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2.4 FRAMEWORKS PARA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL

2.4.1 Global Media and Information Literacy (MIL) Framework

A partir de necessidades identificadas na United Nations Literacy Decade (2003-2012) de que os cidadãos possuem múltiplas competências orais, escritas e digitais e da importância da atuação nos diferentes contextos sociais percebeu-se que estas deveriam ser mais “[...] pluralistas e dinâmicas”. E de que “é necessária uma abordagem teórica e conceitual mais holística para chamar a atenção para os contextos sociais, culturais, tecnológicos, econômicos e políticos [...]” e para a forma

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AUSTRALIAN and New Zealand Information Literacy Framework: principles, standards and practice. 2. ed. Adelaide: ANZIIL, 2004. Disponível em: <

http://www.utas.edu.au/__data/assets/pdf_file/0003/79068/anz-info-lit-policy.pdf>. Acesso em: 12 ago. 2017.

como estes moldam a aquisição e utilização das competências pelas pessoas (UNESCO, 2013, p. 25).

O contexto atual em que o conhecimento está, em grande parte, em meio digital provoca uma divisão, não só em termos materiais e tecnológicos, mas também entre os que conseguem usar as ferramentas tecnológicas para busca, gerenciamento, criação e disseminação de informações e os que estão prejudicados neste processo. Visando mudar essa situação, minimizar riscos relacionados a privacidade, segurança e confiabilidade das informações, e permitir o entendimento dos processos relativos a criação, o acesso e aos aspectos legais das informações surge o conceito da alfabetização midiática e informacional.

Este conceito une a informação, o processo de aprendizagem e o processo de tomada de decisões para o “[...] uso apropriado dos recursos e das tecnologias da forma mais eficiente e ética”. E entende que “a aplicação da tecnologia no processamento e administração de dados e informações conduz a uma maior conectividade, profissionalismo, participação e inclusão e demanda o pensamento crítico” (UNESCO, 2013, p. 28).

A fim de englobar todas estas necessidades, o Framework divide a alfabetização midiática e informacional em três grandes ações: acesso, avaliação e criação. A Figura 6 representa esta divisão, a partir da qual são apresentados os conteúdos e conceitos relacionados. O Framework apresenta sobre cada componente: a competência principal; as ações e os assuntos relacionados; as competências específicas; e, os critérios de desempenho.

Figura 6 - Componentes do MIL Framework

O componente ‘acesso’ visa a competência em reconhecer a necessidade de informação e ser capaz de buscar e de recuperar conteúdos informacionais. São conteúdos e ações deste componente: definir e articular a necessidade de informação; buscar e localizar a informação e o conteúdo midiático; acessar a informação, conteúdo midiático e produtores/editores, e; recuperar e armazenar a informação(UNESCO, 2013).

Já o componente ‘avaliação’ tem por objetivo o entendimento, a análise crítica e a avaliação da informação, das diferentes mídias, das instituições midiáticas e informacionais no contexto dos direitos humanos e dos direitos fundamentais. São conteúdos deste componente: entender a informação e as diferentes mídias; avaliar o conteúdo informacional e os produtores de informações; e, organizar os conteúdos(UNESCO, 2013).

Incluem-se aqui ações como a distinção entre fatos e opiniões, a identificação de ideologias e valores, a atenção a dados obsoletos, o questionamento sobre as questões sociais, econômicas, políticas e tecnologias do conteúdo midiático. Em resumo, envolve a avaliação em termos de qualidade, relevância, precisão, integridade e a confiabilidade das informações. E ainda a organização, a seleção e a síntese das informações lidas e coletadas no processo destes dois componentes.

Por fim, o terceiro componente trata da criação, utilização e monitoramento dos conteúdos informacionais e midiáticos. Criar conhecimento e expressões criativas; comunicar a informação de forma ética e efetiva; participar como cidadão ativo de atividades sociais; e, monitorar a influência da informação, da produção e do uso do conhecimento e dos produtores de informação são os conteúdos deste componente(UNESCO, 2013).

Este componente pode ser “[...] definido como a capacidade de dominar o know-how da produção de informação, do conteúdo de mídia, de novos conhecimentos e da comunicação efetiva” (UNESCO, 2013, p. 57, tradução da autora). Abrange, portanto, a produção, o compartilhamento e o monitoramento da informação com destaque para as atitudes e valores para usá-la de forma ética.

Um exemplo de aplicação do Framework foi o estudo de Holma et al. (2014), cujo objetivo foi analisar a aplicação da metodologia da matriz de competências na avaliação das competências informacionais de adultos e caracterizar as necessidades educacionais das competências informacionais da população adulta do distrito de Kekava na Letônia. A pesquisa realizada com vinte e três sujeitos,

com idades entre 26 e 62 anos, utilizou-se de grupos focais, questionários e tarefas práticas de busca de informações (uso da técnica do “pensar em voz alta”) como instrumentos de coleta de dados.

Os grupos focais foram organizados em três categorias: importância da informação na vida cotidiana dos respondentes, em termos de situações que requerem informações e fontes para encontrá-las; problemas que impediram o encontro de informações necessárias; e, conhecimentos e habilidades para lidar com as informações. O questionário, especificamente, foi dividido de acordo com os componentes (acesso, avaliação e criação) e incluiu questões relacionadas a diversas situações da vida cotidiana (como procurar uma receita, comprar um eletrodoméstico, por exemplo).

Os resultados obtidos demonstram que a maior parte dos problemas para obtenção de informações refere-se ao “[...] contexto, volume de informações disponíveis na Web e a usabilidade de fontes e softwares” (HOLMA et al., 2014, p. 555, tradução da autora). Em termos de avaliação, “[...] muitos dos respondentes selecionaram e olharam apenas o primeiro ou os três primeiros resultados encontrados em uma lista de fontes” (HOLMA et al., 2014, p. 558). E em relação à criação/produção, observou-se que frequentemente os participantes “[...] simplesmente copiaram a informação, não criando seu próprio texto e nem referenciando o copiado” (HOLMA et al., 2014, p. 558). Estes problemas, segundo as autoras, podem ser sanados por meio da competência informacional.

Especificamente em relação ao Framework o estudo revela que a divisão dos componentes em competências específicas fornece diversos benefícios como a avaliação mais objetiva da competência informacional e a identificação dos conhecimentos e habilidades que foram adquiridos ou que devem ser melhorados.(HOLMA et al., 2014)