7.6 Grupo 6: Fantástico, The Late Show With Stephen Colbert e TEDTalk
7.6.2 Gravitational waves hit the Late Show [T13]
O próximo vídeo por nós analisado é um dos dois materiais estado-unidenses selecionados. O vídeo em questão apresenta o físico Brian Greene explicando à plateia e ao apresentador Stephen Colbert o que são as ondas gravitacionais e o que a sua detecção significa. Retomando o que dissemos na Seção 6.3, embora o vídeo seja em inglês, ele foi compartilhado milhares de vezes nas redes sociais com legendas em português embutidas. Uma dessas versões já possui mais de 470 mil visualizações58,59. Como base de comparação, a versão com mais visualizações da reportagem do Fantástico possui menos de 200 mil visualizações60. A transmissão original da entrevista foi no dia 24 de fevereiro de 2016 na rede televisiva americana CBS.
58 Essa versão pode ser assistida no seguinte link: https://tinyurl.com/ycl3knpr. Acesso em mai. 2018. 59 De acordo com a publicação, o vídeo original legendado alcançou quase dois milhões de visualizações,
mas foi retirado da plataforma por questões de direitos autorais e publicado novamente em outubro de 2017.
156 Ao analisarmos a reportagem, detectamos os três locutores, [L], [l] e [LI]. Representando o primeiro locutor, [L], temos o seguinte recorte:
(72) [Brian Greene (BG)] Há 100 anos, este ano, 1916. Esta é uma grande descoberta, não apenas confirmando as ideias de Einstein, mas também abrindo toda uma nova forma de explorar o Universo (TLSWSC, 2016)
Encontramos momentos onde julgamentos acerca da realidade estão muito mais evidentes. Quanto ao locutor [l], selecionamos o seguinte recorte, que retornaremos mais a frente quando formos analisar os enunciadores:
(73) [Stephen Colbert (SC)] Ele [Einstein] parece ainda mais inteligente agora do que costumava ser?
[BG] Ele está tão por cima, que não há como ficar mais inteligente. É como o infinito, está (SC: but you guys...) mais ao norte do que o Pólo (sic) Norte (TLSWSC, 2016) Achamos esse recorte interessante acerca da imagem de Einstein. Ao dizer que Einstein está tão por cima, que não há como ficar mais inteligente, percebemos um forte julgamento de valor feito por Brian.
Além desse julgamento, encontramos também diversos usos de analogias. Assim como na reportagem apresentada pelo Fantástico, foram utilizados experimentos para apresentar determinado conceito, nesse caso o funcionamento do LIGO. Além disso, vídeos com simulações também foram apresentadas para representar a formação das ondas gravitacionais.
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Figura 26 – Imagens retiradas da reportagem para exemplificar as analogias utilizadas para explicar a teoria da
relatividade geral e o funcionamento do LIGO
Para representar esse locutor [l], selecionamos o seguinte recorte:
(74) [BG] As ondas gravitacionais são na verdade ondulações no tecido do espaço. Sabe quando você joga uma pedra em um lago, a água ondula, certo? Agora, esta é uma ondulação, mas não com água, é no próprio espaço (TLSWSC, 2016)
Novamente, temos a analogia da pedra no logo para descrever as ondas gravitacionais, assim como ocorreu nos textos [T2], [T6], [T7] e [T8].
Já com o locutor [LI], encontramos diversas passagens com o uso do discurso científico para alcançar a impessoalidade, como o segmento abaixo:
(75) [BG] Então, ele [Einstein] diz que o mesmo deve ser verdade para o tecido do espaço. Se você tem duas estrelas orbitando rapidamente, estrelas de nêutrons ou buracos negros, sua matemática prevê que eles gerarão uma constante marcha de ondulações no tecido do espaço. Essas são as ondas gravitacionais que ele previu matematicamente (TLSWSC, 2016)
158 Esse uso dos discursos científico não é utilizado nesse vídeo apenas ao explicar os conceitos da teoria da relatividade geral, mas também acerca do funcionamento do LIGO:
(76) [BG] Uma tubulação a vácuo com 4 quilômetros, exatamente. E quando o laser volta, ele é recombinado, bem aqui, meio que mistura os dois feixes, e quando eles se misturam, criam um padrão muito interessante. Não sei se você consegue ver, bem aqui. Esse é um padrão de interferência (TLSWSC, 2016)
Já de início percebemos que o físico Brian Greene possui um papel muito mais fundamental do que o apresentador, já que ele apresenta os três locutores, enquanto a função do apresentador do programa Stephen Colbert é fazer com que o roteiro flua, fazendo as perguntas em momentos específicos.
Referente aos enunciadores, assim como na reportagem analisada anteriormente, detectamos os enunciadores [E1] e [E2]. O enunciador [E3] aparece apenas diluído dentro de [E2], em pouquíssimos momentos. Iniciando por [E1], vamos retornar ao recorte (73):
(73) [SC] Ele [Einstein] parece ainda mais inteligente agora do que costumava ser? [BG] Ele está tão por cima, que não há como ficar mais inteligente. É como o infinito, está (SC: but you guys...) mais ao norte do que o Pólo (sic) Norte (TLSWSC, 2016) p – A detecção das ondas gravitacionais só não fez com que Einstein parecesse mais inteligente pois ele está tão por cima, que não há como ficar mais inteligente.
pp – Existem pessoas que são tão inteligentes que são determinantes para o desenvolvimento científico.
s – A ciência se desenvolve com base em contribuições individuais de grandes gênios, e gerações futuras passarão anos correndo atrás do legado deixado por uns poucos cientistas.
Talvez esse recorte apresente a representação mais mítica da imagem de Einstein nos textos analisados, como também foi apresentado no texto [T11]. Além disso, um caráter individualista, como se o desenvolvimento científico fosse algo solitário, está fortemente atrelado à imagem de Einstein.
Já referente ao enunciador [E2], vamos analisar o seguinte recorte:
(77) [BG] Sim, isso é o que pessoas, milhares de cientistas têm trabalhado por 40, 50 anos. Esta equipe surpreendente de pesquisadores do LIGO, Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser, duas semanas atrás, eles anunciaram a
159 primeira detecção dessas ondas gravitacionais usando um equipamento espetacular (TLSWSC, 2016)
p – Há anos milhares de cientistas buscam por uma detecção da ondas gravitacionais e, recentemente, a equipe do LIGO conseguiram esse objetivo utilizando um equipamento espetacular.
pp – A detecção feita pela equipe do LIGO foi possível pois há anos que a ciência estava em busca de uma detecção das ondas gravitacionais.
s – O desenvolvimento científico se dá graças a uma colaboração entre diversos cientistas ao longo de décadas, sendo uma descoberta fruto desses anos todos.
É interessante repararmos aqui como uma mesma pessoa pode evocar dois enunciadores distintos, com perspectivas acerca da ciência também distintas. Ao referir-se a Einstein, Brian Greene apresenta uma visão engrandecedora, mítica, de um gênio acima dos outros, com uma visão individualista do desenvolvimento científico. Já ao falar do trabalho da equipe do LIGO, um desenvolvimento científico mais atual, sua visão altera-se para o caráter coletivo e colaborativo da ciência.
Nessa reportagem, em comparação com as outras já analisadas, possui uma rigorosidade técnica quanto aos termos e analogias utilizadas, mas mesmo assim com uma linguagem acessível. Talvez isso seja decorrente de ter um período maior de produção e por basicamente ser toda apresentada por Brian Greene. Contudo, a imagem mítica de Einstein está presente logo no início da matéria, provavelmente a representação mais mítica dele por nós analisada.