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Capítulo III - A ESCOLA E SEUS DESAFIOS

2. Histórico e prestígio da escola

No ano de 1958 jovens amambaienses que acabavam de concluir o ensino primário (1º

ao 4º de escolarização), motivados pelo interesse em continuar estudos, reivindicavam,

juntamente com alguns pais, uma escola que pudesse lhes oferecer o Ginásio (atendimento

correspondente aos quatro anos finais do ensino fundamental atualmente). Em resposta a essa

demanda foi criada em 19 de abril deste mesmo ano a ―Sociedade Instrutiva Amambai Ltda‖,

por meio de iniciativa liderada por Ernesto Vargas Batista e João Portela Freire, que

organizaram um estatuto para manter a sociedade que ofertaria o Ginásio (Projeto

Pedagógico, 2011). Essa Sociedade iniciou a oferta do ensino reivindicado em um salão

cedido pelo Rotary Clube, atendendo a 25 alunos aprovados no exame de admissão ao

Ginásio18.

18

A organização das etapas de ensino que atualmente chamamos de fundamental, nesse período era

dividida em ensino primário e secundário, o ginasial se compunha do primeiro ciclo do ensino

O primeiro diretor da referida organização escolar foi o Padre Genésio Trevisan, que

também era professor de Latim. Além de Trevisan os primeiros professores foram: Walmir da

Rosa Peixoto, técnico em agrimensura, professor habilitado em Desenho e Matemática e

graduado em Ciências Econômicas e Direito; Joacir Machado, graduado em Ciências

Contábeis, que lecionava História; Ada Batista, formada no curso Normal, que lecionava a

disciplina Francês; Ernesto Vargas Batista, engenheiro civil, que lecionava a disciplina

Matemática; Aristeu Vargas de Aquino, médico, que lecionava Geografia; e Adail Araújo de

Freitas, que não tinha formação, mas lecionava Português.

Sobrinho (2009, p. 184) informa que

[...] o estabelecimento de ensino que funcionava sob a responsabilidade da

Sociedade Instrutiva Amambai, no ano seguinte passou para o Estado. No

dia 10 de agosto de 1960, o Diário Oficial publicou o Decreto n. 940, pelo

qual o Estado assumia o Ginásio, que passou a denominar-se Ginásio

Estadual Dom Aquino Corrêa.

Para conseguir a instituição do mencionado Decreto, um grupo de alunos da Sociedade

Instrutiva de Amambai, viajou até a capital do estado, a cidade de Cuiabá, liderados pelo

aluno Almiro Pinto Sobrinho. Acabaram conquistando o almejado Ginásio Estadual Dom

Aquino Corrêa. (Projeto Pedagógico, 2011).

Com a nova denominação, a escola homenageava o bispo cuiabano, cidadão

mato-grossense, que atuou como político e governador no estado de Mato Grosso, pois na ocasião

em que a escola foi criada completavam-se quatro que Dom Aquino Corrêa havia falecido.

A partir do decreto n. 606, de 30 de junho de 1976, o Ginásio passou a denominar-se

Escola Estadual de I Grau Dom Aquino Corrêa, e, em 1998, ganhou a atual denominação:

Escola Estadual Dom Aquino Corrêa (EEDAC).

Após atuar no salão oferecido pelo Rotary Clube, durante o seu primeiro ano de

funcionamento, em seguida a Escola funcionou, por pouco tempo, no prédio da Escola

Estadual Coronel Felipe de Brum19. Em seguida o Ginásio passou a se instalar num prédio

cedido pela prefeitura municipal, na região central da cidade, onde funcionou por trinta e

secundário, e era dividido em quatro séries. A matrícula no ginasial só era possível mediante

aprovação em exame de admissão – exame seletivo dada a falta de vagas para atender a toda demanda.

Esta estrutura foi definida pelo Decreto-lei n. 4.244 de 9 de abril de 1942 e se manteve até a Lei n.

5.692/71 que reformou a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação 4.024 de 20 de dezembro de

1961(Romanelli, 1983).

19

Esta escola é a mais antiga do município de AM, funcionando no local desde 1945, antes mesmo da

criação do município (1948), era denominada Escolas Reunidas de Amambai, e passou a ser chamada

Grupo Escolar Coronel Felipe de Brum em 1950, situa-se na área central da cidade.

cinco anos. A partir de 1995 passou a utilizar as instalações da Universidade Estadual de

Mato Grosso do Sul (UEMS) no município de AM (Projeto Pedagógico, 2011).

A importância social dessa Escola é amplamente reconhecida no município, pois

forneceu a escolarização fundamental para as elites locais (econômicas, políticas, culturais,

profissionais) e para pessoas que, vivendo em outras localidades, atuam em profissões

liberais, no Magistério Público, em Universidades brasileiras. O atendimento dessa Escola se

estendeu a diversas gerações de uma mesma família (de avós a bisnetos) — tem tradição na

sua área de atuação, sua contribuição na formação social e cultural é largamente reconhecida e

goza de grande prestígio na localidade.

No ano de 2010, a Escola se organizou para participar do desfile cívico em

comemoração ao aniversário do município (28/09), apresentando gerações de ex-alunos numa

mesma família (pais, avós e até bisavós) que haviam sido alunos da EEDAC. Trajariam estes

uma camiseta com os seguintes dizeres: ―Faço parte da família Dom Aquino‖. Porém, o

desfile foi cancelado devido ao mau tempo. Egressos de várias gerações se orgulham da

Instituição. Aqueles que adentram as instalações da Escola são recebidos com o seguinte

quadro:

Figura 4. Quadro de entrada do corredor da EEDAC.

Fonte: Registro da pesquisadora.

A atual diretora da escola, Vilma Oliveira da Cruz, também foi aluna da EEDAC. Em

depoimento a diretora rememorou o que segue:

Antes de estudar no Dom Aquino, estudei na escola particular Joel Martins,

que havia no município. Fui para o ensino noturno no Dom Aquino na

série. Lembro-me muito da cobrança dos professores, principalmente do

professor de Matemática, o professor Walmir. À época já era uma satisfação

estudar na Escola, pois eu sempre participava de fanfarras como baliza,

porta-bandeira e também pela qualidade do ensino que era evidente. Quando

tive meus filhos, não pensei outra coisa, senão que fossem alunos desta

Escola. Também iniciei a carreira profissional na EEDAC, primeiramente

como bibliotecária, depois secretária e hoje estou no terceiro mandato da

direção.

Almiro Pinto Sobrinho, um dos alunos fundadores da Escola, lembra que nos quatro

anos em que cursou o Ginásio havia muita dificuldade. Os próprios alunos se empenhavam

em conseguir pessoas da comunidade dispostas a exercer a docência, uma vez que faltavam

professores formados. No primeiro ano de funcionamento da Escola o pagamento dos

professores era advindo das mensalidades pagas pelos alunos. Como era difícil manter o

pagamento, reivindicaram que a escola se tornasse pública. O Poder Público autorizou o

funcionamento da Escola à tarde, mas as aulas ocorriam no período noturno, pois a maioria

dos alunos trabalhava durante o dia. Sobrinho diz ter sido de suma importância a oportunidade

que teve de frequentar essa Escola porque, na ausência dela, possivelmente não continuaria

seus estudos. Após concluir o curso no Ginásio Dom Aquino Corrêa, Sobrinho fez o curso

Técnico em Contabilidade, na cidade de Campo Grande (MS), e, em seguida, se graduou em

Ciências Econômicas. No município de Amambai, Sobrinho atuou em escritório de

contabilidade, como professor de Contabilidade, Organização e Técnica Comercial, foi

vereador por seis anos, foi Agente Regional de Educação (do sistema estadual de ensino) e

Vice-diretor da Faculdade de Amambai (FIAMA).

No contexto educacional municipal, a Escola é vista como referência para as demais

escolas locais. O seu trabalho pedagógico tem credibilidade e se expressa na grande procura

de pais pela matrícula para os seus filhos. A divulgação do desempenho da EEDAC no Ideb

acentuou o seu destaque local e estadual, assim como a demanda por vagas.

A partir do ano 2008, atendendo demandas de seus alunos, a escola passou a oferecer

também o ensino médio.