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3 GEOLOGIA LOCAL E PETROGRAFIA

3.3 QUARTZITOS (NAq)

3.4.2 Granulitos Enderbíticos (Ed2)

As faixas de afloramentos da unidade granulítica denominada de enderbítica Ed2 do CGEB (Fig. III-01/B, Apêndice A) destacadas no mapa da figura III-03/B são, em geral, lajedos ocorrentes no nível do terreno, tendo como cor predominante o cinza-esverdeado. Apresentam textura de granulação fina a média e, via de regra, possuem foliação/bandamento bem definida com fraturas transversais. Nesse conjunto destacam-se locais com minerais estirados, mas encontram-se também afloramentos onde as estruturas são equigranulares de sutil orientação mineralógica. Nos afloramentos da porção sul dessa unidade prevalece uma textura média e foliação bem desenvolvida. No piso de uma pedreira desativada constatou-se foliação subvertical (Sn+1) com a rocha apresentando textura média a fina com arranjo dos minerais, bastante isotrópico. A tonalidade cinza azulada das rochas, mesclada com manchas claras e escuras mascara um pouco os elementos estruturais do afloramento (Foto III-08). Na parte oeste da área, próximo à zona de contato com o complexo migmatítico da região de Itabaianinha (SE), observou-se largo afloramento de ortognaisses em um leito/margem de rio,

apresentando intercalações de níveis de minerais, ora cinza-claro, ora cinza escuras diferenciando-se apenas pela maior e menor quantidade de minerais máficos contidos nas bandas. Além do referido afloramento, registrou-se mais um, onde essas rochas enderbíticas Ed2 exibem características indicativas de protomilonitos. Nas proximidades da cidade de Riachão do Dantas verificou-se a ocorrência dessa unidade em contato com uma lente quartzítica posicionada conforme a foliação granulítica. No norte dessa área mapeada, nas margens da estrada SE-270, há predominância dos granulitos dessa unidade. Nessa localidade as rochas exibem tonalidade cinza esverdeada, granulação média, foliação bem apertada (Sn+1) e, em quase todos os afloramentos do trecho, percebe-se lineação dos minerais (Foto. III-09).

A análise microscópica em cerca de 40-50% das amostras desse granulito enderbítico Ed2 levou a identificação de marcas e/ou indícios da atuação de, pelo menos, dois eventos tectônicos nessas rochas. Constatou-se em várias descrições a existência de feldspatos de duas gerações, plagioclásios antipertíticos e microclina fortemente pertitizada, além de alguns grãos com textura mirmequítica. Observou-se ainda o desenvolvimento de textura porfiroclástica com matriz quartzo-feldspática microquebrada em algumas das amostras estudadas. Nesse conjunto de granulitos ácidos e intermediários da unidade Ed2, reconheceu- se leito que chegou a apresentar 94% no total dos félsicos, ou seja, feldspatos e quartzo (Foto. III-10).

Figura III-03/B - Mapa geológico simplificado de p destacando os granulitos enderbíticos Ed2 do CGEB.

Fonte - O autor .

Mapa geológico simplificado de parte da Folha de Boquim (SE destacando os granulitos enderbíticos Ed2 do CGEB.

Fotografia III-09 - Granulito enderbítico Ed2 ressaltando o forte estiramento dos minerais (Sn+1). Percebe-se fraturas transversais à foliação preenchidas por materiais de difícil identificação.

Fotografia III-08 - Textura maciça com grãos apresentando contatos reentrantes e acentuada uniformidade cristalina, mas exibe estreitas faixas de bandamento (Se-87).

Fonte - O autor

Os relatos de características e propriedades específicas dos minerais desses granulitos enderbíticos Ed2 são apresentados a seguir.

O plagioclásio ocorre em cristais alongados, facilitando a organização do arranjo mineralógico e orientação dessas rochas. Eles variam em tamanho de 0,2 a 2,0mm, sendo que os maiores apresentam-se sob a forma de porfiroclastos. Exibem geminação albita simples com lamelas, por várias vezes, encurvadas. Observou-se alguma recristalização e microquebramento nas bordas, podendo-se identificar os grãos neoformados. Alguns cristais são antipertíticos (Foto III-11). Em certas amostras notou-se a presença de fenoclastos fusiformes. Forte saussuritização ocorre em poucos grãos.

O quartzo possui forma predominantemente xenoblástica, está presente, quase sempre como grãos interligados, de maneira que lentes, bandas e faixas desse mineral permeiam o arranjo mineralógico da rocha. Na matriz, encontra-se com um tamanho médio de 0,3mm, embora grãos maiores cheguem a medir até 2,0mm. Nesses casos constituem lentes que se alternam com faixas granulares de feldspatos e cristais de minerais máficos. Nesse mineral observa-se a extinção ondulante que é frequente.

A microclina pertítica aparece em grãos destacados, estirados ou não, mantendo orientação mineralógica. Em algumas amostras observaram-se cristais em tamanho de fenoclasto, mas que não ultrapassam 1,5mm. Esse feldspato apresenta forma irregular, contatos curvos e, às vezes, está preenchendo interstícios. Grãos microclínicos límpidos estão presentes em muitas amostras e que podem estar relacionados ao retrometamorfismo.

O hiperstênio ocorre em grãos de contatos sempre irregulares e, na maioria, não ultrapassam a dimensão de 2,0mm. Cabe salientar que em uma pedreira encontrou-se fenocristais fusiformes desse ortopiroxênio (Fotomicrografia III-12), sendo que os demais cristais se apresentam finos, estirados e associados à diopsídio, onde ambos apresentam substituição das suas bordas por hornblenda esverdeada e biotita castanha avermelhada. Observou-se que esse piroxênio muitas vezes ocorre como segregações, formando grumos que preenchem interstícios dos grãos félsicos presentes na rocha. Na fotomicrografia III-13 utilizou-se o recurso da luz plana do microscópio para observação do contorno dos grãos do hiperstênio substituído pela hornblenda, bem como a maior ou menor regularidade dos limites dos referidos cristais.

O diopsídio aparece nas lâminas constantemente associado ao hiperstênio, embora também ocorra em grãos individualizados. Apresenta forma irregular e não ultrapassa 1,5mm de comprimento.

O plagioclásio sódico de dimensão 0,2 a 0,5mm, neoformado, retrometamórfico, ocorre na matriz e, frequentemente, encontra-se associado aos grãos de quartzo de mesmo tamanho.

A microclina, produto do retrometamorfismo, está representada por pequenos cristais límpidos que, na maioria das vezes, ocorre na matriz da rocha ou em agregados juntamente com grãos de quartzo.

A hornblenda verde e a biotita castanha avermelhada, também retrometamórficas, neoformadas, se comportam, praticamente como extensão dos cristais de piroxênios. Elas são menos abundantes no Ed2 que no Ed1 (Tab. III-04 e III-06, respectivamente).

A

Pl

Mc

Qtz

zz

Pl

nx, obj. 2,5x Fonte - O autor

Fotomicrografia III-10 - Porfiroclastos de plagioclásio antipertítico e de alguma microclina fortemente pertitizada (Se-128).

Hbl Opx

Qtz

nx, obj. 2,5x

Fonte – O autor

Fotomicrografia III-11 - Hiperstênio em porfiroclastos fusiformes, com bordas substituídas por hornblenda, seguindo a orientação do quartzo que se encontra sob a forma de cristais alongados (Se-87).

Fotomicrografia III-12 - Quartzo fortemente estirado e segregado em lentes que atingem até 2,0mm. Vê-se também plagioclásio estirado e microclina fortemente pertítica. Hiperstênio e granada encontram-se intercalados entre quartzo, plagioclásio e mesopertita (Se-166B).

Fonte – O autor Opx Qtz Gr Mc nx, obj.

A tabela III-04 mostra a composição modal da mineralogia dessas rochas, percebendo-se que a hornblenda está em quantidade menor que no conjunto posterior (Ed1) (Tab.III-06), sem atingir 4%, e ocorre apenas em 1/3 das amostras.

Os valores modais foram lançados no diagrama ternário (QAP) de Streckeisen (1976), (Fig. III-04), revelando concentração de pontos nos campos das rochas tonalíticas e granodioríticas, divididas em cerca de 50% para cada campo.

Tabela III-04 - Composição mineralógica modal (%) dos granulitos enderbíticos Ed2 do CGEB.

Rochas

Principais minerais metamórficos

Minerais metamórficos

retrógrados Minerais acessórios Pl Qtz Mc Opx Cpx Kfs Pl Hbl Bt Tr Grt Op Ap Zrn Se-87 32 30 7 25 1 2 3 tr tr Se-94A 67 21 3 7 2 tr tr Se-128 54 30 10 1 5 tr tr Se-130 52 22 10 7 5 2 1 tr tr Se-132 64 21 7 1 2 3 2 tr Se-148A 44 12 5 7 22 3 2 5 tr Se-164 62 25 7 2 1 3 tr tr Se-165 55 25 7 10 1 2 tr tr Se-166B 47 18 20 5 2 2 5 1 tr tr Se-176 62 28 5 2 3 tr tr Se-181A 62 28 7 1 2 tr tr Fonte – O autor

Fonte - Abreviaturas segundo Fettes e Desmons (2007). Opx Hbl Qtz Opx lp,obj. 2,5x

Fotomicrografia III-13 - Hiperstênio com pleocroismo rosa claro, apresentando bordas substituídas por hornblenda, retrometamórfica. Esses cristais são contornados por minerais diminutos em faixas ligeiramente deformadas (Se-87).

Fonte – Streckeisen (1976).