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Gordura

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4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS

4.3 Considerações sobre a Abordagem da Qualidade do Leite

4.3.6 Qualidade da glândula mamária bovina e as células somáticas do leite

4.3.6.5 Aspectos químicos relevantes na qualidade do leite crú

4.3.6.5.2. Gordura

Segundo Walstra et al. (2006), a composição química do leite determina o seu valor nutricional, seu sabor e aroma e, dentre outros constituintes, apresenta em média 4,0% de gordura. Para Torres et al. (2000), a gordura é secretada nas células epiteliais mamárias na forma de glóbulos graxos e, encontra-se no leite integral, na quantidade média de 3,8%.

A gordura possui funções e características específicas, dentre as quais é a responsável por boa parte das características sensoriais do leite e representa a maior fonte de energia do alimento, podendo apresentar variações de 2,2% a 4,0% na composição dos ST do leite (CORASSIN, 2004; KENELLY & GLIM, 1998).

Nunes et al. (2010), descreve a gordura do leite como uma mistura formada por mais de 100.000 tipos de triacilgliceróis, nos quais estão distribuídos diferentes ácidos graxos, assim sendo, provavelmente, é a mais complexa das gorduras naturais.

Segundo o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Leite Crú Resfriado, (MAPA, 2002), o leite crú integral resfriado deve apresentar dentro da propriedade rural teor de gordura igual ou maior que 3% como um dos requisitos mínimos de qualidade. O valor preconizado pela IN51 para o teor de gordura no leite “in natura” refrigerado é de no mínimo 3,0g/100g (MAPA, 2002). Segundo Santos e Fonseca (2007), a composição média deste constituinte no leite de vacas da raça holandesa é de 3,54%, enquanto para vacas da raça Jersey é de 5,13%. Para Gaynor et al. (1995), os teores médios de gordura no leite do rebanho norte-americano, nos últimos quinze anos, correspondem a 3,64% e 4,73%, respectivamente.

Conforme Torres et al. (2000), o leite bovino contém em média 35g de gordura/litro, sendo este componente formado por uma combinação de aproximadamente 98% triglicérides, e 2% da combinação de diglicerídeos, monoglicerídeos e ácidos graxos livres. Zanela et al. (2006), ao avaliar a qualidade do leite em sistemas de produção da região Sul do Brasil encontrou na composição do produto a média de 3,6% de gordura. Pereira et al. (1999), mostra índices semelhantes, observando-se concentração média de 3,64% de gordura em 6.112 amostras de leite analisadas na região de São Paulo, em período compreendendo as quatro estações do ano, junho de 97 a abril de 98.

Com relação aos componentes do leite a gordura é o ingrediente mais variável, em aspectos quantitativos, podendo oscilar entre 2,2% a 4,0%, (BURCHARD & BLOCK, 1998) ou de 3,0% a 5,0% (JENSEN, 2002). Esta variação é influenciada, entre outros determinantes, por genética e fatores ambientais (REIS et al., 2004; BURCHARD & BLOCK, 1998), estágio de lactação e sazonalidade (FOX & McSWEENEY, 1998), raça (CERBULIS & FARRELL, 1975), mastite (FOX & McSWEENEY, 1998; KITCHEN, 1981), alimentação das vacas (LANNA & MEDEIROS, 2000; FOX & McSWEENEY, 1998; BURCHARD & BLOCK, 1998) e manejo, destacando-se o nutricional (REIS et al., 2004).

Existem três maneiras de influenciar o teor de gordura do leite: seleção genética, identificação e manipulação dos genes que controlam a composição do leite e pela nutrição. Apesar de o melhoramento genético ser uma importante via para o aumento da gordura no leite, a nutrição é a forma mais rápida de se atingir tal objetivo (SANTOS e FONSECA, 2007; GAYNOR et al., 1995), podendo-se alcançar índices de variação entre 2 e 3 unidades percentuais a mais (GAYNOR et al., 1995).

Gaynor et al. (1995), destaca outros fatores que afetam a composição do leite, sobretudo, o teor de gordura: estágio de lactação, estação do ano e a saúde animal. A gordura do leite não deve ficar abaixo de 3,4%. No verão, o teor de gordura tende a cair em função de aspectos fisiológicos intrínsecos aos animais, conforme importantes dados de sua pesquisa realizada nos EUA, com extremos de gordura de 3,4% no verão e 3,87% no inverno.

Tabela 13. Fatores que influenciam teores de gordura no leite bovino.

FATORES VARIAÇÔES

Individualidade do animal 1% a 2% no teor em gordura Estado de saúde da vaca Patologias podem diminuir o teor em gordura Idade do animal O teor em gordura diminui com a idade Estágio de lactação Diminui no início e aumenta progressivamente até o fim Temperatura ambiente Quanto maior menor será o teor em gordura do leite Exercício físico Aumenta de 0,2% a 0,3% no teor absoluto de gordura Ordenha Leite de segunda ordenha pode conter até 0,4% a mais de gordura que o da primeira ordenha

Quarto mamário Até 1% entre quartos

Raça Jersey > Holandesa

Fonte: Adaptado de Riel, (1991).

Cassoli e Machado (2006), destacam a homogeneização insuficiente do leite como principal fonte de variação observada em resultados de análises quantitativas para gordura, em conseqüência de a gordura, por possuir menor densidade, concentrar-se na superfície do local de armazenamento. Fox & McSweeney (1998), destacam a secreção de leite com teores de gordura desiguais através dos diferentes quartos da glândula mamária; o intervalo entre a primeira e a segunda ordenha, considerando o teor de gordura ser maior na segunda e vacas com déficit alimentar diminuem a produção de leite, com pequeno efeito na quantidade do teor de gordura. Tem-se assim redução absoluta da quantidade de gordura produzida.

Convém ressaltar ainda os efeitos da mastite clínica e subclínica sobre a concentração de gordura do leite. Na acepção de Pereira et al. (1999), a literatura revela resultados conflitantes quanto a estas avaliações. Munro et al. (1984), e Schultz (1977), citam que alguns autores sugerem que a relação entre a CCS e o percentual de gordura pode ser negativa, positiva ou nula, dependendo do valor médio da CCS no leite dos rebanhos.

Para Oliveira et al. (1999), e Kitchen (1981), dependendo da severidade do processo inflamatório, a mastite além do aumento na CCS determina alterações na composição do leite, de maneira geral, causa redução nos teores de alguns componentes do leite como à gordura. Na mastite os teores de gordura tendem a diminuir (AULDIST & HUBBLE, 1998; FOX & MCSWEENEY, 1998; KITCHEN, 1981), em razão da menor capacidade de síntese do tecido mamário (FOX & MCSWEENEY, 1998; KITCHEN, 1981). No leite com alta CCS observa-se menor concentração de gordura devido a menor síntese de gordura pela glândula mamária (RANDOLPH e ERWIN, 1974; SCHULTZ, 1977). ASBY et al. (1977), analisando a CCS e a composição de leite do tanque de 445 rebanhos, no período de dois anos, observaram baixas no teor de gordura com o aumento na CCS, creditou-se 4% da menor taxa de gordura em relação à variação na CCS.

Entretanto, alguns autores afirmam que as mudanças no nível de gordura do leite causada pela mastite são pequenas, e, por vezes, não ocorre até que a infecção se torne severa, isto é, o leite apresente alta CCS. Afirmam, ainda, que a mudança nos níveis de ácidos graxos livres não é marcante até que a CCS seja maior que 2.000.000 cel/mL (KITCHEN, 1981).

Bueno et al. (2004), não aponta alterações do teor em gordura em leite produzido no Brasil com CCS acima de 200.000 cel/mL, sendo o componente do leite que menos apresentou alterações quantitativas naquele estudo em função da CCS. Em contrapartida, segundo Kitchen (1981), alguns trabalhos mostram que a gordura pode ser concentrada no leite quando a produção deste leite é reduzida com maior intensidade que a síntese de gordura.

Da mesma forma, Marques et al. (2002), observou maiores concentrações de gordura de acordo com a elevação dos níveis de CCS no leite. Bruckmaier et al. (2004), contribui com esta perspectiva, cita aumento no teor de gordura do leite proporcionado pela diluição no volume de leite produzido, acompanhado de uma leve baixa da síntese de gordura, o que resulta em menor teor de gordura no leite total. Pereira et al. (1999), comparou o leite mastítico e o não mastítico observando concentração de gordura média de 3,69% para leite mastítico e 3,58% para leite não mastítico, com nível de significância de 5%. Este aumento da concentração de gordura pode ser ocasionado pela diminuição da produção de leite frente à infecção mamária, como descrito por Bruckmaier et al. (2004).

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