Biblioteca Universitária
Setor 3 Litoral Sul 2 Região Metropolitana
5.3 A CONTAMINAÇÃO POR METAIS PESADOS NA BAÍA DE SEPET1BA
6.1.1 HISTÓRICO DA METODOLOGIA DE GERENCIAMENTO COSTEIRO
INTEGRADO
A metodologia de Gerenciamento Costeiro Integrado utilizada neste trabalho teve início em 1972, sendo criada pelo COASTAL ZON E M ANAGEM ENT ACT (CZMA) e apropriada às realidades do estado de Rhode Island pela Coastal Resources Center of University of Rhode Islands - USA. A forma de desenvolvimento de tal metodologia varia de lugar para lugar, de acordo com a especificidade de cada um, considerando os fatores sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais, e deve ser efetivada como um processo contínuo e estar fundamentada nos princípios da Agenda 21 (POLETTE, 1997).
O estado de Rhode Island, no início do século XVIll, era conhecido como o "jardim da Nova Inglaterra" e a região de Salt Ponds sempre foi considerada um a das áreas mais agradáveis devido às suas paisagens, à tranquilidade de suas lagunas e lagoas e por suas praias arenosas de beleza singular (OLSEN & LEE apud POLETTE, op cit.).
O Programa de Gerenciamento Costeiro Integrado deste estado teve início à partir de u m "workshop" em Quonochontaug Grange, onde foram levantados e discutidos os principais problemas e aqueles que necessitavam de soluções mais imediatas. Através da população local e das instituições que participaram deste evento, ficou evidenciado que os problemas ligados à região de Salt Ponds eram (POLETTE, 1997):
• Queda nos estoques de pescado (peixes e moluscos); • Poluição das águas;
• Falta de planejamento por parte dos residentes e empresários ligados ao mercado imobiliário no que diz respeito aos furacões;
• Conflitos de uso do espaço físico e recursos entre aquicultores, pescadores comerciais e recreacionais e barqueiros;
• Interesses comerciais que aumentam o número de pessoas utilizando a área de Salt Ponds.
A partir de tais problemas houve uma ação conjunta entre Estado e Universidade com a finalidade de desenvolver um a estratégia de gestão para a área de estudo. A estratégia baseava-se no sentido de que "a preservação e restauração dos sistemas ecológicos deveriam ser o princípio básico e primário nos quais as alterações dos recursos naturais costeiros seriam medidos, analisados e regulamentados". A complexidade de tal estratégia levou à formulação de metas a serem atingidas. Foram então definidas oito metas para sanar tais problemas: (POLETTE, op cit.)
1. Manutenção das excepcionais qualidades cênicas da região de Salt Ponds, bem como da sua diversidade diante dos diversos tipos de atividades que esta região tem capacidade de suportar;
2. Prevenção da expansão urbana nas áreas próximas dos Salt Ponds, pois esta acelera o processo de eutrofização deste ambiente;
3. Assegurar a qualidade da água do subsolo;
4. Preservar a diversidade e a abundância das populações da ictiofauna local, bem como das comunidades bentônicas;
5. Restauração das praias, marismas, e ainda dos hábitats de vida selvagem impactados pelo desenvolvimento ocorrido no passado e pelo uso presente;
6. Preparação de u m plano de restauração pós-furacões;
7. Manutenção do Porto Judith como um porto pesqueiro comercial e providenciar sua expansão para outras finalidades;
8. Criar um processo de tomada de decisões para uma apropriada gestão da região como um ecossistema.
Apesar de as autoridades locais terem uma compreensão limitada sobre a questão de gestão, iniciou-se um processo para a implantação de um concelho de gestão dos recursos costeiros (CRMC - Rodhe lsland Coastal Managment Council). Houve então a organização do mesmo, apesar da fragilidade existente, uma vez que as várias instituições desenvolviam trabalhos fragmentados e tradicionalmente funcionavam de forma independente (Polette, 1997).
Além da organização de tal conselho, observou-se também a necessidade de
providenciar um novo mecanismo que pudesse então regulamentar o processo de
planejamento, que até então encontrava-se também fragmentado. Foi então, segundo OLSEN & LEE citados por POLETTE (op cit.), verificado que as estratégias para efetivação do mesmo deveria passar por:
1. Dar responsabilidades para pequenos comitês do Conselho localizado ao longo da área gerida;
2. Coordenar todo e qualquer tipo de permissão para as atividades exercidas na região de Salt Ponds, a partir de licenças concedidas nas esferas federal, estadual e local, afim de que estas estivessem regulamentadas através das metas pré- estabelecidas para o desenvolvimento da região;
3. Criar um comitê de ação responsável então por programas de educação ambiental, planejamento e ainda por trabalhos que não necessitassem de regulamentações.
A criação de comitês menores é um fator importante e responsável pelo êxito atual do processo (OLSEN e LEE apud POLETTE, 1997). As regulamentações se baseiam em
estudos técnicos, os projetos de grande vulto passam pelo comitê central e são tecnicamente orientados bem como estes também possuem regulamentações específicas. Existe a participação de todos os setores envolvidos no processo de gestão, todos são ouvidos e todos são importantes e prioritários no processo. A presença de um comitê de ação que envolve as principais autoridades da região de Salt Ponds (CRMC, Governo Municipal, Departamento de Gestão Ambiental do Estado de Rhode Island, Conselho de Pesca, Departamento de Transporte e o Corpo de Engenharia dos Estados Unidos) (POLETTE, op cit.).
Atualmente o Programa de Gerenciamento Costeiro Integrado de Rhode Island pode ser considerado, se não o mais avançado, um dos programas de gestão mais desenvolvido dentro da realidade e das necessidades das populações que ali vivem. Trata-se de um programa exemplar, pois após duas décadas este situa-se atualmente em fase de avaliação, já na sua segunda geração, ou seja, demonstra que é factível dentro da metodologia proposta e atualmente aceita na últim a World Coast Conference realizada em 1993 em Noodwijk, Holanda (POLETTE, 1997).
6.3.2 A METODOLOGIA DE GESTÃO COSTEIRA INTEGRADA
Segundo POLETTE (1997), um programa de gestão costeira integrada é composto
por 4 fases: -planejamento, adoção, implantação e avaliação, conforme ilustra o diagrama abaixo.
Estas fases devem ser integradas em um processo contínuo e dinâmico, visando a sustentabilidade a curto, médio e principalmente a longo prazo. Avaliações periódicas do programa devem ser feitas em todas as fases, afim de acompanhar o progresso do trabalho e evitar erros que venham a se manifestar em passos futuros.
Figura 18: Esquema da metodologia dc gestão costeira integrada
O presente trabalho corresponde aos dois primeiros estágios da fase de planejamento demonstrados na Figura 18, ou seja, a identificação do tema e análise e a visão geral do programa. Estes estágios correspondem ao diagnóstico sócio-ambiental que serve de base para a estruturação do programa de gestão costeira integrada da ilha de Itacuruçá, o qual abrange:
• Levantamento dos atores envolvidos no processo de gestão da ilha de Itacuruçá e da Baía de Sepetiba;
• Levantamento e caracterização dos principais problemas relativos à ilha; • Aproximação da legislação ambiental vigente;
• Proposta de organização de um comitê de gestão participativa e algumas propostas de ação a curto, médio e longo prazo com base nos principais problemas encontrados;
• Apresentação dos resultados do diagnóstico aos atores envolvidos; • Avaliação do diagnóstico por parte dos atores.
O método utilizado para o diagnóstico segue os princípios da Proposta Metodológica
para a Paisagem Litorânea da Microbacia de Mariscai - Município de Bombinhas (SC) - Brasil.
(POLETTE, 1997), com algumas adaptações.
Dentro de um programa de gestão é fundamental que o primeiro passo seja dado de forma correta. O diagnóstico da área a ser trabalhada não pode apresentar falhas, o que traria graves prejuízos no desenvolvimento das atividades. Assim, segundo POLETTE (1997), a identificação e a análise dos problemas a partir dos vários segmentos que compõe a
sociedade local é uma das formas mais seguras de se iniciar um processo de gestão.
Pensando nisto, os problemas que envolvem a ilha de Itacuruçá foram levantados durante observações e saídas a campo, na convivência com membros da comunidade e através de entrevistas com os atores envolvidos com as questões de gestão costeira, meio ambiente, ocupação e uso do solo e tomadas de decisão sobre as atividades realizadas na baía de Sepetiba e na própria ilha de Itacuruçá.