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wayfinding e o ambiente hospitalar

4.1 Histórico dos estudos sobre comportamento informacional

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Este capítulo apresenta conceitos referentes comportamento informacional humano. Para tanto, descreve um breve histórico pontuando os estudos da área nas Ciências da Informação esclarecendo os principais paradigmas pelos quais os estudos passaram. Em seguida são descritos conceitos de necessidade informacional e sua inserção nos estudos do comportamento informacional.

Posteriormente o processo do comportamento informacional é apresentado a partir da procura (seek), busca (search) e uso da informação. Por fim, o modelo conceitual de Wilson é descrito para o entendimento da necessidade de resolução de um problema, o qual é exemplificado na resolução de um problema de

wayfinding em hospitais.

4.1 Histórico dos estudos sobre comportamento informacional

Consciente ou inconscientemente estamos sempre nos deparando com e assimilando algum tipo de informação. Desde o momento que acordamos, que tomamos nosso café da manhã, que vamos ao trabalho ou à escola, quando lemos um jornal, um livro, ou um site qualquer na internet. Em todos esses momentos estamos sendo alimentados com informações visuais, verbais, táteis, olfativas e auditivas, de forma passiva ou ativa (elas vêm até nós ou procuramos por elas). Assim, diante de cada informação que recebemos reagimos de alguma forma, ou seja, temos um determinado comportamento.

O comportamento do ser humano diante da informação como campo de estudo não tem uma delimitação temporal certa. Embora alguns estudos sobre o comportamento dos usuários da informação tenham ocorrido no início do século XX, Wilson (2000) destaca que a pesquisa sobre o Comportamento de Busca Informacional Humano teve sua origem em 1948, com a Royal Society Scientific Information Conference. Isso se deve aos inúmeros trabalhos apresentados nessa conferência sobre como os usuários buscavam, liam, porque liam e usavam a informação (Wilson, 2000).

O autor acrescenta que, entre 1948 e o início da década de 1970, foram realizados estudos tentativa de explorar a necessidade de informação das pessoas, no entanto, estavam preocupados com o uso do sistema e não com o comportamento do usuário (Wilson, 2000). As mudanças que foram ocorrendo desse período em diante foram explicadas por Capurro (2003) em três paradigmas epistemológicos: o físico, o cognitivo e o social, sendo os últimos dois discutidos adiante (pg. 79 e 80). O paradigma físico (período entre 1948 e a década de 1970)

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foi baseado em teorias como a da Informação e cibernética5, implicando em uma analogia entre a veiculação física de um sinal e a transmissão de uma mensagem.

Em revisão de literatura sobre comportamento informacional Gasque e Costa (2010) identificaram sete características podem ser encontradas no paradigma tradicional (ou físico como descrito por Capurro):

1. Objetividade (informação com significado absoluto, constante, correspondendo à realidade);

2. Foco no sistema;

3. Usuário passivo (receptores de informação objetiva);

4. Trans-situacionalidade (tentativa de prever o comportamento dos usuários por meio de estatísticas e modelos que poderiam ser aplicados em várias situações);

5. Visão atomística da experiência, centrada na interação entre os usuários e os sistemas de informação;

6. Concepção comportamental privilegiando o comportamento externo (como contatos com fontes e usos de sistemas);

7. O caos, fundamentado na crença de que as pesquisas produzem

observações sistemáticas e padrões de comportamento para os sistemas de informação.

Tal posicionamento acabou por levar a um paradigma oposto e, a partir da década de 1980, mudanças significativas nos estudos dos usuários surgiram com uma perspectiva centrada na pessoa e não mais no sistema. Assim, o chamado paradigma cognitivo buscou “ver de que forma os processos informativos transformam ou não o usuário, entendido em primeiro lugar como sujeito cognoscente possuidor de ‘modelos mentais’ do ‘mundo exterior’ que são transformados durante o processo informacional” (CAPURRO, 2003, não p.). No mesmo sentido, Dervin e Nilan (1986) descrevem que os aspectos cognitivos envolvidos na resolução de um problema começaram a ser incluídos e, desta forma, os usuários passaram a ter um papel ativo na busca da informação. Essa nova forma de ver a informação, sob a ótica do usuário, foi chamada por Dervin e Nilan (1986) como uma abordagem “alternativa”, em oposição ao período anterior chamado de abordagem tradicional.

5 Ver Teoria da Informação de Claude Shannon e Warren Weaver (1949-1972) e cibernética de Norbert Wiener (1961).

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A análise da literatura evidenciada nas novas abordagens como o valor atribuído pelo usuário, o sense-making e o estado anômalo de conhecimento (cognitivo) possibilitou, conforme Gasque e Costa (2010), a construção do paradigma emergente (o qual foi descrito como cognitivo por Capurro e emergente por Dervin e Nilan, ambos dentro de uma abordagem alternativa).

Segundo as autoras, o valor atribuído pelo usuário estaria centrado na percepção que esse tem sobre a utilidade e o valor do sistema de informação. Já sense-making (de Dervin), de acordo com as autoras, corresponderia à maneira como as pessoas dão significado ao mundo e ao uso da informação nesse processo. E o estado anômalo de conhecimento, de Belkin, corresponderia à análise de como as pessoas buscam informações relativas a situações em que seu conhecimento é incompleto (GASQUE; COSTA, 2010, p.26). Com base nessas abordagens Gasque e Costa (2010) identificaram sete características encontradas no paradigma

emergente:

1. Subjetividade humana resultante de uma realidade que não transmite significado constante;

2. O construtivismo, onde o conhecimento não é visto como acabado, constituindo-se das interações do indivíduo com o meio pelo uso da linguagem;

3. A visão dos usuários como seres ativos, direcionados por seus próprios objetivos e capacidade de escolhas próprias;

4. A situacionalidade, a qual considera o comportamento informacional variável de acordo com a especificidade da situação;

5. A visão holística, pela qual os usuários devem ser compreendidos em um contexto social mais amplo, e os sistemas, como um dos elementos a que podem recorrer se querem informação;

6. O cognitivismo, baseado na crença de que as abordagens fundamentadas no comportamento e no desenvolvimento cognitivo podem contribuir substancialmente com a ciência da informação;

7. A individualidade sistêmica, em que se reconhece a emergência da inclusão dos valores individuais.

Assim, as pesquisas sobre o comportamento informacional na abordagem cognitiva estariam focadas em explicar as variações no comportamento

informacional de acordo com as características e atributos do indivíduo, bem como os processos nos quais está envolvido (PETTIGREW; FIDEL; BRUCE, 2001).

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Embora a perspectiva adotada tenha voltado o olhar sobre o sujeito (usuário da informação), o paradigma cognitivo passou a ser questionado. Isso ocorreu em virtude desse ter seus limites, de acordo com Capurro (2003, não p.), apoiados na metáfora (“parte pelo todo”) de considerar a informação como algo que está no mundo, separado do usuário, ou ainda por ver o usuário, como “sujeito cognoscente, deixando de lado os condicionamentos sociais e materiais do existir humano”.

Diante desses questionamentos no final da década de 1980 surge o

paradigma social, permanecendo ainda a abordagem cognitivista. Neste sentido, abordagens sociais foram desenvolvidas para lidar com os fenômenos do

comportamento informacional que se encontravam fora do âmbito de estruturas cognitivas (PETTIGREW; FIDEL; BRUCE, 2001).

Diversos pesquisadores discutiram as mudanças de ênfase dos aspectos apenas cognitivos para um contexto de interação cognitiva, social, cultural, organizacional, afetivo e de fatores linguísticos conforme revisado por Pettigrew, Fidel e Bruce (2001). Os autores identificaram (entre a década de 1980 e início dos anos 2000) três abordagens:

1. Cognitiva, a qual observa o comportamento do usuário considerando suas crenças e convicções sobre o mundo - ênfase no indivíduo;

2. Social, na qual prevalece o foco sobre os significados e valores associados aos aspectos sociais, socioculturais e sociolinguísticos do comportamento informacional - ênfase no contexto, e;

3. Multifacetada, a qual é composta por múltiplos pontos de vista no referente à compreensão do comportamento informacional - ênfase no indivíduo e contexto ao mesmo tempo (PETTIGREW, FIDEL & BRUCE, 2001).

Observa-se que discussões surgiram permeando a imprecisão

conceitual vinculada ao termo “comportamento informacional”. Isso porque alguns pesquisadores sugerem que há uma ligação do termo com teorias

comportamentalistas, já outros julgam que o termo é restrito diante da diversidade de subtemas dessa área (PETTIGREW; FIDEL; BRUCE, 2001). Aspecto latente

da revisão dos autores supracitados foi a identificação de que a busca e uso da informação ocorria por uma necessidade do usuário e, desta forma, seu entendimento precisava ser considerado.

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