1.9.3 Prevalência do HBeAg
1.9.5 HBV em Angola
Existem poucos estudos publicados que indiquem a prevalência dos marcadores do HBV em Angola e dos genótipos que circulam nesta região. Em um estudo realizado em 20 mulheres grávidas, com icterícia, de duas maternidades da Província de Luanda, constatou-se que 10% destas, bem como um porcentual igual de grupo controle correspondendo a 40 grávidas sem icterícia, eram positivas para o
HBsAg (STRAUSS etal., 2003). Outro estudo realizado em 124 doadores de sangue
da Província de Luanda e Dundo – Província da Lunda Norte, demonstrou a
presença dos marcadores do HBV nesse grupo (LOURENÇO et al., 1989).
A. D. STEELE e colaboradores (1992) estudaram 201 pacientes e profissionais de um Hospital em Mucusso, Angola. Nenhum dos pacientes tinha sintomatologia compatível com hepatite viral. Registrou-se a presença de pelo menos um dos marcadores para o HBV em 79% dos participantes do estudo, indicando exposição prévia ao vírus. Destes, 26 indivíduos (13,3%) foram positivos para o HBsAg. Entre as 19 pessoas que apresentaram o anti - HBc como único
marcador, 10 foram positivos para o DNA-HBV, indicando infecção ativa (STEELE et
al., 1996).
A análise filogenética da região S/P do HBV identificado em um angolano de 31 anos de idade que vinha sendo acompanhado em São Paulo, Brasil, revelou se
foi identificado qualquer fator de risco associado à infecção pelo HBV (SITNIK et al., 2007). Este é o único estudo publicado sobre análise filogenética do HBV circulante no país.
1.9.5.1 Caracterização do país (Angola)
A República de Angola situa-se na região ocidental da África Austral (figura 8). O seu território estende-se por uma superfície de 1.246.700 km² com 1.650 km de costa e 4.837 km de fronteira terrestre. É banhada a oeste pelo Oceano Atlântico, confina a Norte com a República do Congo e a República Democrática do Congo, a leste com esta última e a República da Zâmbia, e a sul com a República da Namíbia. As fronteiras marítimas e terrestres medem 1.650 e 4.887 Km, respectivamente.
Visto que o último censo populacional ocorreu em 1970, a população estimada pelo Instituto Nacional de Estatistica de Angola é de 17 milhões de habitantes (2007) sendo que um quarto dela reside na capital, Luanda. A densidade populacional é de aproximadamente 1.1 habitantes por Km2.
Metade da população angolana (50%) tem menos de 15 anos de idade e cerca 60% tem menos de 20 anos de idade.
O clima de Angola é muito variado, influenciado pela diversidade de fatores presentes, tais como a latitude, a altitude, a continentalidade e o regime de ventos. A estação das chuvas vai de Setembro a Abril. Os restantes meses são secos ou de baixa pluviosidade. A temperatura média anual diminui do norte para o sul, indo de 24º C a 20 Cº. O país se divide-se em 18 províncias, 164 municípios e 532 comunas. A maioria da população tem características bantu, praticando uma agricultura rudimentar.
Com a instabilidade reinante no país desde 1975 (ocasião que o país se tornou independente de Portugal), verificou-se um êxodo massivo de população do campo para a cidade. Uma das conseqüências deste movimento foi a desorganização dos serviços de saúde.
Estima-se que cerca de 70-80% das unidades sanitárias foram danificadas ou destruídas durante a guerra (1975-2002) e que o atual sistema de saúde cubra apenas cerca de 30% da população angolana. Registra-se uma carência grave de pessoal de saúde qualificado e motivado fora da capital, um sistema de abastecimento de medicamentos e equipamento médico e de gestão debilitado.
O sistema de informação sanitária de Angola inclui a vigilância epidemiológica de doenças transmissiveis através da notificação obrigatória semanal e mensal. A notificação de rotina semanal se realiza para 7 doenças potencialmente epidémicas (paralisia flácida aguda, tétano neonatal, sarampo, meningite, cólera, febre amarela e malária - esta última só para as 5 províncias com alto potencial epidémico: Luanda, Huila, Namibe, Cunene e Kuando Kubango). A notificação mensal obrigatória inclui entre outras doenças, os sindromes ictericos sem definição etiológica, por dificuldade de diagnóstico laboratorial de algumas unidades notificadoras.
O financiamento dos serviços de saúde baseia-se fundamentalmente no
orçamento geral do estado (OGE) – cerca de 4% em 2006 – com uma contribuição
importante dos seguintes parceiros: OMS, United Nations Children Fund (UNICEF),
Fundo Global (FG) – Global Fund for AIDS, Malaria and Tuberculosis (GFATM),
President’s Malaria Initiative (PMI), Banco Mundial, União Européia e a Agência Internacional de Cooperação Japonesa (JICA).
1.9.5.2 Justificativa
Considerando a hepatite B como um problema de saúde pública, principalmente em países em desenvolvimento, a escassez de dados publicados em Angola e altas taxas de prevalência do marcador HBsAg na região sub saariana de África (9 a 20%) (KIIRE, 1996), torna-se clara a necessidade de estudos sobre a circulação do HBV em segmentos da população angolana, visando a obtenção de informações a respeito dos aspectos epidemiológicos e sorológicos da doença, para a adoção de medidas de controle efetivas.
2. OBJETIVOS
Objetivo geral:
Realizar estudo epidemiológico e caracterização molecular do vírus da hepatite B em usuários e profissionais de saúde do Hospital Divina Providência em Angola.
Objetivos específicos:
1 Determinar a prevalência dos marcadores sorológicos e moleculares da hepatite B em usuários e profissionais de saúde, acima dos 18 anos de idade, do Hospital Divina Providência da Província de Luanda;
2 identificar os genótipos prevalentes do HBV na população estudada;
3 descrever as características demográficas e sociais da população estudada; 4 identificar os possíveis fatores de risco associados a esta infecção nos
indivíduos estudados;
5 analisar possíveis mecanismos de transmissão do HBV na população estudada;
6 determinar a prevalência da co-infecção do HBV e HIV na população estudada;
7 proporcionar informação de base para o estudo da soroprevalência do HBV na população angolana, em geral;
8 proporcionar informação de base, como ponto de partida para a adoção de medidas que visem o controle da infecção do HBV no país.