2. Distrito de Braga
2.2. Concelho de Braga
2.5.13. Hospital-Albergaria dos Sapateiros
Albergaria de S. Miguel; Albergaria de S. Crispim
Freguesia Toponímia
Oliveira do Castelo Viela de S. Crispim
Vias associadas Documentos
Estrada de acesso ao Porto138 29, 60, 119 e 159
Bibliografia
Bellino 1900: 261; Carvalho 1938: 6; Costa 1706: 59; Ferreira 2000/2001: 45-46; Ferreira 2010: 665; Guimarães 1929: 131-132; Marques 2014: 8, 12-13 e 33; Marques 2009: 356; Ribeiro 2016: 63 e 75
Descrição
Segundo o Inventário de bens e rendas da Confraria dos Sapateiros de 1499, o hospital ocupava um edifício sobradado com 19 varas de comprimento e 9 varas e meio de largura, ou seja, o rés-do-chão media 20,90m de comprimento e 10,45m de largura ocupando um total de 218,40m2. Contava com 14 câmaras com uma cama cada: 9 no rés-do-chão, designado sótão, e 5 no sobrado. Segundo Maria da Conceição Falcão
134 Doc. 155; Marques 1989: 54-56; Ribeiro 2016: 74; Correia 1999: 399; Ferreira 200/2001: 46; Guimarães
1929: 134.
135 Guimarães 1929: 132-134; Ribeiro 2016: 74. 136 Ferreira 2010: 672.
137 Capela 2003a: 624. 138 Ribeiro 2016: 63.
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Ferreira, o facto de ter menos quartos no sobrado pode ser indicador de que o primeiro piso não ocupava a mesma área que o piso térreo, caso frequente na Idade Média. À altura da elaboração do tombo o edifício e as câmaras encontravam-se muy bem
corregida e de novo e era, graças às dimensões e número de camas, um hospital considerável139.
No entanto, o atual edifício do Hospital-Albergaria dos Sapateiros, propriedade da Irmandade de S. Crispim e S. Crispiniano, tem o primeiro piso com as mesmas medidas que o rés-do-chão. O edifício, de planta quadrangular irregular, encontra-se nas traseiras da Capela de S. Crispim com a qual comunica através da sacristia no piso térreo e de uma pequena porta no primeiro piso que serve de acesso ao topo do altar. O hospital mede aproximadamente 12,70m de comprimento por 11m de largura, com uma área aproximada de 139,70m2 sem contar com a capela (fig. 10, 21, 22 e 24). A fachada principal está virada para a Viela de S. Crispim e apresenta três janelas retangulares de moldura em granito com gradeamento de ferro e a porta principal, também emoldurada em granito, encimada por inscrição em azulejaria: «ALBERGUE DE S. CRISPIM / CEIA DO NATAL / ANTIGA / ALBERGARIA-HOSPITAL / MCCXV» (fig. 23). A nível do primeiro piso é possível ver quatro pequenas janelas em madeira pertencentes a quatro câmaras. A fachada Sul apresenta uma porta a 40cm abaixo do nível do piso de circulação, e uma janela quadrangular do lado esquerdo e, no piso superior, quatro janelas de madeira, duas da cozinha e duas de câmaras particulares.
A porta principal dá acesso a um pequeno hall que comunica com a sacristia da capela (direita), à escadaria de acesso ao primeiro piso (frente) e à loja (esquerda). A loja, uma ampla e baixa divisão, de piso em terra e paredes e teto caiados, ainda hoje oferece ceia de Natal aos pobres (fig. 25). No fundo da sala, uma porta à esquerda liga-a a outra divisão mais pequena com escadaria para o piso superior, que funciona como arrumos e que, em tempos, também deu acesso à capela.
O primeiro piso, todo em taipa, apresenta um corredor que divide o espaço em dois e define um plano basilical. A Sul dá acesso à cozinha e, do lado oposto, a quatro câmaras (duas delas usadas como quartos-de-banho), e a uma pequena porta que estabelece ligação ao altar. A cozinha, uma das maiores divisões do hospital, é iluminado por duas janelas e, nas paredes laterais, dispõe de cinco portas para cinco câmaras. A um canto é possível ver vestígios de uma lareira tanto no chão como o no encaixe para a chaminé no teto (fig. 26). Oposta às janelas, encontram-se uma escadaria de madeira leva a uma pequena divisão que serve de arrumos e uma porta que dá acesso a um pequeno corredor com as três câmaras cujas janelas dão acesso à Viela de S. Crispim. Ao todo, o atual edifício dispõe de 12 câmaras: 10 numeradas nas portas e 6 com janela.
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Observações
Segundo o Inventário de 1499, confinava com a Viela do Hospital que seguia para a Torre Velha e, de outro lado, com casas de Pedro Fernandes. Enfrentava a Rua Pública e, nas traseiras, encostava à viela que seguia para a Igreja de S. Paio. Foi administrado e fundado pela Confraria dos Sapateiros que se pôs, mais tarde, sob patronato de S. Crispim140.
Existem algumas dúvidas em relação à data de fundação desta instituição. Enquanto que Maria da Conceição Falcão Ferreira refere um documento de 1243 que menciona esta albergaria, José Marques, apoiando-se na resposta que Fernão Gil, escrivão do hospital e da confraria, dá a Diogo Borges quando questionado sobre a fundação da instituição, acredita ter sido Martim Baião a fundar o hospital e a confraria no século XIV141.
Esta instituição também foi conhecida como Albergaria do Anjo e Hospital de S. Miguel por ter estado junto da capela desta invocação. Uma vez que, antes de se designar de S. Crispim, a capela estava consagrada ao Anjo S. Miguel142.
Além de poder ser considerado um hospital notável para a época, também foi muito abastado. O tombo de 1499 revela o vasto património desta instituição: 12 parcelas urbanas na vila de Guimarães e 107 rústicas dispersas pelas freguesias de Santo Estêvão de Urgeses, Matamá, S. Tomé de Abação, Santa Eulália de Fermentões, Santa Eufémia de Prazins, Santo Tirso de Prazins, Riba do Selho, S. Mamede de Aldão, Polvoreira, Gondar, S. Romão de Arões e na Terra de Pena. No contexto urbano, o hospital dispunha de 170,71m2 de superfície construída (sem contar com os 218,40m2 do próprio edifício-sede), em casas e anexos, pardieiros, lagares e adegas. Já no espaço rústico, a área ascendia aos 36642,75m2 entre leiras, vinhas, campos, talhos, soutos, devesas, latadas e até um chão para um palheiro143.
É dos poucos estabelecimentos de assistência que ainda se conservam hoje. Desde 1900 que recolhe mulheres pobres e, na altura, passageiros pobres por três dias144. Atualmente o Hospital-Albergaria dos Sapateiros acolhe por beneficência duas senhoras idosas que, em troco de agasalho, cuidam da capela e pedem esmola à porta da missa. 140 Marques 2014: 8 e 13; Ribeiro 2016: 75. 141 Ferreira 2010: 665; Marques 2014: 12. 142 Costa 1706: 59; Carvalho 1938: 67. 143 Marques 2014: 33. 144 Bellino 1900: 261.
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2.5.14. Hospital de Estevão Vasques