3.3. Controle de Perdas
3.3.1. Histórico do controle de perdas
Para melhor contextualização dos principais métodos e tecnologias de detecção e controle de perdas de água pelas Prestadoras de Serviços de Saneamento, faz-se necessário um breve comentário sobre o histórico da redução e controle de perdas em nível internacional e nacional.
Arikawa (2005) apresenta uma detalhada revisão deste assunto na qual comenta que antes de 1900 o controle de perdas reais era feito pelo Controle Passivo, ou seja, os reparos de vazamentos somente eram efetuados por intermédio de solicitação do usuário e o Controle Ativo iniciou-se com as medições de vazão, através da utilização de tubo pilot (1800), em zonas delimitadas. Em 1940 começou a ser realizada a pesquisa de vazamentos não visíveis com geofone mecânico e, a partir de 1950, com o geofone eletrônico. O correlacionador de ruídos (usado com amplificadores) e o armazenador de dados surgiram após os anos 70. Nos anos 80 e 90 as perdas reais passaram a ser monitoradas por meio do controle de pressão e modelagem ativa das perdas. A nível internacional essa autora destaca o seguinte histórico:
1980 – Inglaterra – Leakage Control Policy and Practice - Relatório 26 - Redução de Perdas Físicas - WRC (o ponto de partida para que os operadores de sistemas de abastecimento de água examinassem suas perdas, e desenvolvessem melhores técnicas para controlá-las);
1994 – Inglaterra – Controle de Perdas 9 Informes (Managing Leakage – Reports A to J – WRC): constituído de nove relatórios que compõem o modelo para conceituação das perdas e apresentação de técnicas para redução e controle de perdas. Também aborda a determinação de indicadores de desempenho, a avaliação econômica, a estimativa de água consumida não medida, a interpretação da mínima vazão noturna e seu uso, o controle de pressão e as perdas nas unidades consumidoras;
1994-1998 – Inglaterra – Seção de Descarga Constante e Variável (em inglês: Fixed and Variable Area Discharge – FAVAD, para avaliação de perdas reais). Os conceitos BABE e FAVAD, definidos no Item 3.4 – Métodos para Avaliação de Perdas Reais, tem sido aplicados nos projetos e estudos de redução de perdas nos seguintes países: Austrália,
Áustria, Bahamas, Bolívia, Bósnia, Brasil, Canadá, França, Gana, Grécia, Japão, Jordânia, Kazaquistão, Malásia, Malta, Nova Zelândia, Noruega, Omã, Palestina, Filipinas, Arábia Saudita, África do Sul, Inglaterra e Estados Unidos (LAMBERT, 2002);
1996-2000 – Força Tarefa – Introdução de terminologia padrão e Melhores Práticas para análise de índices de performance e Perdas Reais Anuais Inevitáveis (PRAI) (em inglês: Unavoidable Annual Real Losses – UARL) – IWA; e 2001 – Alemanha – International Report – IWA (atualizaram os métodos para avaliação de perdas, e definiram as melhores práticas para análise de indicadores de performance em sistemas de abastecimento de água);
2002 – Princípios para cálculo do Nível Econômico de Perdas: atualização da bordagem apresentada no Report A – Key principles in the economic level of leakage calculation referente aos 9 Informes da Managing Leakage – WRC (destaca-se a iniciativa do Nível Econômico de Vazamentos envolvendo métodos para determinação do balanço entre custos e benefícios do gerenciamento de perdas reais).
No Brasil Arikawa (2005), cita que vários programas de redução de perdas foram implantados pelas Prestadoras de Serviços de Saneamento públicas e privadas desde a conscientização da sua importância, entre eles destaca-se a implantação do Plano Nacional de Saneamento (PLANASA) em 1969, com investimentos consideráveis e a constituição da Comissão Nacional de Controle de Perdas pelo Banco Nacional de Habitação (BNH). Depois de 1984 foi complementada a Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (AESBE) uma Câmara de Desenvolvimento Operacional, cuja finalidade é apoiar e incentivar programas dirigidos à redução das perdas e otimização operacional dos sistemas de abastecimento de água. Em seqüência a revisão histórica dessa autora, destaca vários seminários, reuniões e projetos que foram criados, tais como:
Seminário de Macromedição, realizado em 1980, no Rio de Janeiro, com a participação das Companhias Estaduais de Saneamento;
A campanha para redução de perdas incentivada pelo BNH acabou dando origem ao Plano Estadual de Controle de Perdas (PECOP), implantado em 1981, com o objetivo de reduzir o volume perdido, bem como identificar e eliminar os fatores que ocasionam as perdas; Em 1984, o PECOP sofreu reformulações em sua abrangência, dando maior ênfase na
ação global de planejamento, controle e desenvolvimento da operação, originando o Programa de Controle e Desenvolvimento da Operação (PEDOP);
Em 1995, criação do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS) pela Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades (SNSA), por meio do Programa de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS). O SNIS constitui um diagnóstico contendo informações coletadas e indicadores de desempenho, referentes a uma amostra de Prestadoras de Serviços de Saneamento. Além do Diagnóstico, são também produtos do SNIS: a série Visão Geral da Prestação de Serviços de Água e Esgotos, e o Aplicativo da Série Histórica;
Em 1997, o Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água (PNCDA), financiado pela União, foi desenvolvido pela Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República (SEDU/PR), por intermédio de convênio firmado com a Fundação para Pesquisa Ambiental da Universidade de São Paulo. O convênio teve como escopo a realização de estudos especializados e a organização de um conjunto de 16 Documentos Técnicos de Apoio (DTA) as atividades do Programa, nas áreas de planejamento das ações de conservação, de tecnologia dos sistemas públicos de abastecimento de água e de tecnologia dos sistemas prediais de água e de esgoto;
Em 1998, a Fase II do PNCDA incluiu a produção de mais 4 DTAs;
Em 1999-2000 foi desenvolvido o Programa de Qualificação e Certificação em Detecção de Vazamentos Não-Visíveis de Líquidos sob Pressão, pela Associação Brasileira de Ensaios Não-Destrutivos (ABENDE) e pela Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (AESBE);
Seminário Internacional sobre Programas de Redução e Controle de Perdas em Sistemas de Abastecimento de Água, realizado em 2002 no Recife – PE, pela Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano (SEDU/PR) por meio do Programa de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS).