• Nenhum resultado encontrado

PARTE III – O ESTUDO DE CASO

8.2. HIERARQUIA NO ALINHAMENTO: O ALINHAMENTO DO BLOCO DA

Depois de analisar o tempo e o espaço que a TVI concedeu à campanha eleitoral no Jornal Nacional, analisou-se, também, a hierarquia do alinhamento do jornal ao longo dos treze dias de campanha, no sentido de, mais uma vez, perceber qual a importância dada ao tema pela estação de televisão. Como clarifica Sandra Sá Couto (2006:73), “a hierarquia da campanha eleitoral no alinhamento está obviamente dependente das restantes notícias do dia e do interesse que as ações de campanha foram gerando ao longo dos treze dias em estudo”. Durante os treze dias em análise, a Campanha Eleitoral foi notícia de abertura do Jornal Nacional apenas por duas vezes, ou seja, o tema da campanha só abriu o noticiário da noite em 15% dos dias (Gráfico 4).

Contudo, era correto considerar-se que o tema só abrira o jornal uma única vez (dia 21 e janeiro), dado que no outro (dia 20) o noticiário abre com o tema apenas para dar conta de um prognóstico avançado pela sondagem da Intercampus para a TVI sobre um resultado provável das eleições presidenciais 2011. De facto, no dia 20 de janeiro, o

121

bloco da campanha, propriamente dito – introduzido pelo separador que o anuncia como tal –, só vai verdadeiramente para o ar, na 2ª Parte do jornal (e já depois das 20h20).

Neste ponto, os resultados desta campanha diferem dos obtidos em 2006, onde a estação de televisão fez da campanha eleitoral abertura por três vezes no Jornal Nacional, uma delas no dia de arranque da campanha. Assim, ao contrário do que se sucedeu em 2006, desta vez a TVI não abriu o Jornal Nacional com o início das ações de campanha dos candidatos. Perante os dados, a jornalista Paula Costa Simões explica que “a escolha da notícia de abertura do Jornal Nacional é sempre feita com base em critérios jornalísticos e editoriais. Presumo que no período oficial de campanha tenham havido notícias sobre outros temas que pela sua importância ou relevância tenham merecido mais destaque do que as presidenciais”. De facto, segundo a editora, “no jornalismo, a importância de cada notícia é sempre relativa e depende de todas as outras notícias que existirem. E na televisão, o facto de, por vezes, o tema da campanha ir para o ar mais tarde não implica uma perda de importância, uma vez que até pode ser promovido”60

.

Do primeiro ao último dia de campanha eleitoral, a TVI emitiu diariamente notícias relativas ao tema. Contudo, nesse período, o momento em que as notícias referentes à campanha surgem no alinhamento variou. Como se sabe, por norma, os jornais de televisão podem dividir-se em dois momentos – a primeira e a segunda parte – separados por um intervalo. Ao longo dos treze dias de campanha, todos os noticiários da noite da TVI seguiram esse formato. Assim, tendo por base essa organização do jornal da TVI, podemos aferir que, ao longo dos treze dias, a campanha eleitoral entra, maioritariamente, depois da 1ª Parte. Como mostra o Gráfico 5, apenas 38% das peças entram na 1ªParte do Jornal Nacional, pelo que o grosso das peças (62%) entra somente depois do intervalo. Assim, na semana destinada à campanha eleitoral, o tema foi por 9 vezes remetido para a 2ª Parte. A editora política da estação admite que “são vários os fatores a determinar a hora em que a campanha entra no jornal”, como “as outras notícias do dia, os alinhamentos e até as peças estarem todas prontas a horas”. A jornalista acrescenta, ainda, que “o alinhamento responde a critérios editoriais, mas não só”. Em causa estão, também “a hora em que tem que se fazer intervalo”, “a hora em

122

que as peças estão prontas para ir para o ar”61, entre outros aspetos, pelo que os critérios estipulados podem ser afetados por outros elementos.

Como mostra o Gráfico 6, nesse período a hora de entrada da campanha no alinhamento variou e o assunto vai para o ar sempre depois das 20h20 (à exceção dos dois últimos dias de campanha), ou seja, em treze dias de campanha, o tema foi remetido para depois das 20h20, em onze deles. O dia 9 de janeiro marca o arranque da campanha. Contudo, neste dia, o tema foi para o ar às 20 horas, 23 minutos e 54 segundos, não sendo, por isso, abertura do jornal (ao contrário do que aconteceu em 2006). Os dias que marcam o início da campanha (10, 11 e 12) são também os dias onde a campanha entra mais tarde no jornal (mais de 45 minutos depois do início do jornal). É a meio do desenrolar da campanha (dias 14, 15, 16 e 17) que se verifica uma maior homogeneidade na entrada das notícias no alinhamento.

Contudo, a entrada do tema no alinhamento sofre uma clara modificação nos dias que marcam o fim da campanha eleitoral. É nos dois últimos dias (20 e 21) que o bloco de campanha entra mais cedo no alinhamento do jornal (o tema vai para o ar às 20h). Mais uma vez importa ressalvar que, apesar de no dia 20 de janeiro a campanha ser notícia de abertura do Jornal Nacional (com a já mencionada notícia da estação sobre a sondagem da Intercampus para a TVI), o assunto volta a ser recuperado na segunda parte, como aliás já tinha sido referido. Também aqui, o tema, ao ser recuperado, vai para o ar depois das 20h20. Assim, o tema da campanha foi hierarquizado de forma bastante heterogénea pela TVI, chegando a ser ora notícia de abertura, como aconteceu no dia 21 de janeiro de 2010, ou quase tema de fecho, como ocorreu no dia 12 do mesmo mês. Estes resultados marcam uma alteração na estratégia de organização do jornal por parte da TVI, nomeadamente quando comparados com os obtidos nas eleições presidenciais de há cinco anos atrás. Em 2006, de acordo com o estudo feito por Sandra Sá Couto (2006), o tema da campanha nunca foi para o ar depois das 20h20, exatamente o oposto do que ocorre agora. Há, portanto, uma alteração evidente de procedimento.

123