2.3 GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS VERDE
2.3.1 GSCM como conceito ampliado da SCM convencional
A SCM é um conjunto de abordagens utilizadas para integrar eficientemente fornecedores, fabricantes, depósitos e armazéns, bem como atividades associadas com a fabricação desde a aquisição de matéria-prima até a entrega final do produto aos consumidores, de forma que a mercadoria seja produzida e distribuída na quantidade certa, para a localização certa e no tempo certo, para minimizar os custos globais do sistema, ao mesmo tempo em que atinge o nível de serviço desejado, conforme citaram Simchi-Levi, Kaminsky e Simchi-Levi (2003).
Assim, as atividades de manufatura e produção passaram a ser consideradas potencialmente danosas para a saúde das pessoas e do meio ambiente nos casos em que não forem controladas corretamente estas atividades, pois podem gerar poluição, rompendo o ecossistema e depredando os recursos naturais, segundo Fiksel (1996). Dentro desta realidade, as práticas ambientais passaram a fazer parte do cotidiano das empresas exigindo uma evolução das demandas ambientais socialmente aceitas no gerenciamento das suas operações.
Para que as empresas não corram riscos de serem penalizadas, seja por uma medida regulatória, seja pelo conceito que o consumidor define ou ainda por padrões morais, elas expandiram o conceito de SCM convencional de minimizar os custos finais para uma SCM com foco ambiental.
Nesse aspecto, pode-se verificar que o petróleo é utilizado como matéria-prima em vários processos que variam da geração de energia para os produtos petroquímicos, até combustíveis para os motores que são utilizados na agricultura, nos automóveis etc.; como a combustão de óleo provoca a emissão de gases de efeito estufa, portanto, o seu uso deve ser reduzido e, se possível, completamente eliminado. No sentido oposto, na industrialização dos países mais populosos do mundo, como a China e a Índia, é esperado que o uso do petróleo se eleve no futuro próximo, com a maior parte dele importado. Devido à limitação da disponibilidade, os países são obrigados a aderir às tecnologias alternativas ou ver suas economias desmoronarem. Além disso, grande parte do petróleo importado é de países que promovem o terrorismo (MEYER, 2008). Esse fator obriga as forças do mundo a pesquisarem e adotarem tecnologias alternativas.
Logo, quanto à indústria, Bloemhof-Ruwaard et al. (1995) descrevem que ambos: os processos verdes e produtos verdes apresentam muitas oportunidades de aplicação nos procedimentos ambientalmente amigáveis. Por exemplo, esses processos implicam a redução
dos resíduos, minimizando a poluição, com a utilização dos recursos de forma eficiente, e o descarte após o final de vida do produto.
Como já ilustrado anteriormente, o modelo de GSCM mostra que, no ambiente de fabricação verde, existem diversos pontos e oportunidades para limitar o desperdício por meio da reutilização, reciclagem e remanufatura, bem como a redução de resíduos. Sarkis (2003) afirma que as inovações ambientais podem ser mais bem utilizadas durante a fase de produção na cadeia de suprimento, devido a esta parte ser o foco interno na organização e, portanto, serem mais visíveis os benefícios da implantação de processos ecológicos. GSCM envolve práticas tradicionais de SCM, que integram critérios ou problemas ambientais na decisão de compra e relacionamentos de longo prazo com os fornecedores, segundo Gilbert (2001), e visa confinar os resíduos dentro do sistema industrial, a fim de conservar energia e evitar a dispersão de materiais perigosos no meio ambiente, assim controlando o impacto ambiental nos processos dentro de uma organização.
SCM convencionais e verdes diferem de várias maneiras. Primeiro, as SCM convencionais frequentemente se concentram nos objetivos econômicos e valores, enquanto as GSCM consideram importantes também as causas ecológicas. Quando uma corrente convencional não tiver padrões ecológicos em conta, muitas vezes é limitada no seu âmbito de se tornar ótima. Por exemplo, as cadeias convencionais apenas levam em consideração os efeitos toxicológicos humanos, deixando de fora os efeitos ambientais. Além disso, elas muitas vezes se concentram mais em controlar o produto final, permitindo simultaneamente que os efeitos negativos ocorram durante o processo de produção.
Em vista disso, o comprador e os critérios de seleção de fornecedores são fundamentalmente diferentes em cadeias convencionais e em cadeias verdes. Em cadeias convencionais, o padrão predominante é o preço. Em redes verdes, o objetivo ecológico é uma parte dos critérios de seleção de fornecedores. Colocar esses critérios ecológicos em prática requer uma avaliação cuidadosa do fornecedor, baseada em relacionamentos orientados em longo prazo. O desenvolvimento destes relacionamentos geralmente leva muito tempo e só um número muito limitado deles é que satisfaz os critérios definidos. Assim, qualquer mudança de seleção de fornecedores não pode ser implantada na GSCM tão rapidamente como na SCM convencional.
Uma das percepções iniciais sobre a introdução de produtos ecológicos no mercado é que eles levam a um maior custo de produção, em comparação com os convencionais. No entanto, resultados recentes mostram que as inovações e planejamento podem reduzir drasticamente estes custos na maioria dos casos. Em comparação com as SCM convencionais
que têm um grande número de materiais convencionais e fornecedores, as GSCM são relativamente inferiores em termos de rapidez e flexibilidade (HO et al., 2009). O Quadro 2 resume as principais diferenças entre a gestão convencional e verde da cadeia de suprimento.
Quadro 2: Diferenças entre SCM convencional e Green SCM
Fonte: Ho et al. (2009, p. 21).
Embora, em alguns casos, os custos envolvidos na GSCM sejam elevados em comparação com a SCM convencional, a consciência do consumidor sobre o meio ambiente ajudou as organizações a criar uma imagem de marca e a se tornar uma vantagem competitiva exclusiva. Beamon (1999) mostrou em sua pesquisa que 75% dos consumidores afirmaram que o seu poder de compra foi influenciado pela reputação ambiental da empresa e que 80%
estariam dispostos a pagar mais por produtos ambientalmente amigáveis. Porém, a pesquisa CNI de 2010 apontou que apenas 11% dos entrevistados dariam preferência a produtos e serviços de empresas com preocupação e ações de conservação ambiental, bem como foi baixa a disposição em pagar mais por um produto ambientalmente correto.
Por outro lado, GSCM são ecologicamente otimizadas para as cadeias de fornecimento alargarem o âmbito não só para a saúde humana e efeitos toxicológicos, mas também aos efeitos ecológicos negativos sobre o ambiente natural, bem como todo o valor que agregam ao processo, resultando em baixo impacto ecológico durante a produção.
Exigências ecológicas são consideradas como critérios fundamentais para produtos e processos e, ao mesmo tempo, a empresa deve garantir a sua sustentabilidade econômica, permanecendo competitiva e lucrativa. Ao praticar apenas uma fração dos conceitos verdes na SCM, muitas empresas já têm alcançado sucesso.
Portanto, entre as abordagens SCM e GSCM há uma ampliação dos conceitos, mais do que simplesmente agregar o fator ambiental às atividades das organizações, a GSCM fornece uma nova visão das responsabilidades das empresas com o meio ambiente e a sociedade.
Características SCM convencional Green SCM
Objetivos e valores Econômicos Econômicos e ecológicos - Otimização ecológica - Alto impacto ecológico - Abordagem integrada
- Baixo impacto ecológico - Critério de seleção de fornecedor - Mudança rápida por preço
- Relacionamento de curto prazo - Aspectos ecológicos (e preços) - Relacionamento de longo prazo - Pressão por custo e preços - Alta pressão por custo
- Preços baixos - Alta pressão por custo - Preços altos
- Velocidade e flexibilidade - Alto - Baixo
A seguir são conceituadas práticas internas de GSCM, práticas externas de GSCM, investimentos verdes, eco-design e logística reversa, perfil verde, pró-atividade corporativa, reatividade corporativa e desempenho ambiental, econômico e operacional.