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De acordo com as características da profissão de administrador, seus especialistas podem atuar em qualquer ramo de atividade, incluindo indústrias, comércios, bancos, empresas de serviços, agrícolas, hospitais e assim por diante. Isso porque a essência da atividade são as funções organizacionais e administrativas de que todas as empresas precisam, a exemplo das tarefas fundamentais: planejar, organizar, dirigir ou coordenar e controlar.

Segundo Silveira (2010), as competências técnicas do administrador compõem-se essencialmente de técnicas de administração e organização. Incluem técnicas de gestão administrativa de estruturação organizacional, como organogramas, fluxogramas, layouts, definição de diretrizes, normas e procedimentos organizacionais, técnicas de análise, avaliação (diagnóstico) e estruturação organizacional, de administração de pessoal, abrangendo o domínio de sua legislação específica e de administração de materiais, entre outros assuntos.

São competências de atuação profissional: Saber fazer ou atuar, saber aplicar conhecimentos e experiências, possuir visão de conjunto, capacidade de estabelecer estratégias, capacidade de definir diretrizes, estruturas e sistemas organizacionais, saber elaborar conceitos, premissas e pressupostos, saber elaborar documentos normativos, capacidade de planejar, estruturar e ordenar ações, capacidade de coordenar e orientar atividades administrativas e operacionais inclusive informatizadas, saber orientar e atuar em equipe, saber localizar, identificar e reunir dados e informações, capacidade para estabelecer correlação entre dados e fatos, capacidade de representar organizações virtual e graficamente por meio de símbolos. Além de conduzir reuniões de trabalho, saber definir prioridades de ação, saber levantar, definir e gerenciar processos, saber diagnosticar e avaliar situações, saber assimilar e promover inovações, saber administrar o tempo, saber cuidar do autodesenvolvimento profissional. (SILVEIRA, 2010).

Através da resolução CNE/CES (Brasil, 2005), o Ministério da Educação divulga a definição de competências e habilidades do administrador constante na lei de Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Administração e Bacharelado, a serem observadas pelas Instituições de Ensino Superior em sua organização curricular. No artigo 3º dispõem sobre o que segue:

O Curso de Graduação em Administração deve ensejar como perfil desejado do formando, capacitação e aptidão para compreender as questões científicas, técnicas, sociais e econômicas da produção e de seu gerenciamento, observados níveis graduais do processo de tomada de decisão, bem como para desenvolver gerenciamento qualitativo e adequado, revelando a assimilação de novas informações e apresentando flexibilidade intelectual e adaptabilidade

contextualizada no trato de situações diversas, presentes ou emergentes, nos vários segmentos do campo de atuação do administrador.

Orienta a referida resolução, em seu artigo 5º, que as Instituições de ensino superior devem contemplar nos projetos pedagógicos e em sua organização curricular, conteúdos que revelem inter-relações com a realidade nacional e internacional, segundo uma perspectiva histórica e contextualizada de sua aplicabilidade no âmbito das organizações e do meio através da utilização de tecnologias inovadoras e que contenham de forma interligada os conteúdos de Formação Básica, Formação Profissional, Estudos Quantitativos e suas Tecnologias e ainda Conteúdos de Formação Complementar.

Para garantir a formação de um profissional com um mínimo de competências os cursos de Administração precisam desenvolver estes conteúdos acima, e adotar práticas e metodologias de ensino-aprendizagem que permitam constituir as competências previstas no artigo 4º, da Resolução que diz:

O Curso de Graduação em Administração deve possibilitar a formação profissional que revele, pelo menos, as seguintes competências e habilidades:

I - reconhecer e definir problemas, equacionar soluções, pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar preventivamente, transferir e generalizar conhecimentos e exercer, em diferentes graus de complexidade, o processo da tomada de decisão;

II - desenvolver expressão e comunicação compatíveis com o exercício profissional, inclusive nos processos de negociação e nas comunicações interpessoais ou intergrupais;

III - refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção, compreendendo sua posição e função na estrutura produtiva sob seu controle e gerenciamento;

IV - desenvolver raciocínio lógico, crítico e analítico para operar com valores e formulações matemáticas presentes nas relações formais e causais entre fenômenos produtivos, administrativos e de controle, bem assim expressando-se de modo crítico e criativo diante dos diferentes contextos organizacionais e sociais;

V - ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças e consciência da qualidade e das implicações éticas do seu exercício profissional;

VI - desenvolver capacidade de transferir conhecimentos da vida e da experiência cotidianas para o ambiente de trabalho e do seu campo de atuação profissional, em diferentes modelos organizacionais, revelando-se profissional adaptável;

VII - desenvolver capacidade para elaborar, implementar e consolidar projetos em organizações; e

VIII - desenvolver capacidade para realizar consultoria em gestão e administração, pareceres e perícias administrativas, gerenciais, organizacionais, estratégicos e operacionais.

Ao refletir sobre estas oito competências, pode-se reorganizá-las na linha das competências requeridas do Administrador para exercer o processo administrativo numa organização. Pode-se trazer este processo administrativo para a abordagem do ciclo PDCA, conhecido como Ciclo de Deming. Esta é uma abordagem bem atual em função de toda uma discussão da qualidade nos processos organizacionais.

O ciclo PDCA consiste num ciclo de desenvolvimento com foco na melhoria contínua e é aplicado para se atingir resultados dentro de um sistema de gestão. Pode ser utilizado em qualquer empresa de forma a garantir o sucesso nos negócios, independentemente da área de atuação da empresa.

Este importante instrumento de gestão que tem por princípio a busca continua da qualidade é dividido em quatro fatores: PLAN (planejar), DO (fazer), CHECK (verificar) e

ACTION (agir), ilustrado na figura 2.

Figura 2: Fases do Ciclo PDCA

Fonte: Silva (2006)

Na etapa Planejar são estabelecidas as metas que se deseja atingir, a missão, a visão, forma de buscar os meios e os procedimentos para alcançá-los.

Na etapa Fazer estão contemplados os envolvimentos com as ações, os treinamentos nos procedimentos que têm como base as metas estabelecidas e as atividades de coleta de dados para a fase de verificação. É a fase de implantação do planejamento.

Na etapa Verificar é analisado se as ações executadas estão de acordo com as metas estabelecidas. Os dados utilizados são aqueles coletados na etapa anterior, que são analisados e comparados com o planejado.

A etapa Agir possui ação corretiva, ou seja, caso a operação realizada não esteja de acordo com o planejado, deve-se atuar corretivamente através de planos de ação para correção de rumo visando à meta estabelecida.

A melhoria continua é feita a partir do momento em que as metas estabelecidas sejam atingidas. Neste caso, deve-se voltar à fase planejar e revisar as metas já atingidas traçando novos desafios.

Esta vinculação das competências previstas nas Diretrizes Curriculares com os procedimentos administrativos mais especificamente o ciclo PDCA, passa a ser o norteador da apresentação do diagnóstico deste estudo e respectivas análises.