~3 Material e Metodos
4.4 Histologia da Medula Espinhal
A medula espmhal tonlclca balxa e lomba-sacral [01 removlda dos 18 ammals deste estudo
Os sels arumalS do Grupo I (sem clampeamento aortlco) eram normals do ponto de vIsta neurologlco, e a mlcroscopla optlca mostrou que os neuromos motores locahzados no como antenor de suas meduJas espmhms ttnham aspecto normal, sem eVldencla de lesao Isquemlca a medula esplnhaJ (FIgura 14)
FIGURA j4 MlCroSCOplOOptlCOdo ~lIbst6nclQ c1I1zenlo da lIledula esp1l1hol de !1mdos an/mats do Grllpo I (sem clamoeamenta oorllco) mostrando ospeclo hl~tologlco normol (Hemaloxz!1I1o-eoszna, aWllento de 400x)
EfelfOS do Oc/usaa da Aorla Taraclco e do Drenagem do Llqurdo Cerebra Espmhal no Pressiio de
Pelfusoo..Arrerla[ do Medula Espmhal e noIncIdenC1Q de Paraplegra em Ciies 1iabalho &pe.r1menral 40
4 Resultados
Dos selS arumals doGrupo
n
(com clampeamento aortlco), CinCOapresentaram paraplegIa espastlca com ausencla de mOVlmento nos membros lI1fenOles (Tadoy=
0), e a Illicroscopla optlca de suas medulas espmhals rnostrou lIlfarto caracterizado par degeneracao da substancla cInzenta, hcmorragla e morte dos neuromos motores do como antenor da medula espmhaJ (Flgula 15) Em urn dos arumals do Grupon
que apresentou paraparesla cal actenzada par boa capacldade pal a mOYlmentar os rnembros mfenOi es mas mcapacldade de mantel -se em pe (Tarlov=
2), a I11JcroscopJa6ptlca da medula espmhal rnostrou lesao neuronal de menor extensao quando cornparada ados arumals que ficaram parapleglcos.
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FIGURA 15 M/croscopla opt/ca da subst!incw cmzema da medula espll1hal de um dos ammals do Grupo Il (com clampeamento a6rtlco e mill drenagem do LCE) que apresen/ou pm aplegw apos 60 mll1utos de oclusiio da aorra toraC1CO ob>erva-se degenero9iio dos neuromos do co/no an(erlOI com lsquemw do tecldo newal c/rcunvrzmho (HematoxrlrnQ-eos1I1o, oume/lto de 400x)
Efeltos do Oclusao do 40'£0 Toroclco e do Drenagel'n doJ...AqUldo Cerebra Espmhal na Pressao de
PerfusGoArrerral do Medula Espmhal e no lncldenclo de Paraplegia em Caes Trabalho Expenmenlal 41
4 Resultados
Os sels ammals do Grupo ill (drenagem do LCE segUJda de clampeamento a6rtlco) eram tambem normals do ponto de vista neurologlco, e a rrucroscopla optlca mostrou que os neuromos motores locahzados no como antenor de suas medulas espmhals t1l1ham aspecto normal, sem eVldencla de lesao Isquerruca a medula espmhal (Flgura 16)
FIGURA 16 IvhclOSCOplGoptlca da subs/anclO cznzen/a da meclula esp1l1hal de um dos a1711llGiS do Grupo III (drenagem do LCE segUlda de clamoeamento aOI fico) mas/rando aspecfo hlSfologlco normal (HemafoxI11I1a-eos1l1a, aumen/o de 400x)
Ejelfos do Oclusiio do Aorta Tarac/co e do Drenagem do LlqUldo Cerebra Espmhal no Pressao de
PerfusaoArrena/ do Medu/a E.sprnhal e no Incldenclo de ParaplegIa em Cae! Trobalho Expenmental 42
5 DISCUSSAO
-5 Discussao
~ 5 Discussao
Atualmente, a paraplegia causada por Isquenua da medula espmhal e uma das comphcayoes mals tenudas apos 0reparo dos aneunsmas da aorta toracoabdonunal A taxa de paraplegia vana de 6,5% a 40% em van as grandes senes da I1teratura, dependendo da extensao do envolVimento a6rtlco no processo aneunsmatlco, da presenya ou ausencla de dlSSeCyao, e do tempo declampeamento da aorta (HOLLIER, 1987, CRAWFORD et al , 1973, LIVESAY etal, 1985, HOLLIER etal, 1992,LASCHINGERetal, 1987,CRAWFORDetal, ]981, SVENSSON et al , ] 993, KATZ et al , 1981)
A mJuna a medula espmhal que ocorre nos paclentes submetldos ao reparo dos aneunsmas da aorta toracoabdommal e causada por vanos fatores como a trombose ou embohzayao de artenas mtercostals critlcas, mterrupyao permanente de urn vaso Importante na rrngayiio da medula espmhal e, pnnClpalmente, pela lsquenua prolongada da medula espmhal durante 0periodo declampeamento a6rtlco, uma vez que a artena de AdamlaeWlcz (ou artena radicular magna, que e a pnnclpal artena a Imgar a medula espmhal) fica sltuada dlstalmente aoclamp utulZado para oclUlr a aorta tonlclca Esta condlyao e causada pela queda da pressao de perfusao artenal da medula espmhal (PPME) durante 0 periodo de clampeamento aortlco, que e defiruda como a pressao media na artena femoral (pAF) subtralda da pressao media do liqUldo cerebro-espmhal (PLCE) (HOLLIER, 1987, McCULLOUGH et ai, ]988)
Infehzmente nao eXlste, ate 0 momento, nenhum metodo cliruco ou expen-mental que dlnunua conslstentemente a mCldencla desta comphcayao, razao do mteresse que tlvemos em desenvolver urn modelo expenmenta] que causasse lesao neurologlca em uma grande porcentagem dos aruIDaiSsubmetldos ao clampeamento aortlco Uma vez obtldo tal modelo, poder-se-Ia entao mvestlgar a eficacla de metodos expenmentals de proteyao a medula esplnhal durante 0 cIampeamento da aorta (como a drenagem do hqUido cerebro-esplnhal) slmplesmente comparando-se a mCldencla de paraplegia em caes clampeados e nao-protegldos (caes do Grupo IT) a mCldencla de paraplegia em caes clampeados e protegldos pelo cltado metOda ("dt:::. do Grupo ill)
Este estudo demonstrou que 0 modelo canmo em questao fOi eficlente em a6rtlco) apresentaram lesao neurol6glca (cmco arumals apresentaram paraplegia espastlca e urn arumaJ apresentou paraparesla), enquanto a mCldencla de lesao neurologIca nos ciies do Grupo I (sem clampeamenlO a6rtlco) e Grupo III (drenagem do LCE segulda de clampeamento a6rtlco) fOIde 0% Alem dISSO,0presente estudo confirmou as altas taxas de paraplegia ObtldaSem outros trabalhos que utlhzaram modele caruno e tempo declampeamento
Ejenos de Oclusiio do .Aorta Toraclca e do Drenagem doLIOUldo Cerebro-upmhal no Presseo de
Per]1isiioAnena/ do Medula Espmhal e nofrcldenclo de ParaplegIa em Ciies Trabalno Erpenmental "44
5 Dlscussiio
aortlco semelhantes ao do estudo em questao (McCULLOUGH et a! , 1988, BOWER et al 1989, GRANKE et ai, 1991)
A pressao media de perfusao artenal da medula espmhal (PPME) nos caes do Grupo
n
fOl slgmficatlVamente menor que nos caes do Grupo I (Gnifico 4) por baslcamente duas raz6es a queda na pressao da artena femoral (PAF) (Gnmco 2) e a elevar;;ao na pressao do liqUido cerebro-espmhal (Grafico 3) observadas em decorrencla do clampeamento da aorta toniclca durante 60 nunutos Esta dlnunUlr;;aona pressao media de perfusao artenal da medula espmhal (PPME) durante 0tempo derfampeamento da aorta ocaSlOnou a morte dos neuromos motores do como antenor da medula espmhal e 0defiCit neurologIco nos ammals do Grupo IIUm fator Importante que pode estar relaclOnado a esta dlnunulr;;ao na pressao de perfusao artenal da medula espmhal (PPME) e 0 aumento da pressao do liqUido cerebro-espmhal (PLCE) que ocorre durante 0 clampeamento da aorta Estudos expenmentals mostraram urn aumento na pressao do hqUido cerebro-espmhal (PLCE) durante 0 penodo de clampeamento da aorta, vanando de 30% a 100% dos valores de base (MIYAMOTO et ai,
1960, BLAISDELL et at , 1962, OKA et al , 1984)
Vanos mvestlgadores tern estudado 0 efelto da drenagem do hqUido cerebro-espmhal na prevenr;;ao da paraplegia durante a oclusao aortlca MIYAMOTO et at (1960) e BLAISDELL et al (1962) demonstraram em caes que a drenagem do hqUido cerebro-espmha!, antes do clampeamento da aorta toniclca, podena dlnunUITslgmficatlvamente a mCidencla de paraplegia
SVENSSON et al (1986) deterrrunaram, em babumos, que a drenagem do IiqUidocerebro-espmhal, somada ao uso de papavenna mtrateca!, prevemu a paraplegIa Nesse estudo, entretanto, apenas a drenagem do hqUido cerebro-espmhal atraves de lanunectonua falhou na prevenr;;ao da mJuna a medula espmhal Da mesma forma, WADOUH et al (1984) falharam em mostrar 0 efelto protetor da drenagem do hqUido cerebro-espmhal em sumos
Devtdo a estes resultados confhtantes, 0 presente estudo fOI reahzado para deterrrunar se a drenagem do hqUido cerebro-espmhal podena aumentar a pressao de perfusao artena! da medula espmhal e prevemr a ocorrencia de paraplegIa apos clampeamento da aorta toraclca em caes durante 60 nunutos A temperatura fOl cUidadosamente momtorada durante o expenmento porque VACANTI et al (1984) demonstraram que uma redur;;ao de apenas 3°C durante 0 penodo de Isquenua da medula espmhal em coelhos fOl suficlente para aumentar a tolerancla da medula espmhal it. mJuna Isquenuca
Nosso estudo demonstrou que a drenagem do hqUido cerebro-espmha! fOl efiCiente em dlillillUIfslgruficatlvamente 0indlce de lesao neurologlca (paraplegIa) apos oclusao da aorta toraclca em caes 0efelto protetor fOIdevtdo it.reduyao na pressao do hqUido cerebro-espmhal (PLCE) nos ammalS do Grupo ill (Grafico 3), com 0 consequente aumento na sua pressa-o de p6"+:'s-ao~"'6n~1 A~~6Aula osn'n.haJ'-'11i.1 U1 ,-I.."IU.l uu. HI""' ... "" pu J \1.ropME) (Grarh~n 4)J."-'V AL UlAr6n~no~ An,",U'""S""',UI UV l:LJ.q",An\ •.u ....v
cerebro-espmhal real,zada antes do clampeamento aortlco aumentou a pressao media de perfusao artenal da medula espmhal (PPME) de 16,33 :t2, I mmHg nos dles do Grupo II (com clampeamento aortlco e sem drenagem do LCE) para 34,52 :t 1,52 mmHg nos caes do Grupo ill (drenagem do LCE segUida de clampeamento aortlco) (Grafico 4), este aumento
EJeltos do Oclusiio do 40rIa Toraclca e do Drenagem do Llqwdo Cerebro-Espmha/ no Pressiio de
PerfusaoArrenal do lvledu/a Espmhal e nafncldenclo de Paraplegia em Ciies TroDolho Erpenmenral 45
5 D,scussiio
na pressao medIa de perfusao artenal da medula espmhal (PPME), durante 0 tempo de clampeamento da aorta, manteve a v1ablbdade dos neuroruos motores do como antenor da medula espmhal e eVltou a ocorrenCIa de paraplegia nos dies do Grupo ill
A pressao medIa de perfusao artenal da medula espmhal (PPME) nos caes do Grupo II durante os 60 mmutos de clampeamento aortlco [01de 16,33 :t2, I mmHg (14,51 :t 0,9 mmHg nos caes parapleglcos e 25,42 mmHg no cao que apresentou paraparesla) Nos caes do Grupo I [01 de 95,07 :t 1,62 mmHg, e nos caes do Grupo ill[01 de 34,52 :t 1 52 mmHg Esses dados mostram que a pressao medIa de perfusao artenal da medula espmhal (PPME) teve boa correlayao com 0estado neurol6g1co dos anUniliSobservados 24 a 72 horas apos 0 expenmento Uma pressao medIa de perfusao artenal da medula espmhal (PPME) malOr que 30 mmHg [01necessana para a manutenyao da VlabllIdade dos neuroruos do como antenor da medula espmhal uuhzando-se 0 modelo caruno em questao e durante os mtervalos de tempo ana!Jsados neste estudo
Baseados nos dados do nosso estudo, a morutonzayao e drenagem do liqUldo cerebro-espmhal parecem ser atratlVas no maneJo de paclentes portadores de extensos aneunsmas da aorta toracoabdorrunal que necessltem de tratamento clrurglco Embora a drenagem do liqUldo cerebro-espmhal nao restaure a pressao de perfusao artenal da medula espmhal aos ruvels normalS, ela causana urn aumento na pressao de perfusao da medula que podena prolongar 0 tempo de tolerancla da medula espmhal a lsquemla causada pelo clampeamento da aorta toraclca, perrrutmdo mals tempo para que a operayao [osse reahzadada e, provavelmente, dlmmumdo as taxas de paraplegIa pos-operatona num grupo seleclOnado de paclentes