2.3 O estreito corredor das letras
2.3.6 Gosto e desgosto do leitor
O público leitor, em fins do século XIX e começo do XX, dado seu número
reduzido associado ao grande índice de analfabetismo45, era bastante disputado pelos
literatos e críticos. Estes, assumindo a missão de orientadores, imbuídos da necessidade de levar o país a um patamar do que se entendia como civilização, eram ferrenhos na disputa pela adesão dos leitores, através do único veículo para atingi-lo: a imprensa.
O papel social dos maiores jornais estava ligado à luta política dos grupos dominantes. A literatura, em suas páginas, entrará como um dado da vida mundana e da leitura de lazer, através dos folhetins, poemas, crônicas e outras formas ligeiras de ficcionar a realidade. Bilac é enfático ao referir-se à imprensa: “O jornalismo é para todo o escritor brasileiro um grande bem. É mesmo o único meio do escritor de se fazer ler. O meio de ação nos falharia absolutamente se não fosse o jornal – porque o livro ainda não é coisa que se compre no Brasil como uma necessidade.” (RIO, [1905], p.10).
Ainda que ao testemunho de Bilac e de outros escritores46 pudessem se
contrapor47 outros tantos, no que diz respeito à importância dos jornais para a literatura,
o acanhamento do meio cultural e das difíceis possibilidades de se conquistar leitores não deixa dúvidas sobre a função e necessidade da imprensa nos termos apresentados por Olavo Bilac.
A incipiente indústria do livro não franqueava a disseminação da leitura. Afinal, eram muito presentes no final do século XIX as conseqüências da longa história da proibição colonial à instalação de oficinas de imprensa no Brasil, o que perdurara até 1808. Ainda assim, à imprensa régia instalada naquele ano seguiu a restrição rígida a outras fontes de impressão, além da censura que se estendia não só aos impressos locais
como à importação e exportação48. Tal limitação prolonga-se até 1821, ano em que a
censura é abolida e encerrado o monopólio do Estado.
A precariedade da formação escolar da população revelava no país “mais de 70% de analfabetos” (LAJOLO; ZILBERMAN, 1999, p.64), até o final do século XIX.
O reduzido número de alfabetizados e o também reduzido número de obras disponíveis no mercado, como também o preço elevado dos volumes e a concorrência
45 Segundo Antonio Arnoni Prado, para José Veríssimo no país tratava-se de “[...] 12.213.356 analfabetos (para um total de 14.333.915 habitantes em 1890) [...]” (PRADO, 1976, p.24).
46 Silvio Romero: “[...] o jornalismo tem sido o animador, o protector, e, ainda mais, o creador da literatura brasileira ha cerca de um seculo a esta parte.”; Medeiros de Albuquerque: “Não é verdade que o jornalismo prejudique em nada a nossa literatura. O que a prejudica é a falta de instrucção. Sem publico que leia; a vida literaria é impossivel. O jornal faz até a preparação desse publico.” (RIO, [1905], p.49 e 79).
47 Mario Pederneiras: “...a imprensa, no Brasil, é um pessimo factor para a arte literaria...” (RIO, [1905] p.226).
48 Nos termos do historiador Pereira da Silva, na obra História da Fundação do Império Brasileiro: “O receio da imprensa tanto perturbava o governo que ordenou aos juízes das alfândegas que não admitissem a despacho livros ou quaisquer impressos sem que lhes fosse apresentada a competente licença do desembargo do paço, ao qual deveriam enviar uma relação de quantos entrassem e saíssem das alfândegas. [...] Ordenou que uma inquirição ficasse aberta para se admitir em segredo as denúncias, e punir-se os transgressores.” (SILVA, 1877 apud LAJOLO; ZILBERMAN, 1999, p.125).
das importações são fatores que só podiam resultar em um grupo bastante restrito de leitores e, menos ainda, daqueles voltados para a literatura.
Nesse quadro é que se delineia um gosto gerado pelo Romantismo e apimentado pelas novidades realistas e naturalistas. Considerando que “A literatura como acontecimento cumpre-se primordialmente no horizonte de expectativa dos leitores, críticos e autores, seus contemporâneos e pósteros, ao experenciar a obra.” (JAUSS, 1994, p.26), cumpre destacar que aquele parâmetro, pelo viés do cientificismo, propõe uma verdade objetiva, existente fora do ser humano e capaz de ser captada em sua totalidade e precisão. A análise das doenças mentais explicará os desvios de conduta moral. A ciência poderá dar conta de toda a disfunção social e o futuro à razão pertence.
O sentido mimético da Literatura Brasileira, resultado da necessidade de se edificar a idéia de nação, “revelando” a realidade do país, implicará em uma limitação da subjetividade, bem como uma noção do Brasil que oscilará entre o ufanismo e o derrotismo.
Quanto à limitação da subjetividade, as questões existenciais que envolvem aspectos metafísicos serão negligenciadas, submetidas à ironia ou surgirão como banalidades ante as urgências sociais cotidianas.
O ufanismo será o resultado da idéia e desejo de se desenvolver o modelo de civilização trazido da Europa e atualizado pela constante assimilação de suas novidades tecnológicas e culturais. Tal expectativa constituirá a elaboração de diversas fantasias sobre a nação e projeções futuras que, além de descabidas, faziam das adaptações imitativas um progressivo descolamento da realidade brasileira, em especial de sua população. Por outro lado, do complexo de inferioridade na comparação com as nações desenvolvidas, nasceu o derrotismo e a rejeição “deste país” que, em sua longa trajetória, induzirá à busca de uma correspondência fiel à expectativa estrangeira e negativa sobre o Brasil, na representação da miséria, dos miseráveis e da tragicidade social. Essa vertente de pensamento promoverá a identidade fraturada pela autonegação e, também, como a ufanista, pela redução da complexidade da existência humana.
Contudo, considerando que
[...] a obra que surge não se apresenta como novidade absoluta num espaço vazio, mas, por intermédio de avisos, sinais visíveis e invisíveis, traços familiares ou indicações implícitas, predispõe seu público de uma maneira bastante definida. Ela desperta a lembrança do já lido, enseja logo de início expectativas quanto a “meio e fim”, conduz o leitor a determinada postura emocional e, com tudo isso, antecipa um horizonte geral da compreensão vinculado, ao qual se pode, então – e não antes disso –, colocar a questão acerca da subjetividade da interpretação e do gosto dos diversos leitores ou camadas de leitores. (JAUSS, 1994, p.28).
no tocante às obras dos autores objeto deste estudo, o recorte étnico, do ponto de vista de onde emana o discurso, propõe a aparição do sujeito étnico afro-brasileiro, que vai produzir uma reação conflituosa, pois as vozes literárias do negro e do mulato alterarão o paradigma identitário do leitor com o “eu” do discurso. A própria significação das relações étnicas ganhará a dimensão humana inesperada. Negros e mulatos já não serão
apenas concebidos como exterioridades, objetivos, peças manipuláveis, mas sim a confirmação de uma subjetividade capaz de, ao dizer-se, estabelecer com o outro (branco) um diálogo intersubjetivo e levá-lo a questionamentos intra-subjetivos, em outras palavras, à possibilidade de mudança de diversas conceituações sobre a vida. Daí que o processo de rejeição terá motivos calcados na cristalização secular de valores, anseios e desejos. Com isso, as obras de nossos autores vão situar-se em uma dimensão particular no tempo, pois “[...] há obras que, no momento de sua publicação, não podem ser relacionadas a nenhum público específico, mas rompem tão completamente o horizonte conhecido de expectativas literárias que seu público somente começa a formar-se aos poucos.” (JAUSS, 1994. p.33).
Na constante manifestação do sujeito étnico branco, desde Gregório de Matos, com o ápice cambiante em Castro Alves, que assumiu o ponto de vista do escravizado, em vários momentos de sua obra, até o processo analítico de autores como Aluísio Azevedo, Adolfo Caminha, Graça Aranha, Júlio Ribeiro e outros, através dos ciclos do flagelo, da revolta e vingança do escravizado, balizados pela comiseração, ódio e desprezo, proliferaram os sinais do surgimento de sua contraposição. O discurso sobre o outro ensejava o discurso do outro, como um dado da maturação de ambos. Quase como uma norma, o negro e o mulato não tinham, desde dentro, voz na Literatura Brasileira, embora vários de seus autores fossem mulatos. A ficção, desta feita, limitava
a realidade49. Brancos ouviam negros no cotidiano, percebiam uma vivência subjetiva
diferente da sua, confabulações que lhes eram inacessíveis, além de sofrerem, dos negros, oposição muitas vezes violenta e, por outro lado, com eles se envolverem de várias formas, inclusive afetivamente. Os brancos, leitores de literatura, portanto, tinham no seu horizonte de expectativa aquelas outras vozes como promessa de quebrar o silêncio das letras impressas a partir de um outro lugar da emanação do discurso. Sabiam que o que lhes era comumente oferecido coincidia com seu ponto de vista, com o seu lugar discursivo, mas pressupunha uma completude capaz de diminuir o fosso entre a função poética e a função prática da linguagem. Tal expectativa, entretanto, não
incluía serenidade, o que, aliás, não é próprio do ato da leitura50. Afinal, a relação
autor/texto/leitor pode ser concebida como jogo (ISER, 2002, p.105-118), para o qual “não há um significado prévio”. O significado é uma construção, levada a efeito pelo
49 Havia predominância quase absoluta de um só ponto de vista subjetivo advindo da vivência racial. Pode-se, pois, alargar ou singularizar o que escreve Luiz Costa Lima: “Sempre falamos a partir de algum ponto; numa sociedade de classes, sempre falamos a partir de uma classe. Ora, porque a experiência estética não é regulada por conceitos, ela se torna mais apta tanto a abrigar prenoções, quanto a permitir a visualização ou realização de experiências novas.” (LIMA, 2002, p.49).
50 O ato da leitura é movido pelo empenho do leitor, pois: “Ler implica prever, esperar. Prever o fim da frase, a frase seguinte, a outra página; esperar que elas confirmem ou infirmem essas previsões; a leitura se compõe de uma quantidade de hipóteses, de sonhos seguidos de despertar, de esperanças e decepções; os leitores estão sempre adiante da frase que lêem, num futuro apenas provável, que em parte se desmorona e em parte se consolida à medida que a leitura progride, um futuro que recua de uma página a outra e forma o horizonte móvel do objeto literário.” (SARTRE, 1999, p.35-36).
empenho do leitor que coloca seus esquemas51 de apreensão do mundo à disposição para um confronto com as propostas do texto. “Por conseguinte, o sentido não é mais algo a ser explicado, mas sim um efeito a ser experimentado.” (ISER, 1996. p.34). Segundo Iser, podemos no jogo com o texto nos empenhar na busca de significado para nos “desviarmos do não-familiar”, para “obtenção de experiência”, abrindo-nos exatamente para o não-familiar, e para encontrarmos o deleite, constituindo a
“encenação do texto”52 uma ilusão da qual se tem consciência, e que redunda em uma
transformação que
[...] é um caminho de acesso para o inacessível, mas a transformação encenada não só torna acessível o inacessível. Seu alcance talvez seja mais prazenteiro. Concede-nos ter coisas de dois modos: por tornar aquilo que é inacessível tanto presente como ausente. (ISER, 2002, p.118).
A armadura criativa/interpretativa para as personagens negras inventadas pelos brancos (autores e leitores), quando a escravização ainda mantinha os posicionamentos étnicos socialmente bem demarcados, obedecia à lógica de um silêncio impositivo sobre o outro. Buscava-se o “familiar” das relações sociais e, quanto à “obtenção de experiência”, era a catarse que se operava no sentido de vazar as apreensões em face das mudanças que se operavam e outras que se anunciavam no campo da economia e da política e na história de cada levante.
Ao realizar ações, as personagens negras atuavam no sentido da ameaça a um inconsciente social culpado, potencializando a preocupação com a vingança, com a possibilidade de um revide do escravizado e, depois, do liberto. Polarizada com a do
escravizado humilde e manso, como os da obra de Bernardo Guimarães53, a personagem
do escravizado ruim confundia-se com a do senhor violento, como se este lhe tivesse emprestado a maldade para exercer sua ação advinda do acúmulo de rancores. As
Vítimas Algozes, de Joaquim Manuel de Macedo, de 1869, é um exemplo nessa linha,
romance elaborado entre a crônica e a memória tendentes ao naturalismo. As
51 A noção de jogo nos servirá para configurar a recepção das obras de Cruz e de Lima. Segundo Iser: “Outro espaço de jogo básico no texto [o anterior caracterizado pelo significante fraturado] é aberto pelo esquema. Um esquema, como Piaget afirma em sua teoria do jogo, é o produto de nosso constante empenho em nos adaptarmos ao mundo em que estamos. Sob este aspecto, ele não é dessemelhante da imitação, porquanto é motivado pelo desejo de sobrepujar a diferença que marca nossa relação com o mundo. Antes de tudo, é a percepção que tem de exercitar esses esquemas de adaptação. Uma vez que estes esquemas tenham sido formados, o primeiro passo vital para eles está em serem internalizados, de modo que possam funcionar subconscientemente.” [...] “Assim como os esquemas nos capacitam a nos acomodarmos a objetos, assim também nos concedem assimilar objetos de acordo com nossas próprias inclinações.” (ISER, 2002, p.111).
52 A concepção participativa de leitor, apesar de carrear um sentido lúdico, revela também a idéia de possibilidade opositiva ou manipuladora do texto por parte daquele, pois: “O jogo do texto, portanto, é uma performance para um suposto auditório e, como tal, não é idêntico a um jogo cumprido na vida comum, mas, na verdade, um jogo que se encena para o leitor, a quem é dado um papel que o habilita a realizar o cenário apresentado.” (ISER, 2002, p.116). Além disso, parece-nos que ele também atua na direção do espetáculo.
53 O Garimpeiro (1872), A Escrava Isaura (1875), Maurício (1877), Rosaura, a Enjeitada (1883), O Bandido do Rio das Mortes
personagens negras e mulatas falavam pelo prisma de um narrador branco, como também assim se comportavam. Ora era o pavor que causavam, ora a admiração pela lealdade canina. A fala de tais personagens, já comprometida em sua gênese, tinha seu volume reduzido se comparada às dos personagens brancos. O transbordamento afetivo dos românticos apontava para a servidão/bondade; a perspectiva naturalista para a rebeldia/maldade.
Não se pode, entretanto, deixar de reafirmar o processo de cooptação ideológica e suas conseqüências geradas pela política cultural do Segundo Império,
associado à pouca desenvoltura do público leitor54. Mas, a partir dos anos 70 do século
XIX, as fissuras sociais tornaram-se mais abertas, pois o conflito entre senhores e escravizados acelerava-se, pelo crescimento dos movimentos quilombolas e abolicionistas. A alusão feita por Octavio Ianni acerca do desencantamento do mundo e de certo paroxismo da literatura ilumina, de certa maneira, o final do século XIX no Brasil:
Tanto as ilusões como os demônios que povoam a época invadem a fantasia que se presume solta, livre, isenta, inocente. Mais que isso, essas narrativas podem revelar algo excepcionalmente recôndito e essencial da época, que a própria cultura da época recobre, esconde ou nega. (IANNI, 1999, p.34).
A Literatura Brasileira, não podendo manter o processo de idealização, teria de abrir as comportas dos medos, passando a conviver com os fantasmas da rebelião e da vingança, ensejando, entretanto, a expectativa de os fantasmas emitirem as suas próprias vozes, para, então, surgirem concebidos como homens capazes de não apenas serem vistos, analisados e serem objeto, mas também de verem, tornando-se sujeitos. É neste ponto, tanto da literatura que anuncia um sujeito étnico afro-brasileiro quanto da que o contemple em sua inteireza, que o “jogo” entre autor/texto/leitor entra na fase de alteração do “esquema” de que nos fala Iser, pela sua função assimilativa que, otimizando o caráter da oscilação contínua entre denotação e figuração, atinge o padrão
de jogo que o autor intitula Ilinx55: “... em que várias posições são subvertidas,
recortadas, canceladas ou mesmo carnavalizadas, como se fossem lançadas umas contra as outras. Visa fazer ressaltar o ponto de vista dos fundos das posições assumidas no jogo.” (ISER, 2002, p.113).
54 Quanto à cooptação do escritor, Sartre, basendo-se na importância do conflito para a literatura, observa: “O conflito se reduz à sua expressão mais simples quando o público virtual é praticamente nulo e o escritor, em lugar de se manter à margem da classe privilegiada, se deixa absorver por ela. Neste caso, a literatura se identifica com a ideologia dos dirigentes, a mediação se opera no seio da própria classe, a contestação incide sobre o detalhe e se dá em nome de princípios incontestados.” (SARTRE, 1999, p.66-67).
55 Iser apresenta “quatro estratégias fundamentais”: agon, que exige uma decisão a ser tomada pelo leitor entre valores contrários que se mostram na obra em colisão; alea, quando há uma subversão semântica, frustrando as expectativas convencionais do leitor; mimicry, em que se designa o engendramento da ilusão; e Ilinx. (ISER, 2002, p.113).
Em outras palavras, é quando a relação atinge a “mudança do horizonte” do leitor (JAUSS, 1994, p.32) e transforma a obra, enquanto somatória das várias leituras a que é submetida, alterando, pois, “...o conjunto de pressuposições comuns ao autor e aos leitores, necessárias para tornar inteligível a estes o que escreve aquele.” (SARTRE, 1999, p.71).
O processo dinâmico envolvendo autor, obra e público em fins do século XIX, não contando com pleno desenvolvimento do gosto por parte do restrito conjunto de leitores brasileiros, que não os especialistas (críticos e escritores), abriu caminho para a obra de tese, em que o escritor se esmera para provar uma verdade (seu vínculo ideológico), fazendo das personagens seus porta-vozes fiéis. Esse influxo de racionalização era apresentado como uma forma de conduzir o leitor a um patamar de participação para com os destinos do país. Tal vertente operou no sentido de uma quase ditadura do texto, com a redução dos vazios ou da indeterminação próprios da obra literária que, assim, garantem ter a mesma “um ar de generosidade”, no dizer de Sartre, e se constituir em um apelo à generosidade do leitor. Reflexo da organização capitalista do trabalho, a racionalização que se projeta sobre a forma de se organizar da obra
literária é genérica56, nela embutido um processo de alienação. A crítica sartreana ao
Realismo vem ao encontro desta constatação:
Toda realidade, uma vez descrita, é riscada do inventário: passa-se à seguinte. O realismo não é nada mais do que essa grande caçada enfadonha. Trata-se, primeiramente, de tranqüilizar- se. Por onde passa o realismo, a relva não cresce mais. O determinismo do romance naturalista esmaga a vida, substitui a ação humana por mecanismos de mão única. Tem apenas um tema: a lenta desagregação de um homem, de uma empresa, de uma família, de uma sociedade; é preciso voltar ao ponto zero: toma-se a natureza em estado de desequilíbrio produtivo e anula-se esse desequilíbrio, voltando-se a um equilíbrio de morte pela anulação das forças atuantes. (SARTRE, 1999, p.100-101).
Com um ímpeto de solucionar problemas, a multiplicidade regional, associada à multiplicidade étnica e cultural brasileira, manifestar-se-á cada vez mais na literatura brasileira, fazendo de sua busca de autenticidade um exercício contínuo de mapear horizontal e verticalmente o país.