7.1 SOBRE AS FERRAMENTAS UTILIZADAS
7.1.1 Grupos do Facebook
O Facebook, uma rede social criada nos Estados Unidos em 2004 por um grupo de estudantes de Harvard, cujo objetivo inicial era conectar pessoas, está cada vez mais sendo apropriado pelas escolas, professores, alunos e pelos pesquisadores da área da educação. Podemos observar esse movimento de expansão do uso dessa rede social com fins educacionais no Brasil através de produções recentes sobre a temática, como por exemplo, o livro publicado em 2014, organizado por Porto & Santos intitulado: “Facebook e educação: publicar, curtir, compartilhar”. Esse livro foi publicado em parceria entre várias Universidades, a saber: Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Universidade Tiradentes; Universidade Estácio de Sá; Universidade Federal da Bahia e a Universidade Aberta de Portugal. Os investigadores que participaram desse livro perceberam que o Facebook era uma rede social que se destacava “[...] como meio material e ou intelectual em diversos projetos de pesquisa
e formação de professores na cibercultura” (PORTO & SANTOS, 2014, p. 15). Nesse sentido,
Reconhece-se que o Facebook hoje é a rede social que melhor caracteriza essas redes que passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas, em especial daqueles que não apenas usam a internet, mas que tem nesta, seu objeto de estudo. (Ibid., p. 16).
A obra de Porto & Santos (Ibid.) traz vários textos contendo relatos de experiência e reflexões sobre os usos do Facebook e sobre seus recursos quando voltados e pensados para a educação. Destacamos aqui três deles. O primeiro deles, de autoria de Moreira & Januário (Ibid.) da Universidade Aberta de Portugal, intitulado: “Redes sociais e educação: reflexões acerca do Facebook enquanto espaço de aprendizagem” que traz reflexões acerca dos limites e potencialidades do Facebook aplicado de forma pedagógica em diferentes contextos de aprendizagem. No segundo texto de autoria de Ferreira & Bohadan (Ibid.) da Universidade Estácio de Sá, cujo título e: “Possibilidades e desafios do uso do Facebook na educação: três eixos temáticos”, as autoras trazem um estudo sobre a utilização do Facebook como apoio para disciplina presencial. Nesse estudo, são feitas reflexões sobre as concepções de proximidade, distância, horizontalização das relações entre professor e aluno. Um terceiro texto de Chagas & Linhares (Ibid.), da Universidade Tiradentes intitulado: “As interfaces de interação para uma aprendizagem colaborativa no Facebook” apresenta as possibilidades de interação que o Facebook pode proporcionar, a fim de incentivar a aprendizagem colaborativa e reflexiva.
Com o passar dos anos, o Facebook vem criando novas ferramentas e recursos, tais como: a possibilidade de criação de páginas; acesso à diversos aplicativos, salas de bate-papo e, em específico, é cada vez mais utilizado por professores, o recurso de criação de grupos fechados para discussão dos mais variados temas. Nesses grupos, é possível o compartilhamento entre professores e alunos tanto de materiais – pois é possível fazer upload de arquivos em formato Documento (.DOC) e Portable Document Format (.PDF) - quanto de vídeos, links e imagens em formatos Portable Network Graphics (.PNG) e Joint Photographic Experts Group (.JPEG). Além disso, tem a potencialidade de facilitar a comunicação dentro de um sistema mais colaborativo e não hierárquico. Dentro do Grupo do Facebook, o professor, em geral, assume uma postura de mediador, ou seja, ajuda o aluno a fazer a interação com o conteúdo, com o conhecimento e com os outros colegas, de forma
autônoma e não passiva. Nesse sentido, o professor e o trabalho docente passa a operar conforme descreve Libâneo (1994, p. 88) dando: “[...] unidade ao binômio ensino-aprendizagem, pelo processo de transmissão-assimilação ativa de conhecimentos, realizando a tarefa de mediação na relação cognitiva entre o aluno e as matérias de estudo.
A seguir, na Figura 15, temos uma ilustração do layout do recurso de Grupos do Facebook. É possível observar que esse recurso disponibiliza opções de envio de vídeos, fotos, texto escrito, arquivos em formatos variados. Também possibilita criar enquetes, álbuns de fotos, eventos, etc. Conforme Ferreira & Bohadan (2014), o uso desse recurso tem sido frequentemente utilizado para finalidades educacionais, dada sua semelhança com as funcionalidades que se pode encontrar em salas de aulas virtuais dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), como por exemplo, o já consolidado e amplamente utilizado, Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment (MOODLE), dentre outros.
Figura 15 – Layout do recurso de Grupo do Facebook
Fonte: autora.
Optou-se, portanto, pelo uso da ferramenta de Grupo do Facebook, tendo em vista que, o Facebook por ser uma rede social possibilita um espaço coletivo e colaborativo de comunicação e troca, além de possuir a potencialidade de facilitar a
criação e desenvolvimento de comunidades de aprendizagem, uma vez que exista uma intencionalidade educativa envolvida como no caso desta experiência investigativa.
O Facebook agrega uma significativa quantidade de recursos, funcionalidades e aplicativos que permitem ações interativas na web, tendo- se tornado, hoje em dia, um espaço inovador no qual se criam e desenvolvem interações, sociabilidades e aprendizagens, estas colaborativas em rede, por meio do diálogo e da construção coletiva de saberes. (EDUCAUSE, 2007, p. 1).
Entende-se por comunidades de aprendizagem, uma organização de pessoas que trabalham em conjunto, de forma a partilhar, valores, conhecimentos e atitudes para alcançar objetivos mútuos (FREITAS, 2010). O conceito de comunidades de aprendizagem, quando transferido ou adaptado para o campo das TD, ou seja, para a esfera virtual, diz respeito a uma comunidade de pessoas cujo objetivo em comum é “discutir, construir redes e desenvolver o sentido de tolerância e respeito em relação à opinião e argumento de outros” (Ibid. p. 15). Dessa forma, segundo Gonçalves (2010), essas comunidades no ambiente virtual que são realizações específicas das inovações tecnológicas e da apropriação do ciberespaço como ambiente para ensino e aprendizagem tanto formal quanto informal, podem ser definidas como “um projeto educativo partilhado por um grupo de pessoas que estabelecem um processo de aprendizagem para educar-se” (Ibid. p. 154).
A seguir, apresento a Tabela 4 que descreve algumas das possibilidades que o uso dos Grupos do Facebook com finalidades didáticas podem proporcionar ao professor e aos alunos tanto no âmbito da educação básica como no âmbito da educação superior, pois esta têm se demonstrado ser um AVA bastante acessível e intuitivo tanto para o professor que organiza o ambiente, quanto para o aluno que acessa e interage por meio deste:
Tabela 4 – Características e possibilidades do Grupo do Facebook
Características Descrição
Identificação visual É possível visualizar as fotos dos perfis dos estudantes, fator que proporciona uma facilidade no acompanhamento das atividades realizadas pelos alunos.
Comunicação e interação em um só lugar
O professor pode disponibilizar materiais, recados e conteúdos em um só lugar, evitando, assim, confusões e informações perdidas. Esclarecimento de
dúvidas pelo chat O professor pode utilizar o chat para esclarecimento de dúvidas e envios de materiais para as dificuldades específicas dos alunos. Os alunos podem trocar entre si informações e também criar debates com os colegas por meio do chat.
Popularidade da rede
social O Facebook é uma rede amplamente conhecida e, certamente, a grande maioria dos estudantes já conhecem suas funcionalidades. Notificações/
lembretes Todas as vezes que alguma nova postagem é feita no grupo, todos os participantes recebem instantaneamente uma notificação. Criação de
fóruns/enquetes Alunos e professores podem criar perguntas abertas ou fechadas para o grupo, com o fito de obter respostas de forma colaborativa. Sem necessidade de
“amizade” virtual Para fazer parte do grupo, os participantes não precisam ser amigos.
Fonte: texto da tabela adaptado de Universia Brasil (2015a).
Esse tipo de comunidade virtual, tem se demonstrado uma interessante alternativa para a construção do conhecimento de maneira coletiva e também para o ensino e aprendizagem de leitura e escrita, pois possibilita uma interação por escrito entre os participantes e também exige um certo grau de leitura e compreensão, caso opte-se pelo uso de textos e atividades escritas.