• Nenhum resultado encontrado

I DENTIFICAÇÃO DOS E LEMENTOS DE C ONTEXTO

Colaboração Contextual

6.3. I DENTIFICAÇÃO DOS E LEMENTOS DE C ONTEXTO

Uma questão que surge na aplicação de contexto a groupware é identificar onde e como o contexto pode ser usado e que tipo de informação pode ser considerada como parte do contexto no ambiente colaborativo. Quando as pessoas trabalham em grupo não apenas o contexto dos indivíduos deve ser

considerado, mas também o contexto do grupo (Borges et al., 2004). As informações contextuais podem ser relativas ao ambiente físico dos membros do grupo ou ao ambiente virtual onde eles interagem, bem como podem ser relativas às próprias pessoas, ao grupo, ou à memória do grupo (interações históricas).

Brézillon et al. classificam o contexto em três diferentes níveis de granularidade, como mostra a Figura 6.1: o contexto do grupo (ex. porque e como o grupo foi constituído), o contexto dos vários indivíduos que compõem o grupo (ex. suas habilidades e origens técnicas) e o contexto do projeto ao qual o grupo está vinculado (ex. o produto a ser construído pela equipe) (Brézillon et al., 2004).

Figura 6.1 – Níveis de contexto em ambientes colaborativos (Brézillon et al., 2004)

O framework conceitual de contexto em groupware (Rosa et al., 2003), explicado na Seção 0, agrupa os elementos do contexto em cinco dimensões (ver Figura 6.2): pessoas, tarefas a realizar, relações entre pessoas e tarefas, ambiente e tarefas já realizadas. As informações sobre as pessoas referem-se ao

contexto do indivíduo e ao contexto do grupo que esses indivíduos fazem parte. O contexto do indivíduo

identifica e caracteriza as pessoas que compõem o grupo através de informações como nome, habilidades, interesses, formação e experiência, localização geográfica, dados pessoais e horários de trabalho. Esse tipo de contexto, de uma maneira geral, é atendido, mesmo que de forma incompleta, pela maioria das ferramentas de groupware existentes (Rosa, 2004). O contexto do grupo inclui informações que identificam e caracterizam os grupos constituídos, como nome, membros, papéis, habilidades, interesses e experiências prévias do grupo, estrutura organizacional, horário de trabalho e sede geográfica.

As informações sobre as tarefas a realizar identificam e caracterizam as tarefas a serem realizadas pelo grupo e surgem quando da definição da tarefa. O contexto da tarefa inclui informações como nome, descrição, objetivo, prazo, pré-requisitos, tecnologia envolvida, homem/hora necessários, ações a serem realizadas e restrições. As informações sobre as relações entre pessoas e tarefas visam relacionar as ações de cada membro do grupo durante as interações com as tarefas a serem realizadas e são caracterizadas pelo contexto da interação e pelo contexto do planejamento. O contexto da interação é dependente do tipo da interação: (i) em interações síncronas, é composto por informações detalhadas sobre as tarefas em andamento, como os participantes presentes na interação, as mensagens trocadas ou as ações realizadas caracterizadas pelo seu autor; (ii) em interações assíncronas, o que muda é a granularidade da informação, menos detalhada e mais geral, e inclui as alterações ocorridas desde o último acesso de um membro, caracterizadas pelos autores, objetivos e datas de realização, bem como a

evolução das versões dos artefatos produzidos. O contexto do planejamento representa o plano de ação da equipe através de informações como papéis dos indivíduos na interação, regras, metas, responsabilidades, estratégia, procedimentos de coordenação e plano de trabalho, as quais podem ser definidas como produto das interações, no caso de tarefas realizadas de forma ad hoc, ou, em tarefas programadas, são definidas quando as tarefas são detalhadas e atribuídas ao grupo.

Figura 6.2 – Composição do contexto de uma atividade (Rosa, 2004)

As informações sobre o ambiente representam o espaço onde ocorrem as interações e onde estão inseridas as tarefas a serem executadas. Esse contexto é caracterizado por informações como as regras a serem respeitadas, os padrões de qualidade a serem observados, procedimentos e estratégias padronizadas, os prazos institucionais, as estruturas organizacionais da instituição, as decisões políticas e restrições financeiras, a plataforma de hardware e software. Em seu estudo, Rosa não encontrou ferramentas de groupware que disponibilizassem informações sobre o contexto do ambiente.

As informações sobre as tarefas já realizadas caracterizam as interações passadas, realizadas pelo próprio grupo ou por outros grupos, e tem por objetivo oferecer subsídios sobre experiências aprendidas em tarefas já concluídas, e permitir que o grupo entenda de que forma as tarefas já concluídas foram realizadas, além dos fatores que influenciaram a execução. Essas informações constituem o contexto

histórico e incluem a composição da equipe, a especificação da tarefa, a elaboração do planejamento da

execução e a execução da tarefa. Para isso são descritos o nome da tarefa, seu objetivo, plano de trabalho, ações realizadas, o autor, objetivo e justificativa de cada ação, a data de realização, versões de artefatos e outras informações utilizadas na execução da tarefa.

Alarcón et al. identificam, de uma forma geral, que os elementos comuns mínimos para determinar o contexto de um grupo são pessoas, tarefas ou projetos, e recursos (Alarcón et al., 2005b). Informações de contexto das pessoas incluem conhecimento da organização dos membros no grupo, papéis e responsabilidades, localização física ou virtual da pessoa, presença, co-presença, distância entre membros do grupo, proximidade, visibilidade, disponibilidade, estados emocionais do usuário e ações executadas pelos outros membros do grupo. O contexto da tarefa inclui conhecimento sobre a estrutura e distribuição

das tarefas no projeto, e o estado de execução das tarefas pelos membros do grupo (ex. em execução, finalizada, a executar). O contexto dos recursos implica em conhecer os recursos disponíveis para o grupo, sua localização e formas de utilizá-los. Os recursos disponíveis em um grupo podem ser conceitos, informações (ex. documentos e figuras), artefatos de software, artefatos de trabalho (ex. modelos de documento), representações de objetos físicos (ex. o endereço IP de uma impressora compartilhada), ou, ainda, recursos humanos como especialidades, conhecimento, e interesses dos membros do grupo (Alarcón et al., 2005b).

Kirsch-Pinheiro et al. (Kirsch-Pinheiro et al., 2004) propõem um mecanismo de percepção baseado em contexto que filtra as informações entregues ao usuário de acordo com uma descrição contextual. O contexto é representado através de cinco entidades principais: espaço, indica a localização física;

ferramenta, refere-se aos dispositivos físicos e aplicações; tempo, calendário de trabalho do grupo; comunidade, composição da comunidade incluindo o grupo, os usuários e os papéis; e processo, fluxo de

trabalho executado pelo grupo, incluindo conceitos de atividades e artefatos compartilhados. A partir desses conceitos principais, foi definida a estrutura de representação de contextos ilustrada na Figura 6.3.

Figura 6.3 – Representação de contexto proposta por Kirsch-Pinheiro et al. (Kirsch-Pinheiro et al., 2004)