3 TERMO CIRCUNSTANCIADO
3.4 HISTÓRICO SOBRE A IMPLANTAÇÃO DO TERMO CIRCUNSTANCIADO NA
No Estado de Santa Catarina, o Termo Circunstanciado começou a ser lavrado já no ano de 1999 no âmbito de atuação especializada da Polícia Militar Ambiental, em razão de parceria firmada com o Ministério Público Estadual, sendo confeccionados os procedimentos em casos de infrações de menor potencial ofensivo contra o meio ambiente (PMSC, 2017).
A partir do sucesso na implementação da rotina de confecção do Termo Circunstanciado pela Polícia Militar Ambiental, que durante três anos lavrou 5.600 (cinco mil e seiscentos) procedimentos, aliado a ampla aceitação da população, Poder Judiciário e Ministério Público, no de ano de 2007 a Polícia Militar passa a promover a sua expansão, levando-o a Termo Circunstanciado a todas as suas Unidades (PMSC, 2017).
Conforme Oliveira (2013), o início da confecção do Termo Circunstanciado pela Polícia Militar Ambiental foi um importante passo para o processo de difusão para outros ramos de atuação da Polícia Militar, tanto é que inicialmente a confecção do procedimento foi estendido para os delitos de trânsito, no município de Pomerode e também no norte da ilha de Florianópolis.
Segundo Oliveira (2013), no ano de 2007 a lavratura do Termo Circunstanciado era debatida no II Encontro Catarinense de Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar. Na ocasião foram discutidas as questões jurídicas e também
compartilhada a experiência das Polícias Militares de estados que já adotavam essa prática, como o Rio Grande do Sul e São Paulo.
Ainda em 2007, a Polícia Militar Rodoviária catarinense também iniciou a lavratura do procedimento, o que segundo Lemle (2008 apud OLIVEIRA, 2013) rapidamente trouxe resultados, como por exemplo a diminuição de acidentes causados por animais soltos na estrada. Bastando a autuação rápida dos proprietários pelos animais através do Termo Circunstanciado, para que os fazendeiros começarem a tomar precauções para cercar suas áreas, evitando os acidentes.
Como já dito, é ainda no ano de 2007 que a Polícia Militar de Santa Catarina começa o processo de expansão de lavratura do Termo Circunstanciado para o todo Estado, movimento que ganha ainda mais força com a promulgação do Decreto nº 660, de 26 de setembro de 2007, pelo Governador do Estado de Santa Catarina (SANTA CATARINA, 2007), onde se estabeleceu:
Art. 1º O Termo Circunstanciado deverá ser lavrado na delegacia de polícia, caso o cidadão a esta recorra, ou no próprio local da ocorrência pelo policial militar ou policial civil que a atender, devendo ser encaminhado ao Juizado Especial, nos termos do art. 69 da Lei Federal nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. (Grifa-se).
Com a edição do Decreto disciplinou-se em nível estadual a atuação das Polícias Militar e Civil, esclarecendo como serão exercidas suas funções no tocante à lavratura dos Termos Circunstanciados, visando sempre proporcionar uma resposta mais célere à sociedade, o que é objetivo central da Lei 9.099/95 (BRASIL, 1995).
Inobstante o esclarecimento trazido pelo Decreto Estadual, a Polícia Militar por meio da Diretriz de Procedimento Permanente n. 37/2008/Cmdo Geral (SANTA CATARINA, 2008) regularizou a sua atuação no atendimento à população, orientando o registro de ocorrências policiais em documento apropriado no Sistema Integrado de Segurança Pública – SISP.
Assim, a Diretriz (SANTA CATARINA, 2008) define o Boletim de Ocorrência na forma de Termo Circunstanciado (BO-TC) como sendo:
Documento operacional destinado ao registro e encerramento de ocorrência de infrações de menor potencial ofensivo. Será lavrado pelo policial militar que primeiro tiver conhecimento do fato, nos termos da Lei n.° 9.099/95, autuado por um Oficial Gestor e remetido ao JECrim, obedecendo o prazo definido por este - ou arquivado na Seção Técnica de Boletins de Ocorrência, quando for o caso, e por indicação do JECrim).
Além da Diretriz mencionada, o procedimento adotado pelos Policiais Militares também é orientado pelo Procedimento Operacional Padrão – POP de n. 305.2, que inclui a
fundamentação legal e doutrinária para atuação do policial e indica as sequências de ações a serem adotadas para registro da ocorrência, incluindo orientações com relação ao direito representação e o compromisso para comparecimento ao Juizado Especial Criminal (PMSC, 2011).
Dito isso, passa-se a apresentação da rotina consolidada de lavratura do Termo Circunstanciado pela Polícia Militar de Santa Catarina.
3.5 TERMO CIRCUNSTANCIADO COMO ROTINA CONSOLIDADA NA POLÍCIA MILITAR DE SANTA CATARINA
Comentando o tema Silva Júnior (2015) afirma que com a lavratura do Termo Circunstanciado pela Polícia Militar se inicia um novo cenário, no qual existe um canal de comunicação direto entre os policiais que atendem a ocorrência e o Poder Judiciário e o Ministério Público.
Com a experiência de lavratura do Termo Circunstanciado desde o ano de 2007, a população passou contar com um serviço de atendimento mais ágil, trazendo inúmeros ganhos à sociedade, pois, a vítima passa a ter uma resposta mais rápida a sua demanda, que logo é encaminhada ao Judiciário. Da mesma forma, o autor dos fatos percebe as consequências dos seus atos de forma mais eficiente, pois ainda no local de atendimento da ocorrência assume o compromisso de comparecer ao Juizado Especial Criminal.
O aspecto pedagógico da atuação no local dos fatos merece destaque, pois o conhecimento, ainda no local dos fatos, sobre os desdobramentos e implicações decorrentes da conduta, tem poder de reduzir a sensação de impunidade. Tanto é assim que após a lavratura do procedimento pela Polícia Militar alguns Batalhões observaram a redução do número de infrações de menor potencial ofensivo, devido a aplicação do “ciclo completo de polícia” (PMSC, 2009).
Nesse sentido, segue notícia veiculado na página da Polícia Militar (PMSC, 2009):
De maneira geral, a partir da lavratura de TC pela PM houve redução de mais de 16.500 atendimentos policiais relativas aos crimes e contravenções considerados infrações de menor potencial ofensivo. [...] Com a lavratura do TC pelos militares no local dos fatos, ainda houve considerável redução das chamadas condutas de ‘violência policial’, decorrente dos casos de resistência, desobediência e/ou desacato e que, em alguns casos, acaba implicando em abuso de autoridade pelo policial, normalmente resultante do grau de alteração psicológica das partes envolvidas nos fatos, exigindo uma ação mais enérgica dos policiais. Ocorrências dessa natureza sofreram uma queda de mais de 61%.
Não bastasse a celeridade dadas as demandas de menor potencial ofensivo e a redução no número de procedimentos, o que vai ao encontro dos objetos delineados pela Lei dos Juizados Especiais, o tempo de em que a viatura fica empenhada na confecção do procedimento também foi reduzido, pois antes era necessário o deslocamento da guarnição até uma Delegacia, o que aumentava o tempo em que os Policiais Militares se afastavam das ruas.
Com relação a realidade sobre o tempo em que uma viatura fica empenhada para registro e o ganho para a sociedade, explica-se que:
Nos municípios onde há plantão policial, não mais que 30 dos 293 municípios catarinenses, o tempo médio que uma guarnição PM fica empenhada é de 02 horas, isto quando não há outras guarnições na frente. Foram constatados casos em que uma viatura ficou empenhada mais de 04 horas. Em todas as duas situações a viatura ficou fora de sua área de atuação, de seu bairro. Agora, com o TC sendo lavrado pela Polícia Militar, a viatura fica na sua área de atuação e o tempo médio de empenho da guarnição é de 30 minutos. Já nos municípios onde não há plantão da Polícia Civil, há a necessidade da Guarnição deslocar, com a vítima, o autor e as testemunhas até o município mais próximo onde haja plantão policial. Existem casos em que esta distância por vezes supera os 40, 50 quilômetros. Nestas situações o tempo médio de empenho é de 03 a 04 horas. Nos municípios pequenos são 03 ou 04 horas que toda uma população fica desprotegida, pois nestes municípios, em regra, há apenas uma guarnição PM de serviço. Sem mencionar o desconforto e o desgaste para o cidadão envolvido na ocorrência. Agora, com o TC sendo lavrado pela Polícia Militar, o tempo médio de empenho será de 30 minutos e a guarnição permanecerá no município. (PMSC, 2017).
O ganho no tempo de resposta para a população e a diminuição do tempo que uma viatura fica empenhada para lavratura de um procedimento criminal de menor potencial ofensivo, evitando-se o deslocamento de todos os envolvidos para à Delegacia responsável, que como mencionado em muitas ocasiões fica fora do município onde está sendo atendida a ocorrência, aliada a padronização dos procedimentos e o treinamento que os policiais recebem para atender esse tipo de demanda, levaram a consolidação desta prática no Estado.
Para melhor compreender este cenário, passa-se a apresentar o panorama das lavraturas dos Termos Circunstanciados pela Polícia Militar no Estado de Santa Catarina e na cidade Tubarão/SC.
3.6 PANORAMARA DAS LAVRATURAS DOS TERMOS CIRCUNSTANCIADOS