• Nenhum resultado encontrado

4 SOB A ÓTICA DA GOVERNANÇA

4.2 GOVERNANÇA INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE

Com efeito, a evolução das interações dos Estados no Sistema de Estados, onde estabelece-se uma ordem internacional, requer mecanismos e processos que permitam sua interação.

Entendendo esse processo que levou a ascensão do tema da Governança, agora será discutido o tema mais específico da Governança Ambiental como a área de interesse principal para esta pesquisa.

Pode-se entender a Governança Ambiental como “o conjunto de acordos, convênios e normas internacionais, os quais visam articular uma proposta de política ambiental global”, conforme aponta Mota et al. (2008).

Esse entendimento sobre o que vem a ser a governança ambiental remete à necessidade de estudar-se todos esses acordos, normas e convênios e tratam do tema ambiental em diversos níveis de discussão política. Esta análise foi realizada no primeiro capítulo, portanto nesse momento vamos nos ater aos elementos que se destacam a partir dessa análise, de pertinência para o estudo em questão.

Mota et al. (2008, p. 19) ressalta que a análise desses acordos e tratados resultam em três aspectos principais: a) cenários e alertas cada vez mais lúgubres – o primeiro relatório ao Clube de Roma, The Limits to Growth; b) propostas de políticas públicas crescentemente sofisticadas e abrangentes; e c) tomadas de decisões de políticas públicas em nível planetário muito aquém das propostas e acordos firmados e do enfrentamento das tendências degradantes do meio ambiente e mais recentemente do clima.

A apreciação desses aspectos, levando em consideração sua relevância para a implementação de mecanismos de governança efetivos, ressaltam a insuficiência do estágio atual com que a governança ambiental vem se consolidando no cenário internacional.

De fato, a ascensão dos temas ambientais na pauta das agendas internacionais ressalta o tema da governança na mesma medida em que se desenvolvem as análises ambientais (MATSUNAGA, 2009).

Nesse sentido, a governança ambiental, assim como a importância das instituições internacionais e demais atores, pode ser compreendida em quatro estágios: 1) identificação de problemas, checagem de fatos e estabelecimento de agendas; 2) negociação, barganhas e acordos sobre quais ações tomar; 3) adoção de transparência dos processos de cooperação internacional e aquisição de uma visão para além dos interesses racionais e de poder formal; e 4)

implementação, monitoramento, expansão, avaliação e fortalecimento. (HASS, 2006; SPETH, 2006).

Dessa forma, a governança pode efetivamente contribuir para o desenvolvimento de normas e regras por meio do compartilhamento e difusão do conhecimento, desde que seja tratada com a devida transparência dos processos de cooperação e que a atuação dos atores internacionais transcenda os interesses racionais e de poder (MATSUNAGA, 2009).

Seguindo essa mesma linha de raciocínio, a questão da governança ambiental não deve ser tratada como um tema específico que merece uma instituição própria e centralizadora de tais temas, mas sim por um agrupamento de instituições que possa, cada um em sua especificidade, contribuir com os temas ambientais de forma a aumentar a eficiência e eficácia dos acordos já existentes, melhorar a transparência entre as instituições e fomentar a cooperação de modo a evitar a sobreposição ou fragmentação institucional em função de retrabalhos (BIERMANN et al., 2008; IVANOVA, 2007; VON MOLTKE, 2005).

De fato, o debate sobre a Governança Global seguiu em diversos temas específicos, de tal forma a alcançar os temas ambientais. Esse debate acerca da especificidade da Governança Ambiental Global seguiu-se com o aumento da especialização de instituições e agências internacionais, bem como o fortalecimento dos regimes ambientais internacionais e da cooperação entre os atores internacionais estatais e não-estatais (BIERMANN, 2004).

Isso posto, a importância da governança ambiental global cresceu consideravelmente, destacando a ampliação da atuação da sociedade civil como um ator organizado e de relevância no cenário internacional. Considerando a importância das contribuições dos atores não-estatais e da sociedade civil para a governança ambiental, Fernandes Neto (2010) traz-nos uma reflexão acerca da abordagem específica sobre a governança ambiental.

A importância do tema tem se diversificado em diversas disciplinas como Administração, Ciências Políticas, Economia e Relações Internacionais, entre outras, principalmente a partir do direcionamento recente do domínio da coisa privada para a esfera pública, e as implicações decorrentes da globalização e do desenvolvimento sustentável (CALAME, 2004; FERNANDES NETO, 2010; PAYE, 2005).

O fenômeno da globalização proporcionou o advento de uma abordagem econômica fundamentada sobre os mecanismos de intercâmbio e coalizões entre os atores e orientadas pelas escolhas racionais dos indivíduos e seu comportamento estratégico. O paradigma do desenvolvimento sustentável, por sua vez, deu origem a uma abordagem sociopolítica da governança. (FERNANDES NETO, 2010, p. 28). A abordagem sociopolítica a qual o autor se refere, legitima o desenvolvimento de identidades coletivas, cidadania, comportamentos e coesão social, considerando os modos adequados de intervenção a serem implantados, favorecendo o aprendizado coletivo (BALDÉ, 2001; FERNANDES NETO, 2010; SILVA, 2006).

Dessa forma, a abordagem sociopolítica da governança ambiental estaria direcionada para questões como: seguridade da sustentabilidade nas ações no nível local, compreensão da complexidade da tomada de decisão e a consideração das dinâmicas envolvidas, de forma que se busque o aperfeiçoamento das estruturas governamentais, a redução dos conflitos de competência institucional e o acesso das comunidades aos recursos necessários para garantir um processo cooperativo sustentável (FERNANDES NETO, 2010).

Considerando esses aspectos referentes a uma abordagem sociopolítica para a governança ambiental, esta demonstraria o seu potencial e efetividade de transformações em direção a uma cultura da sustentabilidade (FERNANDES NETO, 2010), atuando como um catalisador de ações positivas na direção de políticas ambientais mais acordadas com os anseios dos atores sociais pertinentes (CAPRA, 2005).

Assim, uma abordagem para a governança ambiental precisa, efetivamente, examinar várias dimensões do desenvolvimento sustentável, considerando as contribuições das pessoas e das comunidades em diversos níveis de discussão para a implementação de políticas sustentáveis eficazes.