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8.2 COMPORTAMENTO DE BUSCA INFORMACIONAL NA MODALIDADE EJA

8.2.3 Hora-atividade

De acordo com a Lei Estadual nº. 13.807/2002:

Art. 1º Fica instituído percentual de 20% (vinte por cento) de hora-atividade da jornada de trabalho para todos os professores do Estado do Paraná em efetiva regência de classe em estabelecimento de ensino da rede pública estadual, considerando a jornada do cargo efetivo, das aulas extraordinárias e das aulas pelo regime da CLT.

Art. 2º A hora-atividade será parte da jornada atribuída ao professor, incluída na carga horária de trabalho, e quando o resultado do cálculo da hora-atividade for número fracionado, igual ou superior a 0,5 (zero vírgula cinco) eleva-se para número inteiro imediatamente superior.

Art. 3º A hora-atividade é o período em que o professor desempenha funções da docência, reservado a estudos, planejamento, reunião pedagógica, atendimento à comunidade escolar, preparação de aulas, avaliação dos alunos e outras correlatas, devendo ser cumprida integralmente no local de exercício.

Para buscar informações para a prática docente da EJA os professores relataram usar a hora-atividade (GRÁFICO 11). Entretanto, os docentes consideram insuficiente o tempo reservado a hora-atividade. O professor D observa dificuldades para a direção escolar organizar o período da hora-atividade, uma vez que grande parte dos docentes que compõem a EJA trabalhar em outras escolas e em diferentes turnos. D afirma utilizar os finais de semana para buscar informações voltadas a elaboração das aulas, pois, cita que destina o período da hora-atividade para realização das atividades burocráticas, como correção de provas e trabalhos.

O Pedagogo A afirma que o espaço de tempo destinado à hora-atividade não é explorado pelos docentes de maneira coerente. A hora-atividade deveria ser um momento para trocas de experiências e planejamento da ação docente, todavia, segundo o diretor auxiliar, há casos em que o docente utiliza a hora- atividade para resolver problemas pessoais ou a atualização do livro de chamada. Para o professor B a hora-atividade ameniza a sobrecarga das tarefas docentes, que muitas vezes se estendem para os dias sem vínculo do docente, ou até nos finais de semana.

GRÁFICO 12 – DISTRIBUIÇÃO DE HORA-ATIVIDADE DOS DOCENTES DA MODALIDADE EJA DO COLÉGIO ESTADUAL NOSSA SENHORA APARECIDA

Fonte: O autor (2018).

Observa-se um desinteresse por parte dos professores em utilizar a hora- atividade como um período de busca informacional para a preparação de suas aulas, afirma o pedagogo A. O mesmo enfatiza que é preciso reforçar o real intuito da hora-atividade: um momento em que professores se integrem, interajam e se comprometam com as questões da escola em sua totalidade.

8.2.4 Formação Continuada

Formação é um conceito empregado para denominar tanto o processo de crescimento e amadurecimento pessoal, quanto a busca por saberes que possibilitam a constituição do fazer profissional. A formação relaciona-se à ideia de continuidade,

de algo que não está completo, mas em elaboração (Almeida, 2006; Gasque; Costa, 2003). Dentre as atividades de formação continuada ofertadas pela SEED destacam-se: Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), Formação em Ação Disciplinar (FAD) e Semana Pedagógica.

O PDE é um dos pilares da formação continuada no estado do Paraná, desenvolvido no ano de 2006 pela SEED em cooperação com universidades públicas, tem por objetivo o aperfeiçoamento permanente e a qualificação sistemática do professor da rede estadual de educação básica do Paraná. O PDE, de acordo com Cavalli (2012, p.3):

Está estruturado para oferecer ao professor qualificação profissional diferenciada que complemente sua formação, por meio de estudos orientados pelas Universidades Públicas do Paraná, de produções acadêmicas, da elaboração de material didático a ser utilizado nas escolas públicas do Estado, de apresentação de propostas pedagógicas de intervenção nessas escolas e pelo trabalho virtual dos professores PDE com os demais professores da rede pública estadual.

De acordo com o Portal Dia a Dia Educação tem direito a participar do PDE o docente com vínculo efetivo, que se encontram no nível II, classe 8 a 11, da tabela de vencimentos do plano de carreira. O programa compreende um conjunto de atividades desenvolvidas num prazo de dois anos, organizado em quatro períodos, perfazendo um total de até 952 (novecentos e cinquenta e duas horas). O professor que ingressa no PDE tem garantido o direito a afastamento remunerado de 100% de sua carga horária efetiva no primeiro ano e de 25% no segundo ano do programa. Na instituição apenas o professor C participou do PDE, para o diretor geral isso denota como a formação continuada ainda se mostra ineficiente para a modalidade.

A Formação em Ação Disciplinar (FAD) são ações descentralizadas que ocorrem nas escolas e tem como proposta a promoção da formação continuada através de oficinas que abordam conteúdos curriculares e específicos da demanda regional. A FAD ocorre duas vezes por ano e objetiva atender ao disposto no Plano Nacional de Educação (PNE) na meta 16:

[...] garantir a todos os (as) profissionais da Educação Básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino (BRASIL, 2014).

A Semana Pedagógica ocorre no início de cada semestre (em fevereiro e julho) e é destinada à organização do trabalho pedagógico nas escolas. A mesma tem duração de 2 (dois) dias e busca proporcionar aos professores, equipe pedagógica e

funcionários a oportunidade de tratar da organização do trabalho pedagógico e as temáticas do cotidiano escolar. O material utilizado durante a Semana Pedagógica é fornecido pela SEED, incluindo neles todas as orientações, cronogramas, textos, vídeos-aula e atividades que devem ser desenvolvidas durante todo o evento. O diretor geral relata que o início do ano letivo é marcado pela ausência dos professores contratados pelo vínculo temporário, pois a SEED envia tais professores apenas no primeiro dia de aula, consequentemente o ano letivo se inicia com o quadro de professores incompleto e, uma vez que o quadro de docentes que compõe a EJA é composta em sua maioria por professores com vínculo temporário, a Semana Pedagógica acaba não cumprindo seu principal objetivo em relação à prática pedagógica: traçar metas e objetivos ao ano que se inicia. Para o professor A os conteúdos abordados durante a Semana Pedagógica estão muito aquém da realidade atual da EJA, o momento em que a mesma ocorre coincide com o planejamento escolar, momento em que os professores estão preocupados com a atribuição de turmas e horários, prejudicando a possibilidade de buscar novas informações para a prática de ensino na modalidade. Concluí afirmando que vê a SEED distante e pouco interessada no desenvolvimento da modalidade.

O Projeto Político Pedagógico (PPP) da instituição de ensino aponta que o objetivo da formação continuada é proporcionar aos professores uma aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal, cultural e profissional. O pedagogo A relata que a formação continuada também ocorre por meio de reuniões voltadas a orientação pedagógico-didático; debates, grupos de estudo, questionamentos; ajuda aos professores iniciantes; participação no PPP e no momento destinado à hora-atividade, onde há a oportunidade de troca de experiências entre os docentes e equipe pedagógica.

A direção escolar afirma estimular professores e funcionários a participarem dos eventos, cursos, palestras e demais atividades oferecidas pela SEED. Segundo o diretor auxiliar a formação continuada é imprescindível, auxiliando na mudança de postura dos docentes, deixando de lado a pedagogia tradicional e criando a possibilidade de implementar novas maneiras de estimular os discentes da EJA.

Entretanto, a mesma salienta que os conteúdos e metodologias abordados na FAD e Semana Pedagógica deixam a EJA em segundo plano, em sua opinião uma formação específica para os profissionais da EJA ainda não parece estar nos planos da SEED.

Concluindo, o diretor auxiliar aponta que a formação continuada deve respeitar a diversidade da comunidade, sua experiência de vida, suas peculiaridades e suas diferenças culturais.

8.3 COMPARTILHAMENTO DA INFORMAÇÃO 8.3.1 Docentes

Atualmente a modalidade EJA do Colégio Estadual Nossa Senhora Aparecida tem a maior parte do quadro docente composto por professores de vínculo efetivo, algo atípico, pois em anos anteriores os professores com vínculo temporário eram a maioria. Segundo o diretor geral isso traz benefícios, pois o professor já conta com conhecimentos em relação ao funcionamento do EJA, outro ponto é que a continuidade do docente cria um vínculo com o aluno. Todavia, cita o diretor auxiliar, também há malefícios, pois, os professores efetivos não se sentem estimulados a trabalhar com a EJA, consequentemente as aulas são maçantes. O pedagogo A afirma que uma grande parcela dos docentes, independente do vínculo institucional, que assumem aulas na instituição não compreendem o funcionamento da EJA, usam metodologias incompatíveis com o público alvo, resultando em um dos principais fatores responsáveis pela evasão escolar.

Em relação ao compartilhamento de informações entre os docentes a pesquisa revelou que o mesmo é ineficiente. Apenas quatro docentes consideram que ocorre um compartilhamento eficaz. Para o professor K há compartilhamento de informações entre os docentes, porém, acredita que o diálogo entre os docentes necessita ser aprimorado, pois, não há tempo vago entre as aulas e os professores só costumam se encontrar durante os conselhos de classe e reuniões esporádicas. Os professores A, C e J relatam trocas de experiências entre os docentes e que há momentos de planejamento coletivo e individual. Todavia, o restante dos entrevistados cita deficiências no compartilhamento de informações, caso do professor B que afirma não haver compartilhamento de informações entre os docentes, apenas poucos comentários. O professor D crítica o não compartilhamento de informações entre os docentes da EJA, cita que não existe diálogo e reforça a necessidade de um trabalho interdisciplinar entre tais professores.

8.3.2 Setor Pedagógico e Direção Escolar

O pedagogo A, com maior grau acadêmico na instituição de ensino, trabalhou no Departamento de Educação de Jovens e Adultos (DEJA) e participou ativamente da evolução da modalidade na cidade de Curitiba. O mesmo afirma que o educador da EJA deve se empenhar para suprir as necessidades informacionais que surgem no exercício da prática pedagógica.

Ao setor pedagógico, relata o pedagogo A, cabe instruir o professor quanto ao cumprimento do planejamento, preenchimento do Registro de Classe On-line (RCO), cumprimento do cronograma de atividades, orientação na questão do aproveitamento de estudos, entre outras atividades. Ao professor cabe incentivar a participação dos discentes nas atividades propostas, correta abordagem de conteúdos, considerar a experiência de vida de seus alunos, adequar práticas de ensino de acordo com as necessidades da EJA, promover a interação escolar e trabalhar a favor da permanência do aluno na instituição de ensino, conclui o pedagogo A. Para o diretor auxiliar a coordenação pedagógica necessita instruir o professor não só no conteúdo a ser trabalhado com os alunos, mas também a questão do aproveitamento de estudos. Ele relata que cada série (ou ano) que o aluno tenha concluído no Ensino Regular concede um aproveitamento de 25% da carga horária de cada disciplina a ser cursada. Exemplificando, um aluno que tenha concluído o 8º ano (antiga 7ª série) tem direito a um aproveitamento de 75%, por conseguinte cumprirá apenas 25% da carga horária total (no caso da disciplina Língua Portuguesa, que trabalha com uma carga horária de 256 horas, o aluno cumpriria apenas 64 horas para obter a conclusão da disciplina). O professor C relata a desorganização provocada pelo aproveitamento de estudos, uma vez que o cronograma de matrículas não é cumprido (cada aluno deveria ter uma data específica para iniciar as aulas, correspondente ao seu aproveitamento), porém, o medo da evasão escolar faz com a escola oriente os alunos a iniciarem na mesma data, provocando a superlotação das salas da aula.

Os professores observam a direção e setor pedagógico saturados pela questão disciplinar dos discentes, o professor B sente carência de informações para a prática docente na modalidade. Na opinião do professor D a interação informacional do setor pedagógico é falho, pois em situações em que necessitou de informações referentes à situação escolar de discentes, na elaboração do plano de trabalho docente ou dúvidas no preenchimento do livro de chamada, não conseguiu obter as informações

no tempo adequado devido à questão disciplinar dos discentes consumir todo o tempo das pedagogas. O docente A, que alega ter dificuldade com as constantes mudanças da EJA, aponta a necessidade de melhoria na comunicação informacional da instituição.

Todavia houve entrevistados que classificam a coordenação pedagógica e direção escolar como um instrumento vital para o processo de ensino aprendizagem e sempre que necessitam, como afirma o professor G, são atendidos prontamente por tais setores. Para os entrevistados E e H o setor pedagógico e direção têm sido importantes para sanar dúvidas a respeito da modalidade. Para I o setor pedagógico é atuante e um mediador entre discente e docente, porém, vê a direção distante da EJA. K acredita que o Setor Pedagógico e Direção são fundamentais para o processo ensino-aprendizagem e proporcionam uma adequada interação informacional entre docentes e discentes. Para o professor A o alcance das ações de tais setores ficam restritas às normas da SEED. Para o pedagogo A a escola possui uma equipe participativa e que busca proporcionar um ambiente democrático. Todavia, um ponto que necessita ser aprimorado é a relação entre professor e coordenação pedagógica, que na sua opinião apresenta carência de comunicação entre as partes.

A cada bimestre são realizadas reuniões com os alunos e responsáveis, entretanto, poucos comparecem. O diretor geral afirma que tais reuniões são instrumento de aproximação entre a família do aluno e a escola, auxiliando os professores a compreender a realidade em que vive o aluno e proporcionando um ambiente de troca de informações para elaborar de forma conjunta soluções para problemas escolares. No entanto, de acordo com o pedagogo A os conteúdos abordados em tais reuniões são voltados para a questão de disciplinar dos discentes e, infelizmente, poucos comparecem.

9CONSIDERAÇÕESFINAIS

A proposta deste estudo exploratório foi identificar aspectos de comportamento informacional no âmbito escolar, particularmente quanto à prática docente da Educação de Jovens e Adultos na busca de informação. A elaboração do roteiro da entrevista semiestruturada (APÊNDICE A) buscou contemplar aspectos de comportamento de busca de informação para a prática docente na EJA, tendo em conta a escassez de publicações nessa temática.

O comportamento de busca de informação dos professores apresentou formas equivalentes para obtenção da informação. Entre os recursos informacionais citados pelos docentes a internet apresentou uma expressiva presença como fonte de obtenção e compartilhamento de informação. As adaptações de conteúdos de livros didáticos voltados para o ensino regular se mostraram como a segunda fonte de informação mais utilizada pelos docentes. Foi possível verificar que ainda há metodologias com abordagens tradicionais que enfatizam a memorização mecânica e as simples cópias de atividades.

O estudo apontou que a totalidade dos docentes não utiliza a hora-atividade para fins didáticos, mas sim para o aspecto pessoal. As questões que se referem à idade, o tempo de magistério e o vínculo institucional são fatores que influenciam o comportamento de busca informacional. Os docentes relataram que o compartilhamento de informações entre os colegas é muito baixo, quase não existe socialização de experiência, somente comentários nos intervalos devido à diferença de turmas que os professores lecionam, a não existência de tempo estipulado para troca de ideias e experiências faz com que a relação de troca fique comprometida.

Como principais dificuldades citadas pelos docentes na busca informacional para a prática docente destacam-se a diversidade cognitiva, motivacional e etária dos discentes, a falta de materiais didáticos específicos para a modalidade, o alto índice de evasão e a rigidez institucional na organização dos currículos da EJA.

Por meio dos resultados encontrados ficou notório que a formação continuada é imprescindível para a prática docente na EJA, uma vez que a modalidade está envolta em um cenário de políticas diversas e que sofrem constantes mudanças e tornam difícil o seu gerenciamento. Através da análise do conteúdo das entrevistas, é possível perceber que as formações continuadas ofertadas pela SEED não contemplam assuntos pertinentes à modalidade EJA. Como sugestão a isso, se faz

necessário um mapeamento dos cursos já ofertados e/ou um levantamento junto aos professores para diagnosticar as necessidades e sugestões de melhorias para a modalidade. Em relação à hora-atividade, é preciso que a direção escolar oriente o uso correto da mesma, para que tal período se constitua em um momento de troca de experiências e planejamento da ação docente.

Concluindo, é possível afirmar que a informação se constitui um elemento fundamental e indissociável da educação, dessa forma, reforça-se a necessidade de realização de oficinas pedagógicas que promovam o compartilhamento de experiências, metodologias e práticas de ensino que estimulem o uso de novas fontes de informação que atendam as necessidades formativas dos discentes da EJA.

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