CAPÍTULO 6 – ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS
6.3 ANÁLISE DE EFICIÊNCIA
6.3.4 GP-DNDEA: INTEGRAÇÃO DO DNDEA E PROGRAMAÇÃO MULTI-
Os scores de eficiência calculados com a modelagem DNDEA salientaram a possibilidade de melhorias no setor elétrico brasileiro tendo em vista que nenhuma DMU analisada foi considerada globalmente eficiente. Todavia, a modelagem indicou a existência de caminhos parcialmente eficientes, ou seja, DMU`s que possuem pelo menos um segmento (Geração, Transmissão ou Distribuição) eficiente.
A Tabela 17 ilustra o número de DMU`s eficientes em cada segmento a cada ano. Ilustra também a empresa eficiente no respectivo segmento, bem como o percentual de caminhos em que essa empresa obteve resultado ótimo. Essa última informaçãoo é relevante, já que uma empresa atuante em seu respectivo segmento só pode ser dita eficiente, caso obtenha resultado máximo em todas as relações das quais faz parte.
Tabela 17:Detalhamento de DMU's eficientes por segmento
2014 2015 2016
Número
DMU`s Empresa % Rede
Número
DMU`s Empresa % Rede
Número
DMU`s Empresa % Rede
Geração - - - 1 CHESF 14,29%
Transmissão 2 CEMIG 50% 2 CEMIG 50% - - -
Distribuição 17 CEMAT 7,69% 11 CEMAT 7,69% 2 Bandeirante 8,33% CJE 91,67% CJE 8,33% DME 66,67% DEMEI 100% Eletropaulo 16,67% DME 100% Paranapanema 12,50% Paranapanema 37,50%
Apesar das condições expostas previamente, não é possível diferenciar as DMU`s eficientes em cada ano, mediante essa limitação se faz indispensável o uso da GP. Observa-se que no segmento de Geração e Transmissão apenas uma empresa possuiu eficiência igual a um e esse resultado não foi obtido em todos os caminhos.
No caso da Geração, a empresa CHESF foi a única nos três anos observados a alcançar esse resultado. É interessante observar que na análise por segmento da seção 6.3.1.1, essa mesma empresa foi a única a obter resultado global ótimo. Tal verificaçãoo denota um alinhamento parcial entre as modelagens DDEA e DNDEA. Ao passo que no DDEA, a empresa foi eficiente nos três anos, no DNDEA apenas em 2016 esse resultado
foi obtido. Essa descorta corrobora com a discussão da seção 5.3.3 no sentido da maior adequação e discriminação dos resultados do DNDEA no corrente objeto de estudo.
Relativamente ao segmento de Transmissão, a empresa CEMIG obteve eficiência máxima. De modo similar ao segmento prévio, essa empresa foi considerada a de melhor desempenho na análise dinâmica exposta no tópico 5.3.1.2. Logo pela existência de apenas uma empresa considerada eficiente nos segmentos de Geração e Transmissão não se faz necessária a aplicação da modelagem GP para o referido período de inquirição.
Quanto ao segmento de Distribuição a situação observada se apresenta distinta dos demais exigindo a utilização da GP descrita no Quadro 26, a qual utiliza os critérios expostos no Quadro 23. No ano de 2014, 17 DMU`s obtiveram resultados ótimos em 2014 e 11 em 2015.
Para aplicação da modelagem, são definidas metas para cada um dos critérios. Para as variáveis DEC, FEC e IASC, os valores correspondem a meta anual estabelecida pela ANEEL. Além da definição dessa meta, a imposição de que esse valor seja maior do que a meta. Para a variável OPEX, foi definida como meta, tendo em vista que não existe nenhum valor definido pela ANEEL e para propor um valor que esteja em consonância com as organizações.
Tabela 18: Metas para os critérios de avaliação
2014 2015 OPEX (mil R$) 253.829,4 110.742,8 DEC 18,06 18,59 FEC 10,09 9,86 IASC 67,74 57,03 Fonte: ANEEL (2018)
Apesar da quantidade distinta de DMU`s, essas correspondem a cinco distribuidoras nos respectivos anos. Em 2016, apenas a empresa Bandeirante obteve a classificação eficiente. A modelagem GP analisou os anos de 2014 e 2015 para o segmento de Distribuição. O modelo GP, de forma similar aos demais, foi implementado no Excel e seus resultados se encontram detalhados na Tabela 19.
Tabela 19: Ranking GP para Distribuidoras
2014 2015
Ranking Distribuidora Tipo de
Gestão Ranking Distribuidora
Tipo de Gestão
1 DME Municipal 1 DME Municipal
2 Vale do Paranapanema Privada 2 Vale do Paranapanema Privada
3 CJE Privada 3 CJE Privada
4 Eletropaulo Privada 4 DEMEI Municipal
Mediante as informações dispostas na Tabela 19, verifica-se que a maioria das empresas consideradas eficientes no ano de 2014, obtiveram resultado similar em 2015. A excessão consiste nas empresas Eletropaulo e DEMEI. Nos dois anos, a modelagem indica ser a DME a empresa foi eficiente.
No caso da DME, a empresa possui os menores valores de DEC e FEC dentre as empresas, assim como aos dois se encontram muito abaixo da média. É importante notar que a DME é uma das duas empresas que conseguiu resultado máximo em todos os caminhos em análise. Feito esse obtido também pela DEMEI, todavia a empresa não foi considerada eficiente em 2014 e possui o segundo pior resultado nas dimesnões DEC e FEC em 2015.
A Vale Paranapanema possui o segundo menor OPEX da amostra, assim como o melhor desempenho no quesito IASC. Os resultados em todos os quesitos da empresa CJE são semelhantes a Vale, todavia seu desempenho no IASC foi inferior, cabendo assim a terceira posição.
A CEMAT possui o pior desempenho em todos os quesitos quando comparada as demais empresas da amostra nos dois anos em foco, justificando assim a sua última colocação. A empresa DEMEI possui o menor OPEX da amostra em 2015, todavia os resultados de DEC e FEC são extremamante insatisfatorios, sendo melhor apenas do que a CEMAT.
É importante verificar que os critérios sugeridos estão relacionados a qualidade, com exceção do OPEX. O setor de distribuição possui contato direto com o consumidor, falhas nesse segmento afetam uma grande quantidade de pessoas e podem causar danos significativos a população. Desse modo, como vários quesitos operacionais foram avaliados com o DEA, optou-se pelo foco na qualidade. O OPEX também foi incluso como critério tendo em vista ser um dos principais fatores para o processo de regulação.
A modelagem proposta apresenta caráter flexível e é de fácil compreensão. Essas características se mostram indispensáveis para o processo regulatório. Jamasb e Pollitt (2003) ressaltam a importancia de um processo regulatório de fácil compreensão para que as organizações possam compreender como são avaliadas e como desdobrar as metas para o dia a dia organizacional.
O aspecto flexível da modelagem possibilita a inserção de novos critérios, ou até mesmo sua substituição em caso de modificação na avaliação por parte do órgão regulamentador.É interessante também notar que a combinação de DEA com GP
possibilita mitigar as limitações de DEA, forncendo assim uma análise mais robusta e um resultado claro e aplicável, tanto para as instituições avaliadas como para a ANEEL.