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HISTÓRIA

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Os primeiros relatos históricos sobre o território onde atualmente está inserida a Região do Grande ABC Paulista estão estreitamente atrelados à fundação da cidade de São Paulo. A partir do século XVI, as terras onde hoje estão situadas as cidades de São Paulo e do ABC, passaram pelo processo de exploração e ocupação portuguesa.

Por meio dos levantamentos históricos apresentados por Neves (2007), observa-se que a povoação de João Ramalho, chamada Santo André da Borda do Campo, foi nomeada vila em 08 de abril de 1553, cujo advento foi marcado pelo pelourinho instalado no povoado. “A vilinha teria sido um dos primeiros aglomerados humanos com vida organizada, na vastidão do Brasil desconhecido”. (GAIARSA, 1991, p. 13)

Em território vizinho, no ano de 1554, foi instituída a vila São Paulo de Piratininga, hoje cidade de São Paulo. Devido à rivalidade existente entre as duas vilas e incitado pelo padre Manuel da Nóbrega, o então governador-geral Mem de Sá, em 1560, extinguiu a vila Santo André da Borda do Campo por meio da transferência do pelourinho e da população do povoado para São Paulo de Piratininga (NEVES, 2007). “E desta maneira, indo enobrecer outra localidade, acabou o pelourinho de Santo André da Borda do Campo em São Paulo de Piratininga, onde se prolongou e se projetou a vida social, econômica e administrativa da vila desaparecida”. (ibid, p. 118-119)

Dois séculos mais tarde, a região voltou aos registros históricos por meio dos sinais de progresso do povo chamado São Bernardo. A evolução e o despertar de povoações na região, que deram origem as sete cidades que hoje compõem a Região do Grande ABC Paulista, podem ser atribuídos aos diversos trajetos construídos para facilitar o acesso de São Paulo ao Porto de Santos, com o intuito de escoar as produções agrícolas, em especial, pela criação da via férrea Santos-Jundiaí. Outro fator importante foi o estabelecimento da hidroelétrica da Light & Power em Cubatão. (GAIARSA, 1991)

Com o intuito de atender as reivindicações do povoado São Bernardo, em 1735 foi construído um ramal do novo Caminho do Mar, que de Santo Amaro ligava São Bernardo aos povos vizinhos. Neste mesmo ano, próximo ao córrego dos meninos e às margens da estrada “Caminho do Mar”, foi construída a capela Nossa Senhora da Boa Viagem, a qual recebeu este nome, pois “os viajantes, em grande número, visitavam a capela, invocando a proteção da padroeira de São Bernardo [...]”. (ibid, 1991, p. 26)

No decorrer dos anos, a estrada Caminho do Mar e as demais trilhas de acesso da Serra do Mar ao planalto foram sendo degradadas pelas chuvas e pelas tropas que nelas transitavam. Assim, em 1788 iniciou-se a construção de uma nova estrada, a qual em todo trajeto foi calçada com pedras e operou de forma satisfatória por cerca de cento e vinte anos. Com o passar do tempo, essa estrada foi desativada devido aos bloqueios causados pela invasão da vegetação. (ibid)

Em 1860, iniciou-se a construção do ramal ferroviário chamado inicialmente de São Paulo Railway (SPR), cujo projeto foi idealizado por Irineu Evangelista de Sousa (Barão de Mauá), o qual buscou recursos junto à iniciativa privada para a execução. A obra foi custeada por ingleses, os quais obtiveram a concessão da SPR por noventa anos. O primeiro trecho da estrada foi inaugurado em 1867, com duplicação das linhas em 1900. (ibid)

As obras da SPR movimentaram a Região do Grande ABC Paulista, pois para a construção dos trilhos as matas da região foram derrubadas e ao longo da SPR, que ligaria São Paulo a Jundiaí, foram erguidas estações, as quais significaram o desenvolvimento dos povoados que originaram as atuais cidades de Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Mauá, Santo André e São Caetano.

Com o tempo e bem depressa, as previsões feitas pelo Barão de Mauá foram confirmadas. Os núcleos populacionais próximos às estações, progrediram e, ao mesmo tempo, a própria estrada lucrava com o desenvolvimento de cada uma delas, semeadas ao longo do seu percurso. (ibid, p. 31)

Concomitante à construção da SPR, foi construída a estrada Vergueiro. Inaugurada em 1863, foi muito custosa e recebeu críticas por conta da concorrência feita pela SPR. Com baixo tráfico durante anos, em 1931 foi revitalizada e teve alterações em alguns trechos (GAIARSA, 1991). Em 1946, a concessão da São Paulo Railway aos ingleses foi extinta pelo presidente Erico Gaspar Dutra e a ferrovia passou ao controle da União sob o nome de Estrada de Ferro Santos a Jundiaí. (BUZELIN; COELHO; SETTI, 2002)

Em 1947 foi entregue ao tráfego a pista ascendente da via Anchieta (SP 150), uma das primeiras e principais rodovias do Brasil, responsável pela ligação da Região Metropolitana de São Paulo à Baixada Santista. A duplicação e o trecho da Baixada, entre as cidades de Cubatão e Santos, foram inaugurados em 1953 (DER, s/d). Em 1957, a SPR transformou-se em unidade operacional da Rede Ferroviária Federal S.A (BUZELIN; COELHO; SETTI, 2002). Na década de 1960, a via Anchieta apresentava sinais de esgotamento na sua capacidade de vazão, o que suscitou a construção da rodovia dos Imigrantes (SP 160), cujas obras foram iniciadas em 1972 (GAIARSA, 1991). Os trabalhos foram desenvolvidos em duas etapas, sendo a primeira, o trecho do planalto e a interligação com a via Anchieta, inaugurado em 1974. O trecho da serra, a pista ascendente, foi entregue em 1976 (DER, s/d). A pista descendente da Rodovia dos Imigrantes foi entregue ao tráfico em 2002.

Conforme indicado anteriormente, a hidroelétrica da Light & Power também foi fomentadora da Região do Grande ABC Paulista. Desde meados de 1907, a região começou a substituir a luz de lampiões a querosene pela luz elétrica fornecida por meio de contrato assinado com a Light para abastecimento de energia. Por volta de 1925, a Usina do Cubatão, denominada também de Henry Borden, já fornecia energia elétrica produzida pela força das águas do ABC. O projeto para represamento das águas da região foi esquematizado pelo americano Asa White Kenney Billings. (GAIARSA, 1991)

No entanto, em 1974, a represa Billings, que recebeu o nome do seu idealizador, passou a ter como prioridade o abastecimento de água para a população da região, sendo a geração de energia transferida para um segundo plano. Em 1979, a Light & Power passou a ser administrada pela União, o acervo foi desapropriado tempos depois e cedido para a Eletropaulo. (ibid)

Após extinção da vila Santo André da Borda do Campo, a região voltou aos relatos históricos devido à expansão populacional do povoado chamado São Bernardo, cuja população em 1776 era de 997 habitantes. Em 26 anos aumentou em torno de 43%, passando em 1802 para 1.423 habitantes (ibid). Em 1812, o povoado de São Bernardo foi elevado à categoria de freguesia do município de São Paulo. (IGC, 1995)

[...] e em 1910 a aldeia de Santo André – que fora buscar o seu nome à desaparecida Vila de Santo André da Borda do Campo, por se considerar localizada no mesmo sítio desta Vila – foi elevada a sede de um distrito do município de São Bernardo do Campo (São Paulo); e em 1938 esta sede municipal passa para Santo André, pelo que, invertidas as situações, fica São Bernardo simples distrito. Em 1944 São Bernardo é elevado a município, mantendo Santo André, cidade desde 1938, a sua categoria administrativa. (NEVES, 2007, p. 114)

A divisão administrativa da Região do Grande ABC Paulista foi feita por meio da subdivisão das terras de São Bernardo do Campo e Santo André. A primeira teve a sua expansão às margens das estradas e da capela, enquanto a segunda consolidou-se às margens da ferrovia. Os povoados responsáveis pelo desenvolvimento e expansão da região eram formados por nativos e imigrantes (internos e externos). Os imigrantes externos eram de diversas nacionalidades, com predomínio de colonos italianos. (GAIARSA, 1991)

Sobre São Caetano apura-se que, em 1874, já existiam relatórios detalhados sobre a Fazenda de São Caetano, propriedade da Ordem de São Bento. Tais relatórios apontam a construção da capela entre os anos de 1717 e 1720, e também, a existência de casas de moradia. Em 1877, a região recebeu imigrantes italianos, camponeses provenientes de uma região pobre da Itália, os quais fundaram o núcleo colonial de São Caetano próximo à SPR. Em 1883, a SPR inaugurou a estação de São Caetano (MARTINS, 2002). Em 1916, São Caetano passou a ser distrito do município de São Bernardo do Campo, mas em 1938 foi reconduzido à categoria de povoado e incorporado ao município de Santo André. Finalmente, em 1948, São Caetano teve seu território desmembrado de Santo André e passou a ser município sob a denominação de São Caetano do Sul. (IGC, 1995)

Por volta de 1800, o povoado de Cassaguera se estabeleceu no entorno da capela de Nossa Senhora do Pilar. O Barão de Mauá comprou uma fazenda nessa região para acompanhar as obras de construção da SPF (PEREIRA, 2013). A estação Pilar foi inaugurada em 1883 e, no seu entorno, o povoado se desenvolveu. Contudo, foi apenas em 1934 que o mesmo tornou-se distrito de São Bernardo sob o nome de Mauá. Em 1938, o distrito foi transferido para Santo André e, em 1953, tornou-se município. (IGC, 1995)

No povoado Caaguaçu em 1867 e 1885, foram inauguradas respectivamente as estações de trem Rio Grande e Ribeirão Pires da SPF. Em 1896, o povoado tornou-se distrito no município de São Bernardo, o qual também em 1938 foi transferido para o município de Santo André. Ribeirão Pires conquistou a emancipação em 1953 e neste mesmo ano o povoado de Rio Grande foi elevado a distrito sob a denominação de Icatuaçú no município de

Ribeirão Pires. Já a cidade de Diadema teve origem no antigo povoado de Vila Conceição, o qual, em 1948, tornou-se distrito no município de São Bernardo do Campo, com a denominação de Diadema. Em 1959, esse distrito conseguiu emancipar-se. Já o distrito Rio Grande conseguiu autonomia e tornou-se município com o nome de Rio Grande da Serra. (IGC, 1995)

A emancipação de Rio Grande da Serra encerra a desintegração de São Bernardo e Santo André, surgindo assim, os sete municípios, conforme mencionados no início deste capítulo e que atualmente compõem a Região do Grande ABC Paulista: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra – ABCDMRR.

Os fatos históricos remontam uma trajetória de progresso dividida em duas etapas: a primeira com duração de apenas sete anos, teve como figura principal o português João Ramalho com a fundação da Vila Santo André da Borda do Campo. A segunda etapa pode ser desmembrada em três momentos: o desenvolvimento das estradas e vias rodoviárias, bem como, a evolução do transporte rodoviário, iniciado em meados da década de 1940 e conservando-se até a atualidade; com duração de 1887 e até o século de XX, a construção da ferrovia SFP e a ascensão do transporte ferroviário; e o represamento da Billings em 1925, o qual creditou à região, durante 50 anos, a geração de energia por meio da usina hidrelétrica Henry Borden, fato que se tornou função secundária da represa, pois atualmente ela é responsável pelo fornecimento de água potável para algumas cidades da região.

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