APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS h
2 2 CICLOS ECONÔMICOS
3.1. GRUPOS DE INTERESSES TENTATIVAS E DISPERSÕES
A seguir serão apresentadas tentativas, feitas por representantes da comunidade (Grupos de Interesse), através de pedidos e projetos de lei para criação de uma opção de legislação específica para o município de Foz do Iguaçu.
É importante observar em todos a vontade de criar novas expectativas para o desenvolvimento da cidade de Foz do Iguaçu, mas as divergências quanto aos pedidos, ou seja, as dispersões de energia podem ser observadas a seguir:
1.SENADORROBERTOREQUIÃO(ANODE1996)
“Cria a Zona de Livre Comércio de Foz do Iguaçu, estado do Paraná, e dá outras providências” (ver anexo II)
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2.DEPUTADOFEDERALRUBENSBUENO(ANODE1999)
“Art 1o – Fica criada uma área de livre comércio – ALC, no município de Foz do Iguaçu....” (ver anexo III)
3.DEPUTADOFEDERALMAXROSENMAM(ANODE1999)
“Cria a Área de Livre Comércio de Foz do Iguaçu, estado do Paraná, e dá outras providências” (ver anexo IV)
4.PREFEITURA(GESTÃOHARRYDAIJÓ)(ANODE1999)
“Cria a Região Metropolitana Internacional do Paraná Iguaçu ...” (ver anexo V)
5.SENADOROSMARDIAS(ANODE2001)
“Cria a Área de Livre Comércio de Foz do Iguaçu....”(anexo VI)
6.JORNALDOIGUAÇU(ANODE2001)
O Jornal levantou a questão da “Diminuição de Tributação”, não dizendo qual a melhor lei, mas sim mostrando a necessidade de uma legislação específica. Iniciou-se com Zona Franca, mas depois o caminho foi o de Entreposto de Manaus, ou seja, Foz do Iguaçu seria um entreposto das mercadorias produzidas
77 em Manaus. Conversas que chegaram a nível de Governadores Estaduais. (anexo VII)
7. PREFEITURA (GESTÃO PREFEITO CELSO SÂMIS DA SILVA) E ACIFI
(ASSOCIAÇÃOCOMERCIALEINDUSTRIALDEFOZDOIGUAÇU)(ANODE2002)
“Distrito Industrial/EADI, uma alavanca para o desenvolvimento” (anexo VIII)
3.2.
AREALIDADE
O município de Foz do Iguaçu, completou 88 anos de emancipação política e administrativa no ano 2002, tem uma história de desenvolvimento socioeconômico vinculado a três grandes ciclos. O primeiro de um século de duração, de 1870 a 1970, seguiu o padrão de toda a região Oeste do Paraná, de extração da madeira e erva-mate.
A partir da década de 1970, Foz do Iguaçu tem uma história singular, iniciada com o ciclo da construção da hidrelétrica de Itaipu, que perdurou até 1980, proporcionando o aumento exponencial da população, quantificado neste estudo.
O terceiro ciclo foi caracterizado pela conjunção do turismo de compras, decorrente dos sucessivos planos econômicos a partir do Cruzado, em 1986; e a exportação, que floresceu no período de 1977 a 1994, também em
78 conseqüência da construção de Itaipu. A cidade chegou a receber mais de 4 milhões de compristas por ano, fato que se constitui em outro fenômeno único.
Paradoxalmente, o comércio de Foz do Iguaçu também teve sua fase áurea. Desde a primeira acentuada desvalorização do real frente ao dólar, em janeiro de 1999, os argentinos e paraguaios inverteram a rota de compras para o lado brasileiro da fronteira. Com a desvalorização da moeda brasileira, qualquer produto ou serviço no Brasil tornou-se mais vantajoso para os vizinhos do Mercosul. Também houve bons reflexos no turismo.
Puerto Iguazú, que por anos viveu à margem dos grandes negócios entre Foz e Ciudad del Este, hoje está em novo ciclo. Primeiro, houve o comprismo de produtos brasileiros por argentinos, que durou vários anos, apesar de que, no início de 2001, o governo argentino tentou dificultar o comércio doméstico na fronteira via Puerto Iguazú. Foram ampliados os efeitos de uma medida que proibia o ingresso de produtos brasileiros nos domingos e feriados. A restrição também passou a vigorar aos sábados. O impacto atingiu o comércio “formiguinha” que atua na atividade informal do transporte de mercadorias de um lado para o outro da Ponte Tancredo Neves.
Com a indexação da economia argentina ao dólar e a desvalorização do real frente à moeda norte-americana, aumentou o poder de compra dos vizinhos no lado brasileiro da fronteira. Parte da hotelaria e muitos estabelecimentos comerciais de Foz do Iguaçu tinham nos argentinos a principal clientela, segundo a ACIFI.
Antes da “dolarização” da economia argentina, eram os brasileiros que atravessavam a Ponte Tancredo Neves (Brasil/Argentina) em busca de artigos de couro, lã e enlatados a preços baratos. A paridade da moeda argentina com o dólar
79 inviabilizou o turismo de compras. Houve uma “quebradeira” geral nas lojas preparadas para atender os sacoleiros brasileiros. Mais da metade dos estabelecimentos fechou. Foram poucos os que resistiram.
Puerto Iguazú agonizou desde o início da década de 1990 e viveu da esperança de um eventual revés econômico. Foi o que aconteceu em 2002. Com a crise que abala a Argentina, o fortalecimento do real frente ao peso começou a reativar o comércio local. Em contrapartida, tornou o turismo e o comércio de Foz do Iguaçu muito caros para os argentinos, o que inevitavelmente afeta a economia no lado brasileiro da fronteira.
A formação do Mercado Comum do Sul (Mercosul) pelo tratado de Assunção, em 1990, acompanhando a globalização econômica, decretou o fim gradativo do terceiro ciclo. Novamente Foz do Iguaçu está diante de uma realidade econômica de ruptura com o ciclo anterior, visto que sua localização estratégica no Mercosul abre perspectivas para que o município seja o principal entroncamento do Cone Sul, reforçando o comércio internacional que já vinha sendo praticado na época áurea da exportação e do turismo de compras.
Este novo ciclo terá que ser obrigatoriamente mais duradouro, exigindo do município lançar bases e criar infra-estrutura para tamanho potencial. Nos últimos três anos a cidade tem tentado antecipar-se à situação oportuna que se delineia para os próximos anos, de modo a aproveitar as circunstâncias favoráveis que novamente colocam Foz do Iguaçu em condições de manter o crescimento expressivo.
Entretanto, como se verá a seguir neste estudo, além da infra- estrutura, o município precisa melhorar a qualificação de sua população, atraída desordenadamente para a cidade pelas facilidades do turismo de compras,
80 modalidade econômica que se caracterizou pelo improviso e a informalidade, cujas conseqüências socioeconômicas continuam sendo a desqualificação dos trabalhadores, a predominância das atividades informais e desorganização fiscal e tributária.
3.2.1.PESQUISACENSOECONÔMICO
O Censo Econômico é um levantamente realizado quadra à quadra de quantas empresas formais e informais existem no município.Tendo como principais objetivos: conhecer a real composição da força econômica do município; Identificar os vazios econômicos do município; e disponibilizar as informações do censo para os investidores externos e internos. A abrangência do Censo Econômico foi realizado no perímetro urbano do município e nas principais concentrações populacionais do meio rural.
Realizado em Março/2002 pela ACIFI (Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu e CEPPE (Pesquisa de Mercado e Planejamento Empresarial).
Critério para classificação do porte das empresas pelo número de funcionários:
SETOR MICRO PEQUENA MÉDIA GRANDE
Indústria De 0 a 20 De 21 a 100 De 101 a 500 Mais de 500
Comércio/Serviços De 0 a 10 De 11 a 50 De 51 a 250 Mais de 250 NOTA:CRITÉRIO ADOTADO PELO SEBRAE –SERVIÇO DE APOIO À PEQUENA EMPRESA
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