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A Guerra Fria compreende um período de 1945 até o confronto final dos Estados Unidos e da União Soviética em 1989. O autor McMahon (2012), considera a Segunda Guerra Mundial como o conflito mais destrutivo da história humana, e sem dúvidas, o ápice que criou as condições que tornaram inevitável o conflito entre as grandes potências. O autor conclui que:

“[...] foram as aspirações, as necessidades, as histórias, as instituições de governo e as ideologias divergentes dos Estados Unidos e da União Soviética que transformaram as tensões inevitáveis no confronto épico de quatro décadas que chamamos de Guerra Fria. ” (MCMAHON, 2012, p. 14).

A reorganização do sistema internacional daquela época foi resultado de três conferências importantes realizadas em Teerã, Yalta e Potsdam (SARAIVA, 2008).

A conferência de Teerã, envolvendo Winston Churchill, Franklin Roosevelt e Joseph Stalin, decidiu a invasão da Europa ocupada através do Canal da Mancha e determinou que o norte da França seria a área escolhida para o desembarque aliado, além de reconhecerem a

chamada Linha Curzon como o novo limite entre a URSS e a Polônia, decisões de vitória para Stalin. (BARROS, 1984)

Em Yalta, em 1945, a cooperação entre os “três grandes” (Churchill, Roosevelt e Stalin) se sustentava pela parceria soviética na guerra contra o Japão, Stalin assim impôs certas condições, exigindo o que perdera na guerra de 1904-1905: a Estrada de Ferro Chinesa Oriental, a parte sul da ilha de Sacalina, as ilhas Kurilas e o Porto Arthur. (BARROS, 1984).

Magnoli (2009) acredita que foi no encontro em Yalta, que a URSS recuperou parte de seu território e que neste episódio já era possível enxergar uma futura bipolarização mundial. No mesmo ano, ocorreu a Conferência de Potsdam.

O centro das discussões foi a organização da administração da Alemanha derrotada. Decidiu-se a divisão provisória da Alemanha em quatro zonas de ocupação militar administradas pelas potências vencedoras (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e União Soviética). Os ocupantes deveriam cumprir um programa de erradicação completa das estruturas nazistas e realizar reformas voltadas para a democratização da sociedade alemã. As medidas concernentes ao conjunto do território seriam tomadas em comum acordo. (MAGNOLI, 2009, p. 95).

As conferências aumentaram a tensão entre a União Soviética e os Estados Unidos, dando início a formação da Guerra Fria.

Os Estados Unidos, na visão de Vizentini (2004):

“[...] emergiram do conflito como os maiores beneficiados, haja vista que, por meio dele, reativaram e expandiram seu parque industrial, absorveram a enorme massa de desempregados dos anos 1930, bem como sofreram poucas perdas humanas e praticamente nenhuma destruição material. Sua economia tornou-se mundialmente dominante, respondendo por quase 60% da produção industrial de 1945, posição reforçada pela semidestruição de seus rivais (Alemanha, Itália e Japão) e pelo enfraquecimento dos aliados capitalistas (França e Grã-Bretanha), que tornavam-se seus devedores. ” (VIZENTINI, 2004, p.65-66).

Já a União Soviética, por outro lado, também desempenhou um papel relevante, em razão de sua notoriedade diplomática e militar; a derrota da Alemanha nazista; e seus interesses reconhecidos em relação a influência às suas fronteiras europeias. (VIZENTINI, 2004).

Para Christian Lohbauer (2005), doutor em ciência política, o conflito entre capitalistas e socialistas foi uma disputa para determinar qual das superpotências possuía maior poder ideológico. Entretanto, outros autores possuem uma visão mais farta do episódio da Guerra Fria, envolvendo o equilíbrio de poder e a hegemonia das superpotências. Por exemplo para, Magnoli (1988, p. 45), a Guerra Fria é muito mais que um episódio ideológico, é “uma confrontação múltipla (econômica, política, diplomática, cultural, propagandística)

entre as duas superpotências que questionam de maneira incessante a distribuição mundial dos fluxos de influência e poder”. Já Mearsheimer (2007), acredita que os EUA e a Rússia entraram em conflito pelos dois motivos, tanto ideológico, quanto por equilíbrio de poder.

Já a Guerra Fria vista pela geopolítica e geoestratégia, por Alfred Thayer Mahan e Halford Mackinder, é uma guerra que segundo eles, como o próprio conceito já diz, uma guerra que envolve a geografia dentro da política, nesse caso, dos Estados Unidos e da Rússia. O primeiro sendo a baleia, representando o principal símbolo marítimo, por ser uma potência naval e marítima, com saídas para o Pacífico e o Atlântico, e o segundo, denominado de urso, símbolo terrestre, por ser uma supremacia continental, com acesso ao interior do maior continente, a Ásia. (MELLO, 1994).

O autor Magnoli (1988) afirma que após a Segunda Guerra Mundial, o equilíbrio do terror passou por algumas fases, alcançando assim um equilíbrio nuclear e deixando o conflito entre as superpotências mais pacífico. A continuação do conflito decorreu da criação de planos dos Estados Unidos e da União Soviética para obter ajuda de seus aliados.

Em relação aos planos econômicos, relembra o autor que os Estados Unidos criaram o Plano Marshall em 1948, o qual (2004, p. 73): “concedia aos governos europeus empréstimos a juros baixos, para que eles adquirissem mercadorias dos EUA. ” Em contrapartida a URSS, em 1949, criou o Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON), (2004, p. 78) “integrando os planos de desenvolvimento e lançando as bases de um mercado comum dos países socialistas, em uma clara resposta ao Plano Marshall. ”

As Organizações Internacionais também foram essenciais durante a Guerra Fria. A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma delas. Lohbauer (2005, p. 106) explica que “O Conselho de Segurança das Nações Unidas foi criado para funcionar permanentemente com cinco membros permanentes, Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido, França e China. ” Os membros permanentes têm direito ao veto, o que deixou a organização vulnerável, visto que os Estados Unidos não entrariam em acordo com a União Soviética. (Magnoli, 2009).

Em abril de 1949, foi criada a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com o objetivo de garantir a liberdade e a segurança de seus membros através de poder político e militar. Para a Otan, ter a República Federal Alemã seu favor era crucial para se defender contra a URSS, então, com a promessa da presença de tropas britânicas na Alemanha e a garantia das forças americanas no local, a Alemanha foi integrada à Otan, em 1955. Como resposta, os soviéticos criaram o Pacto de Varsóvia, formado por Estados comunistas europeus. (PEREIRA; ALENCAR, 2004).

Outros programas foram criados no mesmo período, como o Plano Dodge, Pacto do Atlântico, o Tratado de Segurança e etc. Anderson (2015), deixa claro que a adoção desses planos era fundamental, assim como também restaurar o comércio mundial, o equilíbrio de poder e militar e acabar com algumas atitudes que produzem a guerra. Além de se preocuparem com a sua economia interna, os EUA se preocupam em orientar e proteger os demais países que a eles pediam ajuda, o que pode ser observado ao longo dos anos até hoje, através de ajudas financeiras e humanitários.

Entretanto, mesmo com as organizações internacionais, alguns conflitos aconteceram durante a Guerra Fria, entre eles O Bloqueio de Berlim em 1948, a Revolução Chinesa, a Guerra da Coréia, a Crise dos Mísseis e a Guerra do Vietnã. De acordo com a autora Xavier, desde então:

“Seguiram-se daí vários acontecimentos, dentre eles, a tomada da Casa Branca por John F. Kennedy em 1961, o fracasso dos EUA no desembarque na Baía dos Porcos em Cuba, [...] bem como a construção do Muro de Berlim na Alemanha Oriental sem oposição, em agosto do mesmo ano. A estes, soma-se a Revolução Cubana [...]” (XAVIER, 2010, p.8).

Após 40 anos de Guerra Fria, percebe-se no final do século XX que outros eventos importantes aconteceram, como por exemplo a democratização da União Soviética e dos países do leste europeu, a COMECON e o Pacto de Varsóvia já não mais existiam, ocorreram os pactos de desarmamento nuclear, criaram-se políticas para a reforma da OTAN, e houve o arruinamento do Partido Comunista, que terminou com o Golpe de 1991, golpe que tinha o objetivo de retirar Mikhail Gorbachev do poder. (XAVIER, 2010).

Mikhail Gorbachev foi eleito em 1985, ele entrou no poder com o propósito de colocar em prática suas reformas, através da chamada “Perestroika” (em russo, reconstrução), e pretendia reverter a má situação da economia. Além da economia, estava preocupado com a política, então criou a chamada “Glasnost” (em russo, transparência), que pretendia diminuir a censura. Porém, conforme o tempo ia passando, mais caótica a situação ficava, e em 1991 Gorbachev tenta renegociar o tratado da União, e alguns cidadãos descontentes com o governo, dão um golpe de Estado e Boris Yeltsin assume o poder. Em 21 de dezembro de 1991, 11 de 15 nações, assinaram a CEI (Comunidade dos Estados Independentes) e em 26 de dezembro é votado oficialmente o fim da URSS. (SEGRILLO, 2012).

Vizentini (2004) conclui que a Guerra Fria iniciou seu declínio durante a década de 1980 em diante. O símbolo que marcou o fim da guerra, foi o episódio da queda do Muro de Berlim em 1989, que indicou o fim de décadas de disputas econômicas, militares e

ideológicas entre o bloco socialista (soviético) e o bloco capitalista (estadunidense). Como consequência, houve a unificação da Alemanha, oriental com a Ocidental. A década de 1990 foi o marco do fim da Guerra Fria, e do fim da divisão do mundo em dois blocos ideológicos, restante apenas uma superpotência no sistema internacional.

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