Mapa 9 – Mapa de pontos georreferenciados e das Sub-bacias
3. CAPÍTULO 2 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
3.4. Hidrografia
A gestão de recursos hídricos na Bacia do Rio Jundiaí deve ser considerada cada vez mais uma prioridade nas tomadas de decisões de políticas públicas, uma vez que, a hidrografia da área é de interesse não apenas presente como também futuro. Na área de estudo há grandes áreas de manancial regional e de manancial regional de grande porte10 (Figura 5) (COBRAPE, 2011). De acordo com o Plano das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (SHS, 2006), nas bacias PCJ foram identificados 25 mananciais de abastecimento superficial passíveis de se transformarem em Áreas de Proteção e Recuperação dos Mananciais – APRMs, sendo que 4 deles – Rio Jundiaí, Ribeirão Piraí, Córrego Santa Rita e Rio Junidiaí-Mirim – estão localizados na Bacia do Rio Jundiaí.
De acordo com a Lei Estadual nº 9.866, de 28 de novembro de 1997, considera-se Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais - APRM uma ou mais sub-bacias hidrográficas dos mananciais de interesse regional para abastecimento público, sendo esse interesse para populações atuais ou futuras do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 1997).
Figura 5 – Mananciais de água superficial para abastecimento público. Fonte: Adaptado de COBRAPE (2011).
Além da importância para abastecimento, a necessidade de uma adequada gestão de recursos hídricos é apontada pela disponibilidade hídrica na região. Nas Bacias PCJ há uma relação tensa entre a disponibilidade hídrica existente e a demanda crescente. Esse
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De acordo com COBRAPE (2011) são classificados como mananciais regionais quando há captações em mais de um município, e mananciais regionais de grande porte quando apresentam outras bacias de mananciais regionais inseridas em seu território ou cuja área apresenta uma dimensão superior a 2.000 km².
conflito é ampliado devido a ausência de estruturas de regularização das águas, além disso, os riscos são demasiadamente acrescidos, não raramente, por ocasião de fenômenos de estiagem severa e prolongada (COBRAPE, 2011).
Para o cálculo das disponibilidades hídricas, as Bacias PCJ dispõem de uma série de dados hidrológicos e de parâmetros de qualidade hídrica. A Bacia do Rio Jundiaí possui uma disponibilidade hídrica de 2,3 m3/s, acrescentada de 1,2 m³/s, proveniente do rio Atibaia, destinada ao rio Jundiaí-Mirim, totalizando uma disponibilidade de 3,5 m3/s (Tabela 1) (COBRAPE, 2011).
Tabela 1 – Disponibilidade hídrica superficial para as Bacias PCJ
Sub-bacia/ Bacia Q7,1011(m3/s) Qdisponível(m3/s)
Atibaia 9,01 8,54 Camanducaia 3,60 3,50 Corumbataí 4,70 4,70 Jaguari 10,29 7,20 Piracicaba 8,16 8,16 Total Piracicaba 34,76 32,10 Capivari 2,38 2,38 Jundiaí 2,30 3,50 Total PCJ 40,44 37,98
Fonte: Adaptado de COBRAPE (2011).
Além da disponibilidade superficial, a Bacia do Rio Jundiaí possui disponibilidade hídrica subterrânea, uma vez que se encontra sob 1.009 km² do Aquífero Cristalino (Figura 6), porém esta formação possui um potencial de oferta de água subterrânea para demandas localizadas e de baixa expressão (COBRAPE, 2011).
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A vazão Q7,10 foi definida como a vazão de referência para a determinação da disponibilidade hídrica
superficial. A vazão Q7,10 é a vazão mínima média de 7 dias consecutivos, estimada para um período de retorno
Figura 6 – Localização dos aquíferos na Bacia do Rio Jundiaí. Fonte: Adaptado de COBRAPE (2011).
Para compreender melhor a situação dos recursos hídricos na bacia é importante analisar o saldo de vazão da região, que para seu cálculo necessita-se saber as demandas consultivas12 na bacia que estão descritas na tabela 2.
Tabela 2 – Principais demandas consuntivas por sub-bacia
Sub-bacia
Principais demandas consuntivas (m3/s)
Urbana Industrial Irrigação Total
Atibaia 5,26 3,46 1,05 9,78 Camanducaia 0,31 0,16 0,43 0,91 Corumbataí 2,09 0,48 0,38 2,95 Jaguari 2,94 1,10 1,43 5,47 Piracicaba 4,04 3,33 0,98 8,34 Total Piracicaba 14,64 8,53 4,27 27,45 Capivari 1,12 1,16 1,67 3,95 Jundiaí 3,30 0,89 0,75 4,94 Total PCJ 19,06 10,58 6,69 36,34
Fonte: Adaptado de COBRAPE (2011).
O saldo de vazão na região tem seguido uma tendência cada vez menor – principalmente devido ao aumento da demanda –, ou seja, menor quantidade de água disponível. Essa tendência pode ser observada na tabela 3, que apresenta uma comparação dos saldos de vazão entre o período de 2002 a 2003 e o período de 2004 a 2006.
Tabela 3 – Comparativo do saldo de vazão das Sub-bacias do PCJ, em m3/s
Sub-bacias
Disponibilidade Captações Lançamentos Saldo
2002 a 2003 2004 a 2006 2002 a 2003 2004 a 2006 2002 a 2003 2004 a 2006 2002 a 2003 2004 a 2006 Camanducaia 3,59 3,5 1,01 1,07 0,33 0,37 2,913 2,8 Jaguari 6,51 8,65 7,23 5,56 2,35 2,15 1,64 5,24 Atibaia 8,4 9,97 10,12 9,53 6,55 4,98 4,829 5,42 Corumbataí 4,7 4,7 4 3,93 1,03 1,6 1,736 2,37 Piracicaba 8,16 8,16 8,78 8,22 8 7,42 7,376 7,36 Total Piracicaba 31,37 34,98 31,14 28,31 18,26 16,51 18,494 23,18 Capivari 2,38 2,38 6,33 5,09 4,03 3,87 0,083 1,16 Jundiaí 3,29 3,3 3,86 4,81 2,78 2,54 2,222 1,03 Total PCJ 37,03 40,66 41,331 38,2 25,07 22,92 20,799 25,38
Fonte: Adaptado de IRRIGART (2007).
O saldo de vazão realizado por COBRAPE (2011) (Tabela 4) com dados mais recentes que os apresentados anteriormente, confirma a tendência de diminuição da disponibilidade hídrica na região. Além disso, a Bacia do Rio Jundiaí possui a situação mais crítica com as captações superando em mais de 40% as disponibilidades.
Tabela 4 – Saldo de Vazão das Sub-bacias da região do PCJ
Sub-bacia Vazões (m
3/s)
Q disponível Captações Lançamentos Saldo
Atibaia 8,54 10,02 5,79 4,30 Camanducaia 3,50 0,85 0,36 3,01 Corumbataí 4,70 2,78 1,18 3,09 Jaguari 7,20 6,11 1,59 2,68 Piracicaba 8,16 6,63 5,24 6,77 Total Piracicaba 32,10 26,39 14,16 19,85 Capivari 2,38 3,50 2,64 1,52 Jundiaí 3,50 4,94 2,09 0,65 Total PCJ 37,98 34,83 18,89 22,02
Fonte: Adaptado de COBRAPE (2011).
Os resultados sobre os saldos de vazão na região apontam para uma situação crítica, que tende a piorar segundo COBRAPE (2011), que propõem um cenário tendencial13
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“O cenário tendencial pressupõe que a realidade futura tende a ser um prolongamento da realidade atual, sem alterações radicais na economia e nas políticas públicas. Mantêm-se a distribuição espacial da população e das demandas existentes e também as tendências de concentração já verificadas” (COBRAPE, 2011).
de saldo de vazão para 2020 (Tabela 5). De acordo com esse cenário na Bacia do Rio Jundiaí as captações superarão em cerca de 55% as disponibilidades.
Tabela 5 – Saldo de Vazão Tendencial para o ano 2020
Sub-bacia
Vazões (m3/s)
Q disponível Captações Lançamentos Saldo
Atibaia 8,54 11,21 7,02 4,35 Camanducaia 3,50 0,95 0,48 3,02 Corumbataí 4,70 3,20 1,27 2,77 Jaguari 7,20 6,87 1,81 2,14 Piracicaba 8,16 7,87 5,90 6,19 Capivari 2,38 3,96 3,06 1,48 Jundiaí 3,50 5,45 2,55 0,59 Total PCJ 37,98 39,51 22,08 20,55
Fonte: Adaptado de COBRAPE (2011).
Além do saldo de vazão é importante também analisar a qualidade dos recursos hídricos da região, que pode ser observada através da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). COBRAPE (2011) realizou o levantamento da carga orgânica remanescente na bacia (medida através da DBO514), ou seja, aquela que é efetivamente lançada em corpos d’água
após a redução ocorrida nos sistemas de tratamento, calculada a partir das cargas orgânicas potenciais correspondentes à quantidade de matéria orgânica gerada e das cargas removidas durante os processos de tratamento de esgotos. A partir dos dados (Tabela 6), é possível observar que a Bacia do Rio Jundiaí é a única a apresentar valor para carga orgânica industrial remanescente maior que a doméstica, além de contribuir com quase 67% para o total de carga orgânica industrial remanescente encontrada nas bacias PCJ – isso de deve particularmente pela contribuição industrial observada no município de Salto (COBRAPE, 2011).
14 DBO
5 - É um parâmetro amplamente utilizado para medir a poluição em recursos hídricos uma vez que
determina indiretamente a concentração de matéria orgânica biodegradável através da quantidade de oxigênio consumido na degradação dessa matéria orgânica. É um teste padrão, realizado a temperatura e período de incubação fixos de 20oC e 5 dias respectivamente.
Tabela 6 – Valores de Cargas Orgânicas Remanescentes nas Bacias PCJ
Sub-bacia Carga Orgânica Doméstica
Remanescente (kg DBO5/dia)
% Carga Orgânica Industrial
Remanescente (kg DBO5/dia)
% Atibaia 22.638 16,3 2.594 8,3 Camanducaia 3.098 2,2 1.473 4,7 Corumbataí 10.141 7,3 2.330 7,4 Jaguari 14.278 10,3 486 1,6 Piracicaba 55.226 39,8 2.837 9,1 Total Piracicaba 105.381 75,9 9.720 31,1 Capivari 14.612 10,5 729 2,3 Jundiaí 18.872 13,6 20.836 66,6 Total PCJ 138.865 100 31.286 100
Fonte: Adaptado de COBRAPE (2011).
Utilizando a Demanda Bioquímica de Oxigênio e o Oxigênio Dissolvido (OD15), COBRAPE (2011) enquadrou os corpos hídricos em classes de qualidade de acordo com a Resolução CONAMA n° 357/05 (BRASIL, 2005) (Figura 7). A partir da figura é possível observar que a Bacia do Rio Jundiaí apresenta muitos trechos de seus rios principais enquadrados na classe 4 e com valores de OD muito baixos, assim, é possível inferir que há na região um sério problema de qualidade dos recursos hídricos, uma vez que se tem altas taxas de DBO e baixas concentrações de OD.
15 OD - Oxigênio Dissolvido é um indicador da concentração de oxigênio dissolvido em um determinado líquido,
Figura 7 – Classes de qualidade. Fonte: Adaptado de COBRAPE (2011).