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pois −JT =J eJ2=−I.

Comodϕ0=Id ent˜ao provamos o que quer´ıamos,dϕTtJdϕt=J.

Passemos agora `a condi¸c˜ao de twist. Observe que o que est´a sendo afirmado ´e queϕ1´ea compostade aplica¸c˜oes do tipo twist, podendo ela mesma n˜ao ser uma aplica¸c˜ao twist. Precisamos observar o sinal do elemento [dϕt]12 da matriz jacobiana do fluxo.

Tomemos uma trajet´oriaφt0, p0, t0), com 0< t0<1, que satis-faz `a condi¸c˜ao inicialφt00, p0, t0) = (θ0, p0, t0). Logodφt00, p0, t0) = Id.

Queremos mostrar que existe t1 > t0 tal que se φt1 = (Θt1, Pt1) s˜ao as componentes espaciais, ent˜ao∂pΘt1 >0.

Mas ∂tΘt = ∂pH(θt, Pt, t). Portanto derivando em rela¸c˜ao a p obtemos:

∂t∂pΘt=∂ΘpH(φt, t)∂pΘt+∂ppH ∂pPt

Logo, a expans˜ao em s´erie de Taylor de∂pΘt, em torno do ponto t0, se escreve:

pΘt(θ, p, t0) =∂pΘt0(θ, p, t0) + (t−t0)∂

∂t∂pΘt0(θ, p, t0) +O(t−t0)2 Ou seja, usando quedφt00, p0, t0) =Id:

pΘt(θ, p, t0) = 0 + (t−t0)∂ppH(θ, p, t0) +O(t−t0)2 Finalmente, usando a hip´otese de convexidade estrita∂ppH(θ, p, t0)≥ δ >0, obtemos, parat−t0>0 suficientemente pequeno:

pΘt(θ, p, t0) = (t−t0)δ+O(t−t0)2>0

Como quer´ıamos demonstrar.

Se o Hamiltoniano for da formaH(θ, p) =12p2+V(θ), ent˜ao pela conserva¸c˜ao da energia:

H(Θt(θ, p), Pt(θ, p)) =12Pt(θ, p)2+V(Θt(θ, p)) =12p2+V(θ) =E Derivando esta express˜ao em rela¸c˜ao ap, obtemos:

Pt(θ, p)∂pPt+V0t)∂pΘt=p

[SEC. 1.8: HAMILTONIANOS PERI ´ODICOS 49

MasV0t) =−∂tPt ePt(θ, p) =∂tΘt

Portanto, substituindo temos:

Pt(θ, p)∂

∂t[∂pΘt]− ∂

∂tPt [∂pΘt] =p

Ou seja, como vimos acima anteriormente,∂pΘtsatisfaz uma equa¸c˜ao diferencial linear.

Suponhamos que E > maxV(θ). Escolhendo a raiz quadra-da positiva, p = p

2(E−V(θ)), vemos que p > 0 de modo que Pt(θ, p))>0,∀t.

E, usando o m´etodo da varia¸c˜ao dos parˆametros, obtemos a so-lu¸c˜ao expl´ıcita

pΘt=Pt(θ, p)

Z p Ps(θ, p)2ds que ´e estritamente positiva.

Suponhamos queV(θ) seja uma fun¸c˜ao de Morse, isto ´e, todos os seus pontos cr´ıticos s˜ao n˜ao degenerados com valores cr´ıticos distin-tos.

Nestas condi¸c˜oes, ´e f´acil fazer o retrato de fase do fluxo gerado pelo campo hamiltoniano. Aos pontos de m´aximo deV correspondem selas hiperb´olicas.

A condi¸c˜ao E > maxV(θ) no n´ıvel de energia significa que es-tamos considerando a regi˜ao complementar `a regi˜ao do cilindro cujo bordo ´e formado pelos ramos das selas. Esta regi˜ao est´a totalmente folheada por n´ıveis de energia que s˜ao curvas homotopicamente n˜ao triviais no cilindro.

Um dos exemplos da situa¸c˜ao que estamos tratando ´e quando consideramos uma perturba¸c˜ao peri´odica do caso autˆonomo, isto ´e, para Hamiltonianos do tipo H(θ, p, t) = p22 +V(θ)−g(t) com

| g(t) | suficientemente pequeno. Neste caso, a condi¸c˜ao de twist segue imediatamente por tratar-se de uma condi¸c˜ao aberta no espa¸co de aplica¸c˜oes que preservam ´area.

De certa forma, um difeormorfismo definido pelo tempo 1 de um fluxo Hamiltoniano em TS1×IR peri´odico no tempo ´e o exemplo mais geral de aplica¸c˜ao do tipo twist exata. Isto ´e o que nos diz o teorema de suspens˜ao de Moser.

Teorema 2. (Moser, 1986)Seja f :S1×IR→S1×IRuma apli-ca¸c˜aodo tipo twist exata de classeCr, r≥3.

Ent˜ao existe uma fun¸c˜ao H :TS1×IR→IR de per´ıodo 1 em t,tal que f =ϕ1 tempo 1 do fluxo gerado por H.

Al´em disso, existe uma constanted >0tal que d−1< ∂p2H2(θ, p, t)<

d, para todo (θ, p, t)∈TS0×IR.

A prova deste teorema que ´e baseada em [52], est´a descrita em uma s´erie de lemas, o primeiro deles estabelece condi¸c˜oes suficientes para que um campo peri´odico seja Hamiltoniano.

Lema 5. Suponha que X(θ, p, t) seja um campo vetorial emTS1 peri´odico emt,de per´ıodo 1 que gera uma fam´ılia de difeomorfismos ϕt:TS1→TS1 tal que

(1)ϕt+1(θ, p) =ϕt◦ϕ1(θ, p)

(2)ϕt ´e exata isto ´eϕt(α)−α=dut

onde α ´e a forma de Liouville, α=pdθ.

Ent˜ao existe uma fun¸c˜aoH :TS1×IR→IR peri´odica emt tal que ϕtHt = fluxo do campo Hamiltoniano XH.

Em outras palavras, ω(Xt, Y) =dHt.Y para todo campo Y de-finido em TS1 e iXtω(Xt, Y) = dHt, onde ω =−dα ´e a forma simpl´etica.

Demonstra¸c˜ao. Primeiramente prova-se que a 1-forma Y →ω(Xt, Y)

´e fechada.

Observe que ϕtα=dut implica ϕt(ω) =−ϕt(dα) =−d(ϕtα) =

−dα=ω. Logo lims→0

ϕt+sω−ϕtω

s = 0 ou seja LXtω= 0.

Mas LXt(ω) =d(iXtω) +eXt(dω) = 0 (veja [50]). Como dω= 0, temos iXt(ω) ´e uma forma fechada.

Para provar que iXt(ω) ´e exata, basta provar que para qualquer curva fechada γ em TS1 temos R

γiXt(ω) = 0 ou R

γiXt(dα) = R

γd(iXtα) = 0.

Usando novamente o fato de queϕt ´e exata LXt(α) = lim

s→0

ϕt+sα−ϕtα

s = lim

s→0

dut+s−dut

s .

Logo R

γLXt(α) = lims→01 s

R

γdut+s−dui= 0.

[SEC. 1.8: HAMILTONIANOS PERI ´ODICOS 51

Usando novamente a f´ormula LXt(α) =d(iXtα) +iXt(dα) obtem-se

Z

γ

d(iXtα) + Z

γ

iXt(dα) = 0.

Como a primeira parcela ´e nula, conclui-se que R

γLXt(ω) = 0, como quer´ıamos. Logo existe H(θ, p, t) tal que iXt(ω) = dHt

(Ht(θ, p) =H(θ, p, t)) o que implica Xt=XtH=−J grad Ht com

H peri´odica emt.

Lema 6. Seja f :TS1 →TS1 um difeomorfismo de classe C. Ent˜ao existem um difeomorfismo vertical S(θ, p) = (θ,Υ(θ, p)) e uma transla¸c˜ao Tc(θ, p) = (θ, p+c) tais queTc◦S◦f ´e exata.

Demonstra¸c˜ao. Primeiramente definimosS de modo que S◦f pre-serve ´area. d(S◦f) = dS◦f . df e dS =

1 0

∂Υ

∂θ

∂Υ

∂p

logo detd(S◦f) =∂Υ∂p ◦f .detdf.

Ou seja, queremos ∂Υ∂p◦f = det1df. Basta ent˜ao definir Υ(θ, p) = R dp

detdf◦f−1.

E claro que para qualquer transla¸c˜´ aoTc a composta Tc◦S ◦f preserva ´area. Logo, basta encontrar um valorcpara o qual R

γ(Tc◦ S◦f)α=R

γα para uma curvaγhomotopicamente n˜ao trivial.

Mas Tc(α) = (p+c)dθ, portanto Z

γ

(Tc◦S◦f)α= Z

γ

(S◦f)(pdθ) +c Z

γ

(S◦f)dθ.

ComoS´e um difeomorfismo vertical, S(dθ) =dθ e ent˜ao Z

γ

(Tc◦S◦f)α= Z

γ

(S◦f)α+c Z

γ

fdθ.

Basta ent˜ao definir c=

R

γ(S◦f)(α)−R

γα R

γf(dθ) para obter a condi¸c˜ao Z

γ

(Tc◦S◦f)α= Z

γ

α.

Demonstra¸c˜ao. (do teorema de Moser) Tomando um levantamento f˜= ( ˜f1,f˜2) : IR2 → IR2 de f provamos inicialmente que existem difeomorfismos verticais R˜ e ˜Q tais que f˜= ˜Q◦F˜◦R˜ onde F˜(x, y) = (x+y, y). De fato, se ˜R(x, y) = (x,f˜1(x, y)−x), como

f˜1

∂y >0 ent˜ao ˜R ´e um difeomorfismo. Al´em disso,

F˜( ˜R(x, y)) = ˜F(x,f˜1(x, y)−x) = ( ˜f1(x, y),f˜1(x, y)−x).

Queremos encontrar ˜Q(x, y) = (x,Q˜2(x, y)) tal que ˜Q◦F˜◦R˜= ˜f, isto ´e, ˜Q2( ˜f1(x, y),f˜1(x, y)−x) = ˜f2(x, y).E suficiente definir ˜´ Q2= f˜2◦R˜−1◦F˜−1.

Observemos finalmente que

R(x˜ + 1, y) = (x+ 1,f˜1(x+ 1, y)−x−1) = (x,f˜1(x, y)−x) + (1,0) F˜(x+ 1, y) = ˜F(x, y) + (1,0)

Q(x˜ + 1, y) = (x+ 1,Q˜2(x+ 1, y)) = (x,Q˜2(x, y)) + (1,0).

Logo Q,˜ F ,˜ R˜ projetam-se em aplica¸c˜oes Q, F e R tais que f =Q◦F◦R.

Consideremos fam´ılias parametrizadas de difeomorfismos Qt, Ft

e Rt, dependendo C det, t∈[0,1] tais que Q1=Q, R1=R, Q0=Id, R0=IdeFt(θ, p) = (θ+tp, p).

Para > 0 suficientemente pequeno, fazendo uma reparametri-za¸c˜ao linear adequada emt, obtemos uma fam´ıliaHt de difeomorfis-mos dependendoCdet, tal queH1−=Q◦F◦R=f eH=F2.

Para 0≤t≤1 definimos Ψt=Ft para 0≤t≤ Ψt =F◦Ht para≤t≤1−e

Ψt =Ft−1◦f para 1−≤t≤1

E estendemos para t∈IR pela f´ormula Ψt = Ψt−[t]◦Ψ[t]1 onde [t] = parte inteira det e Ψ[t]1 = Ψ1◦ · · · ◦Ψ1 composi¸c˜ao [t] vezes.

Verifica-se ent˜ao que

Ψt+1= Ψt+1−[t+1]◦Ψ[t+1]1 = Ψt−[t]◦Ψ[t]+11 ou seja Ψt+1= Ψt◦Ψ1. Observe que Xt = ∂Ψ∂tt ◦Ψ−1t ´e um campo possivelmente des-cont´ınuo para os valores t = e t = 1−. Usando-se uma fun¸c˜ao

[SEC. 1.8: HAMILTONIANOS PERI ´ODICOS 53

auxiliar, podemos modificar Ψt em uma vizinhan¸ca desses valores sem afetar a parte importante da interpola¸c˜ao, isto ´e, pr´oximo aos valores inteiros det.

Este ´e um detalhe importante que pode ser visto no artigo de Moser ([60]), onde se consegue diretamente obter a condi¸c˜aode con-vexidade.

Para podermos aplicar o Lema 5, ´e preciso obter uma fam´ılia de difeomorfismos exatos. Para isso, usando o Lema 6, definimos uma fam´ılia de difeomorfismos verticais St e de transla¸c˜oes Tt, dependendo C de t tais que ϕt = Tt ◦St◦Ψt ´e exato, com S1=Id e T1=Id pois Ψ1=f ´e exato, por hip´otese.

Logo ϕt+1=Tt+1◦St+1◦Ψt+1.

Note que, de acordo com a defini¸c˜ao do difeomorfismo vertical St+1(θ, p) = (θ, Vt+1(θ, p)), comVt+1=R dp

det dΨt+1◦Ψ−1t+1 =

=R dp

det dΨt◦Ψ−1t det Ψ1◦Ψ−11

=R dp

det dΨt◦Ψ−1t

pois Ψt+1= Ψt◦Ψ1 e det dΨ1=det f = 1. Portanto Vt+1 =Vt

e St+1 = St◦S1, S1 = Id. Analogamente obtemos T1 = Id e Tt+1=Tt=Tt◦T1, usando a defini¸c˜ao da constante de transla¸c˜ao c.

Portanto ϕt+1=Tt◦St◦Ψt◦Ψ1t◦Tt◦S1◦Ψ1t◦ϕ1. Conclu´ımos que o campo Xt= ∂ϕ∂tt◦ϕ−1t que gera a fam´ılia ϕt

´e Hamiltoniano.

Resta provar que o Hamiltoniano H(θ, p, t) satisfaz `a condi¸c˜ao de convexidade estrita nas fibras ou seja ∂p2H2(θ, p, t)> d.

Escrevendo Ψt+◦Ψ−1t =Qt+◦Ft+◦Rt+◦Rt−1◦Ft−1◦Q−1t . Como Ft+(θ, p) = (θ+ (t+)p, p), Qt+, Qt eRt+◦R−1t s˜ao difeomorfismos verticais, ´e f´acil ver que, calculando a matriz jaco-biana da composta, se escrevemos Ψt+◦Ψ−1t = (At+, Bt+) ent˜ao

existe uma constanteC1 tal queC1−1 < ∂A∂pt+ < C1 (twist unifor-me). Da mesma forma,

ϕt+◦ϕ−1t =Tt+◦St+◦Ψt+◦Ψ−1t ◦St−1◦Tt−1, Tt+ e Tt

transla¸c˜oes eSt+ eSt,verticais. Obtemos que existe uma constante d > 0 tal que d−1 < ∂G∂pt+ < d ondeGt+ = π1◦ϕt+a◦ϕ−1t , primeira coordenada de ϕt+◦ϕ−1 .

Como ∂G∂pt = 0 ent˜ao d−1< 1h

∂Gt+

∂p∂G∂pt

i< d, o que implica, tomando-se→0, que d−1< ∂t h

∂Gt

∂p

i

< d oud−1<∂p ∂Gt

∂t

< d.

Isto ´e, a primeira coordenada Xt1 do campo Xt = ∂ϕ∂tt ◦ϕ−1t satisfaz d−1 < ∂X∂pt1 < d. Mas o campo Xt ´e Hamiltoniano, logo Xt1=∂H∂p(θ, p, t). Conclu´ımos ent˜ao que d−1<∂p2H2(θ, p, t)< d.

A convexidade estrita nas fibras da fun¸c˜ao Hamiltoniana ´e uma condi¸c˜ao bastante ´util e comum, que permite-nos utilizar m´etodos variacionais para encontrar ´orbitas peri´odicas ou subconjuntos inva-riantes mais gerais. Esta ´e uma condi¸c˜ao importante para a genera-liza¸c˜ao desses m´etodos em dimens˜oes mais altas.