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Capítulo 3 – Workflows para Multidões (Wf4Crowds)

3.1 Tipos de Wf4Crowds

3.1.1 Híbridos – Coleta de dados

Representam Workflows que englobam tarefas executadas no mundo real e o resultado enviado, via Internet. Podem ser de dois tipos: coleta manual e coleta automática. A seguir serão descrito alguns exemplos.

 Híbrido – Coleta manual

Na literatura, existem dois exemplos bem conhecidos deste tipo de workflow. No primeiro exemplo, o projeto e-Bird (desenvolvido pela universidade de Cornell), os participantes são convidados a colaborar realizando basicamente dois tipos de tarefas: (1) tarefa de captura de imagem, registrando e enviando a foto da(s) ave(s) e; (2) tarefas de questões, isso é, preenchimento de formulário específico que orienta o participante a descrever e informar o que foi avistado. No segundo exemplo, Projeto Coral Watch, a multidão é específica, ou seja, multidões de mergulhadores profissionais e amadores que já frequentam os ambientes de coleta e ajudam através do uso de uma planilha específica, fazer observações sobre o efeito das mudanças climáticas mapeando e descrevendo o local onde o branqueamento de corais foi observado. Posteriomente, essas informações são enviadas manualmente, via Internet, para o site do projeto (Figura 11).

Figura 11 – Exemplo de Projeto Híbrido de Crowd Science – Coleta Manual – Projeto Coral Watch.

Outro exemplo de workflow híbrido é o projeto BudBurst5. Este projeto faz parte da National Phenology Network e representa um esforço de colaboração entre o Jardim Botânico de Chicago, o Plant Conservation Alliance, ESRI, National Science Foundation e diversas universidades. O projeto BudBurst recorre à colaboração voluntária do cidadão comum para ajudar os cientistas a entender as mudanças climáticas fazendo observações regulares da ocorrência e fenologia (i.e. floração, frutificação e perda de folhas) de várias espécies de plantas. A participação foi projetada para ser realizada em seis etapas (Figura 12).

Figura 12 – Workflow de atividades do projeto Projeto BudBurst.

O voluntário pode escolher a partir de um cardápio de opções qual a(s) planta(s) que deseja observar. Existem cinco grupos de plantas disponíveis no website do projeto: Flores silvestres e ervas (96); e árvores e arbustos decíduos (86); árvores e arbustos persistentes (37); gramíneas (13) e coníferas (8). Estas espécies foram selecionadas por serem fácies de serem identificadas e pela ampla ocorrência nos Estados Unidos. Para cada um dos cinco grupos existe um material didático explicando as fenofases.

O usuário também pode pesquisar por estado ou fazer a opção de selecionar “todas as espécies”. Adicionalmente, a pesquisa pode ser feita digitando o nome científico, o nome comum ou o grupo que a espécie pertence.

5 http://www.budburst.org/

Além dessas opções, o projeto também apresenta uma sugestão de 10 espécies de maior interesse para a pesquisa e que também são de fácil identificação e ampla distribuição.

Figura 13 – As 10 espécies de maior interesse do projeto BudBurst

O projeto BudBurst oferece aos participantes duas formas de colaborar:

 Observações individuais: basta informar em que fase a planta está quando você encontrar uma espécie do seu interesse, sem realizar uma observação regular que acompanha as mudanças sazonais. Por exemplo, uma árvore com poucas flores, observada durante as suas férias ou durante uma caminhada pode ser relatada como floração inicial.

 Observações regulares: o colaborador encontra uma planta que possa observar regularmente – em casa, no trabalho, na escola – observando, durante a mudança das estações, e registrando eventos como: primeira floração, frutificação e queda de folhas.

Os dados do projeto BudBurst podem ser baixados livremente para uso não comercial. No website do projeto está disponível o material didático para o voluntário e para educadores, além de formas de visualização geográfica dos dados coletados pelo cidadão.

 Híbrido – Sensoriamento Participativo (Manual)

Em projetos de sensoriamento participativo, o voluntario realiza tarefas de observação e coleta de dados tendo como suporte para transmissão dos dados o uso de aplicativos móveis. As observações podem ser feitas através da coleta manual, ou seja,

as observações são feitas através da intervenção do humano, preenchendo formulários e/ou enviando imagens/vídeos.

Um exemplo de sensoriamento participativo – manual é o Projeto Noah6 que tem o suporte da National Geographic. Através do uso do aplicativo móvel My Noah, os usuários tiram fotos de organismos, selecionam a categoria apropriada, adicionam tags descritivas e clicam em enviar. A aplicação captura os detalhes de localização, juntamente com as informações apresentadas e armazena tudo no banco de dados de espécies para serem utilizados em diversos projetos de Crowd Science parceiros dessa iniciativa.

Figura 14 – Exemplo de Projeto Híbrido de Crowd Science – Sensoriamento Participativo (manual)

Este projeto possui o conceito de “missão” onde qualquer educador ou instituição de ensino, pode criar uma “tarefa”, para ser realizada através do uso de smartphones, e disponibilizá-la no website do projeto. Desta forma, outros integrantes (voluntários e educadores) podem escolher através de um cardápio de opções a tarefa que melhor se adapta as suas necessidades de salas de aula ou atividades de educação ambiental.

6 http://www.projectnoah.org

Figura 15 – Exemplos do conceito de “missão” criado pelo Projeto Noah.

Após o participante executar o workflow de coleta de dados os gestores do projeto podem decidir em compartilhar e divulgar os resultados na forma de relatórios, exibir a localização das contribuições em mapas georreferenciados para que possam ser visualizadas e consultadas pelos usuários do projeto, ou o conjunto de dados pode ser exportado para ser utilizado pelos gestores do projeto e parceiros em suas respectivas pesquisas. O conjunto de dados de saída de um workflow de coleta de dados pode também servir de entrada para a criação de novos workflows, como por exemplo, para classificação ou realizar o controle de qualidade dos dados enviados pela multidão, como acontece no projeto URUBU Mobile. Este projeto conta com uma rede de participantes de mais de 5.000 voluntários cadastrados e da mesma forma, mobiliza uma multidão específica, pré-qualificada de especialistas para validar as informações sobre ocorrências de animais silvestre atropelados em todas as estradas e rodovias brasileiras.

Figura 16 – Exemplo da sinergia entre workflows de coleta de dados e processamento que ocorre no projeto URUBU.

Embora a sinergia entre workflows de diferentes etapas do processo científico seja observada em iniciativas individuais, ainda não foi constatada a existência desta possiblidade, em uma mesma plataforma de hospedagem de projetos de Crowd Science. Normalmente, as plataformas de hospedagem são especializadas no fornecimento de ferramentas para apoio à criação e execução de workflows ou de coleta de dados ou de processamento.

 Híbrido – Sensosiamento Participativo (automático)

Outra forma de sensoriamento participativo é através do uso de sensores humanos. Uma vez acionado o aplicativo do projeto este executa de forma autônoma a coleta de dados e envia a resposta para ser armazenada em infraestrutura projetada para este tipo de participação.

Exemplo: Projeto Noise Tube