3. A TEMÁTICA “ESPORTES - OLIMPÍADA 2020” NO ENSINO DE QUÍMICA
3.1 A TEMÁTICA “ESPORTES – OLIMPÍADA 2020”
3.1.2 História do esporte geral e antiga olimpíada
A história do esporte está inteiramente interligada com a história do jogo, visto que algumas das definições de esporte passam pelo jogo, sendo assim o jogo que é capaz de fazer o elo entre cultura e esporte (TUBINO, 1994). É possível perceber duas interpretações da origem do esporte: sendo a primeira entrelaçada ao nascimento do esporte a fins educacionais desde a época primitiva, e a segunda, compreende o esporte como um fenômeno biológico, e não histórico. Ambas possuem fundamentos desarmônicos, porém um aspecto
em comum, que se torna essencial ao fenômeno esporte que é a competição, logo se existe esporte deverá haver disputa (TUBINO, 1994). A competição se origina de uma versão mais agressiva do jogo (PEREIRA, 1980).
Cronologicamente, a atividade física já era desenvolvida na Pré-História.
Após, a organização do esporte ocorreu como um dos eventos mais importantes da Antiguidade, os Jogos Gregos. Já no século XIX, na Inglaterra, de forma reinventada surge o esporte moderno. A seguir será descrito de forma mais detalhada cada um desses períodos.
Na Pré-História, a noção de atividade física se atribuía pelo caráter utilitário-guerreiro, rituais e educativos. A prática de exercícios se dava para sobrevivência através das lutas, caça e pesca. Esses caráteres surgem quando o homem deixa de ser nômade e para se alimentar começa a plantar nas margens dos rios, sofrendo ataques daqueles que ainda eram nômades. Isso ocorreu com os agrupamentos que originaram as nações dos egípcios, hindus e chineses (TUBINO, 1994).
Os gregos de Atenas deram um desígnio educativo aos exercícios físicos, enquanto os de Esparta continuaram utilizando os exercícios com o objetivo de se prepararem para a guerra (TUBINO, 1994). Ao tratarmos do esporte grego entramos em um terreno importante da cultura, principalmente para o Ocidente, pois a influência exercida foi suficiente para fornecer fundamentos da nossa civilização (RUBIO, 2002).
Uma parte do desenvolvimento do cidadão estava no processo de purificação do espírito, pois para eles a perfeição sem a beleza do corpo não existia (RUBIO, 2002). Portanto o esporte desempenhou uma grande influência sobre a formação do homem grego, sendo ele um dos três pilares da educação da criança, junto com a música e letras (CAGIGAL, 1979; TUBINO, 1994).
No período da Grécia Antiga iniciaram os Jogos Gregos, que foram considerados um marco da história esportiva, pois, representou a concepção de esporte. Este evento que registrou pela primeira vez a ocorrência de uma organização para competição acontecia em um período quadrienal em diferentes cidades. O motivo para a disputa era homenagear os chefes gregos ou até mesmo faziam parte de rituais religiosos (TUBINO, 1994).
Os jogos Pan-Helênicos, designação de quatro grandes competições:
Jogos Olímpicos, Píticos, Istmicos e Nemeus homenageavam os deuses Zeus,
em Olímpia, Jogos Olímpicos; Apolo, em Delfos, Jogos Píticos; Poseidon, em Corintio, Jogos Istmicos; e Héracles, em Nêmea, os Jogos Nemeus. Além dessas celebrações em forma de jogos, aconteciam outras, por exemplo, os jogos Fúnebres, considerado o mais antigo, dedicado aos mortos, como Athena (RUBIO, 2002).
Boga (1964) assegura que os Jogos Olímpicos da Antiguidade ocorreram graças a Hércules, que para prestar uma homenagem ao rei Augias, instituiu em sua memória competições atléticas que vieram a se chamar Jogos Herácleos.
Sua contribuição para com a organização de jogos esportivos continuou. Contam os eleenses que Héracles, criado no Monte Ida, na Ilha de Creta, propôs aos irmãos um concurso pedestre para se exercitarem na corrida, dando origem ao primeiro gênero de competição: o atletismo.
Uma outra versão sobre o surgimento dos jogos trata de que Pélope, avô de Héracles, apaixonou-se pela filha de Enómao, rei de Pisa, que de acordo com o oráculo seria morto pelas mãos do próprio genro. Esse fato fez com que Enómao se opusesse ao casamento da filha Hipodamia. Para satisfazer ao desejo dos pretendentes, concordou em realizar uma prova de corrida de carros, durante a qual ele tentava acertar os concorrentes com uma lança. Todos os pretendentes foram mortos, exceto Pélope que subornou o cocheiro real, para que sabotasse o carro do rei, provocando um acidente que resultou em sua morte. Como forma de agradecimento à vitória conquistada Pélope organizou os Jogos (FERNANDES, 1980).
Um ponto comum nas duas histórias é que o início dos jogos está relacionado com a mesma família alterando apenas o personagem principal. O que é notável na segunda versão é o fato de já existir a trapaça sendo a responsável pelo sucesso de quem a ganhou, não sendo levado em consideração apenas a habilidade e a força.
As Olimpíadas foram disputadas 293 vezes em doze séculos que compreenderam o período de 776 a.C. a 394 d.C., as mulheres estavam proibidas de assistir, porém os escravos possuíam este direito. Os atletas obedeciam a uma rígida regulamentação criada pelos seus dirigentes e tinham uma forte preparação que incluía aquecimento, uso de cargas para musculação, dietas, ciclos de treinamento, massagens e treinadores especializados, como o xistarca, para as corridas, o agonistarca para as lutas, e o pedótribo, para os
jogos (TUBINO, 1994). Os exercícios físicos eram realizados em ginásios e os atletas que poderiam exercer o direito de treinar nesses locais eram sujeitos de elite motivados pela busca do prestígio. A maioria dos cidadãos era homens livres, nascida de pais atenienses, os únicos a terem o direito de possuir terras e gozar de plenos direitos políticos. Já os metecos, estrangeiros que tinham permissão para se fixar na Ática, protegidos pelas leis, poderiam treinar em outros ginásios. Os únicos proibidos de treinar eram os escravos capturados em guerras, filhos de escravos ou de pais que os abandonaram quando crianças e as mulheres (RUBIO, 2002). O legado histórico deixado para a humanidade pelos gregos é muito rico e deve ser relatado na história do esporte.
O esporte moderno surgiu no século XVIII, na Europa, mas foi implementado em meados do século XIX, na Inglaterra, por Thomas Arnold, um idealista determinado a mudar o mundo e influenciado por Charles Darwin, e devido a isso explica-se o caráter utilitário do esporte (TUBINO, 1994). Para ele as três características principais do esporte são: é um jogo, é uma competição e é uma formação.
Até o final do século XVIII o esporte era uma prática aristocrática, sendo transformado com a ascensão da burguesia e disseminação do esporte em outras camadas sociais (GRIFI, 1989; TUBINO, 1992). No século XIX, o esporte vem acompanhado de transformações políticas e sociais que começaram no século anterior como o Iluminismo, a Revolução Industrial e a Revolução Francesa.
O esporte era considerado um meio de educação social dos filhos da aristocracia e da alta burguesia, assim como, para eles era uma atividade de lazer. Já para os trabalhadores isso só foi possível com a redução das horas de trabalho, momento que ocorreu a expansão e organização institucional (RUBIO, 2002). Em 1870, ocorreu o Ato de Educação no qual ficou estabelecido entre o Departamento de Educação e o Gabinete Militar que os sargentos ministrariam educação física nas escolas primárias (BETTI, 1991).
A Inglaterra a partir desse momento além de exportação de materiais de indústrias têxtis, ferrovias, entre outros, começava a exportar o esporte, sua organização e regras baseada na tradição de igualdade de oportunidades entre os competidores, fair-play (RUBIO, 2002). O fair-play significava, nesse momento, a atitude cavalheiresca na disputa esportiva, respeitando as regras,
os códigos, os adversários e os árbitros (TUBINO, 1994). Neste momento surgem as bases do movimento que culminou na reedição dos Jogos Olímpicos.