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CAPÍTULO 2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.5 GOVERNO ELETRÔNICO E SEUS RELACIONAMENTOS

Para Bobbio (2005, p. 35), antes do Estado, existe várias formas de associações que os indivíduos formam entre si para a satisfação dos seus mais diversos interesses, associações às quais o Estado se superpõe para regulá-las, mas sem lhes vetar o ulterior desenvolvimento e sem lhes impedir a contínua renovação.

Isto significa que a Administração Pública exerce sua função em nome dos interesses da coletividade. Para conseguir atingir a finalidade pública a que se destina, o Poder Público recebe do ordenamento jurídico uma série de prerrogativas denominadas poderes

administrativos. Eles representam os meios pelos quais o Estado impõe a supremacia do interesse público sobre o interesse privado.

Assim, tem-se que a estratégia política, na maioria dos planos e projetos governamentais, viabiliza a participação da população na esfera pública de maneira institucional, através de conselhos e colegiados. Dessa interação, formaram-se novos espaços de discussão que, conseqüentemente, provocarão o surgimento da vontade coletiva no sentido plural e não corporativo ou partidário. Essa mudança na forma de participação política faz com que o Estado não seja mais um inimigo, mas um parceiro que necessita da sociedade civil para implementação de suas políticas. Esse preceito pode ser transformado em necessidade social, desde que os movimentos sociais possuam uma ação própria e planejada e não sejam alvos de políticas experimentais e passageiras, permitindo, com isso, que eles conquistem um espaço permanente.

Também é fato que o Estado não consegue exercer diretamente e adequadamente todas as suas funções e atividades. Diante dessa incapacidade estatal, surgem as pessoas jurídicas para auxiliá-lo, tais como autarquias, agências reguladoras e executoras, fundações, empresas estatais públicas e de economia mista e as entidades paraestatais.

A figura 1 demonstra as várias forças que atuam junto ao governo para que ele cumpra seus objetivos. Dentre essas forças impulsionadoras, destacam-se: serviços, informações, acesso (consultas), a transparência, que envolvem cidadãos, Primeiro, Segundo e Terceiro Setores da economia, tudo isso mantido através de uma força central representada pela TICs. Dessa forma, o uso das novas tecnologias proporciona ao governo uma nova forma de governar, possibilitando a integração em tempo real no vasto mundo virtual dos atores componentes do Estado.

Figura 2: As forças do e-Gov. Interação das TICS com os três setores da economia e com o cidadão. Fonte: BRASIL (2006).

O Primeiro Setor é o governo, responsável pelas questões sociais, em especial. O Segundo Setor é o privado, responsável pelas questões individuais. Com a deficiência do Estado, o setor privado começou a colaborar nas questões sociais, através das instituições que compõem o chamado Terceiro Setor, que são entidades paraestatais, pessoas jurídicas de direito privado que não fazem parte da administração indireta, mas que colaboram com o Estado em atividades não lucrativas, recebendo em troca incentivos do Poder Público. O Terceiro Setor é constituído por organizações sem fins lucrativos e não governamentais, que tem como objetivo gerar bens, serviços de caráter público e privado. As principais Organizações do Terceiro Setor são: as organizações sociais, fundações, fundos comunitários, entidades beneficentes, entidades sem fins lucrativos, organizações não governamentais (ONGs), empresas que atuam com responsabilidade social, empresas doadoras, entre outras.

Para que o governo realize sua missão, é fundamental que ele estabeleça diálogos com o próprio governo, com empresas/negócios e com o cidadão. Os relacionamentos tradicionais do e-Gov podem ser assim traduzidos e visualizados (Figura 3):

G2C2G (Government to Citizens to Government) relacionamento entre governo e cidadãos;

G2G (Government to Government) relacionamento entre governo e o próprio governo, relação intra ou intergovernos;

G2B2G (Government to Business to Government) relacionamento entre o governo e as empresas

Figura 3: Relacionamentos tradicionais do e-gov. Fonte: IJURIS (2006)

G2C2G

Governopara Cidadãos

Cidadão Empresas Associações sindicatos e grandes grupos organizados

G2G

Governo para Governo

Secretarias e órgãos Autarquias Servidores Governantes e dirigentes Governo Federal, Estadual e Municipal

G2B2G

Governos para Negócios

Fornecedores

Terceirizados

Instituições Externas

Nesses relacionamentos, não é possível visualizar o papel desempenhado pelas organizações privadas do Terceiro Setor. Por isso, configurou-se um quarto relacionamento, entre o governo e essas organizações, e estas com os cidadãos G2B2C (Government to Business to Citizens). Neste caso, o governo transfere a essas organizações a sua função social, ficando apenas com o papel de fiscalização, verificando se estão cumprindo o acordado. (Figura 4).

Figura 4: Proposta de relacionamento de e-Gov com o Terceiro Setor Fonte: Miranda et al. (2006).

No contexto das restrições fiscais com que o Estado opera, torna-se necessário a busca e a adoção de mecanismos que permitam incrementar a colaboração do setor privado na prestação de serviços, em especial no atendimento social às comunidades menos favorecidas. Portanto, é por meio desse processo que surgem as OTS, com o objetivo maior de propiciar o desenvolvimento político, econômico, social e cultural no meio em que atuam.

Explica-se também essa maior participação do Terceiro Setor em virtude da sociedade civil passar por transformações decorrentes, entre os inúmeros fatores, da crise do Estado e da globalização. A globalização da economia e o fato do Estado não mais deter o monopólio do espaço público vêm provocando o desenvolvimento da esfera pública globalizável. Essa sociedade civil globalizada refere-se a uma multiplicidade de organizações em nome de direitos e bens comuns que não se submetem nem às razões de Estado nem aos mecanismos do mercado e que se constituem, sobretudo, na formação de ONGs e nos movimentos sociais que vêm se articulando mundialmente e agindo localmente. Por isso, provocam modificações

G2B2C

Governos para Negócios para Cidadão

Cidadãos Organizações do 3º Setor Fundações, Entidades beneficentes, ONGs, Fundos comunitários, Entre outras

de acordo com o espaço que atuam e surgem devido a causas específicas de cada sociedade. Assim, o poder local nos últimos anos tem se apresentado como espaço privilegiado de iniciativas inovadoras, tanto nos métodos de gestão como na organização da sociedade civil.

Ao lado de governos e do Terceiro Setor, surgem as empresas que agem com “Responsabilidade Social”. Segundo Cruz (2004, p. 16), elas representam um papel importante, ao transformarem as TICs em ferramentas de inclusão social, pois contribuem para o desenvolvimento de ações complementares às políticas públicas, auxiliam as comunidades a se desenvolverem, a gerarem renda e a ganharem autonomia.

2.6 A FUNÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL NO PROCESSO DE INCLUSÃO