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Á guisa de conceituação, será utilizado o Código de Ética e Disciplina dos Militares de Minas Gerais, que, nos termos do artigo 6º, segundo dispõe o autor Maurício José de Oliveira (2015), disciplina que a hierarquia e a disciplina constituem a base institucional das IMES, sendo que a hierarquia se refere à ordenação da autoridade, dentro da Instituição militar da qual faça parte, em diversos níveis nela compreendido e, a disciplina militar, é uma forma de externar a ética dos profissionais militares pertencentes ao Estado que se manifesta exatamente pelo cumprimento de deveres, em todos os escalões e graus da hierarquia.

Nessa direção, os artigos 8º e 9º do Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais (EMEMG), ao abordar sobre o tema, voltado à hierarquia e aos níveis de ordenação das autoridades, inseridas nas estruturas das IMEs, assim dispõe:

A rt . 8 º - H i e ra rq u i a mi l i t a r é a o rd e m e a s u b o rd i n a ç ã o d o s d i v e rs o s p o s t o s e g ra d u a ç õ e s q u e c o n s t i t u e m c a rre i r a mi l i t a r. § 1 º P o s t o é o g ra u h i e rá r q u i c o d o s o f i c i a i s , c o n f e ri d o p o r a t o d o C h e f e d o G o v e rn o d o E s t a d o . § 2 º - G r a d u a ç ã o é o g r a u h i e rá r q u i c o d a s p r a ç a s , c o n f e ri d o p e l o C o ma n d a n t e G e ra l d a P o l í c i a Mi l i t a r. A rt . 9 º - S ã o o s s e g u i n t e s o s p o s t o s e g ra d u a ç õ e s d a e s c a l a h i e rá r q u i c a : I – Oficiais de Polícia a ) S u p e ri o re s : C o ro n e l , T e n e n t e -C o ro n e l e Ma j o r b ) I n t e rm e d i á ri o s : C a p i t ã o c ) S u b a l t e rn o s : 1 º Te n e n t e , 2 º Te n e n t e I I – Praças Especi ais de Polícia

a ) A s p i ra n t e a O f i c i a l b ) C a d e t e s d o ú l t i mo a n o d o C u rs o d e F o rma ç ã o d e O f i c i a i s e A l u n o s d o C u rs o d e H a b i l i t a ç ã o d e O f i c i a i s ; c ) C a d e t e s d o C u rs o d e Fo rma ç ã o d e O f i c i a i s d o s d e ma i s a n o s ; I I I – Praças de Polícia: a ) S u b t e n e n t e s e S a r g e n t o s ; S u b t e n e n t e ; 1 º S a rg e n t o ; 2 º S a rg e n t o ; 3 º S a rg e n t o ; b ) C a b o s e S o l d a d o s : C a b o ; S o l d a d o d e 1 ª C l a s s e ; S o l d a d o d e 2 ª C l a s s e (R e c ru t a ). (C E D M, 2 0 1 5 )

Visando melhor entendimento do presente capítulo é que se propôs abordar os conceitos dos princípios da hierarquia e disciplina. Além de importante ressaltar que, Corporações que têm valor e história assim, não podem ser suscetíveis de situações

que afrontem os seus princípios ou ainda, que não dispense à Instituição Militar o respeito que lhe é devido.

4.1.1 Definição de Crime Militar e sua s Subdivisões/Espécies

O Código Penal Militar, conforme ensinamentos de Jorge César de Assis (2012), foi instituído por Decreto, por uma Junta Militar que ocupava a função de Chefia do Poder Executivo no Brasil, visto que o Ato Institucional nº 16, de 14/10/1969, declarou vagos os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, conforme disposto, em seus artigos 1º, 2º e 3º: A rt . 1 º - É d e c l a ra d a a v a c â n c i a d o c a rg o d e P re s i d e n t e d a R e p ú b l i c a , v i s t o q u e o s e u t i t u l a r, Ma re c h a l A r t h u r d a C o s t a e S i l v a , e s t á i n a b i l i t a d o p a ra e x e rc ê - l o , e m ra z ã o d a e n f e rmi d a d e q u e o a c o me t e u . A rt . 2 º - É d e c l a ra d o v a g o , t a m b é m, o c a rg o d e V i c e -P re s i d e n t e d a R e p ú b l i c a , f i c a n d o s u s p e n s a , a t é a e l e i ç ã o e p o s s e d o n o v o P re s i d e n t e e V i c e -P re s i d e n t e , a v i g ê n c i a d o a rt . 8 0 d a C o n s t i t u i ç ã o f e d e r a l d e 2 4 d e j a n e i r o d e 1 9 6 7 . A rt . - 3 º - E n q u a n t o n ã o s e r e a l i z a r e m a e l e i ç ã o e p o s s e d o P re s i d e n t e d a R e p ú b l i c a , a C h e f i a d o P o d e r E x e c u t i v o c o n t i n u a rá a s e r e x e rc i d a p e l o s Mi n i s t ro s mi l i t a re s . (B R A S I L , A I 1 6 , 1 9 6 9 )

Por conseguinte, o Ato Institucional nº 05, de 13/12/1968, no artigo 2º, §1º, assegurava que, decretado o recesso Parlamentar, o Poder Executivo correspondente goza de ampla autonomia, ficando autorizado a legislar em todas as matérias bem como exercer as atribuições previstas nas Constituições ou na Lei Orgânica dos Municípios.

A rt . 2 º - O P re s i d e n t e d a R e p ú b l i c a p o d e rá d e c re t a r o re c e s s o d o C o n g re s s o N a c i o n a l , d a s A s s e mb l é i a s L e g i s l a t i v a s e d a s C â ma ra s d e V e re a d o r e s , p o r A t o C o m p l e me n t a r, e m e s t a d o d e s i t i o o u f o ra d e l e , s ó v o l t a n d o o s me s m o s a f u n c i o n a r q u a n d o c o n v o c a d o s p e l o P r e s i d e n t e d a R e p ú b l i c a . § 1 º - D e c re t a d o o re c e s s o p a rl a me n t a r, o P o d e r E x e c u t i v o c o rre s p o n d e n t e f i c a a u t o ri z a d o a l e g i s l a r e m t o d a s a s ma t é ri a s e e x e rc e r a s a t ri b u i ç õ e s p re v i s t a s n a s C o n s t i t u i ç õ e s o u n a L e i O rg â n i c a d o s M u n i c í p i o s . (B R A S I L , A I 5 , 1 9 6 8 )

Nesse contexto, os ministros militares, usando das competências que lhes foram conferidas pelos citados Atos Institucionais, decretaram o Código Penal Militar, por intermédio do Decreto-Lei 1.001, de 21 de outubro de 1969.

O autor Jorge César de Assis (2012) destaca ainda que o Código Penal Militar, datado de 1969, destina-se também à Justiça Militar Federal e se compatibilizava com o Código Penal elaborado à época. Entretanto, esse não entrou em vigor (Dec.-lei 1.004, de 21.10.1969). Assevera o autor que, nos de hoje, o estatuto penal castrense é aplicado, num diferente momento histórico, apenas às Forças Armadas e Polícias Militares estaduais.

Nas lições do citado autor, “crime militar é toda violação acentuada ao dever militar e aos valores das instituições militares” (ASSIS, 2012, p.44). Acrescenta que o crime distingue-se da transgressão disciplinar porque, embora seja a mesma violação, manifesta-se de maneira simples e elementar, comparando-se a relação existente entre ambos àquela observada entre crime e contravenção penal.

Para conceituar o crime militar, ASSIS (2012) revela que a doutrina estabeleceu os critérios de ratione materiae (verifica-se a dupla qualidade militar – tanto no ato quanto no agente); ratione personae (o sujeito ativo é o militar atendendo exclusivamente à qualidade de militar do agente); ratione loci (basta que o crime ocorra em lugar sujeito à administração militar); ratione temporis (depende da época em que o crime foi praticado, ou seja, se foi praticado em tempo de guerra ou durante o período de exercícios/manobras militares) e por último, ratione legis (é crime militar aquele que o Código Penal Militar tipifica como tal, ou melhor, os enumerados no artigo 9º da referida lei).

Nesse diapasão, mister se faz demonstrar que os crimes militares se subdividem em basicamente dois momentos: os crimes militares em tempo de paz e os crimes militares em tempo de guerra, ambos se submetendo, de acordo com o caso concreto, à classificação de crime militar próprio ou crime militar impróprio.

Segundo o Decreto-Lei 1.001, de 21 de outubro de 1969, que instituiu o Código Penal Militar (CPM), tem-se os crimes militares em tempo de paz, a saber:

A rt . 9 º C o n s i d e r a m -s e c ri me s mi l i t a re s , e m t e m p o d e p a z : I - o s c ri me s d e q u e t ra t a ê s t e C ó d i g o , q u a n d o d e f i n i d o s d e mo d o d i v e rs o n a l e i p e n a l c o mu m, o u n e l a n ã o p re v i s t o s , q u a l q u e r q u e s e j a o a g e n t e , s a l v o d i s p o s i ç ã o e s p e c i a l ;

I I - o s c ri m e s p re v i s t o s n e s t e C ó d i g o , e mb o ra t a mb é m o s e j a m c o m i g u a l d e f i n i ç ã o n a l e i p e n a l c o mu m , q u a n d o p ra t i c a d o s : a ) p o r mi l i t a r e m s i t u a ç ã o d e a t i v i d a d e o u a s s e me l h a d o , c o n t r a mi l i t a r n a me s m a s i t u a ç ã o o u a s s e me l h a d o ; b ) p o r mi l i t a r e m s i t u a ç ã o d e a t i v i d a d e o u a s s e me l h a d o , e m l u g a r s u j e i t o à a d mi n i s t ra ç ã o mi l i t a r, c o n t ra mi l i t a r d a r e s e rv a , o u re f o rma d o , o u a s s e m e l h a d o , o u c i v i l ; c ) p o r mi l i t a r e m s e rv i ç o o u a t u a n d o e m ra z ã o d a f u n ç ã o , e m c o mi s s ã o d e n a t u re z a mi l i t a r, o u e m f o rma t u ra , a i n d a q u e f o r a d o l u g a r s u j e i t o à a d mi n i s t ra ç ã o mi l i t a r c o n t ra mi l i t a r d a re s e rv a , o u r e f o r ma d o , o u c i v i l ; (R e d a ç ã o d a d a p e l a L e i n º 9 . 2 9 9 , d e 8 . 8 . 1 9 9 6 ) d ) p o r mi l i t a r d u ra n t e o p e rí o d o d e ma n o b ra s o u e x e rc í c i o , c o n t ra mi l i t a r d a re s e rv a , o u r e f o r ma d o , o u a s s e me l h a d o , o u c i v i l ; e ) p o r mi l i t a r e m s i t u a ç ã o d e a t i v i d a d e , o u a s s e me l h a d o , c o n t ra o p a t ri mô n i o s o b a a d mi n i s t ra ç ã o mi l i t a r, o u a o rd e m a d mi n i s t r a t i v a mi l i t a r; f ) re v o g a d a . (V i d e L e i n º 9 . 2 9 9 , d e 8 . 8 . 1 9 9 6 ) I I I - o s c ri me s p ra t i c a d o s p o r mi l i t a r d a re s e rv a , o u re f o r ma d o , o u p o r c i v i l , c o n t ra a s i n s t i t u i ç õ e s mi l i t a re s , c o n s i d e ra n d o -s e c o mo t a i s n ã o s ó o s c o mp re e n d i d o s n o i n c i s o I , c o mo o s d o i n c i s o I I , n o s s e g u i n t e s c a s o s : a ) c o n t ra o p a t ri mô n i o s o b a a d mi n i s t ra ç ã o mi l i t a r, o u c o n t r a a o rd e m a d mi n i s t ra t i v a mi l i t a r; b ) e m l u g a r s u j e i t o à a d mi n i s t r a ç ã o mi l i t a r c o n t ra mi l i t a r e m s i t u a ç ã o d e a t i v i d a d e o u a s s e me l h a d o , o u c o n t r a f u n c i o n á ri o d e Mi n i s t é ri o mi l i t a r o u d a J u s t i ç a Mi l i t a r, n o e x e rc í c i o d e f u n ç ã o i n e re n t e a o s e u c a r g o ; c ) c o n t ra mi l i t a r e m f o rm a t u ra , o u d u ra n t e o p e rí o d o d e p ro n t i d ã o , v i g i l â n c i a , o b s e rv a ç ã o , e x p l o ra ç ã o , e x e rc í c i o , a c a mp a me n t o , a c a n t o n a me n t o o u ma n o b ra s ; d ) a i n d a q u e f o r a d o l u g a r s u j e i t o à a d mi n i s t r a ç ã o mi l i t a r, c o n t ra mi l i t a r e m f u n ç ã o d e n a t u re z a mi l i t a r, o u n o d e s e mp e n h o d e s e rv i ç o d e v i g i l â n c i a , g a r a n t i a e p re s e rv a ç ã o d a o rd e m p ú b l i c a , a d mi n i s t r a t i v a o u j u d i c i á ri a , q u a n d o l e g a l me n t e re q u i s i t a d o p a ra a q u ê l e f i m, o u e m o b e d i ê n c i a a d e t e rmi n a ç ã o l e g a l s u p e ri o r. P a rá g ra f o ú n i c o . O s c ri me s d e q u e t ra t a e s t e a rt i g o q u a n d o d o l o s o s c o n t ra a v i d a e c o me t i d o s c o n t r a c i v i l s e rã o d a c o mp e t ê n c i a d a j u s t i ç a c o mu m, s a l v o q u a n d o p ra t i c a d o s n o c o n t e x t o d e a ç ã o mi l i t a r re a l i z a d a n a f o r ma d o a rt . 3 0 3 d a L e i n o 7 . 5 6 5 , d e 1 9 d e d e z e mb ro d e 1 9 8 6 - C ó d i g o B ra s i l e i ro d e A e ro n á u t i c a . (R e d a ç ã o d a d a p e l a L e i n º 1 2 . 4 3 2 , d e 2 0 1 1 )

O referenciado diploma castrense, em seu artigo 15, define que, para os efeitos da aplicação da lei penal militar, os crimes militares em tempo de guerra tem início quando da declaração ou reconhecimento desse tempo ou ainda, quando houver compreendido em decreto, mobilização em virtude de ter sido reconhecido o tempo de guerra, tendo por término, quando encerradas as hostilidades.

O artigo 10, do Código Penal Militar, assim dispõe:

I - o s e s p e c i a l me n t e p re v i s t o s n e s t e C ó d i g o p a ra o t e mp o d e g u e rr a ; I I - o s c ri me s mi l i t a re s p re v i s t o s p a ra o t e m p o d e p a z ; I I I - o s c ri me s p r e v i s t o s n e s t e C ó d i g o , e mb o r a t a mb é m o s e j a m c o m i g u a l d e f i n i ç ã o n a l e i p e n a l c o mu m o u e s p e c i a l , q u a n d o p ra t i c a d o s , q u a l q u e r q u e s e j a o a g e n t e : a ) e m t e r ri t ó ri o n a c i o n a l , o u e s t ra n g e i ro , mi l i t a r me n t e o c u p a d o ; b ) e m q u a l q u e r l u g a r, s e c o mp ro me t e m o u p o d e m c o mp r o me t e r a p re p a ra ç ã o , a e f i c i ê n c i a o u a s o p e ra ç õ e s mi l i t a re s o u , d e q u a l q u e r o u t ra f o rm a , a t e n t a m c o n t ra a s e g u r a n ç a e x t e rn a d o P a í s o u p o d e m e x p ô -l a a p e ri g o ; I V - o s c ri me s d e f i n i d o s n a l e i p e n a l c o mu m o u e s p e c i a l , e mb o ra n ã o p r e v i s t o s n e s t e C ó d i g o , q u a n d o p r a t i c a d o s e m z o n a d e e f e t i v a s o p e ra ç õ e s mi l i t a re s o u e m t e rri t ó ri o e s t ra n g e i ro , mi l i t a rme n t e o c u p a d o . (B R A S I L , 1 9 6 9 )

Para melhor compreensão, crime militar próprio, também chamado de crimes propriamente militares (ASSIS, 2012) se referem aos crimes em que a prática não se torna possível, se não for por agente que goza de qualificação de militar, pois trata-se de qualidade essencial, indispensável para que o fato delituoso se verifique. A mero título de exemplificação, cita-se, dentre vários outros, os crimes tipificados no artigo 149 (Motim), artigo 157 (Violência contra Superior) e artigo 187 (deserção).

Em relação ao crime militar impróprio, Assis (2012) o conceitua como aquele que encontra definição tanto no Código Penal Militar quanto no Código Penal Comum e que, por determinado artifício legal, se caracterizam como militares por se amoldarem em uma das diversas hipóteses previstas no art. 9º, inciso II, do diploma castrense repressivo, conforme acima citado.

Em consonância ao exposto, de acordo com Assis (2012), vale frisar o seguinte:

S ã o c ri me s c o n t ra a s I n s t i t u i ç õ e s Mi l i t a re s o s q u e a f e t a m a o rg a n i z a ç ã o d a s I n s t i t u i ç õ e s A r ma d a s d o p a í s ( Fo rç a s A rm a d a s e P o l í c i a s Mi l i t a re s ) e , p o rt a n t o , s u a s i n s t i t u i ç õ e s ; o s q u e a f e t a m a a d mi n i s t ra ç ã o mi l i t a r e o p a t ri mô n i o d e s t i n a d o à f i n a l i d a d e d a s I n s t i t u i ç õ e s a rma d a s d o p a í s , o u o s b e n s s u j e i t o s à a d mi n i s t ra ç ã o mi l i t a r. (A S S I S , 2 0 1 2 , p . 4 5 ).

Feitas as devidas considerações e contextualização sobre crimes militares e suas espécies, a abordagem sobre o princípio da insignificância e sua (in)aplicabilidade aos delitos dessa natureza será pautada em um estudo doutrinário e jurisprudencial, de maneira a permitir melhor compreensão quanto ao alcance do princípio mencionado, após análise ao caso concreto.

4.1.2 A (in)aplicabi lidade do Princ ípio da Insi gnif icância aos Crimes Militares

Os operadores do direito, destinatários precípuos da legislação pátria, buscam, por intermédio das normas previstas no ordenamento jurídico, esclarecer condutas, analisando o caso concreto e observando a viabilidade da intervenção ou não-intervenção estatal por um ramo do Direito que se destaca, dentre os demais, por sua severidade.

Nesse sentido, urge salientar que os princípios, como já apresentados, merecem destaque quando na aplicação da lei vigente, sendo essenciais para a cabal tomada de decisão da autoridade judiciária competente.

No ramo da Justiça Castrense tal consideração e conduta tem angariado espaço, não somente no que se refere aos princípios com expressa previsão legal, mas também em relação àqueles que decorrem de outros instrumentos norteadores para a aplicação da lei, tais como a doutrina e jurisprudência.

O princípio da insignificância, embora seja de grande importância diante da intervenção mínima do Estado, no que tange aos crimes militares, ainda não está pacificado na doutrina, bem como não está pacificado pela jurisprudência, conforme será apresentado.

Diante da polêmica que circunda o postulado, alguns doutrinadores entendem que, quando se trata de crime militar, não há aceitação quanto à aplicabilidade do princípio da insignificância haja vista que se discute não o valor do bem, mas a afronta aos princípios militares.

Nessa senda, Cícero Robson Coimbra Neves e Marcello Streifinger asseveram que “deve-se, por derradeiro, averiguar se o princípio da insignificância pode informar também o Direito Penal Militar. A resposta, em sentido afirmativo ou negativo, merece ataques relevantes” (NEVES e STREIFINGER, 2012, p.45)

Os autores continuam o posicionamento, declinando que “vários bens, na acepção genérica acima descrita, interessam ao Direito Penal Militar, destacando-se, obviamente, a hierarquia e a disciplina, hoje elevadas à bem jurídico tutelado pela Carta Maior”. (NEVES, 2012, p.45)

Dessa forma, Neves e Streifinger ainda explicam que:

A l é m d a d i s c i p l i n a e d a h i e ra r q u i a , o u t r o s b e n s d a v i d a f o r a m e l e i t o s , t a i s c o mo a p re s e rv a ç ã o d a i n t e g ri d a d e f í s i c a , d o p a t ri mô n i o e t c . P o r o u t ro l a d o , é p o s s í v e l a f i rm a r q u e , q u a l q u e r q u e s e j a o b e m j u rí d i c o e v i d e n t e me n t e p ro t e g i d o p e l a n o r ma , s e mp re h a v e rá , d e f o rma d i r e t a o u i n d i r e t a , a t u t e l a d a re g u l a ri d a d e d a s i n s t i t u i ç õ e s mi l i t a re s , o q u e p e rmi t e a s s e v e ra r q u e , a o m e n o s e l a , s e mp re e s t a rá n o e s c o p o d e p ro t e ç ã o d o s t i p o s p e n a i s mi l i t a re s , l e v a n d o - n o s a c o n c l u i r q u e e m a l g u n s c a s o s t e re m o s u m b e m j u rí d i c o c o mp o s t o c o mo o b j e t o d a p ro t e ç ã o d o d i p l o ma p e n a l c a s t re n s e . É d i z e r, e . g . , o t i p o p e n a l do art. 205, sob a r ubrica “h omicídio ”, tem co mo objetividad e j u rí d i c a , e m p ri me i ro p l a n o , a v i d a h u ma n a , p o r é m n ã o s e a f a s t a d e u ma t u t e l a me d i a t a d a ma n u t e n ç ã o d a r e g u l a ri d a d e d a s i n s t i t u i ç õ e s mi l i t a re s .

Cícero Robson Coimbra Neves e Marcello Streifinger (2012) apontam as duas vertentes acerca da aplicação do princípio em comento, na esfera penal castrense, tanto pelo aspecto afirmativo quanto pelo aspecto negativo, observando que:

C a s o nã o o ad mi t a mo s , es t a re m o s us a n d o f e r ra me n t a mu i gra v e p a ra s o l u ç ã o d e b a g a t e l a s (. . . ) . P o r o u t ro l a d o , p o d e s e r d e f e n d i d o q u e s e o i n c o rp o ra rmo s a o D i r e i t o C a s t re n s e , e s t a re m o s d o t a n d o o a p l i c a d o r d a l e i d e u m p o d e r q u e n ã o l h e c a b e , o u s e j a , o d e l e g i s l a r. A d e ma i s , f o me n t a r í a mo s o e s q u e c i me n t o d a re g u l a ri d a d e d a s i n s t i t u i ç õ e s mi l i t a re s , d e a c o rd o c o m o q u e s u s t e n t a mo s a o t ra t a r d o p ri n c í p i o d a i n t e rv e n ç ã o m í n i ma , i n c e n t i v a n d o a f a l ê n c i a d a p re v e n ç ã o g e ra l p o s i t i v a . A n ó s n o s p a re c e t e r o p ri n c í p i o e m a p re ç o a p l i c a ç ã o re l a t i v a , f i c a n d o a o j u g o d o o p e ra d o r, mo rme n t e o j u i z , a p l i c á -l o q u a n d o a -l e i , a t e n d e n d o a o c ri t é ri o d a s u b s i d i a ri e d a d e , d e i x a r a o d i s c ri c i o n a ri s mo d o ma g i s t ra d o i n v o c a r a b a g a t e l a , c o mo n o c a s o d o § 6 º d o a rt . 2 0 9 d o C P M. N e s s e p o n t o , a s u b s i d i a ri e d a d e , a s p e c t o d a i n t e rv e n ç ã o mí n i m a , s e ri a s e q u e n c i a d a , a g o r a p e l o a p l i c a d o r d a l e i , p e l o p ri n c í p i o d a i n s i g n i f i c â n c i a . A a p l i c a ç ã o f o r a d a s p o s s i b i l i d a d e s l e g a i s e x p re s s a s t a m b é m n o s p a r e c e p o s s í v e l , c o n t u d o , d e v e n d o -s e t e r e m f o c o o s f i n s d o D i re i t o P e n a l Mi l i t a r n a t u t e l a d a re g u l a ri d a d e d a s I n s t i t u i ç õ e s Mi l i t a re s . É o c a s o , n o v a m e n t e c i t a mo s e re me t e m o s o l e i t o r p a r a a d i s c u s s ã o a c e rc a d o b e m j u rí d i c o - p e n a l mi l i t a r, d o p e c u l a t o , e m q u e a p e rs e c u ç ã o c ri mi n a l d e u ma c o n d u t a d e q u e re l a – como o pecula to-fu rto d e um vidr o de dete rgent e – p o d e ri a a t é me s mo d e s p re s t i g i a r o D i re i t o P e n a l Mi l i t a r. P o r ó b v i o q u e o c ri m e d e p e c u l a t o , p o r s e r c o n t ra a A d mi n i s t ra ç ã o

Mi l i t a r, t u t e l a a mo ra l i d a d e a d mi n i s t ra t i v a , e n ã o o p a t ri mô n i o d a i n s t i t u i ç ã o , ma s me s mo e m s e a v a l i a n d o a mo ra l i d a d e c h e g a r e mo s à c o n c l u s ã o d e q u e o d e s p re s t í g i o , a a f e t a ç ã o d a A d mi n i s t ra ç ã o Mi l i t a r f o i í n f i ma , re c o me n d a n d o a n ã o a p l i c a ç ã o d o D i re i t o P e n a l Mi l i t a r, me s mo p o rq u e – e a qui volta mos ao c a rá t e r s u b s i d i á ri o d o D i r e i t o P e n a l (c o mu m e mi l i t a r) – a re p re s s ã o d i s c i p l i n a r d o f a t o re s o l v e rá a q u e s t ã o a c o n t e n t o , e v i t a n d o a re i n c i d ê n c i a (p r e v e n ç ã o e s p e c i a l ) e a re p e t i ç ã o d o c o mp o rt a me n t o p e l o t o d o ( p re v e n ç ã o g e ra l ) . (N E V E S , 2 0 1 2 , p . 1 1 4 )

Assim, conforme explicado pelo autor, em razão do caráter subsidiário do Direito Penal como um todo, em alguns casos vale destacar que a aplicação do princípio da insignificância não alcança todos os delitos na seara militar.

Partindo-se do posicionamento dos que não admitem a aplicação de tal princípio na justiça castrense, no que diz respeito ao critério da ausência de periculosidade social da ação, o perigo da ação deve ser analisado perante o público militar, o qual é norteado por uma cultura totalmente hierarquizada e disciplinada. Portanto, a mencionada periculosidade social deve ser entendida como perigo para manutenção da Hierarquia e Disciplina da sociedade militar e, por tal circunstância, não cabe invocar o princípio da insignificância nos crimes militares.

Outro ponto a ser observado, se refere ao critério da inexpressividade da lesão jurídica provocada, pois o que se busca preservar é a Instituição Militar e, no entanto, deve ser analisada a proporção entre a ação e o resultado (reflexos) que qualquer conduta delitiva pode ocasionar para a Administração Militar, uma vez que estará afetando diretamente os seus pilares.

Portanto, a expressividade da lesão está no fato de que uma resposta a qualquer delito, por mais insignificante que se apresente, para o direito penal militar consiste em proteger as suas bases institucionais e fundamentos filosóficos de existência.

O entendimento do Superior Tribunal Militar (STM – Ap. 2005.01.049837-0-RJ) tem sido voltado para preservação da Instituição Militar, defendendo seu posicionamento de que o valor monetário do objeto não pode ser fator decisivo para determinar a medida a ser adotada em relação ao agente, mas deve-se orientar pelo prejuízo que será ocasionado para a Instituição Militar e a sociedade, em geral.

De outro lado, o autor Luiz Flávio Gomes (2009), colaciona em sua obra, algumas decisões em que tanto se verificou cabível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes militares, quanto descabida a sua aplicação a delitos dessa natureza. Tais decisões foram proferidas pelo STF, conforme os seguintes acórdãos:

H C 8 9 1 0 4 MC / R S * re l . : Mi n . C e l s o d e Me l l o (q u e t ra t a d a a p l i c a ç ã o d o p ri n c í p i o d a i n s i g n i f i c â n c i a a o c ri me d e f u rt o p ra t i c a d o p o r mi l i t a r) ; H C 9 4 . 5 2 4 -4 -D F, r e l . Mi n . E ro s g r a u (t ra t a d a a p l i c a ç ã o d o p ri n c í p i o d a i n s i g n i f i c â n c i a n u m c a s o e m q u e o mi l i t a r t i n h a a p o s s e d e 4 , 7 g ra ma s d e ma c o n h a ); S TF, H C 9 1 . 7 5 9 -3 - MG , re l . Mi n . Me n e z e s D i re i t o ( n ã o a d mi t i n d o a i n s i g n i f i c â n c i a n o s c ri me s mi l i t a re s ). (G O ME S , 2 0 0 9 , p . 1 3 0 e p . 1 3 6 ).

Visando melhor esclarecimento do feito, buscou-se analisar a ementa do HC 89104 MC/RS*, de relatoria do Ministro Celso de Mello, e trazer a fundamentação destinada à decisão proferida pelo STF, julgando cabível a aplicação do princípio da insignificância. E ME N TA : P ri n c í p i o d a I n s i g n i f i c â n c i a : p o s s i b i l i d a d e d e s u a a p l i c a ç ã o a o s c ri me s mi l i t a re s . I d e n t i f i c a ç ã o d o s v e t o re s c u j a p re s e n ç a l e g i t i ma o re c o n h e c i me n t o de s s e p o s t u l a d o d e p o l í t i c a c ri mi n a l . C o n s e q ü e n t e d e s c a ra c t e ri z a ç ã o ma t e r i a l d a t i p i c i d a d e p e n a l . D e l i t o d e f u rt o . I n s t a u r a ç ã o d e " p e rs e c u t i o c ri mi n i s " c o n t ra mi l i t a r. " R e s f u rt i v a " n o v a l o r d e R $ 5 9 , 0 0 (e q u i v a l e n t e a 1 6 , 8 5 % d o s a l á ri o mí n i m o a t u a l m e n t e e m v i g o r). D o u t ri n a . C o n s i d e ra ç õ e s e m t o rn o d a j u ri s p ru d ê n c i a d o s u p re m o t ri b u n a l f e d e ra l . C u mu l a t i v a o c o r rê n c i a , n a e s p é c i e , d o s re q u i s i t o s p e rt i n e n t e s à p l a u s i b i l i d a d e j u rí d i c a d o p e d i d o e a o " p e ri c u l u m i n mo ra " . M e d i d a c a u t e l a r c o n c e d i d a . (S TF, H C 8 9 1 0 4 , R e l a t o r Mi n i s t ro C e l s o d e M e l l o , j u l g a d o e m 2 9 / 0 4 / 0 5 ).

Nesse caso, o Ministro relator Celso de Mello entendeu ser aplicável o princípio da insignificância porque levou em consideração o valor do bem furtado, R$ 59,00, o considerando ínfimo. Acrescentou que, no caso apresentado, estavam presentes os vetores da mínima ofensividade da conduta do agente, nenhuma periculosidade social da ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada, necessários para a aferição do relevo material da tipicidade penal, para se invocar a aplicação do instituto.

O p ri n c í p i o d a i n s i g n i f i c â n c i a , q u e d e v e s e r a n a l i s a d o e m c o n e x ã o c o m o s p o s t u l a d o s d a f ra g m e n t a ri e d a d e e d a i n t e rv e n ç ã o mí n i ma d o E s t a d o e m ma t é ri a p e n a l , t e m o s e n t i d o d e e x c l u i r o u d e a f a s t a r a p ró p ri a t i p i c i d a d e p e n a l , e x a mi n a d a n a p e rs p e c t i v a d e s e u c a rá t e r ma t e ri a l a p o i o u -s e , e m s e u p ro c e s s o d e f o rm u l a ç ã o t e ó r i c a , n o re c o n h e c i me n t o d e q u e o c a rá t e r s u b s i d i á ri o d o s i s t e ma p e n a l re c l a m a e i mp õ e , e m f u n ç ã o d o s p ró p ri o s o b j e t i v o s p o r e l e v i s a d o s , a i n t e rv e n ç ã o mí n i ma d o P o d e r P ú b l i c o e m m a t é ri a p e n a l . I s s o s i g n i f i c a , p o i s , q u e o s i s t e ma j u rí d i c o h á d e c o n s i d e ra r a re l e v a n t í s s i ma c i rc u n s t â n c i a d e q u e a p ri v a ç ã o d a l i b e rd a d e e a re s t ri ç ã o d e d i re i t o s d o i n d i v í d u o s o m e n t e s e j u s t i f i c a rã o q u a n d o e s t ri t a me n t e n e c e s s á ri a s à p r ó p ri a p ro t e ç ã o d a s p e s s o a s , d a s o c i e d a d e e d e o u t ro s b e n s j u r í d i c o s q u e l h e s s e j a m e s s e n c i a i s , n o t a d a m e n t e n a q u e l e s c a s o s e m q u e o s v a l o re s p e n a l me n t e t u t e l a d o s s e e x p o n h a m a d a n o - e f e t i v o o u p o t e n c i a l - i mp re g n a d o d e s i g n i f i c a t i v a l e s i v i d a d e . (S T F, H C 8 9 1 0 4 , R e l a t o r Mi n i s t r o C e l s o d e Me l l o , j u l g a d o e m 2 9 / 0 4 / 0 5 ).

Em contrapartida, em relação ao julgamento do HC 91.759-3-MG - STF, que teve por relator o Ministro Menezes, verificou-se que o provimento foi negado, não acolhendo o pedido de aplicação do princípio da insignificância ao crime militar vislumbrado.

1 a T u r m a , 0 2 . 1 2 . 2 0 1 0 . C R I ME MI L I TA R P R I N C I P I O D A I N S I G N I FI C A N C I A . O f a t o d e t e r -s e e m j o g o , n o s c ri m e s mi l i t a r e s , p ri n c i p i o s p ro p ri o s a s Fo rc a s A r ma d a s h i e ra r q u i a e d i s c i p l i n a a f a s t a a t e o ri a d a i n s i g n i f i c a n c i a . P r e c e d e n t e s : H a b e a s C o r p u s n o 8 1 . 7 3 4 - 3 / P R , re l a t o r Mi n i s t ro S y d n e y S a n c h e s , c o m a c o rd a o p u b l i c a d o n o D i a ri o d a J u s t i c a d e 7 d e j u n h o d e 2 0 0 2 ; e H a b e a s C o rp u s n o 9 1 . 7 5 9 - 3 / MG , re l a t o r Mi n i s t ro Me n e z e s D i re i t o , c o m a c ó rd ã o v e i c u l a d o n o D i a ri o d a J u s t i c a d e 3 0 d e n o v e m b ro d e 2 0 0 7 .

Na situação ora apresentada, o Ministro relator Menezes Direito entendeu que o princípio da insignificância não poderia ser aplicado por se tratar de proteger os princípios próprios, como hierarquia e disciplina, da Instituição Militar.

Rogério Greco (2014), também elenca em sua obra, exemplos da aplicabilidade e da inaplicabilidade do princípio da insignificância aos crimes militares, com base em decisões proferidas pelo STF, corroborando com o pensamento de que a aplicação de tal princípio não se encontra pacificada pelos Tribunais, dependendo de análise pormenorizada do caso concreto. Veja:

H C 1 0 8 3 7 3 / MG , 2 ª T. , R e l . o ri g . Mi n . J o a q u i m B a rb o s a , re d . P a ra o a c ó rd ã o Mi n . G i l m a r Me n d e s , 6 / 1 2 / 2 0 1 1 , I n f o r ma t i v o 6 5 1 : t ra t o u -s e d e u m c a s o e m q u e o mi l i t a r f a r d a d o , n o h o rá ri o

d e s e rv i ç o , s u b t ra i u u ma c a i x a d e b o mb o n s d e e s t a b e l e c i m e n t o c o me rc i a l e a c o l o c o u d e n t ro d o s e u c o l e t e . O Mi n . G i l m a r Me n d e s , re d a t o r p a ra o a c ó rd ã o , t e n d o e m v i s t a o v a l o r d o b e m, c o n s i g n o u p o s s í v e l i n c i d ê n c i a d o r e f e ri d o p o s t u l a d o . O Mi n . A y re s B ri t o a c re s c e n t o u q u e o m o d o d a c o n s u m a ç ã o d o f a t o n ã o e v i d e n c i a ri a o p ro p ó s i t o d e d e s f a l c a r o p a t ri m ô n i o a l h e i o . E m d i v e rg ê n c i a , o s Mi n i s t ro s J o a q u i m B a rb o s a , re l a t o r, e R i c a rd o L e w a n d o w s k i d e n e g a v a m a o rd e m, p o r e n t e d e re m q u e a re p ro v a b i l i d a d e d a a ç ã o n ã o p e rmi t i ri a o re c o n h e c i me n t o d o p ri n c í p i o d a b a g a t e l a . I s s o p o rq u e a b s t r a í a m o v a l o r d a me rc a d o ri a f u rt a d a e c o n c e n t ra v a m s u a a n á l i s e n a c o n d u t a d o a g e n t e , a q u a l c o l o c a ri a e m x e q u e a c re d i b i l i d a d e d a i n s t i t u i ç ã o a q u e p e r t e n c e ri a , p o rq u a n t o , e m v i rt u d e d e s e u c a rg o i n c u mb i d o d a ma n u t e n ç ã o d a o rd e m -, p o s s u i ri a o s d e v e re s d e mo ra l i d a d e e d e p ro b i d a d e . ( G R E C O , 2 0 1 4 , p . 9 )

Conforme se vislumbra da citação do Greco, referente ao HC 108373/MG, não houve uma decisão unânime, posto que, o ministro Gilmar Mendes, relator para o acórdão, tendo em vista o valor do bem, consignou possível a incidência do referido postulado, tendo ainda seu posicionamento acompanhado pelo ministro Ayres Brito que acrescentou que o modo da consumação do fato não evidenciaria o propósito de desfalcar o patrimônio alheio.

Em contrapartida, os ministros Joaquim Barbosa, relator, e Ricardo Lewandowski rejeitaram a aplicação do princípio da insignificância, fundamentando a decisão sob a ótica da conduta praticada pelo agente, como sendo dotada de reprovabilidade e, portanto, não alcança o postulado.

Os ministros acrescentam ainda que, no caso apresentado, busca-se proteger a credibilidade da Instituição Militar a qual o agente pertenceria e pelo fato de ser responsável pela manutenção da ordem, possuiria os deveres de moralidade e de probidade.

Como pode ser observado, a jurisprudência e a doutrina não são pacíficas quanto à aplicação do Princípio da Insignificância aos crimes militares.

Diante de todo exposto, é válido ressaltar que, embora haja divergências quanto à aplicação do princípio da insignificância aos crimes militares, deve ser levado em voga os valores inerentes à qualificação de militar, principalmente pela peculiaridade de se encontrar investido de poderes concedidos pela Instituição a qual representa.

Deve-se, nesses casos, abster de avaliar a pessoa do agente transgressor e sim, os reflexos causados no âmbito castrense, bem como para sociedade, buscando manter a confiança na Instituição Militar, intra e extra muros, evitando-se, ainda, abalar a essência, os valores institucionais.

Nesse sentido, a ética, a moral e os valores relacionados ao dever militar, bem como os pilares da Instituição, hierarquia e disciplina, ocupam imensurável relevância e merecem ser observadas com a devida credibilidade, o que ainda tem causado bastante polêmica na alçada dos operadores do direito.

CONCLUSÃO

É sabido que a sociedade tem demonstrado uma célere evolução em suas aspirações, condutas e padrões de comportamentos. O Sistema Jurídico, por sua vez, deve acompanhar tal evolução de modo a filtrar determinadas condutas desencadeadas pelos indivíduos que, em alguns casos, não foram previstas pelo legislador ou, se foram, talvez não mereçam a atenção do Direito Penal por se mostrarem irrelevantes.

Nesse contrassenso, busca-se a solução mais pertinente e eficaz ao caso concreto, por meio dos princípios, importantes instrumentos para auxiliar a efetividade da prestação jurisdicional do Estado, em sintonia com as normas positivadas no ordenamento pátrio.

Como analisado, a aplicação do princípio da insignificância não poderá ocorrer em toda e qualquer infração penal. Entretanto, segundo Rogério Greco (2014), existem condutas em que a não aplicação do princípio pode levar a conclusões absurdas, punindo-se, por meio do Direito Penal, condutas que não deveriam merecer a atenção deste, devido à sua inexpressividade, motivo pelo qual são reconhecidas como “crimes de bagatela”.

O princípio da insignificância, embora introduzido por Claus Roxin no Direito Penal, há considerável tempo, ou seja, em 1964, ainda não goza de pacificidade na doutrina nem na jurisprudência dos Tribunais Superiores. Cabe, portanto, aos operadores do direito a observação e utilização de ferramentas disponíveis no Ordenamento pátrio, tais como as normas positivadas e os princípios adequados à garantia da manutenção da função judicante.

Os Tribunais Superiores, harmonicamente, pautam suas decisões quanto à aplicabilidade do princípio da insignificância, com fundamento nos requisitos instituídos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), quais sejam, a mínima ofensividade da conduta; a ausência de periculosidade social da ação; o reduzido grau de reprovabilidade do agente e a inexpressividade da lesão ao bem juridicamente protegido.

Entretanto, quando se refere a tal postulado na Justiça Castrense, a polêmica é certa, pois alguns doutrinadores bem como os mencionados Tribunais, conforme estudado, não tem delimitado os momentos em que a aplicação do princípio da insignificância se mostrará próspero, passível de acolhimento.

A discussão se torna ainda mais acalorada tendo em vista que, na Justiça Castrense,

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