• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO IV – DISCURSOS E SENTIDOS SOBRE A HOMOFOBIA

4.1.2 Sentidos contra a homofobia

A partir dos discursos observados por meio da videografia e transcrição de falas dos grupos focais realizados, pudemos perceber , no plano do dito e explícito, como a maioria dos discursos dos docentes em estudo ante à homofobia tende a significar-se contra ela. Por mais forte e em certo aspecto, bem estabilizado, que sejam os discursos homofóbicos, inclusive aqueles novos, mobilizados em função de estabilização, os discursos dos tempos atuais apontam para um ensino público em que o respeito à dignidade humana, aos direitos humanos em educação. Embora o discurso dos direitos humanos não esteja consolidado na escola, ainda preponderando o discurso preconceituoso em muitas delas, o “Universo conspira em função dos Direitos Humanos” e as ações em função da diferença vem se ampliado cotidianamente.

Ancorando-nos em Fairclough (2008), entendemos que os discursos e práticas discursivas numa escola são complexos, heterogêneos e, sobretudo, contraditórios. No caso em estudo, as ordens em função do combate e/ou superação da homofobia, tendem a estabilizar-se e mover-se em função dos direitos do sujeito na sua “estranheza”. A

ordem do discurso, ultimamente, favorece a reprodução do sujeito social, sujeito esse, que a princípio, mesmo em plano do dito, deve tomar o politicamente correto enquanto verdade.

Para esse autor, as mudanças discursivas ocorrem mediante a ratificação ou mudança dos elementos de ordem discursiva, atuantes na dinâmica da relação entre as práticas discursivas. Consoantes a isso, as práticas discursivas do hoje, são aquelas em que o senso comum e o discurso acadêmico estão cada vez mais voltados para uma cidadania, um desenvolvimento social em que ser homofóbico, racista, machista e etc. não está na ordem do dia.

Quando apresentamos essa perspectiva otimista, que reforçamos com dados da pesquisa, não estamos negando a dificuldade de se respeitar à diferença e humanizar o ensino no contexto educacional brasileiro, tão pouco afirmar que não existe homofobia explícita no discurso do professor pernambucano, porém, temos a clareza de que a homofobia e demais preconceitos estão sendo postos em xeque, e os “cuidados discursivos” para não ser politicamente incorreto, tem crescido vertiginosamente. Além disso,é preciso atentar para a necessidade de termos instrumentos potenciais para uma ação afirmativa na educação, muito já se sabe do que se tem de negativo da escola, porém, pouco se fala, pouco se tem de instrumental para que essa mesma escola tenha condições de combater práticas discursivas homofóbicas.

Somado ao que fora exposto, trazemos para ratificar nosso discurso as análises feitas em nosso corpus de pesquisa, onde, entre outras coisas, pode-se observar: o que está em movimento, em processo de ruptura, deslocamento em relação ao que está cristalizado, aos discursos parafrásticos.

Agora nos interessa mostrar os discursos cristalizados e aqueles que se movimentam na contradição, em prol do combate à homofobia no âmbito escolar, o

discurso do respeito à diferença, humanização do ensino e o discurso da aplicação das leis e diretrizes curriculares que apontam o trato com a sexualidade como essencial para o ensino, bem como os discursos que estão em movimento e que tendem a estabilização quando do combate à homofobia, o discurso da mídia como aliada, o discurso da desconstrução do discurso religioso e machista, da formação continuada em direitos humanos dos pais, alunos e professores, e dos discursos da educação como direito humano e educação em direitos humanos, bem como do discurso da criminalização da homofobia.

4.1.2.1 Discurso midiático contraditório

O discurso pedagógico da escola é influenciado também por diferentes discursos nos dias atuais, em particular, pelos discursos midiáticos. Vale dizer que esses discursos midiáticos, parte deles, estão em consonância com o discurso religioso e seus valores cristãos, hoje difundidos por programas e/ou canais de televisão cristã, e como são de domínio público, são contrários, formalmente, à diversidade sexual. Não há como evitar que isso influencie os discursos na escola e, portanto, professores e alunos.

Esses discursos,no entanto, em sua regularidade, não são homogêneos, embora sejam hegemônicos. Há nas mídias discursos contra a homofobia, ou seja, do mesmo modo que a mídia pode colaborar com o discurso da homofobia, pode também combatê- la. É a mobilidade e disputa de poder do discurso homofóbico em face das diversas situações do discurso de combate à homofobia, ambos os discursos em um jogo tenso na perspectiva de estabilização, “paráfrase”.

Hoje, a tecnologia tem propiciado meios de comunicação em massa que permitem aos sujeitos maior e melhor acesso à informação, bem como tempo hábil para troca de conhecimento. Vários são os programas de televisão, novelas, blogs, chats e

etc. que difundem o respeito à diversidade sexual ou debatem sobre essa diversidade. Palestras, debates, videoclipes, notícias sobre paradas, legalização de união civil mundo afora, assim como propagandas publicitárias têm permitido uma maior abertura para discussão e exposição da temática da diversidade sexual. O segmento LGBT tem tido maior acessibilidade para difusão de informações, para assim se organizar e ser mais incisivo quanto aos direitos em espaços sociais como a escola, e isso permite ao sujeito, em especial, aos estudantes, possibilidades no tocante ao acesso de informações sobre sexualidade. Assim, não há mais um cenário político e social para a educação em que os professores optem por não tocar no assunto da sexualidade, colocá-lo no armário ou “ensinar” um padrão heteronormativo sem estabelecer questionamentos. Uma cultura “queer”, cultura estranha ou da diferença tem se estabelecido, e assim, não permite ao docente a imposição de padrões sexuais por meio de poder disciplinar, muito menos, velar que esse debate existe, diante de um “bombardeio” de informações no contexto contemporâneo. Segundo Lopes (2008, p. 127), são inúmeros os programas de TV que focalizam gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. Isso possibilita o aumento de nosso repertório de significados sobre a sexualidade. Assim, coadunando com o pensamento do autor, afirmamos ser natural que tais significados, em meio aos discursos homofóbicos, sejam constitutivos dos discursos que constroem a escola.

Na mídia televisiva, por exemplo, a questão da diversidade sexual pode ser vista por vários enfoques. Em programas humorísticos e policiais , a diversidade é tratada como uma piada, como algo diferente que faz rir, como algo que pode ser criticado, humilhado. Nas telenovelas, por outro lado, há uma tentativa de inclusão de outros discursos sobre a diversidade sexual agora de forma a incluir, a problematizar práticas de discriminação sexual. Como defende Carvalho , a partir do texto:

De facto as telenovelas brasileiras são exemplos de inserção de narrativas relacionadas com a sexualidade, a negritude, as questões de relações entre

gerações, as questões de género e também da diversidade cultural do povo brasileiro. Esse produto está inclusive incorporado a um network internacional com a pesquisa Narrativas Televisivas e Interculturalidade sobre a ficção televisiva e os processos de interculturalidade no contexto da globalização, tendo como um de seus objectos empíricos as telenovelas brasileiras.(CARVALHO, 2004, p.430)

Com efeito, vários são os programas, debates e coberturas jornalísticas que apresentam a realidade da diversidade humana, contribuindo, direta e indiretamente, intencionalmente ou não, com o respeito à diferença. Os professores percebem o quanto a mídia é importante enquanto uma das pedagogias da atualidade e o modo que influencia os discursos e os sentidos sobre a diversidade sexual

P9- a gente ainda não tem o poder, de enquanto professor, de se derrubar essa questão da homofobia, essa questão de preconceito de ser homem e mulher, essa questão do gênero, por que a mídia precisa ser trabalhada pra nos ajudar, por que nós enquanto... por que assim , a gente tem que repensar, tem que desconstruir os preconceitos para poder ser trabalhado na nossa realidade .... então tem que ter todo um trabalho individual , o professor tem que se reconstruir, reconstruir os valores né, pra gente partir para um projeto assim , assim, embasado mesmo né, com vontade de chegar lá, de dar o recado, e de repente , anos depois, eu vejo ai, a mídia apresentando né, os casais homossexuais

P3- nas novelas...

P2- a questão dos casais mulher branca, homem negro, e ai já começam, a gente já começa ter um comportamento diferenciado, na sociedade, por que a própria mídia trabalha para desmistificar esse tipo de preconceito . A mídia é muito poderosa, então ai a gente tem panos pras mangas pra trabalhar essa questão, e a gente tem mais um suporte.

Entendemos que a mídia e seu discurso midiático é meio para disputa de poder, desconstrução de verdades, um discurso autorizado, na ordem dos discursos, para subsidiar a prática docente cotidiana contra preconceitos.

De alguma forma, podemos dizer que o debate na sociedade está revelado na fala dos professores. Há tentativas de deslocamento de processos de significação sedimentados (ORLANDI, 1999). De um lado, o preconceito arraigado, do outro, uma

abertura para um novo olhar para a diversidade sexual. Essa oscilação expõe, mais uma vez, como aquilo que parece cristalizado, na verdade está em processo de desestabilização, o que parece ser parafrástico, é polissêmico. Podemos ver como exemplo as falas abaixo, em que o que parece ser um discurso não homofóbico, não o é. Esse discurso não homofóbico parece estar estabilizado, porém não está, ele é contradito e resignificado.

P4-na sala de aula eu enfrentei barras e barras, por que eu com 25 anos... e a sexualidade pra mim sempre foi uma coisa traumatizante, porque eu não sabia reagir em determinadas situações, ate naquela experiência que eu te contei que as crianças assistiram o ato sexual dos pais ne, e a menina contou pra sala toda , os meninos de 6 anos e meio, quando elas disseram :- foi a minha mãe com meu pai, ai a outra disse: - meu pai não, ele é o macho de mainha ... eu achei aquilo sabe.. P1 -chocante!

P5- eu apóio e defendo sim, sem vergonha, a diversidade sexual...os gays e as lésbicas são meus amigos, e eu não vou massacrar meu aluno por causa de um homofóbico não..me poupe!

P6- e se sua filha chegar hoje pra você e disser que é sapatão, o que tu vai dizer a ela, -vai minha filha, transe bem muito com outra mulher, se beije em praça pública , aqui em Tabira, no interior ...(risos)

P7-mas aí é diferente... P6- diferente como ?

P5- bom! Se minha filha disser isso eu fico triste, não vou incentivar ela não, porque eu sei que ela vai sofrer preconceitos, qual é o pai e mãe que não quer bem ao seu filho...eu sei que ela vai sofrer, então vou evitar esse sofrimento....

P6- pois é , não tem diferença quando a gente quer defender um aluno de um pai homofóbico, a questão é a mesma, só muda o endereço, não tem Lei certa de Diretriz nesse Sertão que vivemos..

P5- gente, a diversidade tá aí...vê quanta novela toca no assunto...Jô Soares dia desse levou um travesti para debater com ele, e ele a defendeu publicamente...os alunos saem daqui vê na rua paradas gays, vê mais e mais casais gays juntos na Conde da Boa Vista , passeando no Shopping em plena luz do dia ...daí eu vou dizer a ele que não seja homossexual, tome cuidado com as pessoas, e vou fingir que nada tá acontecendo e ler a Bíblia (risos)...(pausa) - é fingir que papai Noel existe e manter essa história da carochinha pra eles....

4.1.2.2 Desconstrução do discurso religioso e machista

A partir da análise dos discursos que formam o corpus de nossa pesquisa, foi possível observar que uma das estratégias linguísticas utilizadas pelos professores na escola pública pernambucana, quiçá, os da escola pública brasileira, tem sido a tomada do discurso preconceituoso, em particular homofóbico, e a sua desconstrução para resignificação e uso do discurso em prol da defesa da diferença e superação da homofobia, ou seja, é a tomada do discurso do outro para resignificá-lo em beneficio próprio. Para ilustrar melhor o que ora afirmamos, seguem os trechos de fala transcritos de grupos focais:

P3- na verdade quando Jesus veio, não veio dizendo o que é certo ou errado, são interpretações bíblicas na verdade né...

P4- e é diversidade de religião né, porque é uma igreja batista, igreja católica, igreja adventista, o outro é testemunha de Jeová, eu ouvi um aluno dizendo: - a tua igreja pode, mas a minha não pode ... P2- ai eu apelei também para a questão do grande mandamento de Jesus Cristo, já que a minha realidade de ensino é pra muitos evangélicos, e ai eu disse que a grande missão, o grande intuito de Jesus Cristo foi o de que a gente se amasse né, de tal forma, que assim , o próximo fossemos nós, né, amai a todos, esse amor ele transcende a sexualidade, não tem nada de heterossexual, homossexual, Jesus Cristo não escreveu sobre isso, ele veio pregar o amor, pregar à humanidade, e ai esse amor, ele tem como base o respeito, o respeito a sua orientação sexual também né,

Percebe-se assim, a desconstrução do discurso religioso, tomada dele e de suas verdades autorizadas para “autorizar” o discurso dele próprio (amar uns aos outros) e mais ainda, autorizar o da diversidade sexual. Além disso, é possível também, a desconstrução do discurso machista, fazendo uso da mesma estratégia apresentada ao discurso religioso, inclusive por parte dos próprios educandos.

P2- aí na época eu mesma fiquei assim, sabe, eu não concordei né, mas quando ele disse assim , eu pensei,meu Deus, um homem vai beijar outro homem ? é ai que você vê a sexualidade, ai um outro menino disse: - isso é besteira né, botava um bichinho desse na cabeça e pronto ...é bom que a barca virou né tia? ! e é pra todo mundo..ai eu disse: - é, então vamos lá...

P2- por que assim, às vezes a gente tem que criar uma estratégia lembrar que os artistas eles têm vários papeis né,

P3- claro! P4-claro!

P2- por que assim, eles não deixaram a orientação sexual deles porque exerceu um outro papel.

A desconstrução do discurso machista é central para a construção do discurso em prol da diversidade sexual, do discurso da escola sem homofobia. Autores como Fairclough (2008) vão apontar que

“a medida que os produtores e intérpretes combinam convenções discursivas, códigos e elementos de maneira nova em eventos discursivos inovadores, estão sem dúvida, produzindo cumulativamente mudanças estruturais nas ordens de discursos: estão desarticulando ordens de discurso existentes e rearticulando novas ordens do discurso, novas hegemonias discursivas”. (FAIRCLOUGH, 2008, p.128)

E isso fica evidente para os analistas de discurso em plano educacional, quando vão perceber a partir de análise de falas (ao que nos compete, a fala dos docentes) como os discursos homofóbicos cristalizados vão se desestruturando em função de novos discursos na “ordem do dia’, a exemplo, o discurso do respeito à diferença, ao “politicamente correto”.

4.1.2.3 Respeito à diferença em busca da humanização do ensino

Em consonância com autores a exemplo de Souza (2006), é preciso considerar educação de qualidade como aquela para além do ensino básico formal, como uma

prática pedagógica e docente humanizadora. Para o referido autor, não se estabelecem práticas humanizadoras apenas no ambiente escolar, mais em outros espaços formativos, em que a educação igualmente se estabelece. Humanizar o humano, prepará-lo para respeito à diferença, diz respeito ao entendimento de que a formação perpassa o coletivo para ir em função ao sujeito, indivíduo, igual em direitos por ser diferente. Isso, as escolas públicas no Brasil têm apontado em especial as escolas de Pernambuco, lócus investigativo de nossa pesquisa.

Nos trechos de fala a seguir, apontamos o discurso dos docentes quando questionados pelo mediador em um dos grupos focais sobre a importância do debate da diversidade sexual em sala de aula,

M- E vocês concordam que esse tema deva ser trabalho na escola, na sala de aula, Diversidade Sexual:

P2- com certeza!

P4- eu concordo plenamente, até por conta de tornar o ser humano realmente mais humano.

Nos discursos dos professores, há uma sensibilização para o combate à homofobia e o respeito às diversidades, em especial, à diversidade sexual, enquanto temática transversal prevista por lei, nos currículos escolares. Essa proposição legal parece fortalecer e/ou munir o professor de respaldo para um ensino mais humanizado. A ver como exemplo, o diálogo que se segue abaixo, quando diz uma professora sobre explorar a temática da diversidade em sala de aula

P3- mas é lei.. P2 – só que...

P3 porque o tema transversal número 3 é orientação sexual né P2- a LDB ela dá essa orientação....

O discurso e debate sobre a diversidade cultural, particularmente, a diversidade sexual, no âmbito da política curricular nacional, associado ao discurso da

multiculturalidade, parece provocar pequenas, mas significativas mudanças na escola. Valores cristalizados estão sendo aos poucos contestados, desconstruídos por alunos e professores, fruto do ainda recente debate sobre os direitos humanos e a sexualidade no cotidiano da escola.

P7- o que a gente tem feito para considerar a homofobia ....é que na verdade o projeto de orientação sexual começou esse ano, ano passado nós não tínhamos nem o recreio né, nós não tínhamos nem a observação do recreio, por que o recreio é muito rico né, o recreio, hoje dia observando quando é o recreio em sala, eu percebo umas brincadeiras de roda e os meninos brincam de roda (ênfase) , são guetos que se formam, têm aqueles que vão para um cantinho dançar funk, né, essas dancinhas de chão, outros vão brincar de roda, outros de dama, e vão assim né, então são passos que a gente ta dando a partir desse ano.

Por outro lado, por mais vantajoso que nos seja o respaldo legal e documental da educação brasileira, é preciso que atentemos para a necessidade do professor entender as razões pelas quais a sexualidade deve ser temática transversal, inclusive sua diversidade, para que esse discurso seja de fato pensado, que signifique e não seja aplicado pela força da lei, por obrigação, uma vez que, após a entrada em sala de aula, a prática é definida pelo professor.

Muitas vezes, a discussão, o acesso à informação e à formação começa dentro de casa. Isso reforça o fato de ser necessário o trabalho de formação continuada voltado para a formação com a comunidade, uma vez que a homofobia por parte dos alunos é substancialmente reprodução do discurso homofóbico da sociedade e de sua comunidade. Os pais precisam compreender que os questionamentos, cobranças e reclamações acerca da prática e do projeto educacional ocorridos na escola de seus respectivos filhos, devem exigir e defender os direitos humanos na formação, e não a difusão de preconceitos e violação de direitos no processo educativo.

Consoante ao debate proposto por Souza (2007), podemos apontar a necessidade de se pensar o ensino e a pesquisa voltados para a construção de saberes que permitam

ao docente um ensino mais humanizado, para tanto, é estratégico aliar o tempo e o espaço escolar, do ensino, às pesquisas e aplicação de projetos que,aos poucos, iniciem ou deem continuidade a um projeto bem maior, que é o projeto dos direitos humanos.

Para tanto, o Estado brasileiro, em nível de políticas públicas, já apresenta diretrizes para a educação em direitos humanos, quando aponta o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos-PNEDH. Esse plano, aponta que “há muito para ser conquistado em termos de respeito à dignidade humana, sem distinção de raça, nacionalidade, etnia, gênero, classe social, região, cultura, religião, orientação sexual (grifo nosso) e deficiência” ( PNEDH, 2008, p. 23).

A titulo informativo, citemos o pioneirismo, no Brasil, da Secretaria de Educação de Pernambuco ao implementar para seu currículo de educação básica, a Educação em Direitos Humanos, o que propiciou a realização do curso de formação continuada sobre diversidade sexual, no qual nos inserimos para pesquisa de campo.

4.1.2.4 Discurso pela formação continuada em direitos humanos e diversidade sexual

Eis um debate que aqui apresentamos como peça-chave para mudança em relação à questão da homofobia na escola, à necessidade de promover uma formação continuada com professores, alunos e comunidade para dar espaço ao respeito à diferença. A formação continuada é um meio para a tentativa de superar preconceitos, problemas do cotidiano do ensino aprendizagem, é um instrumento que age sob desconstrução e/ou reodernamento sociocultural, não bastam leis, normas, é preciso conscientização, sensibilização, aquisição de informação para obter mudanças de pensamentos, normas e verdades arraigadas históricoculturalmente, logo, as mudanças

culturais a médio e longo prazo se dão essencialmente por meio pedagógico. Eis aí a potencialidade da formação continuada. Ela não “dá conta de todo o recado sozinha”, é preciso, igualmente, uma qualitativa estrutura física da escola , bons materiais didáticos e etc., porém ela provoca mudanças, possibilidades maiores no plano da transformação social e cultural, a médio e longo prazo.

Além disto, “centrar fogo” na formação continuada corrobora a premissa ,que ora defendemos, da não existência de uma escola homofóbica, e sim práticas discursivas homofóbicas, assim como racistas e machistas.. Nem tudo “está perdido”.

Logo, pensemos na escola para além da violação de direitos que nela paira. Ela,