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2. O objeto e seu meio de propagação

2.1. Greg News, o programa

Exibido semanalmente, às sextas-feiras, às 20h, no canal por assinatura HBO Brasil5, o programa Greg News se assemelha a telejornais veiculados no Brasil, com aparência, cenário, bancada e apresentador (âncora) vestido a caráter.

Porém, trata-se de um programa híbrido, que reúne características de programa jornalístico e humorístico, baseado em um talk show com plateia - responsável por uma interação baseada nas reações às piadas. Greg News, que estreou em maio 2017, é uma adaptação do programa original exibido pela HBO (matriz), nos EUA,

4 Streaming é uma tecnologia que envia informações multimídia, através da transferência de dados, utilizando redes de computadores, especialmente a Internet, e foi criada para tornar as conexões mais rápidas. Um grande exemplo de streaming é o site Youtube, que utiliza essa tecnologia para transmitir vídeos em tempo real. definição: https://www.significados.com.br/streaming/ , último acesso em 25.03.2020.

5 Com sede nos EUA, a rede HBO faz parte do conglomerado de mídia da indústria do entretenimento WarnerMedia

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o Last Week Tonight with John Oliver6, para a realidade brasileira e tendência discursiva do humor característico do Brasil. A cada episódio, um assunto de relevância nacional é o tema central do programa que contém uma análise crítica das últimas ações políticas, econômicas e sociais.

O humorista Gregório Duvivier7 entra em cena caracterizado de apresentador de telejornal, nos moldes de apresentadores masculinos presentes na bancada dos telejornais globais, tais como Jornal Nacional, Jornal Hoje e Bom Dia Brasil, da TV Globo, ou Jornal das Dez, da emissora Globonews. O apresentador está sempre elegantemente vestido com terno completo e gravata. Nesta segunda temporada (2018), o ator e ex-colunista do jornal Folha de S. Paulo Gregório Duvivier8 está com cabelos bem cortados e sem barba. Há um cenário característico, ao fundo, há as imagens de construções que representam as capitais mais importantes do Brasil, e uma bancada simples sobre um palco.

Após ser exibido na HBO com exclusividade, cada episódio é liberado para não-assinantes, que podem assistir ao programa on demand por meio do canal que a emissora mantém no Youtube. Para a internet, é liberado apenas o bloco central do programa, que tem torno de 25 minutos. O programa completo inclui uma apresentação inicial, que antecede o bloco temático semanal (bloco central), com comentários sobre os fatos mais polêmicos que povoaram as manchetes da semana.

O bloco central, composto por 30 minutos, em média, apresenta uma análise crítica aprofundada do tema escolhido para cada episódio. O bloco temático e veiculado pela internet e, portanto, mais popularizado do que o restante do programa e, também, por ser o carro-chefe da existência do programa é o foco de nosso estudo.

O programa é produzido, por encomenda do canal HBO, por meio de uma parceria entre o grupo Porta dos Fundos9, notadamente uma equipe composta de

6 Gênero televisivo classificado de late-night talk show, no qual apresentadores, geralmente atores ou comediantes, realizam entrevistas com personalidades ou apresentam de forma cômica fatos comentados.

7 Ator, escritor e roteirista, Gregório Duvivier forma o time de sócios-fundadores do Porta dos Fundos.

8 Gregório Duvivier escreveu no jornal Folha de S. Paulo durante cinco anos, até outubro de 2018, como colunista, atuando semanalmente na editoria Colunas de Convidados a partir de outubro de 2013. Ver em http://www1.folha.uol.com.br/coluncas/gregorioduvivier/

9 Criada em 2012, a empresa produtora de comédia audiovisual, chamada de coletivo Porta dos Fundos é de propriedade do conglomerado de comunicação ViacomCBS (51%) e dos comediantes Antonio Tabet, Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Ian SBF e João Vicente de Castro (49%).

https://pt.wikipedia.org/wiki/Porta_dos_Fundos em 01/02/2020.

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especialistas em humor, e a ONG Nossas10. A forma de contratação do programa é por temporadas anuais, tal como os seriados. A cada episódio, um assunto de relevância nacional é o tema central do programa que se aproxima de uma apresentação de análise crítica das últimas ações políticas, econômicas e sociais ocorridas no Brasil.

O roteiro do programa tem como base uma pesquisa jornalística sobre o tema escolhido em reunião de pauta, na qual participa o núcleo central de gerenciamento e produção do programa: o próprio Gregório Duvivier, a diretora-executiva do Greg News, Alessandra Orofino11, o redator-chefe, Bruno Torturra12, e os roteiristas – jornalistas e redatores de humor. O grupo decide, antes de começar a produção da temporada, uma previsão de temas para os episódios, o que pode sofrer modificações de acordo com os acontecimentos na sociedade e política brasileira. Decidido o tema, os jornalistas começam o processo de apuração e pesquisa de dados – notícias, repercussão nas mídias tradicionais e digitais ou nas redes sociais – sobre o tema escolhido para o episódio.

Os jornalistas elaboram o primeiro roteiro do programa com as narrativas da modalidade jornalística. Esta é a base do programa, que ainda sofre várias modificações até ser liberado para gravação. Esse primeiro roteiro passa para as mãos dos roteiristas que irão inserir as doses de humor (modalidades narrativas de entretenimento presentes no programa). O roteiro vai para o crivo de Bruno Torturra que ajusta a questão do humor e, por fim, cabe a Gregório Duvivier e Alessandra Orofino a aprovação final do roteiro. As gravações de cada episódio ocorrem em um dia. Há uma primeira gravação, à tarde, mediante uma plateia convidada, com cerca de 40 pessoas, em geral estudantes universitários, com os roteiristas presentes.

Esta gravação é um teste para a gravação do programa que vai ao ar. A equipe de roteiristas verifica a reação desta plateia convidada para saber se precisa de ajustes no roteiro, principalmente no timing da comédia. A gravação final ocorre na noite

10 ONG cuja proposta é organizar e articular cidadãos em redes de atuação e influência na sociedade.

Criadora dos sites Meu Rio e Minha Sampa.

11 Co-fundadora e diretora-executiva do Nossas – organização sem fins lucrativos que atua no campo da política. Fonte: Linkedin

12 Criador do #PosTV – canal digital de transmissões audiovisuais em tempo real, criado em meio às manifestações de 2013, no Brasil, que serviu de plataforma para as primeiras experiências do canal Mídia Ninja.(Fonte: RODRIGUES, Claudia. Mídia Ninja. Narrativas jornalísticas em disputa.

Florianópolis: Insular, 2018. p.95 ).

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do mesmo dia da gravação teste com a plateia que se inscreve para participar por meio do site do programa da HBO (http://gregnewshbo.com.br/) onde há um link para inscrição13.

Há toda uma caracterização jornalística tanto na apropriação da narrativa própria das práxis do profissional de jornalismo, quanto da formatação do programa, que inclui um cenário bem característico de uma bancada de telejornal, com um apresentador vestido a caráter e símbolos como caneta e papéis, que representam o script, sobre a mesa, sem contar com os recursos também muito utilizados no jornalismo televisivo que são os selos e infográficos, artes e animações. Além da caracterização, há também a apropriação de algumas tarefas e regras próprias do jornalismo informativo que são descritas pelas Teorias do Jornalismo presentes nas obras de Traquina (2005) e Groth (2011), revisitadas neste trabalho. Destacamos, inicialmente, que o programa Greg News atende a três características apontadas por Otto Groth, em O Poder Cultural Desconhecido:

Fundamentos da Ciência dos Jornais, em que o cientista e jornalista indica que jornais, e aqui podemos estender a todos os veículos de comunicação jornalísticos, essencialmente, possuem periodicidade, atualidade e universalidade. Ele indica também a publicidade, que não está presente em nosso objeto de estudo por ser um produto midiático veiculado em um canal por assinatura, assim a grade já estaria sendo paga pelos espectadores/assinantes.

Gregório Duvivier interpreta, a cada episódio, o papel de jornalista combatente, a serviço do público, com características de um jornalismo menos empresarial e mais politicamente engajado. Se por um lado, a sequência de apresentação das narrativas humorísticas, informativas, opinativas, complementada pela exibição de vídeos, que, por vezes, também são fragmentos de matérias televisivas, se aproxima do que é denominado infotenimento, por outro lado, parece ter a missão de reacender, na memória do espectador, fatos públicos exibidos ou dispostos em canais e redes sociais que, eventualmente, não foram interpretados ou absorvidos da forma como o programa conduz. É uma forma de comunicar que faz

13 Informações obtidas em entrevista à autora realizada, em 7 de maio de 2018, com o roteirista Afonso Capellaro, redator humorístico da segunda temporada do programa.

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do humor aspecto importante de uma narrativa que, pelas brechas e pelas fórmulas de aproximação com o público, constrói uma nova narrativa ativista.

O programa Greg News resgata notícias que foram veiculadas em diversos meios de comunicação para exemplificar ou consolidar uma versão defendida pelo programa e seu apresentador sobre o tema que está em análise. Fragmentos de matérias entram em cena como coadjuvantes para consolidar, não só a posição defendida pelo programa, como a história recontada e revisitada, a cada episódio, sobre o tema ou fato escolhido. Há uma apropriação da narrativa jornalística para embasar e respaldar a narrativa opinativa. São usados fragmentos de notícias, manchetes, pedaços de textos oficiais governamentais ou de instituições de pesquisa, vídeos que espalhados nas redes, que, ao terem sido absorvidos pelo telespectador em um passado recente, potencialmente, propiciaram, por mensagens veiculadas pelo meios de comunicação de massa, a criação de uma “opinião pública” ou mesmo um “senso comum”14 sobre o tema ou o fato ocorrido na sociedade. Todos esses fragmentos são revisitados e inseridos no contexto sob a nova ótica conduzido pela narrativa informativa, humorística e opinativa.

São exibidos dados e informações extraídos de sites oficiais de ONGs, instituições, partidos políticos, os poderes legislativos, executivos e judiciários, nas esferas municipais, estaduais e federais, tais como da Agência da ONU para Refugiados (UNHCR/ACNUR), Casa Civil da Presidência da República, Ministério das Relações Exteriores, Banco Central, IBGE, BNDES, Ibope, Politize, CUT e PCB. Também são expostos vídeos, dados, fragmentos de matérias transmitidas pelos canais de redes sociais Twitter e Youtube e pelos veículos de comunicação O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Valor Econômico, O Dia, Extra, O Globo, G1, TV Globo, TV Bandeirantes, SBT, NBR, Nexo, Gazeta do Povo, Época, Carta Capital, Isto é, Piauí, The Washington Post, BBC, CNN, Nexo Jornal, R7, TViG, TV Folha, EBC-Agência Brasil, além das TV Senado, TV

14 Luis Mauro Sá Martino aborda os conceitos da “Esfera Pública” e “Opinião Pública”, à luz de Jürgen Habermas, filósofo alemão, que delimita estes conceitos no livro Mudanças estrutural da

“Esfera Pública” (1962). Martino delimita a “Esfera Pública”, evocando Habermas, como um espaço abstrato onde se travam debates sobre aquilo que interessa à vida pública, e que formam a

“opinião pública”. O autor destaca que, dentre outras características, a “opinião pública” é mais do que a “opinião do público”, como o nome sugere, mas, principalmente, o conjunto de opiniões discutidas em público, colocadas ao alcance do maior número de interessados possível.

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Câmara, TV Justiça, entre outros. A “receita” do programa é intercalar humor com as fatias de informações dadas ao público como se fossem recheio de bolo, que, entre os propósitos, está o objetivo de referendar outro item da camada de recheio da receita que acompanha o entretenimento do programa: a opinião.

A segunda temporada do Programa Greg News, em 2018, apresentou 19 episódios com temas sempre relacionados às questões sociais, políticas, econômicas e ambientais. Em março, os títulos dos episódios foram “A verdade sobre os direitos humanos” e “Publicidade infantil”. Em abril, os títulos foram: “Plano de saúde”,

“Regime Militar”, “Refugiados” e “Prisões”. Para maio: “Alimentos ultraprocessados”, “Moradia”, “Campanha Eleitoral” e “Plásticos”. Para junho:

“Greve dos caminhoneiros”, “Vai ter Copa”, “Liberalismo”, “Telefone celular” e

“Lula”. Para julho, os temas foram: “Bolsonaro”, “Guerra às drogas”, “Centrão” e

“Saneamento básico”. Não houve exibição de novos episódios de Greg News durante o período eleitoral por isso, em agosto, houve apenas um programa

“Apocalipse”, e o último episódio da temporada de 2018 só foi apresentado em novembro, encerrando o ano com “Especial de Fim de Ano”.

Observa-se que há uma preocupação em priorizar a atualidade sobre os temas abordados. Nesta segunda temporada, por exemplo, o episódio “A verdade sobre Direitos Humanos” foi ao ar pouco tempo após a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco ser assassinada no Rio Comprido (RJ). Greg rememora como foi criada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Advertindo que a publicidade infantil está proibida, o episódio “Publicidade Infantil” (30 de março) relembra antigas propagandas que foram imortalizadas e o quanto elas disseminavam o bullying, o consumismo e o egoísmo. Mostra ainda como ainda há estímulo ao consumismo infantil nos programas dedicados exclusivamente às crianças.

No episódio Plano de Saúde, Greg News cita que, entre os herdeiros e donos das maiores fortunas do Brasil, estão os donos de redes de hospitais e de planos de saúde e explica como é a realidade da saúde em outros países. “Vai ter Copa”,

“Greve de Caminhoneiros” e “Moradia” pegam carona em fatos recentes, como no caso do episódio “Moradia” que aborda fatos relacionados à falta de moradia para o brasileiro, tomando como gancho o desabamento de um prédio de 24 andares em São Paulo em que havia uma prática de aluguel clandestino para famílias sem teto.

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Nos episódios “Regime Militar” e “Liberalismo”, o espectador recebe aulas de História e o programa desfere críticas aos vários candidatos à Presidência em 2018.

“Refugiados”, “Prisões”, “Alimentos ultraprocessados”, “Campanha Eleitoral” e

“Plástico” foram outros episódios de Greg News, que notadamente são assuntos em alta nas mídias tradicionais e redes sociais.

Cabe aqui relembrar que a segunda temporada, em análise neste estudo, foi exibida em ano pré-eleitoral em que o então deputado federal do Rio de Janeiro Jair Messias Bolsonaro foi eleito presidente da República. Foi o mesmo ano que, em fevereiro, houve intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, cujo comando passou para o Exército. No dia 14 de março, a vereadora do PSOL Marielle Franco foi assassinada a tiros depois de voltar de um evento de ativismo negro no Rio de Janeiro, no Estácio, no centro do Rio. Marielle tinha 38 anos se definia como "feminista, negra, mãe e cria da favela da Maré". Ela morreu quatro dias depois de denunciar uma ação de violência policial na comunidade de Acari, na zona norte do Rio. Em abril, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso e passou o restante do ano na sede da Polícia Federal em Curitiba. Uma greve de motoristas de caminhão, no mês de maio, durou dez dias e paralisou serviços, como fornecimento de combustíveis e distribuição de alimentos e insumos médicos. Um edifício de 24 andares desabou, depois de pegar fogo, no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo. Cerca de 150 famílias moravam nos primeiros dez andares do prédio, que era uma ocupação irregular, de acordo com a prefeitura. Em agosto, moradores do município de Pacaraima (RR), que fica na fronteira com a Venezuela, expulsaram venezuelanos de barracas e abrigos e atearam fogo aos pertences dos refugiados, num princípio de revolta contra a presença deles na cidade.

O então candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) levou uma facada na barriga em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Um grande incêndio destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, um dos principais edifícios culturais do Brasil, com um acervo de mais de 20 milhões de peças valiosas. O edifício de mais de 13.000 metros quadrados na Zona Norte do Rio foi devorado pelas chamas por várias horas. O governo de Cuba comunicou que se retiraria do programa Mais Médicos devido a declarações “ameaçadoras e depreciativas” do então recém-eleito presidente eleito Jair Bolsonaro, que anunciou modificações

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“inaceitáveis” no projeto. O juiz federal Sérgio Moro aceitou convite para ser o ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro (PSL). Além disso, foi ano de Copa do Mundo.

Em sintonia com o slogan do programa “Estar bem informado não é coisa do outro mundo”, as análises mostram que, decupado o tempo total de cada episódio, em média, é dedicado prioritariamente 43,5% do programa para a informação, 35,4% para entretenimento e 21,2% para opinião. Estes foram os resultados médios quando dissecados os 14 episódios da segunda temporada selecionados para este estudo. O infotenimento (Kellner, 2004) é a base deste programa que investe a maior parte do tempo, 78,9% em média, dos episódios em informação temperada com entretenimento. O ativismo, na forma de modalidade narrativa de opinião, se encarrega de ocupar o tempo restante.

A narrativa jornalística é usada para embasar e respaldar a narrativa opinativa. Há uma espécie de apropriação da simbologia que o aproxima de um veículo jornalístico, consolidada pela apresentação dos fragmentos de notícias já veiculadas em diversas mídias, além de vídeos também jornalísticos. Todo este conjunto presente no programa Greg News nos remete aos moldes jornalísticos dentro do conceito de objetividade como ritual estratégico, mediante o conceito de news judgement (TUCHMAN, 1993), porém dentro de um novo contexto tecnológico, que remodela e pulveriza a busca pelos conteúdos informativos.

Aguiar e Barsotti (2018) descrevem, em estudo sobre a decadência no uso da homepage como norte da leitura das notícias diárias, a nova forma de acessar conteúdos informativos com as redes sociais como compartilhadoras e difusoras das notícias, com algoritmos cumprindo o papel de ‘editores’, indicando e propagando o que deve ser lido pelos usuários. O cenário em que esta prática se concretiza tem 72% dos brasileiros consumindo notícia via redes sociais. O Google é a outra porta de entrada para o conteúdo noticioso. Dados apresentados por Aguiar e Barsotti mostram a grande penetração das mídias sociais, via smartphone, no cotidiano da população mundial.

Os celulares ampliaram exponencialmente a penetração mundial da web, de modo que existem hoje mais acessos por dispositivos móveis do que por computadores no planeta – e também no

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Brasil. Na esteira do crescimento dos smartphone, assistiu-se a um boom das mídias sociais: os usuários declaram preferir acessar as redes sociais pelo celular do que pelo desktop. Hoje, estima-se que 31% da população mundial é ativa nessas redes.

Nos Brasil, entre os usuários de internet, a penetração das mídias sociais atinge o expressivo índice de 77,8%. (AGUIAR e BARSOTTI, 2018, p. 122)

Para além dos fatos marcantes de 2018, a conjuntura na qual o programa Greg News e sua plateia estão inseridos talvez represente o apogeu do uso dos aparatos tecnológicos nas comunicações em massa. Três campanhas foram vitoriosas ao abordarem seus eleitores com o uso de mensagens por aplicativos: a decisão pelo Brexit, na Inglaterra, a vitória de Donald Trump, nos EUA, e a eleição de Jair Bolsonaro, no Brasil. Há um forte declínio de leitores de impressos e a grande imprensa vive uma crise de variados aspectos. Barbosa elenca que se, de um lado, a facilidade no acesso às informações favorece o trabalho jornalístico, porque há a possibilidade de colher dados com mais rapidez e há uma conexão contínua com as notícias do mundo, por outro lado, esta mesma facilidade propicia uma profusão de informações que permite igualmente o acesso à desinformação (BARBOSA, 2013). Barbosa atenta para a facilidade que a tecnologia permite promovendo a “redução e a mobilidade de textos, independente dos originais e dos autores, levando à retificação dos conteúdos, a perdas de referência, mas também à reutilização e a sua transformação em novos escritos” (BARBOSA, 2013, p. 344).

Um outro ponto está em jogo, alerta Barbosa. O ato de guardar arquivos, selecionados entre os milhões a que usuários têm acesso – e usuários aqui são

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