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HORAS SEGUINTES, O CAOS CONTINUOU A REINAR EM FROBOZZ CONFORME cada caça-ovo no OASIS tentava chegar ao planeta e entrar na

No documento Ernest Cline. O Jogador Numero 1 (páginas 184-200)

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NAS 12 HORAS SEGUINTES, O CAOS CONTINUOU A REINAR EM FROBOZZ CONFORME cada caça-ovo no OASIS tentava chegar ao planeta e entrar na briga.

Os Seis tinham dispersado seu exército pelo globo todo em uma corajosa tentativa de bloquear todas as 512 cópias do campo de atuação de Zork. Mas suas forças, por mais amplas e bem preparadas que fossem, não foram suficientes dessa vez. Apenas mais sete avatares conseguiram pegar a Chave de Jade naquele dia. E quando os clãs de caça-ovos deram início a um ataque coordenado contra as forças dos Seis, estes passaram a sofrer grandes baixas e foram forçados a recuar.

Dentro de poucas horas, o alto comando dos Seis decidiu adotar uma nova estratégia. Rapidamente ficou óbvio que eles não conseguiriam manter mais de 500 bloqueios diferentes nem conter a enorme entrada de caça-ovos. Então, reagruparam as forças em dez cópias adjacentes do campo de atuação de Zork, perto do polo sul do planeta.

Instalaram fortes proteções em cada um dos campos e posicionaram batalhões com armaduras do lado de fora dos muros de proteção.

Essa estratégia de contenção funcionou e as forças dos Seis se mostraram suficientes para guardar aqueles dez lugares e impedir que outros caça-ovos entrassem (e não havia motivo para que outros caça-ovos tentassem, uma vez que outras 500 cópias de Zork estavam agora bem abertas e desprotegidas). Agora que os Seis podiam agir livremente, eles basicamente formaram dez filas de avatares do lado de fora de cada casa branca e começaram a ajudá-los a obter a Chave de Jade, um atrás do outro. Todo mundo conseguia ver com clareza o que eles estavam fazendo, porque os dígitos ao lado de cada número de funcionário da IOI no Placar começaram a subir em 15 mil pontos.

Ao mesmo tempo, centenas de pontuações de caça-ovos estavam aumentando também. Agora que a localização da Chave de Jade era de conhecimento de todos, decifrar o Quarteto e descobrir como chegar à chave era relativamente simples. Estava ali para que qualquer pessoa que tivesse passado pelo Primeiro Portão a pegasse.

Quando a Batalha de Frobozz chegou ao fim, as pontuações no Placar ficaram assim:

PONTUAÇÃO:

01. Art3mis 129.000

02. Parzival

128.000

03. Aech 127.000

04. IOI-655321 122.000

05. Shoto 122.000

06. IOI-643187 120.000

07. IOI-621671 120.000

08. IOI-678324

120.000

09. IOI-637330 120.000

10. IOI-699423 120.000

Apesar de Shoto ter igualado sua pontuação com a de Sorrento, de 122 mil pontos, este deve ter conseguido os pontos antes, o que explicava por que ele continuava uma posição acima. Os bônus relativamente pequenos que Art3mis, Aech, Shoto e eu recebemos por sermos os primeiros a chegar à Chave de Cobre e à Chave de Jade eram o que mantinha nossos nomes nos campos dos “Cinco do Topo”. Sorrento agora também tinha um daqueles bônus. Ver um número de funcionário da IOI acima do de Shoto me deixou assustado.

Rolando a página, vi que o Placar tinha mais de 5 mil nomes, e outros entravam toda hora, à medida que os avatares finalmente conseguiam derrotar Acererak no Joust e pegar uma cópia da Chave de Cobre.

Ninguém nos fóruns parecia saber o que havia ocorrido com Daito, mas todos pensavam que ele tinha sido morto pelos Seis durante os primeiros minutos da Batalha de Frobozz. Boatos a respeito da causa de sua morte estavam se espalhando, mas ninguém testemunhara o ocorrido. Exceto, talvez, Shoto, mas ele havia desaparecido. Enviei a ele algumas solicitações de bate-papo, mas não obtive resposta. Eu acreditava que ele estava concentrando toda a sua energia em encontrar o Segundo Portão antes dos Seis, assim como eu.

Eu me sentei em minha fortaleza, olhando para a Chave de Jade e dizendo as palavras escritas nela, sem parar, como um mantra enlouquecedor.

Desembeste fazendo o teste.

Desembeste fazendo o teste.

Desembeste fazendo o teste.

Sim, mas que teste? Qual teste eu deveria fazer? O Kobayashi Maru? O desafio Pepsi? A dica não podia ser mais vaga.

Levei a mão aos olhos para coçá-los por baixo do visor, frustrado. Concluí que precisava de um intervalo e dormir um pouco. Abri o inventário do meu avatar e coloquei a Chave de Jade nele. Ao fazer isso, vi o papel-alumínio no espaço da lista ao lado dela – o papel que cobria a Chave de Jade quando eu a encontrei.

Eu sabia que o segredo para decifrar o enigma devia envolver aquele papel de alguma forma, mas não sabia como. Tentei imaginar se aquilo podia ser uma referência a Willy Wonka e à Fantástica Fábrica de Chocolate, mas logo concluí que não. Não havia nenhum convite dourado dentro da embalagem. Só podia ter outro propósito ou sentido.

Olhei para o papel e fiquei pensando até não conseguir mais manter os olhos abertos. E então fiz o logoff e fui dormir.

Algumas horas depois, às 6h12 OST, fui despertado pelo som angustiante do meu alarme do Placar alertando-me de que uma das primeiras posições havia mudado de novo.

Tomado por uma sensação crescente de medo, fiz o registro e abri o Placar, sem saber o que esperar. Talvez Art3mis tivesse atravessado o Segundo Portão. Ou talvez Aech ou Shoto tivessem sido os sortudos.

Mas a pontuação de todos eles continuava sem alteração. Para meu horror, vi que a pontuação de Sorrento havia aumentado, e em 200 mil pontos. E agora dois ícones do portão apareciam ao lado do nome.

Sorrento havia acabado de se tornar a primeira pessoa a encontrar e atravessar o Segundo Portão. Assim, o avatar dele ocupava agora o primeiro lugar no topo do Placar.

Fiquei ali paralisado, olhando para o número de funcionário de Sorrento, pensando na repercussão de tudo o que havia acabado de acontecer.

Ao sair do portão, Sorrento receberia uma dica em relação à localização da Chave

da Cristal. A chave que abriria o terceiro e último portão. Então, agora, os Seis eram as únicas pessoas que possuíam aquela dica. Ou seja, agora eles estavam, mais que ninguém, mais perto de encontrar o Easter Egg de Halliday.

De repente, senti um enjoo e também dificuldade para respirar. Percebi que devia estar sofrendo um ataque de pânico. Um descompasso total e completo. Um ataque de nervos muito forte. Fosse o que fosse, fiquei meio doido.

Tentei entrar em contato com Aech, mas ele não atendeu. Ou estava bravo comigo ou tinha assuntos mais urgentes para cuidar. Quase chamei Shoto, mas me lembrei de que o avatar de seu irmão havia acabado de ser morto. Provavelmente ele não estaria muito receptivo.

Pensei em ir a Benatar para tentar falar com Art3mis, mas caí na real. Ela estava com a Chave de Jade havia vários dias e ainda não tinha conseguido passar pelo Segundo Portão. Saber que os Seis haviam conseguido essa façanha em menos de 24 horas provavelmente a havia deixado louca. Ou talvez catatônica. Ela não devia querer conversar com ninguém naquele momento, muito menos comigo.

Mesmo assim, tentei chamar. Como sempre, ela não atendeu.

Eu estava tão desesperado para ouvir uma voz familiar que recorri a Max. No estado em que eu me encontrava, até mesmo a voz dele, gerada por computador, era um tanto confortante. Claro que não demorou muito para Max ficar sem respostas pré-programadas;

e quando começou a se repetir, a ilusão de que eu estava conversando com outra pessoa foi desfeita, e eu me senti ainda mais sozinho. Você sabe que acabou com sua vida quando o mundo todo se fecha e a única pessoa com quem você pode conversar é o seu software de agente de sistema.

Eu não conseguia voltar a dormir, por isso fiquei acordado assistindo aos noticiários e observando os fóruns de caça-ovos. Os exércitos dos Seis continuavam em Frobozz, e os avatares deles ainda estavam conseguindo cópias da Chave de Jade. Sorrento obviamente havia aprendido com seu erro anterior. Agora que os Seis sabiam do Segundo Portão, não seriam estúpidos de revelar sua localização ao mundo tentando bloqueá-lo com seus exércitos. Mas ainda estavam tirando muito proveito da situação. Conforme o dia foi passando, os Seis continuaram a atravessar mais avatares pelo Segundo Portão. Depois de Sorrento passar, mais dez Seis passaram por ali nas 24 horas seguintes. Conforme cada Seis ganhava 200 mil pontos, Art3mis, Aech, Shoto e eu éramos superados no Placar, até sermos tirados das dez primeiras posições e a página principal do Placar não mostrar nada além de números de funcionários da IOI.

Os Seis agora estavam dominando a situação.

E então, quando eu tive certeza de que as coisas não podiam piorar, elas pioraram.

Pioraram muito. Dois dias depois de ele passar pelo Segundo Portão, a pontuação de Sorrento aumentou 30 mil pontos, indicando que ele havia acabado de conseguir a Chave de Cristal.

Fiquei ali, sentado em minha fortaleza, olhando para os monitores, vendo tudo aquilo acontecer, tomado pelo horror. Não havia como negar. O fim do concurso se aproximava, e não terminaria como eu sempre imaginara, com algum caça-ovo nobre e honrado encontrando o ovo e ganhando o prêmio. Eu vinha me enganando nos últimos cinco anos e meio. Assim como todas as pessoas. Aquela história não teria um final feliz.

Os vilões venceriam.

Passei as 24 horas seguintes totalmente absorto, conferindo o Placar de modo obsessivo a cada cinco segundos, esperando que o fim ocorresse a qualquer momento.

Sorrento ou um de seus muitos “especialistas em Halliday” obviamente tinha conseguido decifrar o enigma e localizar o Segundo Portão. Mas apesar de a prova estar bem ali, no Placar, eu ainda não conseguia acreditar. Até aquele momento, os Seis só tinham sido bem-sucedidos seguindo Art3mis, Aech e eu. Como aqueles idiotas perdidos tinham encontrado o Segundo Portão sozinhos? Talvez tivesse sido apenas sorte. Ou talvez eles tivessem descoberto um modo novo e inovador de trapaça. Caso contrário, como conseguiriam desvendar o enigma tão rapidamente, se Art3mis não tinha conseguido, tendo tantos dias de vantagem?

Meu cérebro parecia uma massinha de modelar. Eu não conseguia entender a pista impressa na Chave de Jade. Não tinha nenhuma ideia. Nem mesmo ideias ruins. Eu não sabia o que fazer ou onde procurar.

Conforme a noite foi passando, os Seis continuaram conseguindo cópias da Chave de Cristal. Cada vez que as pontuações aumentavam, era como se eu estivesse sendo apunhalado no coração. Mas não conseguia parar de olhar para o Placar. Estava totalmente obcecado.

Senti que me entregava à desesperança. Meus esforços dos últimos cinco anos não tinham valido para nada. Eu havia subestimado Sorrento e os Seis. E estava prestes a pagar o maior preço por isso. Aqueles lacaios sem alma se aproximavam do ovo naquele momento. Eu sentia isso, com toda a minha alma.

Eu já tinha perdido Art3mis, e agora perderia o concurso também.

Já havia decidido o que fazer quando acontecesse. Em primeiro lugar, escolheria um dos membros do meu fã-clube oficial, alguém sem dinheiro e um avatar novo de nível um, e daria a ele todos os itens que eu possuía. Em seguida, ativaria a sequência de autodestruição em minha fortaleza e ficaria em meu centro de comando enquanto tudo fosse destruído em uma explosão termonuclear. Meu avatar morreria e as palavras GAME OVER apareceriam no centro do display. Então, eu tiraria meu visor e sairia do apartamento pela primeira vez em seis meses. Pegaria o elevador até a cobertura. Ou talvez subisse a escada. Para fazer um pouco de exercício.

Havia um arboreto na cobertura de meu prédio. Eu nunca o havia visitado, mas já tinha visto fotos e admirado a vista pela webcam. Uma barreira de acrílico resistente havia sido instalada ao redor do parapeito para impedir as pessoas de pular, mas era uma piada.

Pelo menos três indivíduos determinados haviam conseguido pulá-la desde que eu me mudei.

Ficaria sentado ali respirando o ar poluído da cidade por um tempo, sentindo o vento na pele. E então eu escalaria a barreira e me jogaria para o outro lado.

Era meu plano atual.

Estava tentando decidir qual música assobiar enquanto me lançasse à morte, quando meu telefone tocou. Era Shoto. Eu não estava a fim de conversar, então, deixei a chamada dele cair no vidmail e o observei gravar a mensagem. Foi breve. Ele disse que precisava ir a minha fortaleza para me dar algo. Algo que Daito havia deixado para mim em seu testamento.

Quando retornei a ligação para marcar uma reunião, percebi que Shoto estava arrasado emocionalmente. Sua voz discreta estava tomada de dor, e o tamanho de seu desespero estava claro nos traços do rosto de seu avatar. Ele parecia totalmente deprimido.

Pior que eu.

Perguntei a Shoto por que o irmão dele havia feito um “testamento” para o avatar, em vez de simplesmente deixar seus bens nas mãos dele. Assim, Daito poderia

simplesmente criar um novo avatar e retomar os itens que seu irmão estivesse guardando para ele. Mas Shoto me disse que o irmão não criaria um novo avatar. Nem agora, nem nunca. Quando perguntei por que, ele prometeu que explicaria quando me visse pessoalmente.

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MAX ME AVISOU QUANDO SHOTO CHEGOU, CERCA DE UMA HORA DEPOIS. PERMITI que a nave dele entrasse no espaço aéreo de Falco e pedi a ele para estacionar em meu hangar.

A nave de Shoto era um grande arrastão interplanetário chamado Kurosawa, inspirado na nave Bebop da clássica série de anime Cowboy Bebop. Daito e Shoto o utilizavam como a base móvel de operações desde que eu os conheci. A nave era tão grande que mal passava pelos portões do hangar.

Eu estava na pista esperando para recepcionar Shoto quando ele surgiu de Kurosawa. Usava roupas pretas de luto, e seu rosto expressava o mesmo desconsolo que eu vira quando falamos ao telefone.

– Parzival-san – ele disse, fazendo uma reverência.

– Shoto-san. – Retribuí a reverência com respeito e então estendi a mão, um gesto que ele reconheceu da época em que fizemos a missão juntos. Sorrindo, ele estendeu a mão e tocou a minha. Mas logo a expressão triste voltou. Era a primeira vez que eu via Shoto desde a missão que concluímos juntos em Tokusatsu (sem contar as vezes em que vi aqueles comerciais do “Daisho Energy Drink” que ele e o irmão protagonizaram), e seu avatar parecia alguns centímetros mais alto do que eu me lembrava.

Eu o levei para uma das “salas de estar” de minha fortaleza raramente utilizadas, uma recriação da sala de estar de Caras & Caretas. Shoto reconheceu a decoração e balançou a cabeça, aprovando. E então, ignorando os móveis, ele se sentou no centro da sala. Sentou-se no estilo seiza, dobrando as pernas sob as coxas. Fiz a mesma coisa, posicionando-me de modo que nossos avatares ficassem de frente um para o outro. Ficamos em silêncio por um tempo. Quando Shoto finalmente estava pronto para falar, ficou olhando para o chão.

– Os Seis mataram meu irmão ontem à noite – ele disse, quase sussurrando.

Num primeiro momento, eu estava surpreso demais para falar. – Está dizendo que eles mataram o avatar dele? – perguntei, apesar de já saber que o sentido daquela frase era outro.

Shoto balançou a cabeça. – Não, eles entraram no apartamente dele, tiraram-no de sua cadeira háptica e o jogaram da janela. Ele morava no 43º andar.

Shoto abriu uma janela do browser a nosso lado. Ali, havia uma matéria de um noticiário japonês. Eu o toquei com o dedo indicador e o software Mandarax traduziu o texto para o inglês. A manchete era OUTRO SUICÍDIO. O texto breve dizia que um jovem, Toshiro Yoshiaki, de 22 anos, havia se suicidado jogando-se da janela de seu apartamento, localizado no 43º andar de um prédio que antigamente era um hotel em Shinjuku, Tóquio, onde ele vivia sozinho. Vi a foto dos registros escolares de Toshiro ao lado do artigo. Ele era um jovem japonês com cabelos compridos e despenteados e pele cheia de marcas. Não se parecia em nada com seu avatar do OASIS.

Quando Shoto notou que eu havia acabado de ler, fechou a janela. Hesitei por um momento antes de perguntar:

– Tem certeza de que ele não cometeu suicídio? Porque o avatar dele foi morto?

– Não – Shoto respondeu. – Daito não cometeu seppuku. Tenho certeza disso. Os Seis invadiram o apartamento dele enquanto estávamos num combate com eles em

Frobozz. Foi assim que eles conseguiram derrotar o avatar dele. Matando-o na vida real. Agradeço por confiar em mim a ponto de me dizer seu nome verdadeiro – eu disse. – Meu nome verdadeiro é Wade. – Eu já não via sentido em manter segredo.

– Obrigado, Wade – Shoto disse, retribuindo a reverência.

– De nada, Akihide.

Ele ficou em silêncio por um momento; então, pigarreou e começou a falar sobre Daito. As palavras saíram livremente. Era óbvio que ele precisava conversar com alguém a respeito do ocorrido. A respeito do que havia perdido.

– O nome verdadeiro de Daito era Toshiro Yoshiaki. Eu só soube disso ontem à noite, quando vi o noticiário.

– Mas... Eu pensei que vocês fossem irmãos. – Eu pensava que Daito e Shoto viviam juntos. Que dividiam um apartamento ou coisa assim.

– Meu relacionamento com Daito é difícil de explicar. – Ele parou para pigarrear. – Não éramos irmãos. Não na vida real. Só no OASIS. Entendeu? Nós nos conhecíamos apenas on-line. Nunca o conheci pessoalmente. – Lentamente, ele olhou para mim, para ver se eu o estava julgando.

Estiquei a mão e a coloquei sobre seu ombro. – Pode acreditar, Shoto. Eu compreendo. Aech e Art3mis são meus dois melhores amigos e eu também nunca os encontrei na vida real. Na verdade, você também é um de meus amigos mais próximos.

Ele abaixou a cabeça. – Obrigado. – Pela sua voz, percebi que ele estava chorando.

– Somos caça-ovos – eu disse, tentando preencher aquele silêncio esquisito. – Nós vivemos aqui, dentro do OASIS. Para nós, essa é a única realidade que faz sentido.

Akihide assentiu. Alguns momentos depois, ele continuou falando.

Ele me contou como ele e Toshiro tinham se conhecido, seis anos antes, quando os dois se inscreveram num grupo de apoio do OASIS para hikikomori, pessoas jovens que tinham se isolado da sociedade, decidindo viver em isolamento total. Os hikikomori se trancavam em uma sala, liam mangá e navegavam pelo OASIS o dia todo, dependendo de suas famílias para lhes levar alimentos. Havia hikikomori no Japão desde antes da virada do século, mas o número deles havia aumentado astronomicamente desde que a caça ao Easter Egg de Halliday começou. Milhões de jovens rapazes e moças de todo o país tinham se fechado para o mundo. Às vezes, os japoneses chamavam esses jovens de “milhões de desaparecidos”.

Akihide e Toshiro se tornaram melhores amigos e passavam quase todos os dias juntos no OASIS. Quando a caça pelo Easter Egg de Halliday começou, eles imediatamente decidiram unir forças e procurar por ele juntos. Eles formavam uma equipe perfeita, porque Toshiro era excelente nos videogames, enquanto Akihide, bem mais jovem, conhecia bem sobre a cultura pop norte-americana. A avó de Akihide havia estudado nos Estados Unidos e seus pais tinham nascido lá, por isso Akihide foi criado assistindo a filmes e programas norte-americanos, e havia crescido falando inglês e japonês igualmente bem.

O amor que Akihide e Toshiro dividiam por filmes de samurai serviu de inspiração para os nomes dos avatares deles, e também para a aparência. Shoto e Daito se tornaram tão próximos que eram como irmãos, por isso, quando criaram suas identidades de caça-ovos,

decidiram que, a partir daquele momento, seriam irmãos no OASIS.

Quando Shoto e Daito passaram pelo Primeiro Portão e se tornaram famosos, concederam diversas entrevistas à imprensa. Mantiveram a identidade em segredo, mas revelaram ser japoneses, o que fez deles celebridades instantâneas no Japão. Eles começaram a assinar produtos japoneses e tinham um desenho numa série de TV com base em suas explorações. No ápice da fama, Shoto sugeriu a Daito que talvez já estivesse na hora de eles se encontrarem pessoalmente. Daito ficou enfurecido e parou de conversar com Shoto por vários dias. Depois disso, Shoto nunca mais sugeriu aquilo.

Quando Shoto e Daito passaram pelo Primeiro Portão e se tornaram famosos, concederam diversas entrevistas à imprensa. Mantiveram a identidade em segredo, mas revelaram ser japoneses, o que fez deles celebridades instantâneas no Japão. Eles começaram a assinar produtos japoneses e tinham um desenho numa série de TV com base em suas explorações. No ápice da fama, Shoto sugeriu a Daito que talvez já estivesse na hora de eles se encontrarem pessoalmente. Daito ficou enfurecido e parou de conversar com Shoto por vários dias. Depois disso, Shoto nunca mais sugeriu aquilo.

No documento Ernest Cline. O Jogador Numero 1 (páginas 184-200)

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