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75no grau de envolvimento do eu turístico” (Almeida et al., 2012: 43) Para tal, há que conceber uma política que

privilegie a relação dos visitantes com as comunidades locais, através de produtos com origem nos atores sociais e na relação destes com o meio ambiente, devendo assumir uma experiência de relação com o meio que visitam, em que o processo turístico seja planeado sob a égide da sua preservação e a valorização (Campêlo, 2000: 213). Assim sendo, é preciso dar vida aos edifícios e aos objetos. Daí a aposta na planificação de atividades que transformem o território do EmC – Terra Viva nisso mesmo, numa região dinâmica, com energia para envolver a comunidade e atrair visitantes. Deve assumir-se como entidade que pretende tornar a comunidade local numa comunidade turística, integrando a experiência turística partilhada.

Os serviços de animação e interpretação propostos pelo EmC – Terra Viva vão desde atividades técnicas de cariz museológico, até a atividades informativas, educativas e turísticas, oferecendo uma gama diversificada de serviços, de acordo com as suas necessidades e interesses mais prementes, através de um planeamento cuidado, com a criação de um plano anual de atividades. Este será definido de acordo os públicos-alvo (comunidade local, escolar, técnico-científico, turistas de lazer e de natureza), com o ciclo rural, com as festividades da região, entre outros. Tendo como objetivo primordial a animação do território, para além de se pretender dinamizar os vários espaços edificados que constituem ou estão associados ao EmC – Terra Viva, deseja-se avigorar a área como um todo através de iniciativas como as que se referem seguidamente.

Itinerários ecomuseológicos

O ecomuseu é uma espécie de museu que tem a territorialidade como um dos seus pilares. Pretende-se que, para conhecer o território, os visitantes comecem por visitar a sede e os vários núcleos, dando uma introdução das várias vertentes que o compõem e, a partir daí, levar as pessoas “para o terreno”, entrar em contato com a Natureza, com o património edificado e com a comunidade local.

Para facilitar esta experiência, o EmC – Terra Viva prevê a criação de itinerários ecomuseológicos, que concretizam, na sua estrutura, a apropriação patrimonial e espacial da zona da Cordinha. Estes percursos serão elaborados para serem percorridos, essencialmente, a pé ou de bicicleta e têm como pontos de referência vários núcleos museológicos, ligando-os entre si. Os percursos podem ser realizados através de três modalidades: percursos interpretativos guiados (recorrendo a guias-interpretes especializados); percursos interpretativos áudio-guiados ou aplicações para telemóveis; livres, nos quais os visitantes fazem os percursos de forma independente e gratuita. Como apoio, serão elaborados desdobráveis informativos e instalada sinalética normalizada.

Alguns percursos propostos são: o PR “Do Mondego ao Seia”: pretende dar a conhecer o património cultural e, principalmente, natural existente à beira dos rios Mondego e Seia; PR “Pelos trilhos da pré-história”: a Cordinha tem um conjunto patrimonial arqueológico riquíssimo, desde sepulturas “romanas” (antropomórficas), antas, o Crasto do Vieiro, uma calçada romana ou medieval, a Lagariça no sítio do Buraco (e diversas lagaretas) e os altares rupestres de Vale dos Fiães, um manancial extraordinário de recursos que justificam a criação de uma rota sobre património arqueológico; PR “Descobrir Saberes & Sabores”: respondendo particularmente às necessidades e motivações dos turistas gastronómicos, será um percurso que permite dar a conhecer as artes e ofícios tradicionais da Cordinha, através da degustação e compra de produtos, também tem o objetivo de mostrar os processos a montante da produção propriamente dita.

Programas temáticos ligados aos ciclos rurais

O EmC – Terra Viva atuará como dinamizador cultural da Cordinha. A esta dimensão acrescentam-se as repercussões a nível económico, estas necessária e estreitamente ligadas ao cultural e à sua dimensão imaterial, visto que são atividades que implicam “saber fazer”, como o fabrico de pão, queijo, técnicas de cultivo, etc., servem também de sustento à população e estão ser tornadas “objetos” turísticos, podendo os visitantes acompanhar todo o processo, observar e aprender a confecionar.

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Inovação, Gestão e Educação em

Turismo e Hotelaria

Innovation, Management and Education in

Tourism and Hospitality

Assim, cada programa inclui visitas e atividades relacionadas com os temas, sendo alguns desses eventos realizados na sede ou núcleos. Serão um meio privilegiado para envolver a comunidade, já que, na maioria dos programas propostos, serão habitantes locais os protagonistas, prevendo-se que obtenham benefício económico pelo seu trabalho. Alguns programas propostos são:

1. o ciclo dos cereais e do pão, com visita às searas (milho); participação nas desfolhadas e malhas (atividade sazonal); secagem dos cereais (lajes e palheiras); merenda tradicional; visita a moinhos e observação da moagem (núcleos molinológicos do Mondego ou do Seia); produção de pão e bolos tradicionais; degustação dos produtos;

2. o ciclo da ovelha e do queijo: visita às pastagens e observação dos rebanhos; visita a ovis; participação na ordenha e / ou tosquia dos animais; visita e colaboração na produção de queijos, requeijão e manteiga de ovelha em queijarias locais, tradicionais ou modernas; provas gastronómicas;

3. o ciclo da azeitona e do azeite: visita e participação na apanha da azeitona; acompanhamento da transformação da azeitona em azeite em lagar tradicional e em lagar moderno; degustação de lagarada;

4. o ciclo da abelha e do mel: observação e identificação das flores campestres; visita a apiários; acompanhamento da cresta e extração do mel;

5. o ciclo da vinha e do vinho: em plena Região Demarcada do Vinho do Dão, e com a crescente procura do enoturismo, esta atividade consiste na visita a vinhas; acompanhamento e pisa das uvas (“cachos”) no lagar tradicional ou industrial; merenda tradicional e provas de vinhos; visita a alambiques.

Programas técnicos

Semelhantes aos programas temáticos no que diz respeito ao pagamento e às inscrições, estes implicam sempre visitas interpretativas, da responsabilidade de técnicos especializados (aptos a dar informação científica) e de locais, peritos na transmissão de tradições populares, promovendo a união entre os dois saberes. Para além da análise in situ dos elementos que justificam o programa, haverá lugar a outras atividades, nomeadamente degustações e / ou workshops, geralmente realizados na sede ou nos núcleos. A maioria destes programas só pode ser realizada em épocas do ano específicas. Destacam-se os passeios micológicos, a observação do Narciso do Mondego, as plantas silvestres endógenas e a castanha, o pinhão e outras oleaginosas.

Workshops gastronómicos

Os workshops desejam aliar a cultura imaterial à material, criando experiências que permitam aos visitantes ficar a conhecer produtos gastronómicos emblemáticos da região. Distinguem-se dos programas, porque consistem em eventos isolados. Serão convidados os residentes na Cordinha para ensinarem a arte de preparar as iguarias, de preferência nas suas casas, atribuindo uma índole familiar e íntima ao evento. Os visitantes, para além do know- how adquirido, ficarão com os produtos resultantes da sua prática. Destacam-se as atividades relacionadas com a pera-passa, o licor de café, a aguardente, os bolos de azeite, os enchidos e os torresmos.

Rural experiences

Conjunto de atividades que permitem, pontualmente, aos visitantes participar nas atividades agropecuárias. Mais uma vez, carecem da participação de agricultores e pequenas empresas no acolhimento e acompanhamentos dos participantes. Estas experiências podem ser oferecidas segundo várias modalidades: campos de voluntariado (angariação de voluntários que ajudem o agricultor anfitrião nas tarefas diárias existentes, em troca de alojamento e alimentação) e os programas das colheitas (que integram um horário de trabalho remunerado em regime de alojamento local). A integração num destes campos implica um custo de simbólico e permite o acesso ao alojamento, ao apoio logístico e acesso às atividades socioculturais agendadas nos tempos de lazer.

Apadrinhamento de hortas

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