HOMENS 32 28,8 24,3 3,3 6,3 2,6
4,9 2,6 Essa realidade refuta a ideia de que, por inaptidão, indivíduos do sexo feminino não estariam presentes em algumas áreas. E mostra que mesmo quando mulheres, rompem as barreiras da masculinização de certas áreas de conhecimento e se constituem maioria, mecanismos internos são estabelecidos, no sentido confina-las em lugares não valorizados socialmente, esse fenômeno pode ser caracterizado como uma rearticulações das desigualdades de gênero e do sexismo em instituições universitárias.
A autora Paula Barreto (2015), aprofunda essa discussão, anteriormente já levantada pela autora Rosemberg e Andrade (2008), e trata da não sincronia nas desigualdades de raça e gênero, tendo em vista que desde 1998 até 2012, os censos vêm mostrando que as mulheres acumulam mais anos de estudo que os homens, em todos os grupos raciais, porém com variações internas para mais ou para menos (as mulheres pretas tem os maiores índices educacionais quando comparadas com os homens do seu grupo racial), em todos os níveis educacionais.
A partir de pesquisa empírica sobre o corpo docente da UFBA e o exame da literatura sobre gênero e ciência, a autora Barreto (2015), concluiu que, mesmo diante da vantagem numérica em instituições de ensino superior, as mulheres estão confinadas nos cursos, departamentos e ou áreas de menor prestígio social, situação que reflete imediatamente na representação de gênero nos quadros docentes em universidades.
No caso da Universidade Federal da Bahia, a distribuição dos sexos dos docentes nas áreas de conhecimento se dá da seguinte forma: 33% homens e 19% mulheres na Área I; 31,5% homens e 44% mulheres na Área II; 23% homens e 20% mulheres na Área III; 3,3 homens e 8% mulheres na Área IV; BI com 3% mulheres e 2,2% homens; e Instituto Multidisciplinar em Ciência em Vitória da Conquista com 4,9% mulheres e 2,6% homens.
Figura 2 – UFBA – Gênero área de conhecimento
Na Universidade Federal da Bahia, há alguns pontos extremos da presença feminina e masculina destacando-se dois: a área I composta em maior parte por cursos de alto prestígio social, é a área em que se encontra a maior diferença entre indivíduos do sexo feminino e masculino, ou seja, a presença masculina é 15,3% maior que a feminina. Essa área tradicionalmente, foi associada a presença masculina, por estar relacionada com as capacidades de abstração e raciocínio lógico, consideradas inerentes ao sexo masculino. Barreto (2015) chama atenção para o fato de que na área I, a predominância de indivíduos do sexo masculino não se evidencia somente no Instituto de Química.
O outro extremo de diferença na presença dos sexos é a Área II, esta, concentra os cursos relacionados a saúde, e a presença feminina é 10,4% maior que a presença masculina. Essa realidade pode ser explicada, através da ideia que preconcebe indivíduos do sexo feminino, pela sua capacidade biológica de gerar filhos, estariam mais adequadas a áreas de conhecimento relacionadas ao cuidar. Entretanto, é nesta área que se pode constatar que, quanto maior o valor social atribuído a determinado curso, maior a quantidade de indivíduos do sexo masculino.
A Faculdade de Medicina integra a área de saúde, que por sua vez contém maior quantidade de indivíduos do sexo feminino, entretanto, a FAMED, maior faculdade da área II, com 223 docentes, é 12% mais masculina do que feminina, sendo esta composta por 44% de indivíduos do sexo feminino e 56% de indivíduos do sexo masculino. Barreto (2015), em seu estudo que aborda a distribuição dos sexos no corpo docente da UFBA, indicou resultados no mesmo sentido, concluindo que nas carreiras docentes, independente da área de conhecimento, os homens estão nas carreiras mais tradicionais e com status social maior, enquanto as docentes do sexo feminino estão em cursos “associados ao cuidar, de menor prestígio social, e menos tradicionais.” (BARRETO, 2016, p. 57).
3.4.2 Caracterização quanto aos grupos raciais
A UFBA é uma universidade que se encontra em um estado brasileiro que tem em sua capital maior proporção de afrodescendentes fora da África, entretanto, até pouco tempo atrás a sua população discente, principalmente em cursos de maior prestígio social, era composta quase que majoritariamente, por indivíduos brancos. As ações afirmativas, provocaram
BRANCOS; 1123 13 PARDOS; 563 COR/UFBA PRETOS; 136 NÃO INFORMADO ; 445 50 PRETOS BRANCOS PARDOS INDIGENAS AMARELOS NÃO INFORMADO
algumas tímidas mudanças nesse cenário, entretanto, há muito que se avançar quando trata-se da composição do quadro docente desta universidade.
Sem considerar, os 445 docentes que não informaram a sua classificação racial, o corpo docente da UFBA, no que diz respeito aos grupos raciais, atualmente é composto da seguinte forma: 60% docentes brancos, 30% docentes pardos, 7% docentes pretos (37% docentes negros), 2% docentes amarelos e 1% docentes indígenas. A partir destes dados é possível concluir que há uma desproporcionalidade entre a presença do grupo racial branco e negro no quadro de docente da Universidade Federal da Bahia, assim como também entre amarelos e indígenas. Esse argumento baseia-se na representação destes grupos raciais no estado da Bahia.
A ausência das populações nativas, pode ser observada quando se compara os dados dos amarelos com os indígenas, constatando-se que há mais amarelos nos quadros docentes da UFBA, que indígena, vale a pena ressaltar que a Bahia não tem tradição em imigração amarela, como São Paulo e outros estados brasileiros.
Juntos, pardos e pretos que constituem o grupo racial negro equivalem 37% do corpo docente da UFBA, mas a representação deste grupo racial na população baiana é de 79,3% de acordo com os dados do PNAD 2014. Ao analisar esses dados sobre a UFBA, não podemos seguir a tese do autor José Jorge de Carvalho (2005-2006) sobre confinamento racial do mundo acadêmico, afinal diferentemente da região sudeste, há uma quantidade considerável de docentes negros na universidade em questão. O problema que se coloca aqui é a sobre representação do grupo racial branco neste espaço acadêmico, tendo em vista a sua sub- representação na população baiana, realidade essa que evidencia como o racismo estrutura as relações em território baiano.
Figura 3 – Cor / UFBA
48% 24% 6% 19% 2% 1% COR/UFBA % PRETOS BRANCOS PARDOS INDIGENAS NÃO INFORMADO UFBA-COR-AREA DE CONHECIMENTO% 70 60 50 40 30 20 10 0