Capítulo 4: A BASE TERRITORIAL DE PRODUÇÃO DO ETANOL PAULISTA E A CONDIÇÃO
4.2 Grupo Biosev – Louis Dreyfus Commodities Company – LDC
Fonte: INPE (2012)
Gráfico 21: Cultivo da terra em Tanabi
Fonte: INPE (2012)
4.2 Grupo Biosev – Louis Dreyfus Commodities Company - LDC
Fundado no século XIX, a Biosev conta atualmente com mais de 35000 funcionários em mais de 100 países, ou seja, cobre praticamente metade do globo. Chegou ao Brasil por volta de 1942, com intuito de trabalhar com açúcar e cítrico. Presente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, iniciou sua participação no mercado de etanol, nos primeiros anos do século XXI. Em 2000, consolidou processo de fusões e aquisições - sistema brownfields. Primeiro veio a Usina Cresciumal, localizada no município de Leme. Em 2004, a usina São Calos, em Jaboticabal e algumas usinas em outros Estados brasileiros. Em 2009, dá um grande salto ao adquirir a Usina Santelisavale, no oeste de São Paulo - SP. A partir dessa parceria, passa a ser denominada de BIOSEV – uma parceria entre LDC Bioenergia e Santelisavale.
De acordo com anuário-cana (2012), ocupa uma área em São Paulo de 401.067 hectares, com uma moagem que atingiu 29.536.876 toneladas, sendo que dessas, 20%
foram destinadas para o etanol, atingindo uma produção de 950.000 m³, contando com o apoio de 2596 trabalhadores rurais e mais de 4362 trabalhadores industrial.
Cotada na BM&FBOVESPA (2014) é apresentada da seguinte forma: “produção, processamento, industrialização, distribuição e comercialização de cana-de-açúcar e seus derivados: açúcar, etanol, entre outros. A tabela 29 traz um panorama da constituição acionária do grupo. A LDC reduziu sua participação de 71,5% para ficar com 56,49%, através da Sugar Holding, NL Participações Holding2BV, NL Participações Holding 4 BV. Os acionistas “free float” minoritários, que estão dispersos, ocupam 17,5% das ações do segundo maior grupo sucroenergético do Brasil.
Tabela 29: Principais acionistas da Biosev
Fonte: Biosev (2013)
Mesmo com essa posição de destaque, a Biosev não tem obtido sucesso no seu processo de abertura de capital, mesmo oferecendo muitas garantias para os acionistas. Os resultados têm sido negativos, com uma fuga permanente de capitais. Quando as ações da Biosev foram lançadas em abril de 2013, ao valor de R$ 15 a unidade, os compradores tiveram a chance de adquirir uma opção de venda permitindo o resgate do valor investido, acrescido de juros, caso a cotação caísse. As ações da Biosev despencaram 50% desde seu lançamento, com os constantes prejuízos apresentados pelo grupo.
Nas suas demonstrações financeiras, a Biosev não tem obtido bons rendimentos. Os prejuízos cresceram no período abordado, com uma desvalorização geral da empresa. Como podemos ver na tabela 30, o valor adicionado encolheu 4,8%. As ações apresentam resultados negativos. A situação melhorou de 2009 para 2012, contudo, os últimos resultados mostram um prejuízo de 2,83% para os acionistas. Para conter essa desvalorização geral, a Biosev retirou do mercado financeiro 98,7% de suas ações com objetivo de valorizar e reestruturar a empresa.
Tabela 30: Demonstrações Financeiras Padronizadas
Valor Adicionado
2011 2012 Evolução
Distribuir do Valor Adicionado
1.288.410Bilhão R$ 1.225.311 Bilhão R$ - 4,8% Lucro por ação
PNA/PNB/ON - 5, 047 R$ - 2,383 R$ 52,7% Número de Ações Ordinárias 16. 014. 394. 667 206. 810. 613 - 98,7% Preferenciais _______________ _______________ _______________ Total de ações 16. 014. 394. 667 206. 810. 613 - 98,7% Fonte: BM&FBOVESPA (2013)
Diferentemente dos outros grupos, a Biosev abriu seu capital em 2012. Nesse processo, o retrocesso das ações negociadas é marcante. Com uma abertura mensal de 14.000 negócios em abril, já não atingia 500 em dezembro do mesmo ano, como indicado no gráfico 21.
Gráfico 22: Número de Ações Negociadas da Biosev - 2013
Fonte: BM&FBOVESPA (2014)
O gráfico 23, apresenta a mesma direção. Com a quantidade dos rendimentos dos negócios, que saíram de um patamar de R$ 180.000.000 para aproximadamente R$
5.000.000, as ações não conquistaram a confiança do mercado, visto os prejuízos que o grupo vem acumulando desde 2011.
Gráfico 23: Rendimento das ações da Biosev – 2013 (R$)
Fonte: BM&FBOVESPA (2014)
No gráfico 24 abaixo, encontramos uma diferença menos brusca. Quanto ao preço das ações, também temos uma queda. Saiu aproximadamente de R$ 13,00 para R$ 9,00, ficando com uma média de 10,87%. ‘
Gráfico 24: Preço das ações da Biosev – 2013 (R$)
Tabela 31: Rendimentos médios por categoria - Biosev Preço médio por ação
– 2013 Volume médio de negócios - 2013 Volume médio de negócios – 2013 2013 10,87 27.875 2.114 Fonte: BM&FBOVESPA (2013)
No período abordado nessa pesquisa tínhamos sete usinas em seis municípios compondo o território da Biosev: Usina Continental - Colômbia (SP), Usina Cresciumal - Leme (SP), Usina Jardest - Jardinópolis (SP), Usina MB - Morro Agudo (SP), Usina Santa Elisa - Sertãozinho (SP), Usina São Carlos - Jaboticabal (SP), Usina Vale do Rosário - Morro Agudo (SP).
No entanto, diante dos prejuízos e das permanentes desvalorizações dos papéis da empresa, a unidade Jardest vai deixar de operar. Toda cana da área agrícola dessa usina será processada em outras três unidades vizinhas, situada no mesmo pólo industrial, o de Ribeirão Preto. A Jardest tem 728 funcionários, e 200 foram realocados em outras unidades. Os demais já foram comunicados que perderão seus empregos.
Nos territórios das unidades produtoras do grupo Biosev, a modalidade de colheita com cana crua, que possibilita uma maior mecanização do campo e altera radicalmente os processos de trabalho, apresentou uma evolução impressionante de 865%. A área total colhida também teve um aumento expressivo de 161%, demonstrando a força que os mercados de açúcar e etanol têm por alterarem os territórios de forma tão impactante.
Em Colômbia – EDR de Barretos, a evolução da cana crua é impressionante, mais de 323%, o que pode ser evidenciado também no total da área colhida, que evoluiu mais 160%. No preparo e no uso da terra, temos uma transformação em Colômbia, posto que de 15,7% foi para 44,3%, um aumento de 28,6%, pontos comparado com outras formas de utilização do solo.
Figuras 24: Cana Colhida crua e com queima em Colômbia
Fonte: INPE, (2012)
Gráfico 25: Cultivo da terra em Colômbia
Fonte: INPE, (2012)
Em Leme, no EDR de Limeira, o acréscimo percentual da cana crua colhida foi de 50%, atingindo metade da área colhida. A evolução da área total colhida também foi positiva, apresentando um crescimento de 23,99% no período abordado. Comparada a outras culturas, a cana que abastece vários grupos do setor sucroenergético da região, conseguiu usar mais terras, pois de 37,1% ocupados em 2006 passou para 44,6% em 2012, um crescimento de 7,5% em seis anos.
Figura 24: Cana Colhida crua e com queima em Leme
Gráfico 26: Cultivo da terra em Leme
Fonte: INPE, (2012)
Acompanhando o rumo da Rodovia Anhanguera no sentido norte, temos Jardinópolis, no EDR de Ribeirão Preto, que mostrou uma transformação importante na área colhida de cana crua, pois deu um salto de 193% na representatividade na colheita desse tipo de cana. Embora a área total colhida de 2006 até 2012 tenha diminuído em 11,14%, o que se seguiu também em relação ao uso da terra que perdeu espaço, pois de 66,2% em 2006 passou para 65,5%, um decréscimo de 0,7% no total do uso da terra.
Figura 26: Cana Colhida crua e com queima em Jardinópolis
Fonte: INPE, (2012)
Gráfico 27: Cultivo da terra em Jardinópolis
Fonte: INPE, (2012)
Em Morro Agudo, no EDR de Orlândia, a cana crua aumentou sua participação na área colhida, em 168%. Uma transformação radical no processamento da cana, desde sua
etapa na lavoura até as caldeiras. A área total colhida, vem diminuindo progressivamente em Morro Agudo. De 2006 até 2012, a queda foi de 6,06%. Os processos de reforma dos canaviais podem explicar esse fato. A representatividade da cana no uso da terra se manteve constante, alterando seu uso.
Figura 27: Cana Colhida crua e com queima em Morro Agudo
Fonte: INPE (2012)
Gráfico 28: Cultivo da terra em Morro Agudo
Fonte: INPE, (2012)
Em Sertãozinho, no EDR de Ribeirão Preto, metade da área colhida é feita por queimadas. Paulatinamente o corte da cana crua, já atingiu 54%. Tradicional região dentro da cadeia produtiva, Sertãozinho apresentou uma moderada expansão da área colhida, 0,28% no decorrer de seis anos. Em relação ao uso da terra, o cultivo da cana manteve-se praticamente estático, com uma ínfima queda de 0,5% quando comparada com outras formas de utilização.
Figura 28: Cana Colhida crua e com queima em Sertãozinho
Fonte: INPE (2012)
Gráfico 29: Cultivo da terra em Sertãozinho
Fonte: INPE, (2012)
E por último, em Jaboticabal, no EDR de Jaboticabal, que apresenta desde 2006 uma alta taxa de colheita de cana crua, com mais de 70,5% do total colhido. No período em análise, a cana colhida teve sua área reduzida em 6,5%, o que pode ser justificado pelo pequeno avanço de 0.4% de outras culturas no território local e as partes destinadas para reforma dos canaviais.
Figura 29: Cana Colhida crua e com queima em Jaboticabal
Gráficos 30: Cultivo da terra em Jaboticabal
Fonte: INPE (2012)