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3.4 Ferramentas de gest˜ ao da qualidade

3.4.7 Gr´ afico e cartas de controlo

A carta de controlo ou a carta de Shewhart, corresponde a uma carta que per-mite fazer a monitoriza¸c˜ao de processos. Foi desenvolvido pelo estat´ıstico americano Walter Shewhart, da´ı o nome atribu´ıdo [8].

A utiliza¸c˜ao de cartas de controlo tem como principal objetivo analisar desvios associados ao processo de forma a verificar se estes est˜ao, ou n˜ao, dentro do con-trolo permiss´ıvel. No entanto, existem causas intr´ınsecas ao processo, inerentes ao pr´oprio, e causas especiais de varia¸c˜ao que dever˜ao ser corretamente identificadas.

Desta forma, as cartas de controlo permitem identificar essas causas especiais de varia¸c˜ao, que por sua vez dever˜ao ser eliminadas [6].

As cartas de controlo ou cartas de comportamento, de acordo com Wheeler, tˆem como principal vantagem a an´alise do comportamento do processo, avaliando como um “filtro”os desvios significativos do comportamento dito normal do processo.

Um processo poder´a ser constitu´ıdo por diversas m´aquinas, pessoas, ferramentas,

m´etodos e mat´erias primas de forma a dar origem a um determinado produto ou servi¸co, pelo que o conhecimento das poss´ıveis causas e qualquer altera¸c˜ao dever´a ser identificada e registada de forma a que se consiga fazer uma correta monitoriza¸c˜ao de todas as vari´aveis do processo.

A elabora¸c˜ao de diagramas de causa e efeito (diagrama de Ishikawa) poder´a auxiliar na determina¸c˜ao de causas de varia¸c˜ao especiais.

O estudo da monitoriza¸c˜ao do processo ou controlo estat´ıstico do processo (CEP) baseia-se, nos seguintes pressupostos [8]:

ˆ os processos sofrem pequenas varia¸c˜oes que podem ocorrer dentros de deter-minados limites, sendo estas pequenas varia¸c˜oes normais de acontecer e os desvios maiores s˜ao raros de acontecer - controlo estat´ıstico (Figura 3.12).

ˆ quando o processo sofrer desvios sistem´aticos ou varia¸c˜oes fora dos limites definidos, essas causas (especiais) dever˜ao ser identificadas e eliminadas.

Figura 3.12: Distribui¸c˜ao normal do processo [8].

A distin¸c˜ao dos desvios ditos naturais e estes desvios especiais, dever˜ao ser iden-tificados nas cartas de controlo, dada a defini¸c˜ao de limites de varia¸c˜ao para os dois tipos de causas existentes sendo estes definidos com base em registos recolhi-dos do pr´oprio processo. Ap´os a recolha destes dados, um valor central dever´a ser identificado como a m´edia e os valores dever˜ao se distribuir aleatoriamente ao longo deste valor central sendo, os limites superior de controlo (LSC) e inferior de controlo (LIC), dados pelas Equa¸c˜oes 3.3 e 3.4 [6].

LSC =LC+ 3σ (3.3)

LIC =LC−3σ, (3.4)

onde LC representa a Linha Central ou o valor m´edio e o σ o desvio padr˜ao da amostra.

No seu artigo de 1992, Wheeler et al. identificou uma s´erie de aplica¸c˜oes aos quais se poder´a usar cartas de controlo [51].

Ap´os a realiza¸c˜ao dos seus estudos, chegaram `a conclus˜ao que as cartas de controlo poder˜ao ser utilizadas para:

1. An´alise do cumprimento de especifica¸c˜oes definidas ou pr´e-definidas;

2. Registos do comportamento dos processos;

3. Modelo de ajustamento de determinados parˆametros associados ao processo;

4. Suporte `a realiza¸c˜ao de experiˆencias;

5. Realiza¸c˜ao de cartas de controlo m´ultiplas;

6. Utiliza¸c˜ao de cartas para sugest˜oes de melhoria cont´ınua do processo.

J´a Gitlow et al., consideram que a aplicabilidade da utiliza¸c˜ao das cartas de controlo se resume `a dete¸c˜ao de defeitos e `a sua preven¸c˜ao, introdu¸c˜ao de melhorias e inova¸c˜ao ou cria¸c˜ao de qualidade [52].

As cartas de controlo podem se distinguir tamb´em pelo seu tipo. Existem 7 diferentes tipos de cartas de controlo, sendo que as principais est˜ao enumeradas em baixo.

ˆ Cartas de Controlo por vari´aveis: S˜ao cartas utilizadas quando se pre-tende efetuar a medi¸c˜ao de caracter´ısticas. Dentro deste tipo de cartas, temos as cartas X-Am ou amplitude m´ovel, em que o tamanho do subgrupo da amos-tra ´e igual a 1, sendo normalmente utilizadas quando as varia¸c˜oes que poder˜ao ocorrer s˜ao de baixa amplitude. As cartas do tipo XbR para a m´edia e ampli-tude, s˜ao utilizadas para amostras com n ≥2.

ˆ Cartas de Controlo para atributos: Utilizadas para distribui¸c˜oes bino-miais e de Poisson (vari´aveis discretas). Este tipo de cartas s˜ao utilizadas para determinar contagens ou propor¸c˜oes. Por exemplo, as cartas np e p s˜ao utilizadas para monitorizar em n´umero e propor¸c˜ao, a ocorrˆencia de uma de-terminada caracter´ıstica particular, onde a probabilidade de ocorrˆencia ´e a mesma para cada evento. As cartas c e u, por sua vez, s˜ao utilizadas para dados de contagem onde n˜ao existe um valor m´aximo te´orico como o n´umero de ocorrˆencias numa determinada ´area, ou por exemplo, o n´umero de registos de emergˆencia, etc. [53].

Dependendo do tipo de carta que se ir´a efetivamente utilizar, as equa¸c˜oes para determina¸c˜ao do LIC e LSC, podem variar. Na Tabela 3.6 ´e poss´ıvel observar as equa¸c˜oes para determina¸c˜ao do Limite Inferior de Controlo e o Limite Superior de Controlo para cada tipo de carta [6].

Tabela 3.6: Equa¸c˜oes para o LSC e LIC para cada um dos tipos de cartas de controlo [6].

Carta de Controlo Tipo Equa¸c˜oes Cartas de Controlo XbR

para m´edia e amplitude

R LSC =D4×R LIC =D3×R Xb LSC =X+A2×R

LIC =X−A2×R

Cartas de Controlo para atributos

p LSC =p+ 3×

qp×(1−p) n

LIC =p−3×

qp×(1−p) n

np LSC =X+ 3× q

X×(1−p) LIC =X−3×

q

X×(1−p) c LSC =c+ 3×√

c LIC =c−3×√

c

u LSC =u+ 3×q

u a

LIC =u−3×q

u a

De acordo com a Organiza¸c˜ao Europeia da Qualidade, as sete ferramentas da qualidade podem-se dividir consoante a fase do processo de an´alise em que se en-contram. A fase de aquisi¸c˜ao de dados pode ser facilmente conseguida atrav´es do uso de trˆes ferramentas principais: as folhas de verifica¸c˜ao, os histogramas e cartas de controlo. J´a a fase de an´alise de dados, compreende outras quatro ferramentas principais: diagrama causa e efeito, diagrama de dispers˜ao, diagrama de Pareto e fluxograma. Na Figura 3.13 ´e poss´ıvel observar a abordagem da OEQ, para o uso das ferramentas da qualidade [9].

Figura 3.13: Utiliza¸c˜ao das ferramentas da qualidade para aquisi¸c˜ao e an´alise de dados [9].

As ferramentas da qualidade revelam a sua extrema importˆancia, sobretudo quando s˜ao aplicadas a um sistema de gest˜ao da qualidade. Como se viu, a aplica¸c˜ao e integra¸c˜ao por parte das ind´ustrias e servi¸cos, de abordagens de sistemas de gest˜ao da qualidade como a certifica¸c˜ao pela ISO 9001 eTotal Quality Management, ´e algo que permite `as empresas e servi¸cos atingirem a qualidade pretendida e aumentarem a sua competitividade. Em conjunto com outras t´ecnicas associadas a estas ferra-mentas ´e poss´ıvel ter uma an´alise mais profunda e um sistema melhor estruturado [54].

Destas t´ecnicas poder˜ao se destacar SPC ou Statistic Process Control, FMEA ou Failure Mode Effect Analysis, DMAIC (Definir, Medir, Analisar, Melhorar e Con-trolar), entre outros. O processo de controlo estat´ıstico, introduzido por Deming, correspondia a uma das t´ecnicas para efetuar o controlo do processo, sendo que agora a utiliza¸c˜ao de t´ecnicas para controlo dos processos e servi¸cos ´e mais vasta, indo desde as mais complexas `as mais simples. No entanto, a combina¸c˜ao de t´ecnicas com as ferramentas da qualidade ´e algo que dever´a ser implementado em conjunto de forma a se obter os resultados pretendidos [55].

Estudos da literatura comprovam que o conhecimento das ferramentas e t´ecnicas a aplicar a cada caso, ´e algo que dever´a estar bem claro para as organiza¸c˜oes, dado que a falta de conhecimento, a falta de comprometimento e forma¸c˜ao dada ´e algo que poder´a afetar diretamente a boa utiliza¸c˜ao das mesmas [56].

3.5 A importˆ ancia da Gest˜ ao da Qualidade no