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Organização: PRATES, Angela Maria Moura Costa.

Temos, atualmente, dois deputados da família Silvestre, César Silvestre Filho (Deputado Estadual) e Cezar Silvestre (Deputado Federal). Além de pai e filho, temos Artagão de Mattos Leão Junior, que ocupa o cargo de Deputado Estadual. E na gestão de 2007-2010 do Governador Requião, o ex-prefeito Vitor Hugo Ribeiro Burko ocupou o cargo de Chefe do Instituto Ambiental do Paraná (IAP); o ex-prefeito Nivaldo Krüger ocupou o cargo de representante do Estado em Brasília-DF, e o primogênito do prefeito Carli, Fernando Ribas Carli Filho foi eleito deputado estadual pelo PSB, mas renunciou ao mandato em 2009, por envolver-se em acidente auto-mobilítisco que resultou na morte de dois jovens na capital do Estado. É importante ainda salientar que Carli lançou seu filho Bernado Ribas Carli como candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa para o mandato de 2011-2014, mas este não logrou êxito. Isso mostra a rotatividade e hereditariedade política das lideranças em Guarapuava, pois são esses grupos que disputam todos os cargos políticos da cidade, em nível estadual e federal, gerando uma rotatividade e “hereditariedade” política no território do centro-oeste paranaense.

Grupo Cezar Silvestre (PFL/PDT/PSDB/PTB/PPS)

Grupo Vitor Hugo Burko (PL/PSDB/PL) Grupo Fernando Ribas Carli (PMDB/ PDT/PP) Grupo/Família Mattos Leão (ARENA/PSDB/PMDB) Grupo Nivaldo Krüger (PMDB) GRUPOS POLÍTICOS DE GUARAPUAVA PR

4.1.2 – Características econômicas e sociais do Município de Guarapuava

Para a Política de Assistência Social, Guarapuava é uma cidade considerada de porte grande localizada no Estado do Paraná. Por ser de grande porte, é reconhecida como polo da região de abrangência da Secretaria de Estado do Trabalho Emprego e Promoção Social (SETP).

Localiza-se na região centro-oeste do Paraná, sendo um dos maiores municípios do Estado em área territorial, com mais de 3 mil km2 de extensão. Possui 164.567 mil habitantes, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2007, porém, como contagem, pois oficialmente conta com dados de 2000, registrando 155.161 habitantes. Destes, 44.787 habitantes encontram-se em situação de pobreza, o que equivale a 11.104 famílias, de acordo com o mesmo Censo, como exposto no gráfico:

GRÁFICO 4.1 – POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE POBREZA NO MUNICÍPIO DE GUARAPUAVA-PR Fonte: Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES, 2000).

Organização: PRATES, Angela Maria Moura Costa.

Segundo o IPARDES (2000), a taxa de pobreza em Guarapuava é de 24,85%, sendo que a do Estado é de 20,87%, ou seja, 24,85% das pessoas vivem em condição de vulnerabilidade social decorrente de sua condição de pobreza. Condição esta imposta pelas expressões da Questão Social emergente na cidade, como desemprego, drogadição, violência, fome, significativa concentração fundiária etc.

Guarapuava é uma cidade com poucas indústrias e pouco investimento na área do emprego e do desenvolvimento social. Há alguns anos o município sobrevivia apenas da exploração da madeira e da agropecuária e continua nesta mesma tentativa. No entanto, várias madeireiras faliram e despediram um contingente expressivo de trabalhadores que agora

0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000 160.000 180.000

Habitantes 155.161 Pessoas em situação de pobreza 44.787

Famílias em situação de pobreza 11.104

precisam aprender outro ofício. Empresas que procuram o município para instalar-se na cidade têm pouco incentivo, devido ao monopólio de algumas empresas da cidade, que acabam comprando os terrenos para especulação imobiliária, impedindo, assim, que outras possam criar concorrência. Essa situação cria um contexto significativo quando se trata da ocupação das pessoas, como no gráfico a seguir:

POPULAÇÃO E OCUPAÇÃO 0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000 160.000 180.000 Habitantes 155.161 População economicamente ativa 71.307 População ocupada 60.112 Numero de empregos RAIS 33.383

GRÁFICO 4.2 – SITUAÇÃO DE OCUPAÇÃO DA POPULAÇÃO NO MUNICÍPIO DE GUARAPUAVA-PR. Fonte: Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES, 2000).

Organização: PRATES, Angela Maria Moura Costa.

Vale destacar que o número de empregos vem de pesquisa realizada pelo IPARDES em 2008, sendo que todos os demais são de 2000. Percebe-se, através do gráfico, a situação grave do desemprego na cidade, considerando que se de 71.307, 60.112 estão ocupadas no mercado informal53, e apenas 33.383 estão empregadas, significa que 26.729 pessoas em idade ativa encontram-se sem ocupação e sem emprego formal54, dependendo, portanto, dos programas sociais para sua subsistência.

A renda e o emprego no município é outra questão relevante. Veremos no mapa a seguir que desde 2002 até 2007, ano que constam os dados, não obstante o aumento da população, o índice de renda e emprego não se modificaram, uma vez que o município está entre os 53 do Paraná que tem um grau de crescimento considerado médio. Apenas 09 municípios estão numa condição melhor de renda no Estado, como se pode visualizar no mapa.

53 O mercado informal é discutido por Antunes (2000) e refere-se a todo trabalho realizado sem contar com os direitos trabalhistas e em situação precarizada pela terceirização e flexibilização. Também é considerado informal o trabalho realizado de forma autônoma.

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O emprego formal é aquele em que o sujeito tem seus direitos trabalhistas garantidos, o que só é possível no Brasil quando se tem registro em carteira de trabalho.

MAPA 4.1 – MAPA DA SITUAÇÃO DE RENDA E EMPREGO EM GUARAPUAVA-PR Fonte: Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES, 2002-2007).

Nesta visualização a região de Guarapuava (que abarca 21 municípios ao seu redor) está numa condição de baixa renda, e mais, alguns que lhes fazem divisa têm a mais baixa renda do Paraná. É importante ressaltar que quanto mais perto de 01, melhor a situação do município. “A cidade de Guarapuava acompanha o padrão brasileiro de má distribuição de renda, tendo em vista que existe nela grande proporção de lucro às grandes empresas, e pouco

movimento e oportunidade a médias e pequenas sob diversos setores” (MOROZINI, 201055). Uma região assim é propícia para práticas clientelistas, pois “[...] a pobreza e a baixa escolaridade mantêm a dependência de grande parte do eleitorado. O clientelismo tem aí terreno fértil em que vicejar” (NETO, 2009, p. 04).

A política e a economia caminham juntas, como diria Gruppi (1980) ao falar de Karl Marx e sua obra A questão judia, ou seja, “[...] a sociedade política, o Estado, é expressão da sociedade civil, isto é, das relações de produção que nela se instalaram” (GRUPPI, 1980, p. 26). A questão política tem grande influência na cidade quando se refere à ampliação de empresas, pois quem não compactua com o grupo político em vigência não tem chance de instalar seu negócio. Nesse sentido, é importante que se desenvolva:

[...] uma reforma política na região, com a baixa do “coronelismo” político que impede a concorrência comercial, como exemplo a lei que esteve ativa por um período, a do supermercado, que restringia a construção de mercados com tamanho superior a 2.500 (dois mil e quinhentos) metros no centro da cidade imposta pelo atual prefeito, setor este que tem um dos maiores índices empregatícios do país, onde ao menos garantiria elevação de número de emprego formal de baixa e alta qualificação (MOROZINI, 2010).

Isso é extremamente prejudicial para o desenvolvimento da cidade, uma vez que os trabalhadores dependem de espaços para vender sua força de trabalho. Isso revela a contradição existente na cidade, pois segundo o mesmo autor, Guarapuava possui grandes e fortes empresas, portanto:

[...] o potencial da região é forte e contínuo, de acordo com esses dados pode-se extrair um conceito positivo para a economia, mas na prática não é bem isso que acontece devido à centralização das rendas. Por conta da mão de obra estagnada, os ricos se tornam cada vez mais ricos, e os trabalhadores permanecem em seus lugares sem grandes expectativas (MOROZINI, 2010).

Para ele o que é preciso é vontade política e abertura para o diferente sem considerar o partido político, mas o desenvolvimento local em prol do desenvolvimento humano e social.

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Disponível em http://www.webartigos.com/articles/38664/1/Cenario-Economico-e-Microeconomia-em- Guarapuava/pagina1.html#ixzz0t8BMDybw. Acesso em 08/07/2010.

4.2 – A compreensão dos sujeitos sobre a Assistência Social considerando o contexto do Município de Guarapuava-PR entre 1996-2009: A lentidão e o poder do atraso

A Assistência Social do Município de Guarapuava-PR antes de 1996 era vinculada à Política de Saúde, sendo, portanto, um setor chamado Departamento de Promoção Social que funcionava conjuntamente com as ações da Secretaria de Saúde. O desmembramento da referida secretaria aconteceu em 1997, quando a gestão municipal executou uma das deliberações da I Conferência Municipal de Assistência Social, realizada em 1996, e que primava por uma secretaria própria para a Assistência Social. Respeitando essa deliberação, o Poder Executivo, representado pelo então Prefeito Municipal Sr. Vitor Hugo Ribeiro Burko, do Partido Liberal (PL), criou a Secretaria Municipal de Promoção Social (SMPS) através da Lei Municipal nº. 642/97 art. 2º, conforme Relatório Anual de Guarapuava (2003). A gestão da Assistência Social estava sob a responsabilidade da mãe do Prefeito, Sra. Maria do Rocio Ribeiro Burko.

A partir da I Conferência Municipal de Assistência Social foi elaborado um plano de ação que definiu eixos norteadores da política, sendo que um deles foi caracterizado como Serviços Assistenciais Continuados, dentro do qual foram previstos programas com seus respectivos projetos. Vale ressaltar que esses programas e projetos não estão nominados nos Relatórios Anuais, por isso não são citados aqui. O outro eixo foi chamado de Benefícios Eventuais, ou seja, “[...] entendem-se por benefícios eventuais aqueles que visam ao pagamento de auxílio por natalidade ou morte às famílias cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário mínimo” (LOAS, 1993, Art. 22).

Esses benefícios são aqueles voltados à população que vive em situações de risco, como itinerantes, idosos, abandonados e vítimas de calamidades. Os benefícios que a secretaria dispunha eram cestas básicas, cobertores, roupas, lonas de plástico, colchões, segunda via de documentos, fotografias para documentos, remédios e fraldas (ainda neste período a Assistência Social se responsabilizava por serviços que hoje são da Política de Saúde) e passagens.

Sendo assim, esses serviços foram organizados a partir de alguns eixos norteadores e eles deveriam ter um caráter não contributivo, ser reconhecidos como direito de cidadania, e garantir o atendimento aos Mínimos Sociais. Também deveriam trabalhar de forma integrada com as demais políticas e com Entidades não governamentais atuantes no município. Esse atendimento, conforme os eixos, buscava cumprir quatro funções, consideradas

indispensáveis para a implementação de uma política pública, tais como: a prevenção, a promoção, a proteção e a inserção dos sujeitos, com garantia de acesso aos demais direitos nas suas mais diversas necessidades sociais, conforme mostra o organograma:

ORGANOGRAMA 4.2 – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

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