Hypolepis é composto por plantas terrícolas ou rupícolas, que se caracterizam por apresentar o caule longo-reptante, delgado, com tricomas; frondes monomorfas, eretas a escandentes; pecíolo liso ou com espinhos; lâmina 2-4-pinado-pinatífido a 5-pinada, glabra a pubescente; venação livre; soros marginais ou próximos à margem; pseudo-indúsio formado pela margem da lâmina modificada e revoluta.
Gênero com aproximadamente 50 espécies distribuídas no Neotrópico e nas regiões temperadas meridionais, das quais cerca de 15-20 ocorrem na região Neotropical (Mickel & Smith, 2004; Prado, 2004b). No Brasil ocorrem 11 espécies (Schwartsburd, 2014a), das quais apenas uma espécie é citada para Estado do Pará (Goés-Neto, 2011), a qual também foi registrada na área de estudo, sendo esta: Hypolepis repens (L.) C. Presl.
Literatura consultada: Assis & Salino (2011); Goés-Neto (2011); Mickel & Smith (2004); Moran (1995c); Prado (2004b); Schwartsburd (2014a); Tryon & Stolze (1989b).
1. Hypolepis repens (L.) C. Presl, Tent. Pterid. 162. 1836.
Plantas terrícolas. Caule longo-reptante, delgado, recoberto por tricomas catenados. Frondes monomorfas, escandentes. Pecíolo sulcado, com espinhos, recoberto na base por tricomas catenados. Lâmina 3-pinado-pinatífida, lanceolada, ápice agudo, face abaxial glabra entre as nervuras; raque sulcada, com espinhos, pubescente com tricomas catenados; pinas pecioluladas, lanceoladas, ápice agudo; costa sulcada com espinhos. Venação livre, nervuras 1–2-bifurcadas. Soros arredondados, marginais. Pseudo-indúsio desenvolvido formado pela margem recurvada. Na área de estudo: Hypolepis repens se diferencia da outra espécie da família Dennstaedtiaceae registrada (Pteridium arachnoideum), pelas frondes composta por lâminas 3-pinado-pinatífidas, com pecíolo, raque, costa e cóstula com espinhos e soros arredondados.
Ambiente de ocorrência: Floresta Ombrófila Densa, sobre barrancos em áreas de borda de floresta, entre 550-582 m de altitude.
Distribuição geográfica: Neotropical. Brasil: Norte (Pará); Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco); Centro-oeste (Mato Grosso do Sul); Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo).
Material examinado: BRASIL. Pará: Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo A, 29/06/2010, T.E. Almeida 2431 (BHCB); Parauapebas, Serra Norte, corpo N1. 14/02/2012. A.J. Arruda 623 (BHCB).
28. Isoetes L., Sp. Pl. 2: 1100. 1753.
Isoetes é composto por plantas aquáticas, anfíbias ou terrícolas, que se caracterizam por apresentar o caule geralmente curto, carnoso, globoso, ereto, com ou sem escamas; folhas isófilas, microfilos aciculares, de formato cilíndrico, triangular ou linear, com lígula auriculada, com um lábio recobrindo toda a lígula ou não, e esporângios fundido com a base da folha, elíptico a ovado, expostos ou coberto pelo velum.
Gênero de distribuição cosmopolita com aproximadamente 350 espécies (Hickey, 1986; Hickey et al., 2003). No Brasil ocorrem 21 espécies (Prado et al., 2014b), das quais apenas uma é citada para o Estado do Pará, sendo esta: Isoetes amazonica Baker (Tryon & Conant, 1975). Na área de estudo foram registrados duas potenciais espécies novas para o gênero, as quais até o momento são endêmicas da área de estudo.
Literatura consultada: Ernandes & Marchiori (2012); Fuchs-Eckert (1986); Hickey (1986, 1990); Hickey et al. (2003); Pereira & Labiak (2013); Prado et al. (2014b)
Chave de identificação para as espécies de Isoetes nas Serras Ferruginosas da FLONA de Carajás
1a. Microfilos triangulares a lineares, eretos a ascendentes, ápice agudo a atenuado, com até 14 cm comprimento; velum rudimentar, recobrindo menos de 25% da superfície adaxial do esporângio...1. Isoetes sp.1 1b. Microfilos lineares, ascendentes, ápice agudo a retangular, acima 20 cm comprimento; velum conspícuo, recobrindo mais de 25% da superfície adaxial do esporângio...2. Isoetes sp.2
1. Isoetes sp. 1 (Fig. 14E-F)
Plantas aquáticas fixadas ao substrato. Cormo ereto, bilobado. Raízes conspícuas, síncronas, dicotomicamente ramificadas. Microfilos triangulares a lineares, retos, eretos a ascendentes, ápice agudo a atenuado, com até 14 cm compr. (geralmente com menos de 10 cm compr.). Lábio presente, acentuadamente arredondado. Lígula retangular. Velum rudimentar, pouco evidente. Escamas ausentes. Esporângio basal, com a superfície adaxial castanha.
Na área de estudo: Isoetes sp.1 diferen de Isoetes sp. 2 pelos microfilos triangulares a lineares, eretos a ascendentes, ápice agudo a atenuado, lábio presente, arredondado, lígula retangular, e velum rudimentar, recobrindo menos de 25% da superfície adaxial do esporângio. Além disso, esta espécie foi registrada até o momento apenas em pequenas lagoas temporárias nos topos de serra próximo a vegetação rupestre sobe canga e apresenta microfilos com até 14 cm compr., enquanto que Isoetes sp.2 foi coletada apenas em uma lagoa permanente sobre canga em fendas de rochas sumbersas e seus microfilos podem chegar a até 30 cm compr.
Ambiente de ocorrência: Erva aquática submersa, em pequenas lagoas temporárias nos topos de serra próximo a vegetação rupestre sobre canga, entre 650 e 750 m de altitude.
Distribuição geográfica: Brasil: Norte (Pará).
Material examinado: BRASIL. Pará: Canaã dos Carajás, Serra do Tarzan, 16/12/2007, N.F.O. Mota 1220 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo D, 10/12/2007, P.L. Viana 3432 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo B, 14/02/2010, T.E. Almeida 2157 (BHCB); Parauapebas, Serra Norte corpo N7, 25/03/2012, A.J. Arruda 854 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo D, 25/01/2012, L.V.C. Silva 1097 (BHCB); Parauapebas, Serra da Bocaina, 09/03/2012, N.F.O. Mota 2571 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo B, 23/01/2013, A.J. Arruda 1338 (BHCB); Parauapebas, Serra Norte corpo N6, 26/01/2013, A.J. Arruda 1356 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo D, 22/01/2013, A.J. Arruda 1329 (BHCB).
2. Isoetes sp.2 (Fig. 15A-B)
Plantas aquáticas fixadas à rocha ou ao substrato. Cormo ereto, bilobado. Raízes conspícuas, síncronas, dicotomicamente ramificadas. Microfilos lineares, retos, ascendentes, ápice agudo, retangular, com até 30 cm compr. (geralmente com mais de 20 cm compr.). Lábio com formato arredondado. Lígula retangular. Velum conspícuo, recobrindo mais de 25% da superfície adaxial do esporângio. Escamas ausentes. Esporângio basal, com a superfície adaxial castanha.
Na área de estudo: Isoetes sp.2 se difere de Isoetes sp.1 pelos microfilos lineares, ascendentes, com ápice agudo a retangular, geralmente acima de 20 cm compr., e pelo velum conspícuo, recobrindo mais de 25% da superfície adaxial do esporângio.
Ambiente de ocorrência: Erva aquática submersa (estando em alguns locais a mais de um metro de profundidade), em lagoa permanente sobre canga no topo da Serra, a aproximadamente 730 m de altitude.
Distribuição geográfica: Endêmica do Brasil: Norte (Pará).
Material examinado: BRASIL. Pará: Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo D, 22/01/2013, A.J. Arruda 1329 (BHCB).