão adota ou escolhe para melhor atingir os objetivos;

• Situação: aspectos ambientais ou circunstanciais considerados pelo tomador de decisão;

• Resultado: conseqüência da adoção de certa estratégia pelo tomador de decisão.

Ainda segundo Chiavenato (2004), o processo de tomada de decisões pode ser estudado sob duas perspectivas: do processo e do problema. O estudo do processo de tomada de decisões pela perspectiva do processo concentra sua atenção nas etapas do processo de decisório e menos no resultado do processo ou decisão obtida. É uma abordagem genérica, voltada para a compreensão dos procedimentos e comportamentos presentes no processo de tomada de decisões, incluindo, por exemplo, a influência das emoções e impulsos do tomador de decisão.

Ainda segundo Gomes, Gomes e Almeida (2006) e Chiavenato (2004), na perspectiva do problema, o estudo do processo de tomada de decisões é orientado para a identificação e escolha racionais de alternativas de ação. Esta perspectiva enfatiza a aplicação de métodos quantitativos para a seleção das melhores alternativas de ação para problemas racionalmente equacionados e estruturados.

Segundo a perspectiva de Simon (1997), Solino e El-Aouar (2001), o tomador de decisão associa a perspectiva do processo, que se concentra nas etapas formais e nos procedimentos de tomada de decisão, à perspectiva do problema, que retrata o conteúdo da decisão, aplicando métodos quantitativos, tornando a decisão o mais racional possível, a partir da melhora da percepção dos fatores, ou condições, de resolução do problema em questão.

Os processos de tomada de decisões podem ainda ser classificados de acordo com a natureza da decisão (ver Tabela 1), se programadas ou não-programadas. As decisões programadas são caracterizadas pela rotina e repetitividade. Neste caso, o problema a que se refere a decisão a ser tomada, bem como a estruturação do seu processo de tomada de decisão, permanecem essencialmente inalterados, cabendo ao tomador de decisões a atualização ou adaptação das informações ou dos parâmetros já estabelecidos na estrutura do processo de tomada de decisões. As decisões não programadas caracterizam-se pelo ineditismo ou

32 novidade, seja por se tratar de novo problema cujo processo de tomada de decisões não se encontra ainda estruturado, seja por se entender que a estrutura até então adotada para o processo de tomada de decisões deve passar a incluir novos parâmetros (SIMON, 1997; CHIAVENATO, 2004).

Um problema relativo a um processo de tomada de decisão pode ainda ser classificado em problema estruturado ou não estruturado. Um problema não-estruturado é aquele que não pode ser claramente definido, pois uma ou mais de suas variáveis é desconhecida ou não pode ser determinada com algum grau de confiança.

Tabela 1– Tipos de decisão e as técnicas de tomada de decisão.

Técnicas de Tomada de Decisões Tipos de Decisão Tradicionais Modernas Decisões repetitivas de rotina. Hábito Rotina (procedimentos padronizados de ação) Pesquisa Operacional Análise Matemática Modelagem Simulação Programadas Decisões através de processos específicos estabelecidos pela organização. Estrutura Organizacional. (Sistema de objetivos com canais formais de comunicação bem definidos). Processamento eletrônico de dados. Decisões pontuais de momento, pouco estruturadas e envolvendo novas políticas. Não- Programadas Decisões tratadas pelos processos gerais de solução de problemas. Julgamento intuitivo e criatividade. Regras empíricas. Seleção e treinamento de executivos. Técnicas heurísticas de solução de problemas aplicadas a: Treinamento de pessoal para a tomada de decisões; Desenvolvimento de programas computacionais.

33 Um problema estruturado é aquele que pode ser definido ou equacionado com base em variáveis conhecidas. Este tipo de problema pode ser subdividido em três categorias (ver Figura 1):

• Decisões sob certeza: as variáveis são conhecidas e a relação entre a ação e as conseqüências é determinística. A decisão conduz a um resultado específico; • Decisões sob risco: as variáveis são conhecidas e a relação entre a

conseqüência e a ação é conhecida em termos probabilísticos;

• Decisões sob incerteza: as variáveis são conhecidas, mas as probabilidades para determinar a conseqüência de uma ação não são conhecidas ou, não podem ser determinadas com algum grau de certeza. As possibilidades associadas aos resultados são desconhecidas.

Autores mais recentes acrescentam mais uma região ao continum Certeza-Incerteza: a Turbulência, que ocorre quando as metas ou objetivos não estão muito claros em um processo decisório (SOLINO & EL-AOUAR, 2001).

Figura 1 – Continuum Certeza-Incerteza Fonte: Modificada de Chiavenato (2004)

Solino e El-Aouar (2001), ainda classificam a decisão em si em três categorias básicas:

• Decisões Operacionais: absorvem a maior parte da energia da empresa e do tomador de decisões. Tem como objetivo a maximização da rentabilidade e minimização dos custos operacionais, a partir do aumento da eficiência do processo de conversão de recursos da empresa. Ocorrem em áreas de alocação de recursos, programação de operações, controle, dentre outras. Este

34 tipo de decisão também envolve desenvolvimento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), marketing e operações;

• Decisões estratégicas: são relativas ao contexto da empresa e seu ambiente, determinando seus objetivos e metas. Definem em que áreas e de que forma a organização deve se diversificar para explorar sua posição em relação aos produtos e mercados vigentes;

• Decisões administrativas: são aquelas voltadas para a estruturação de recursos da companhia e referem-se à organização. Parte destas decisões define os fluxos de informações e trabalho, estruturação das relações de autoridade e responsabilidade. A outra parte é responsável pelo desenvolvimento de recursos, tais como: recursos humanos, financiamentos, instalações e equipamentos.

A pesquisa desenvolvida neste trabalho assume que a gestão de qualquer sistema de produção é um processo de Tomada de Decisão, conduzido em maior ou menor grau pela perspectiva do problema ou do processo, e estruturado e programado em maior ou menor grau sob diferentes categorias de incerteza.