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6 RESULTADOS E DISCUSSÕES

J.: Gosto, estudar

3. Qual a sua maior dificuldade na sala de aula?

J.: Ler.

4. Você gosta da maneira em que o seu professor (a) ensina?

J.: Sim.

5. Seu professor (a) busca te ajudar quando tem dificuldades nas explicações na sala de aula?

J.: Sim.

6. Qual o seu sentimento quando está na escola e na sala de aula?

J.: Alegria.

A primeira pergunta visava levantar dados sobre a formação docente dos participantes. Verificou-se que o professor Aristóteles é formado em Pedagogia, com especialização em Psicopedagogia. Já o professor Platão indicou apenas a formação inicial, também no curso de Pedagogia, em contrapartida, o docente Sócrates relatou somente a especialização em Geografia. Por fim, o professor Descartes respondeu com mais detalhes, ressaltando sua formação inicial no magistério em nível médio, seguido pela graduação em pedagogia e pós-graduação em Psicopedagogia institucional e clínica.

A segunda questão se relacionava com a prática docente e a atuação dos participantes junto a estudantes com TDAH. Três participantes apontaram que já lecionaram para estudantes diagnosticados, enquanto o professor Sócrates indicou que nunca vivenciou essa experiência.

No relato, o professor Aristóteles aponta características do educando com TDAH para quem já lecionou. Segundo o docente, o estudante realizava as atividades

e apresentava comportamento calmo, desde que não fosse contrariado, pois caso fosse, se tornava agressivo e desenvolvia crises de choro.

Sim, o qual era um aluno calmo, porém não podia ser contrariado, que se tornava agressivo e apresentava crise de choro e por certo tempo se isolava. Contudo, ele realizava e concluía as atividades propostas em tempo hábil (Trecho do questionário – professor Aristóteles).

Já o professor Platão indica que atualmente leciona em uma turma com um educando TDAH. O docente critica a falta de participação da família, tanto nas aulas remotas quanto presenciais. Todavia, reitera que quando o estudante apresenta as atividades feitas, é possível perceber um bom desempenho.

No momento tenho um aluno, no entanto, não tenho muito a acrescentar, a mãe alega que passa o dia no trabalho e a criança nunca participou das aulas pelo Google Meet e nem está participando de forma presencial. De acordo com as atividades que recebo a criança demonstra gosto em desenvolvê-las e bom desempenho.

Quando peço para que as respostas das atividades sejam através de vídeo ou áudio sempre participa e demonstra compreensão (Trecho do questionário – professor Platão).

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O professor Descartes também disserta que já trabalhou com um estudante com esse perfil e que o educando apresentava dificuldade no processo de alfabetização, especialmente, na compreensão de elementos específicos da codificação e leitura.

Sim. Na sala de Atendimento Especializado AEE, Déficit de Aprendizagem e Hiperatividade onde o aluno sentia dificuldade principalmente na assimilação dos fonemas ao ler as palavras e apresentava desatenção e desinteresse da atividade (Trecho do questionário – professor Descartes).

Na terceira pergunta buscamos compreender a concepção dos docentes sobre a escola em que atuam e o corpo docente que a compõe, se esses profissionais e esse espaço, em sua opinião, estariam preparados para atender aos educandos com necessidades especiais ou transtornos do desenvolvimento.

O professor Aristóteles compreende que sim, os docentes possuem conhecimento para lecionar nessas condições, mas ressalta a importância da formação continuada: “Acredito que os professores, apresentam noções de como

trabalhar com essa clientela. Entretanto, eles necessitam de capacitações e formação continuada na referida área” (Trecho do questionário – professor Aristóteles).

Para o professor Platão, há realmente uma complexidade no trabalho do docente nesse contexto, e defende que ele mesmo não se sente preparado. Todavia, ressalta como ponto positivo a sala de recursos da escola, que conta com um professor especialista que por sua vez atua em parceria com o professor da sala regular.

Em parte, temos a sala de recursos e os professores que atua sempre procura fazer um trabalho em parceria com o professor, muito embora ainda acredito que não estamos preparados o suficiente para lhe dá com as necessidades de transtornos que se apresentam em sala de aula (Trecho do questionário – professor Platão).

Na concepção do professor Sócrates, nem a escola nem os professores são preparados para lidar com estudante com TDAH, indicando como resposta a palavra

“não”.

Por fim, o professor Descartes ressalta como ponto positivo a presença de especialistas no âmbito escolar, tais com psicólogos e psicopedagogos. Também reitera a importância de sua especialização no trabalho na sala de aula regular.

Sim, pois a escola é composta por PSICOPEDAGOGOS é psicólogos além de mim que tenho especialização e mesmo não estando atuando posso dar meu parecer pedagógico voltado para a melhor aprendizagem do aluno contribuindo com os colegas que estão atuando diretamente já que estou atuando em sala regular (Trecho do questionário – professor Descartes).

A quarta pergunta levantou o questionamento sobre as práticas inclusivas adotadas no contexto escolar e pelos professores em sala de aula.

Conforme o professor Aristóteles, na escola em que ele atua há a presença da sala de recursos multifuncionais, além do acompanhamento dos orientadores pedagógicos, que oferecem respaldo a prática docente: “Temos o acompanhamento na de Recursos Multifuncional para os estudantes com necessidades especiais, como também orientações pedagógicas para os professores que atendem essa demanda”

(Trecho do questionário – professor Aristóteles).

Para o professor Platão, é importante a parceria entre professores da sala regular e da sala de recursos, todavia, é necessário cautela na escola desses profissionais.

Acredito que tem sido essa parceria com os professores da sala de recursos. No entanto, ainda tem ficado muito a desejar a questão da

escolha dos acompanhantes em sala de aula, geralmente colocam pessoas que não tem muito a acrescentar (Trecho do questionário – professor Platão).

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Já para o professor Sócrates, há “muita cobrança e pouco investimento”, dando a entender a necessidade de políticas públicas educacionais voltadas a valorização docente, condições de trabalho e melhorias na estrutura escolar, além de mudanças no processo estrutural de cobrança.

O professor Descartes relata um outro ponto de vista, sobre a parceria entre escola, comunidade e família, como possibilidade de um trabalho mais inclusivo e efetivo.

Já fazemos um trabalho inclusivo trazendo os alunos que deixam de frequentar as aulas de volta para a sala de aula. A escola promove reuniões de país falando sobre as dificuldades apresentadas pelas famílias e são desenvolvidas atividades em que esse aluno se sinta incluído no núcleo escolar entre essas atividades educativas (Trecho do questionário – professor Descartes).

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Na quinta questão buscamos analisar a percepção dos professores sobre sua prática, se eles a consideram inclusiva.

O professor Aristóteles dissertou que há uma parcialidade em seu entendimento, pois há fatores extraescolares que influenciam em sua atuação: “Em parte, pois alguns de fatores externos, implicam na eficácia de uma prática pedagógica inclusiva” (Trecho do questionário – professor Aristóteles).

Já o professor Platão indicou que dentro de suas possibilidades busca realizar uma prática inclusiva, que instiga o respeito e o acolhimento.

Procuro sempre dentro das possibilidades que o ambiente de sala de aula seja acolhedor, voltado para que a criança se sinta parte integrante do processo ensino aprendizagem, entendendo que as crianças com transtornos necessitam de uma atenção especial e possa se sentir respeitado do ambiente de sala de aula (Trecho do questionário – professor Platão).

Para o professor Sócrates, todos os professores desenvolvem uma prática inclusiva, visto que a escola atende aos educandos em sua totalidade: “Todos os professores acredito desenvolvem práticas inclusivas, uma vez que a escola atende a todos os estudantes” (Trecho do questionário – professor Sócrates).

O professor Descartes também afirmou que prioriza em sua docência a inclusão e demais sentimentos positivos: “Sim sempre procurei buscar em sala momentos em que os estudantes interajam sintam empatia uns pelos outros e sintam

vontade de frequentarem a escola” (Trecho do questionário – professor Descartes).

Por fim, procuramos investigar os maiores desafios encontrados no cotidiano dos professores que atuam com crianças diagnosticadas com algum tipo de transtorno, especialmente o TDAH.

Para o professor Aristóteles os maiores desafios estão na infraestrutura da escola, na falta de recursos, atrelada a ausência da família e ao atendimento especializado: “O déficit na acessibilidade da escola, a carência dos recursos adaptados, a falta de acompanhamento da família, a escassez do atendimento clínico do estudante, dentre outros” (Trecho do questionário – professor Aristóteles).

Para o professor Platão, o problema está na falta de diagnósticos para as crianças, concordando com o posicionamento do professor Sócrates.

Por fim, o professor Descartes compreende que não há o que ele destacar, pois não vivenciou essa experiência, mas afirmou que busca o melhor para seus estudantes.

Analisa-se que os professores possuem formação inicial e especializações relacionadas especialmente a psicopedagogia, todavia, é ressaltada a importância da formação continuada nas práticas docentes.

Observamos nas falas que há a necessidade inerente do trabalho articulado com os especialistas que atuam na sala de recursos multifuncionais, bem como a parceria com as famílias e com a comunidade, para que se construa uma escola justa, democrática, inclusiva e acolhedora, baseada em princípios de equidade, justiça e igualdade.

Nessa perspectiva, tomando como base o processo de respostas relacionadas aos estudantes, é importante ressaltar que a maioria dos estudantes não responderam ao questionário disponibilizados, mesmo com quase dois meses de disponibilidade e, o estudante que respondeu, destacou que gosta de ir aula e que os professores fazem o possível para desenvolver um processo de ensino e aprendizagem adequado para com eles.

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