Guarde bem isto que vou lhe dizer: a coisa julgada não poderá prejudicar
→ A extensão da obrigação
Ele deve delimitar claramente qual é o dano existente (se é material, moral ou estético).
→ O índice de correção monetária
→ A taxa de juros
→ O termo inicial da taxa de juros e da correção monetária
→ A periodicidade da capitalização de juros (se for o caso)
Confira os dispositivos:
Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado pedido genérico, a decisão definirá desde logo a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos e a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso, salvo quando:
I - não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido;
II - a apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença.
Portanto, a regra é que na decisão ilíquida haja a definição a respeito da condenação, juros e correção.
A sentença ilíquida condena o réu ao cumprimento de alguma obrigação, mas não define o valor devido (quantum debeatur ou quanto se deve).
Professor, mas para a parte poder executar a sentença, ela precisa de um valor estabelecido. Como se chega ao valor da condenação?
Veja:
Art. 491, § 1º Nos casos previstos neste artigo, seguir-se-á a apuração do valor devido por liquidação.
Liquidação de sentença é atividade judicial que tem por objetivo determinar o valor da condenação para possibilitar sua execução.
Uma sentença pode ser total ou parcialmente ilíquida:
→ Sentença totalmente ilíquida
Em uma ação de reparação de danos, a sentença somente condena o réu a pagar lucros cessantes ao autor (aquilo que ele razoavelmente deixou de ganhar) referentes aos dias em que o seu veículo ficou parado.
→ Sentença parcialmente ilíquida
É a sentença que condena o réu a reparar o valor dos danos (estipulados R$ 3.00o, constituindo a parte líquida), causados ao veículo do autor ao passo que o condena a pagar o valor referente à desvalorização do veículo, a ser apurado em liquidação!
Em sentenças parcialmente ilíquidas, o credor poderá, ao mesmo tempo pedir a execução da parte líquida nos próprios autos e a liquidação da parte ilíquida, em autos apartados13. Art. 509, § 1º Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é
lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta.
Como a finalidade da liquidação é apenas determinar o valor da condenação, é expressamente vedado que as partes rediscutam novamente o que foi decidido na sentença. O procedimento de liquidação de sentença não pode ser usado por elas como se fosse um recurso:
Art. 509, § 4º Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou.
Vamos às espécies de liquidação de sentença?
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do CREDOR ou do DEVEDOR14:
I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação;
II - pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar fato novo.
13 A liquidação, nesse caso, será feita em autos apartados para não prejudicar o andamento da execução em relação à parte líquida!
14 A liquidação pode ser requerida tanto pelo credor quanto pelo devedor, que possui interesse em pagar e principalmente em obter a extinção da sua obrigação!
Veja logo abaixo as espécies de liquidação:
Liquidação por Arbitramento
A liquidação por arbitramento será utilizada quando:
a. Determinado pela sentença b. Estipulado pelas partes
c. Exigido pela natureza do objeto da liquidação
A liquidação por arbitramento é aquela que vai apurar o valor de um bem ou de um serviço. A única atividade é a apuração do valor, que será feita por meio de apresentação de pareceres e documentos elucidativos pelas partes. Se isso não bastar, um perito será nomeado pelo juiz para realizar a liquidação.
Na liquidação por arbitramento, não há nenhum fato novo a ser provado.
Veja:
Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a apresentação de pareceres ou documentos elucidativos, no prazo que fixar, e, caso não possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se, no que couber, o procedimento da prova pericial.
Veja como o STJ já aplicou a liquidação por arbitramento:
“Liquidação. Sentença. Sinistro. Veículo. Autoescola. Lucro cessante. A Turma entendeu que, demonstrada a culpa e a existência dos danos na hipótese de sinistro com veículo de autoescola, é cabível a apuração dos lucros cessantes em liquidação de sentença (arbitramento), mediante perícia, referente ao valor da hora-aula, com dedução das despesas operacionais da autoescola, e à quantidade semanal de aulas, por se tratar de veículo inerente à atividade da autora (arts. 82 e 1.059 do CC/1916 c/c os arts. 334, I, 335 e 368, parágrafo único, do CPC)”
(REsp 489.195/RJ, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, j. 23.10.2007).
Liquidação pelo Procedimento Comum
Será utilizada a liquidação por procedimento comum toda vez que para apurar o valor devido for necessária a prova de fatos novos:
Exemplo: na sentença, o juiz condenou o réu a pagar ao autor os danos decorrentes de um acidente do qual ainda não é possível sabermos exatamente a extensão dos danos, pois o réu jogou um piano de cima do seu apartamento, tendo atingido o autor, que ficou internado por meses. Somente após um período, por meio da liquidação pelo procedimento comum, será possível saber qual o valor total do tratamento médico, das cirurgias, dos remédios e da internação a que foi submetida o pobre autor!
Art. 511. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a intimação do requerido, na pessoa de seu advogado ou da sociedade de advogados a que estiver vinculado, para, querendo, apresentar contestação no prazo de 15 (quinze) dias, observando-se, a seguir, no que couber, o disposto no Livro I da Parte Especial deste Código [normas do procedimento comum] .
Como será preciso fazer a prova de fatos novos, a liquidação pelo procedimento comum, seguirá as normas do procedimento comum!
Perceba que o art. 511 inclusive fala em intimação do réu para apresentar CONTESTAÇÃO em 15 dias!
Como se trata de uma fase do processo, não de processo novo, o meio adequado para dar ciência do seu início é a intimação, feita na pessoa do advogado do réu!
ATENÇÃO!
Se o valor da condenação necessitar apenas de algumas contas (cálculo aritmético), não é necessário que a parte promova a liquidação da sentença! Ela já poderá executar diretamente a decisão judicial (promover o cumprimento da sentença):
Art. 509, § 2º Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença.
Resolva comigo esta questão
:
(FCC – TRT/RJ – 2012) Julgue o item abaixo:
Na liquidação por procedimento comum, é possível nova discussão da lide ou modificação da sentença que a julgou.
RESOLUÇÃO:
Negativo!
A liquidação pelo procedimento comum será utilizada quando for necessário provar fatos novos para apurar o valor da condenação, não sendo possível rediscutir a sentença.
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do CREDOR ou do DEVEDOR15:
I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação;
15 A liquidação pode ser requerida tanto pelo credor quanto pelo devedor, que possui interesse em pagar e principalmente em obter a extinção da sua obrigação!
II - pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar fato novo.
§ 4º Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou.
Liquidação Provisória
É plenamente possível que a parte peça a liquidação da sentença que foi impugnada por recurso:
Art. 512. A liquidação poderá ser realizada na pendência de recurso, processando-se em autos apartados no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais pertinentes.
A ideia do dispositivo acima é a de que a parte não precisa esperar todo o trâmite do recurso interposto contra a sentença para promover a sua liquidação, para saber quais serão os valores estabelecidos na sentença a título de condenação!
Venha resolver comigo uma questão sobre liquidação de sentença:
(FGV – TJ/RS – 2020) No que se refere à liquidação, é correto afirmar que:
a) as decisões interlocutórias proferidas nessa fase do procedimento são irrecorríveis;
b) se a sentença contiver parte líquida e outra ilíquida, deverá o credor promover a liquidação desta, para, depois, promover a execução da totalidade do crédito;
c) se o juiz constatar que a sentença liquidanda violou algum preceito legal, poderá invalidá-la, desde que haja requerimento de qualquer das partes nesse sentido;
d) quando a apuração do quantum debeatur depender apenas de cálculo aritmético, a fase liquidatória terá o procedimento simplificado;
e) a instauração dessa fase do procedimento pode ser requerida tanto pelo credor como pelo devedor.
RESOLUÇÃO:
a) INCORRETA. Ainda não estudamos o tópico, mas saiba que as decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença podem ser recorridas mediante agravo de instrumento:
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário.
b) INCORRETA. Em sentenças parcialmente ilíquidas, o credor TEM A FACULDADE (não o dever) de pedir, simultaneamente, a execução da parte líquida nos próprios autos e a liquidação da parte ilíquida, em autos apartados.
Art. 509, § 1º Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta.
c) INCORRETA. Opa! A liquidação de sentença não pode ser utilizada para modificar o que restou decidido nas fases anteriores, o que impede que o juiz invalide decisões anteriores, já transitadas em julgado.
Art. 509, § 4º Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou.
d) INCORRETA. Se o único “empecilho” for a necessidade de cálculos aritméticos, o credor tem o direito de promover o cumprimento de sentença desde logo, não sendo necessária a abertura de procedimento simplificado para tanto.
Art. 509, § 2º Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença.
e) CORRETA. Perfeito! A liquidação de sentença poderá ser instaurada por iniciativa tanto do credor quanto do devedor:
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor:
Resposta: e)