Como o principal objetivo do trabalho é o estudo da administração do Departamento dentro do SESC chamado GETI (Gerencia de estudos e Programas da Terceira Idade, o autor buscou por meio de detalhado levantamento documental interno da organização bem como entrevistas com colaboradores do próprio SESC identificar os pontos que eram até então dúvidas e questionamentos do autor.
A GETI é uma gerência que foi criada para administrar exclusivamente o Trabalho Social com Idosos no SESC (TSI). Trata-se de um órgão de administração central do SESC, pertence a Superintendência Técnico–Social. Abaixo uma visão mais nítida sobre a estrutura organizacional do SESC e a inclusão da GETI.
Figura 6 – Organograma SESC Fonte: Adaptado pelo autor
Como principais questionamentos do autor estão a análise da estrutura administrativa do setor bem como a metodologia de ação da GETI e o importante trabalho do coordenador da unidade.
Sup.Técnico Social Gerência de Desenv. Físico- Esportivo (GDFE) Gerência de Ação Cultural (GEAC) Gerência de Estudos e Desenv. (GEDS) Gerência de Programas Sócio- Educativos (GEPSE) Gerência de Estudos e Programas da Terceira Idade (GETI)
Para fazer parte do público do chamado TSI (Trabalho Social com o idoso), é necessário: ter 60 anos ou mais de idade, conhecer os objetivos do SESC e do próprio TSI, haver vagas disponíveis nas atividades pretendidas pelo idoso, apresentar exames médicos quando solicitado e atender às recomendações específicas estabelecidas em cada atividade.:
6.1 Principais Atribuições
Como atribuições principais da GETI pode-se destacar:
• O estabelecimento das diretrizes gerais do programa, sempre em consonância com a natureza e as finalidades do SESC;
• O acompanhamento e orientação técnica às unidades operacionais como as pesquisadas pelo autor(Vila Mariana, Santo André e Consolação). Esta orientação acontece por meio de reuniões periódicas com os técnicos envolvidos com o TSI os chamados coordenadores de atividades da Terceira Idade.
• Planejamento e execução de treinamentos práticos e teóricos nas áreas do trabalho sócio-cultural de modo geral e na área de gerontologia sempre ministrado por docentes internos e externos, com acompanhamento da Gerência de Recursos Humanos;
• Produção de pesquisas na área da Gerontologia social, de reflexões apresentadas em publicações e artigos como a própria revista da “Terceira Idade”;
• A administração do chamado Centro de Documentação e Intercâmbio, situado na sede do SESC no bairro do Belenzinho é um departamento estratégico no suporte a estudos e pesquisas nas áreas da cultura, lazer, atividades físicas e da Gerontologia. Quando o assunto é Terceira Idade o acervo é considerado o mais completo e atualizado do país.
• A promoção de intercâmbio e parcerias com instituições públicas e privadas, representando o SESC paulista em congressos e demais eventos de natureza técnica e científica na área de Gerontologia, com
o propósito de divulgar e assimilar novos conceitos e metodologias de ação junto à Terceira Idade.
Quando existe o TSI (Trabalho Social com o Idoso) em alguma unidade operacional, o coordenador da mesma representa a instituição junto ao público idoso, prestando a ele toda a informação necessária a respeito de programas. Assim como é também por meio dele que a instituição sabe pelo idoso da eficácia das ações elaboradas pela GETI. Dentro das unidades estudadas (Vila Mariana, Santo André e Consolação) isto se dá utilizando-se dois canais o chamado “Canal Aberto ou Voz Ativa”10 (uma área em que o idoso encontra um papel que pode escrever
criticando ou elogiando qualquer atividade que participou ou tem contato) e também a crítica informal que se dá nos próprios corredores da unidade entre o idoso e o coordenador da atividades da Terceira Idade.
6.2 Metodologias, Estratégias e Dinâmica de Ação
Existe uma tradição no SESC em classificar suas atividades fins em três modalidades que são chamados de: eventos, atividades especiais e atividades permanentes, segundo critérios como a própria complexidade de produção, número de participantes e a visibilidade na mídia e na comunidade que está inserida.
Os eventos ou as atividades especiais apresentam um valor ritual, fixando na memória de seus participantes um determinado momento carregado de emoção e sentido. Para tornar isto possível é importante que este evento ou atividade especial se caracterize como um momento de culminância de um processo de trabalho cotidiano que ocorre individualmente e em pequenos grupos. Para a GETI então estes trabalhos só são considerados significativos para o idoso se este efetivamente for o sujeito deste processo. Além do impacto psicológico para o idoso, o evento acaba sensibilizando muitas vezes a própria comunidade e autoridades locais governamentais despertando para assuntos sociais. Um dos exemplos mais marcantes deste tipo de ação são os eventos que ocorrem duas vezes ao ano na
10 Documento utilizado por freqüentadores do SESC para que possam expressar suas opiniões. Encontra-se nos anexos.
unidade do SESC em Bertioga, o chamado Festival de Integração11 que reúne técnicos, o idoso freqüentador das unidades operacionais e convidados. Neste evento bianual os temas são os mais variados e procuram sempre trabalhar o lado cultural e educativo além de incentivar as atividades físicas em grupo.
Os trabalhos em grupo são prioridade na consecução de atividades junto aos idosos, considerados até certo ponto como uma estratégia prioritária nas atividades com este público sejam nos eventos, atividades especiais ou nas permanentes. Neste último caso, incentiva-se muito a convivência e o conseqüente desenvolvimento de habilidades nas relações interpessoais entre seus participantes. Na medida em que a atividade grupal é estruturada segundo interesses comuns, permite-se o aprendizado de novos conteúdos. É possível uma importante troca de experiências individuais, histórias, confronto de valores e ideologias, buscando o enfrentamento de novos desafios, estimulando a transformação pessoal.
6.3 Conteúdo Programático
O TSI (Trabalho Social com o Idoso) desenvolve uma programação de atividades organizada sempre por 3 áreas de interesse: Físico-esportivo: onde estão presentes a natação, hidroginástica, caminhada, yoga e ginástica; Artístico-Cultural: cinema, vídeo, artesanato, teatro e dança e o social onde pode-se destacar as festas de confraternização, excursões da terceira idade, passeios e jogos recreativos.
Como existe uma interpenetração entre conteúdo e método, é importante ressaltar novamente dois importantes aspectos metodológicos que são primeiramente a necessidade que o coordenador tem de ao elaborar a programação de avaliar de qual atividade e dentro de que formato realiza que objetivo, dentre todos os propostos pelo TSI e o segundo ponto importante na medida do possível tentar superar obstáculos como ausência de profissionais para monitorar determinadas atividades e de outras dificuldades técnicas, financeiras ou políticas. O técnico deve sempre buscar uma programação que complemente o conjunto de
11 Festival que ocorre no SESC Bertioga, duas vezes ao ano (Maio e Setembro) por cinco dias consecutivos com a presença de idosos de todas as unidades do estado de São Paulo. Modelo de convite encontra-se nos anexos.
todos os objetivos do TSI e também que possua sinergia com as atividades que estão sendo apresentadas na unidade que trabalha. O técnico ocupa um papel central na proposição de novos desafios para o idoso. Este papel é amplamente discutido no capítulo 7 do trabalho.