6 CONSELHO ESCOLAR: UM ORGANISMO COLEGIADO DE DIFERENTES SEGMENTOS
7.1 Historiando e Delimitando o Campo de Estudo
A fase exploratória de campo, principalmente quando se trata da pesquisa qualitativa, torna-se fundamental a interação entre o pesquisador e os sujeitos pesquisados. De acordo com Minayo (1995, p. 89)
O prévio reconhecimento dessa importante relação desvenda os aspectos da dominação implícita na prática da investigação social. Dessa forma, o impacto resultante do pertencimento a outra classe é um dado condicionante da pesquisa, junto a todos os outros.
Esse prévio reconhecimento pode ser aprofundado mediante aplicação de questionários e entrevistas à comunidade escolar, entendendo esta como pais, alunos, funcionários, gestores e sociedade civil.
A realidade institucional pesquisada, a priori, de forma documental, foi o Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente – CAIC – Maria Felício Lopes, situado na Rua 20 de Julho, 480, no bairro Vicente Pinzon, construído no primeiro mandato do governador Tasso Ribeiro Jereissati, na gestão do secretário de Educação do Estado do Ceará, Antenor Naspolini. Essa construção foi resultado da colaboração entre o Ministério da Educação e Cultura e o governo do estado. Em sua realização foi utilizado um empréstimo da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional, com o aval do BIRD.
O Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente recebeu, pela comunidade, o nome da educadora Maria Felício Lopes, professora de algumas escolas da região, inclusive tendo sido, por último, diretora de outra escola vizinha de nome Escola de Ensino Fundamental e Médio Deputado Manoel Rodrigues, onde trabalhou como professora durante muito tempo. Criado pelo Decreto no 24.263 de 12 de novembro de 1996, com publicação no Diário Oficial do Estado de 14 de novembro de 1996, está situado nas dunas do bairro Vicente Pinzon, mais conhecido popularmente como Castelo Encantado, cercado por diversas favelas do Mucuripe, Farol, Serviluz, Praia do Futuro, Conjunto São Pedro, Baixada e Conjunto de Santa Terezinha.
O CAIC iniciou seu funcionamento no dia 3 de março de 1997, com o ensino fundamental e médio, contando com cerca de 1.200 alunos matriculados nos três turnos. Possui 12 salas, todas bem arejadas e com tamanho para comportar 50 alunos.
Em 1997, foi implantado, juntamente com o CAIC, o sistema de telensino, funcionando, no turno da manhã, com três turmas de 5a série e duas turmas de 6a série, e no turno da tarde, com mais três turmas de 7a série e duas de 8a série, no qual o professor foi denominado orientador de aprendizagem.
Teve como primeiro diretor José Holanda Costa e como assessores Aury Pereira de Assis e Regina Maria Silveira Pereira, mais a secretária Joselina Soares Bulcão. A seleção e a indicação dos dirigentes do CAIC, bem como dos servidores terceirizados, tirados por análise de currículos dentre os moradores da comunidade, foram feitas pelo CREDE 21 e pela SEDUC.
Holanda Costa ficou na direção do centro desde sua implantação até dezembro de 2004, quando repassou o cargo para a coordenadora pedagógica a fim de que ela participasse das eleições de diretores de 2004. O núcleo gestor do ano de 2004 sofreu muitas mudanças, ficando apenas do grupo inicial a coordenadora pedagógica Helena Loyola, que concorreu às eleições e ganhou, porém não assumiu por responder a processo de sindicância contra sua participação na gestão anterior.
O CAIC – Dunas, como é conhecido, funciona hoje com cerca de 130 colaboradores, entre professores, funcionários, pessoal de serviços gerais, merendeiras e vigilantes e com 1.200 alunos matriculados e distribuídos nos três turnos.
Além de trabalhar com diversas modalidades de ensino, tais como: educação infantil, ciclos, tempo de avançar fundamental e médio, ensino fundamental convencional, ensino médio, ainda tem uma creche, com dois berçários, para crianças a partir de quatro meses de idade. Também funciona em suas dependências um Núcleo de Atendimento Especializado, que atente a criança com necessidades especiais, contando com dois psicólogos, dois fonoaudiólogos, dois terapeutas ocupacionais, dois assistentes sociais e sete psicopedagogas.
O CAIC conta também com um consultório odontológico completo, faltando apenas os profissionais para o devido atendimento à comunidade local que tanto necessita de assistência odontológica.
De acordo com seu projeto pedagógico, o CAIC está voltado para a formação integral de maneira equilibrada nos aspectos físicos, cognitivos, morais e éticos, vislumbrando a cidadania como condição primordial para enfrentar os desafios do novo milênio.
Como suporte para o pleno desenvolvimento de suas atividades, o CAIC, dispõe, além do ginásio coberto poliesportivo, de um centro de multimeios com laboratório de informática e sistema de banda larga on-line de internet; um laboratório de ciências; uma sala de vídeo; uma minigráfica; uma ampla biblioteca para a prática de leitura e pesquisa e um auditório.
Como Escola Viva, que se constitui em um núcleo de interação social com a comunidade, o CAIC não se restringe apenas à educação formal e tradicional, mas também se preocupa com outras atividades lúdicas, sociais, culturais e esportivas, como as diversas modalidades de esporte, música, dança moderna, balé, teatro, artes marciais e ainda cursos profissionalizantes nas áreas de hotelaria, turismo e informática, tudo isso com parcerias de diversas instituições.
O trabalho burocrático é desenvolvido por doze funcionários distribuídos nos turnos da manhã, tarde e noite.
O conselho escolar é formado por um presidente, um vice-presidente, um secretário, um tesoureiro e o diretor geral, que é membro nato, além de representantes de cada segmento, sendo um membro titular e os outros dois suplentes.
O conselho escolar foi criado em 1997, através de eleição, objetivando promover a democratização da escola pública, mediante a participação de todos os segmentos da comunidade escolar, e assim contribuir para alcançar melhores níveis de qualidade e desempenho do ensino público estadual. A última eleição foi realizada em 26 de agosto de 2002, tendo sido promovida, por uma comissão designada para esse fim, reuniões com todos os segmentos para esclarecimentos e informações a respeito do conselho escolar e sobre quem poderia participar dele. Os trabalhos foram dirigidos pelo membro nato, o diretor geral da escola, que, após o resultado da votação, anunciou para a comunidade escolar os eleitos no processo.