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I – DO RELATÓRIO

No documento Sumário (páginas 32-42)

O presente procedimento foi instaurado visando a contratação de empresa especializada para prestação de serviços de atualização da Planta Genérica de Valores (PGV), com definição do valor de metro quadrado dos imóveis urbanos, edificados e não edificados, por face de quadra, com confecção de anteprojeto de lei para atualização da legislação tributária.

No dia 08 de outubro de 2021, foi sessão pública, com declaração de habilitação da proposta da empresa AEROJAM SERVIÇOS DE DESENHO TÉCNICO EIRELI. Irresignadas, as empresas G.A. ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, SAFRA GEOTECNOLOGIA E GESTÃO LTDA e EFICACI ENGENHARIA E CONSTRUTORA EIRELI manifestaram a intenção de recurso, tendo sido concedido o prazo de 03 (três) dias úteis para apresentação das respectivas razões recursais.

A pessoa jurídica G.A. ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA., interpôs tempestivo recurso, alegando, em resumo, que o valor apresentado pela vencedora é inexequível, solicitando que sejam realizadas diligências pelo pregoeiro e equipe de apoio para comprovar a exequibilidade da proposta, eis que o valor corresponde à 23,96% do valor máximo estimado pelo Edital.

A empresa AEROJAM SERVIÇOS DE DESENHO TÉCNICO EIRELI apresentou contrarrazões, sustentando que o preço por ela apresentado não é inferior à 30% (trinta por cento) da média dos preços ofertados, colocando-se à disposição para encaminhar eventual documentação complementar para comprovação dos serviços prestados, assinados pelo responsável técnico indicado.

A pessoa jurídica SAFRA GEOTECNOLOGIA E GESTÃO LTDA, também apresentou tempestivamente seu recurso, aduzindo, resumidamente, que o profissional técnico da empresa vencedora não atende à contento às exigências do edital, bem como solicitou que seja realizada diligência em relação ao atestado de capacidade técnica por ela juntado, visando comprovar a execução do serviço nele contido e pelo profissional indicado. Questionou, também, a habilitação da empresa EFICACI ENGENHARIA E CONSTRUTORA EIRELI, explicando que o CAT apresentado se refere a trabalho executado para a empresa HDO, solicitando que seja comprovada a execução da PGV para o Município de Ponta Porã, assim como contrato e ART pela empresa HDO, para a execução do serviço. Arguiu, ainda, falta de comprovação de experiência em legislação tributária.

Em suas contrarrazões, a recorrida AEROJAM SERVIÇOS DE DESENHO TÉCNICO EIRELI assentou que o atestado apresentado é de coordenação da PGV, realizado por equipe multidisciplinar, ressaltando que em seu quadro possui diversos profissionais, de todas as áreas, que o profissional indicado, além de engenheiro devidamente credenciado no órgão de classe, possui formação como técnico de transações imobiliárias, que a CAT e o atestado técnico são validados pelo órgão de classe.

Também a pessoa jurídica EFICACI ENGENHARIA E CONSTRUTORA EIRELI, interpôs recurso, sustentando que o objeto social da empresa vencedora não prevê a execução das atividades de aerolevantamento e aerofotogrametria, além de que seria necessário que a mesma tenha cadastro no Ministério da Defesa e que, na falta de tal cadastro, não poderia participar do certame.

A recorrida, a seu turno, ponderou que possui a inscrição no Ministério da Defesa, na categoria C, sendo apta, pois, à execução de produto decorrente de aerolevantamento.

Submetido o procedimento à análise jurídica, o Dr. Fernando Lucas Berti, Procurador Jurídico do Município, se manifestou pelo desprovimento dos recursos, sob a assertiva de que o edital dispôs que, para a realização de diligências a fim de comprovar a exequibilidade do preço, o interessado deveria apresentar provas ou indícios que fundamentam a suspeita, sendo certo que, quando instado a se manifestar, durante

a sessão, o representante da pessoa jurídica com a proposta habilitada, garantiu a execução nos preços ofertados, sugerindo, por fim, que, caso persista dúvida, seja promovida diligência. No que toca à qualificação técnica, ponderou que a empresa apresentou profissional, devidamente registrado no CREA, além de que não há nenhum fato que desabone os atestados de capacidade técnica apresentados, registrando, ainda, que o engenheiro cartógrafo é habilitado para atuar no contexto dos serviços ora licitados.

Em relação ao objeto social, ponderou que a empresa possui ramo de atividade compatível com o objeto licitado e, portanto, não há restrição para participação no certame. No que diz respeito à alegação de suposta ausência de habilitação da empresa Aerojam Serviços de Desenho Técnico Eireli, junto ao Ministério da Defesa, assentou que, muito embora o edital não tenha exigido nada a esse respeito, a recorrida comprovou que possui inscrição naquele Órgão.

O parecerista destacou ao final, que, na busca da proposta mais vantajosa para a Administração, tem se sedimentado o entendimento acerca da necessidade de observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como do princípio do formalismo moderado, pelo que opinou pelo desprovimento dos recursos, com consequente manutenção da decisão registrada em ata.

No dia 17 de novembro de 2021, o Pregoeiro, fulcrado no parecer jurídico, decidiu pelo desprovimento dos recursos, mantendo a classificação e habilitação da empresa declarada vencedora.

Por força da regra estabelecida no art. 109, § 4º, da Lei nº 8.666/1993, conjugado com o art. 9º, da Lei nº 10.520/2002, o procedimento me veio concluso para julgamento.

É o breve relatório. Decido.

II – DO JULGAMENTO

O presente certame foi iniciado visando a Contratação de empresa especializada para a prestação de serviços de atualização da Planta Genérica de Valores (PGV), com definição do valor de metro quadrado dos imóveis urbanos, edificados e não

edificados, por face de quadra, com confecção de Anteprojeto de Lei para atualização da Legislação Tributária.

Os recursos apresentados pelas empresas G.A. ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, SAFRA GEOTECNOLOGIA E GESTÃO LTDA e EFICACI ENGENHARIA E CONSTRUTORA EIRELI são tempestivos e preenchem os requisitos legais de admissibilidade, razão por que os recebo.

No mérito, porém, tenho, diante do confronto entre as alegações das partes, o parecer jurídico, o teor da decisão prolatada pelo Pregoeiro e os elementos de convicção aportados ao procedimento, que os recursos voltados à desclassificação e inabilitação da empresa AEROJAM SERVIÇOS DE DESENHO TÉCNICO EIRELI, não tem como prevalecer.

a) Recurso da empresa G.A. ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.

Quanto à alegação de inexequibilidade da proposta, importante registrar o que estabelecido no art. 44, § 3º, da Lei de Licitações:

Art.44 No julgamento das propostas, a Comissão levará em consideração os critérios objetivos definidos no edital ou convite, os quais não devem contrariar as normas e princípios estabelecidos por esta Lei.

/.../

§ 3º Não se admitirá proposta que apresente preços globais ou unitários simbólicos, irrisórios ou de valor zero, incompatíveis com os preços dos insumos e salários do mercado acrescido dos respectivos encargos, ainda que o ato convocatório da licitação não tenha estabelecido limites mínimos, exceto quando se referirem a materiais e instalações de propriedade do próprio licitante, para os quais ele renuncie a parcela ou à totalidade da remuneração.

No caso, também consideramos válida a transcrição do disposto no art. 48, da Lei nº 8.666/93, in verbis:

Art.48. Serão desclassificadas:

I-as propostas que não atendam às exigências do ato convocatório da licitação;

II-propostas com valor global superior ao limite estabelecido ou com preços manifestamente inexequíveis, assim considerados aqueles que não venham a ter demonstrada sua viabilidade através de documentação que comprove que os custos dos insumos são coerentes com os de mercado e que os coeficientes de produtividade são compatíveis com a execução do objeto do

contrato, condições estas necessariamente especificadas no ato convocatório da licitação

§ 1º Para os efeitos do disposto no inciso II deste artigo consideram-se manifestamente inexequíveis, no caso de licitações de menor preço para obras e serviços de engenharia, as propostas cujos valores sejam inferiores a 70% (setenta por cento) do menor dos seguintes valores:

a) média aritmética dos valores das propostas superiores a 50%

(cinquenta por cento) do valor orçado pela administração, ou

b) valor orçado pela administração

§ 2º Dos licitantes classificados na forma do parágrafo anterior cujo valor global da proposta for inferior a 80% (oitenta por cento) do menor valor a que se referem as alíneas "a" e "b", será exigida, para a assinatura do contrato, prestação de garantia adicional, dentre as modalidades previstas no § 1º do art. 56, igual a diferença entre o valor resultante do parágrafo anterior e o valor da correspondente proposta.

§ 3º Quando todos os licitantes forem inabilitados ou todas as propostas forem desclassificadas, a administração poderá fixar aos licitantes o prazo de oito dias úteis para a apresentação de nova documentação ou de outras propostas escoimadas das causas referidas neste artigo, facultada, no caso de convite, a redução deste prazo para três dias úteis.

Sobre a inexequibilidade de preço, importante observar o que disposto nos itens 8.3.1 e 8.4, do instrumento convocatório:

8.3.1 Considera-se inexequível a proposta que apresente preços global ou unitários simbólicos, irrisórios ou de valor zero, incompatíveis com os preços dos insumos e salários de mercado, acrescidos dos respectivos encargos, ainda que o ato convocatório da licitação não tenha estabelecido limites mínimos, exceto quando se referirem a materiais e instalações de propriedade do próprio licitante, para os quais ele renuncie a parcela ou à totalidade da remuneração.

/.../

8.4 Qualquer interessado poderá requerer que se realizem diligências para aferir a exequibilidade e a legalidade das propostas, devendo apresentar as provas ou os indícios que fundamentam a suspeita (sem destaques no original).

O edital estabeleceu, de forma muito clara, o modo com pudessem as empresas participantes do certame questionar a exequibilidade das propostas das respectivas concorrentes, lançando exigência sobre a necessidade de apresentação de provas ou indícios que fundamentassem a suspeita!

No caso, não foi trazido nenhum elemento concreto de demonstração a respeito da inexequibilidade do valor proposto pela empresa declarada

vencedora, tendo, a recorrente, se limitar a meramente arguir essa condição, sem, contudo, repita-se, apresentar fatos capazes de amparar sua alegação.

Outrossim, importante destacar que a recorrida confirmou a exequibilidade dos valores propostos, quando questionada pelo Pregoeiro, durante a sessão, o que, por evidente, respaldou a Administração acerca da capacidade plena para a execução do contrato, nos preços apresentados!

Deste modo, tenho que inexistem quaisquer motivos para alterar a conclusão firmada pelo Pregoeiro!

b) Recurso da empresa SAFRA GEOTECNOLOGIA E GESTÃO LTDA.

A recorrente sustenta que o profissional técnico da empresa vencedora não atende à contendo as exigências do edital, bem como solicitou que seja realizada diligência em relação ao atestado de capacidade técnica apresentado, visando comprovar a execução do serviço nele contido e pelo profissional indicado.

Sucede que as alegações da recorrente, quanto aos atestados técnicos, não trazem maiores dúvidas sobre sua idoneidade. A documentação apresentada para comprovação da qualificação técnica se encontra dentro dos parâmetros exigidos pelo instrumento convocatório.

Além disso, registre-se que foi apresentada a inscrição da empresa e do profissional, no CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, acompanhada dos demais documentos de habilitação, de modo que a recorrida atendeu adequadamente às condições estabelecidas no edital.

Importante recordar, outrossim, que, segundo o Excelso Pretório, a Administração, bem como os licitantes, estão vinculados aos termos do edital [art. 37, XXI, da CB/88 e arts. 3º, 41 e 43, V, da Lei n. 8.666/93],1 de modo que, a habilitação da recorrida se deu em plena conformidade ao exigido pelo edital!

1 STF. RMS 24555 AgR-DF. Rel. Min. Eros Grau. 1ª Turma. j. 21.02.2006. DJ. 31.03.2006.

Relembre-se, também, que o art. 41, da Lei de Licitações, preconiza que a Administração não pode descumprir as normas e condições do edital, ao qual se encontra estritamente vinculada e que o art. 3º, da mesma norma legislativa, ainda estabelece que a licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos (sem destaques no original).

Em casos que tais, a orientação jurisprudencial pacífica, assim tem assentado:

APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME NECESSÁRIO CONHECIDO DE OFÍCIO. MANDADO DE SEGURANÇA. LICITAÇÃO PELA MODALIDADE DE CONCORRÊNCIA. CONSTRUÇÃO DE DELEGACIA CIDADÃ. EMPRESA VENCEDORA. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE DISPOSIÇÃO EDITALÍCIA. MERO FORMALISMO. NÃO CONFIGURADO. INABILITAÇÃO QUE DEVE PREVALECER EM OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, ISONOMIA E VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO (ART. 37, CAPUT DA CF E ARTS. 3º E 41 DA LEI Nº 8.666/93).1. O princípio da vinculação ao instrumento convocatório, disposto no art. 41 da Lei nº 8.666/93, determina que a Administração estará estritamente vinculada às normas que previamente estabelecer para disciplinar o certame.2. O princípio da isonomia veda que o licitante seja favorecido, quando da não apresentação de documentação exigida pelo edital, em detrimento daqueles que cumpriram todas as exigências previstas, ainda que se trate de microempresa. RECURSO NÃO PROVIDO. SENTENÇA MANTIDA EM REEXAME NECESSÁRIO (sem grifos e sem destaques no original);2

APELAÇÕES CÍVEIS E REEXAME NECESSÁRIO - MANDADO DE SEGURANÇA - LICITAÇÃO - CONCORRÊNCIA PÚBLICA DESTINADA À OUTORGA DE AUTORIZAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TÁXI NO MUNICÍPIO DE CURITIBA - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO EXIGIDO PARA HABILITAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE RATIFICAÇÃO POSTERIOR - APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO - PREVISÃO EDITALÍCIA - OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PARA LICITANTES E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - INABILITAÇÃO DO IMPETRANTE CORRETAMENTE ADOTADA PELA COMISSÃO DE LICITAÇÃO - RECURSOS CONHECIDOS E PROVIDOS -

2 TJPR. AC 1483952-4-Curitiba. Rel. Des. Nilson Mizuta. 5ª Câmara Cível. j. 26.04.2016. DJe. 17.05.2016.

SENTENÇA REFORMADA EM SEDE DE REEXAME NECESSÁRIO (sem destaques e sem grifos no original).3

Importante consignar, ainda,, como bem assinalado pelo parecerista jurídico, que o Engenheiro Cartógrafo possui plena habilitação para a execução dos serviços que se pretende contratar no presente procedimento, conforme se verifica nas Resoluções do CONFEA nº 1.073/2016 e 1.095/2017!

Logo, demonstrado que a recorrida atende aos requisitos exigidos de qualificação técnica exigidos pelo instrumento convocatório, acertada a decisão do Pregoeiro!

c) Recurso da empresa EFICACI ENGENHARIA E CONSTRUTORA EIRELI.

Relativamente à alegação de que a recorrida não possua, no seu objeto social do CNPJ e no CNAE, a atividade de “Aerolevantamento e Aerofotogrametria”, imperioso destacar que o item 4.1, do instrumento convocatório, fez estabelecer que poderão participar deste Pregão interessados cujo ramo de atividade seja compatível com o objeto desta licitação, e que estejam com Credenciamento regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores – SICAF, conforme disposto no art. 9º da INSEGES/MP nº3, de 2018 (sem destaque no original).

Dessa forma, observando-se o objeto social e o CNAE da empresa Aerojam Serviços de Desenho Técnico Eireli, vê-se que, dentre as suas atividades, estão elencados Serviços de arquitetura. Serviços de engenharia. Serviços de cartografia, topografia e geodésia. Atividades técnicas relacionadas à engenharia e arquitetura não especificas anteriormente”, ou seja, atividade que possui, compatibilidade com o objeto licitatório!

Por outro lado, imperioso relembrar que o processo licitatório seja regido por diversos princípios, dentre os quais o da instrumentalidade das formas, que estabelece que a “forma”, as formalidades, não podem ser um fim em si mesmas, a reclamar que se considerem válidos os atos quando os objetivos finais tenham sido atingidos, mesmo sem a observância das solenidades!

3 TJPR. AC 1559265-3-Curitiba. Relª. Desª. Regina Afonso Portes. 4ª Câmara Cível. j. 09.02.2017. DJe. 22.02.2017.

Além disso, também há de se respeitar os princípios da isonomia e da competitividade, de modo que não se possa exigir que o rigor e o excesso de formalismo possam frustrar o objetivo maior da licitação, que seja o de buscar a oferta mais vantajosa para a Administração.

A esse respeito, consideramos adequado, inclusive, indicarmos a posição que seja adotada pelo Tribunal de Contas da União, na forma do Acórdão 357/2015-Plenário:

Falhas formais, sanáveis durante o processo licitatório, não devem levar à desclassificação da licitante. No curso de procedimentos licitatórios, a Administração Pública deve pautar-se pelo princípio do formalismo moderado, que prescreve a adoção de formas simples e suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados, promovendo, assim, a prevalência do conteúdo sobre o formalismo extremo, respeitadas, ainda, as praxes essenciais à proteção das prerrogativas dos administrados (sem destaques no original).

Além disso, destaque-se que a orientação doutrinária mais abalizada também explica que o procedimento formal estabelecido para a licitação, não se confunde com "formalismo", que se caracteriza por exigências inúteis e desnecessárias. Por isso mesmo, não se anula o procedimento diante de meras omissões ou irregularidades formais na documentação ou nas propostas desde que, por sua irrelevância, não causem prejuízo à Administração ou aos licitantes (sem destaques no original).4

Desta orientação não discrepa a pacífica e remansosa posição da jurisprudência, na forma das ementas:

PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC.

OMISSÃO AFASTADA. LICITAÇÃO. SERVIÇOS DE OXIGENOTERAPIA. AUTORIZAÇÃO DE FUNCIONAMENTO ANVISA. EDITAL. NÃO-EXIGÊNCIA. 1. Não há violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal a quo resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente.

2. O acórdão recorrido concluiu que tanto o objeto - contratação de serviços de oxigenoterapia domiciliar -, quanto o edital do certame dispensavam Licença de Funcionamento expedida pela Anvisa, porquanto a licitação não objetivava a "comercialização de equipamentos" que exigiria a autorização do órgão de vigilância, nos termos da lei. Não se deve exigir excesso de formalidades

4 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 43. ed. São Paulo: Malheiros, 2018. p. 321-2.

capazes de afastar a real finalidade da licitação, ou seja, a escolha da melhor proposta para a Administração em prol dos administrados. 4. Recurso especial não provido (sem grifos e sem destaques no original);5

ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. LICITAÇÃO.

PREGÃO. ERRO MATERIAL. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO.

FORMALISMO MODERADO. SITUAÇÃO CONSOLIDADA.

SEGURANÇA DENEGADA. I – Prevalece, no processo licitatório, o princípio do formalismo moderado, de modo que não se reconhece nulidade sem a demonstração de prejuízo grave para a competição e a certeza e segurança da contratação, notadamente se for obtida a proposta mais vantajosa para a Administração;6 MANDADO DE SEGURANÇA. INSTRUMENTO DE CHAMAMENTO PÚBLICO. GERENCIAMENTO DO HOSPITAL ESTADUAL DE URGÊNCIAS DE ANÁPOLIS DR. HENRIQUE SANTILLO. HUANA. INABILITAÇÃO.AUSÊNCIA DE DECRETO DE QUALIFICAÇÃO COMO ORGANIZAÇÃO SOCIAL EM SAÚDE.

BUROCRACIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO.

QUALIFICAÇÃO COMO OS EM SAÚDE POUCOS DIAS APÓS O SESSÃO DE HABILITAÇÃO. PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. PONDERAÇÃO ENTRE O PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA A DA SEGURANÇA JURÍDICA. SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO. IMPOSSIBILIDADE DE INABILITAÇÃO COM BASE EM FORMALISMO EXCESSIVO. 1. Na fase de habilitação, deve-se evitar exigências ou rigorismos inúteis. Não se pode olvidar que o objetivo maior da licitação é garantir que a administração possa adquirir bens e serviços de qualidade, de acordo com a proposta mais vantajosa e conveniente. Portanto, quanto maior número de licitantes aptos a prestar o serviço, melhor será para a administração. 2. O princípio do formalismo moderado permite a correção de falhas ao longo do processo licitatório, sem desmerecer o princípio da vinculação ao instrumento convocatório. Busca-se, assim, uma ponderação entre o princípio da eficiência e o da segurança jurídica, ostentando importante função no cumprimento dos objetivos descritos no art.

3º da lei de licitações: busca da proposta mais vantajosa para a Administração, garantia da isonomia e promoção do desenvolvimento nacional sustentável. 3. A licitação não é um fim em si mesma. Por óbvio, as formalidades existem para proteger a essência, a finalidade da licitação, a fim de que não se ultrapassem princípios, direitos e valores importantes na consecução do seu fim.

Sendo assim, formalmente é suficiente a verificação se a proposta contém aquilo que é obrigatório e não omitiu aquilo que é proibido. 4. Concorrente que sagrou-se vencedora no certame, o que demonstra a necessidade de privilegiar a supremacia do interesse público sobre a lei editalícia. 5. Não se mostra razoável e coerente, excluir do certame o concorrente que, a despeito de vício já sanado (decreto de habilitação em OS em saúde) ofereceu a melhor técnica, ainda mais se tratando de gestão de hospital estadual que notoriamente vem enfrentando crise

5 STJ. REsp 1190793-SC. Rel. Min. Castro Meira. 2ª Turma. j. 24.08.2010. DJe. 08.09.2010.

6 TRF1. AC 0035017-34.2011.4.01.3400/DF. Rel. Des. Fed. Souza Prudente. 5ª Turma. j. 14.11.2018. DJe. 23.01.2019.

financeira. 6. Inviável inabilitação, com base em formalismo excessivo na interpretação do edital, sob pena de afastamento de proposta mais vantajosa à Administração Pública. SEGURANÇA CONCEDIDA (sem destaques e sem grifos no original).7

Por último, em relação à alegação de suposta ausência de habilitação junto ao Ministério de Defesa, para a execução de serviços de aerofotogrametria, vale destacar que nada a esse respeito foi exigido no edital. De qualquer modo, tem-se que a recorrida explicou que possui inscrição no Ministério da Defesa, na categoria C, estando apta a execução do produto decorrente de aerolevantamento.

Assim sendo, como a classificação/habilitação da recorrida se deu em estrita obediência aos parâmetros legais que norteiam os procedimentos licitatórios, tenho que inexiste motivos para alteração da decisão do Pregoeiro!

No documento Sumário (páginas 32-42)

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