5 – RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1.4.2 – I NDICADORES E CONÔMICOS E S OCIAIS
A Tabela 28 apresenta a comparação entre os indicadores econômicos e sociais das propriedades estudadas.
Tabela 28: Comparação entre os indicadores econômicos e sociais das propriedades que foram estudadas
Índice Sítio Antônio Finco Sítio Francisco Cedovski Granja Pousada das Águas Média
Rendimento Econômico 0,16 -0,21 1,32 0,43
Trabalhadores/ha 0,12 0,11 0,05 0,10
Pessoas empregadas/ha 0,00 0,03 0,00 0,01
Custo emprego/ha
(US$/ha.a) 0,00 51,95 0,00 17,32
O balanço econômico do Sítio Antônio Finco mostrou que a venda da produção gera um lucro razoável ao produtor, com uma rentabilidade econômica de 0,16. Isto se deve a utilização única e exclusiva de mão-de-obra familiar e da diversificação de culturas e dos produtos vendidos.
O balanço econômico do Sítio Francisco Cedovski mostrou que o produtor tem prejuízo com a venda da sua produção. A rentabilidade econômica calculada foi de –0,21. Nota-se que o custo dos componentes da ração são os que mais influenciam no prejuízo da atividade. Variações na suas cotações podem comprometer a rentabilidade final. Os preços podem variar muito de um ano para outro por uma série de fatores, como o clima, o mercado nacional e internacional, políticas públicas de incentivo a determinadas atividades, entre muitos outros fatores. Outro insumo que contribuiu para o prejuízo foram os outros gastos, onde foram contabilizadas as despesas da família com educação, telefone, alimentação, saúde, vestuário e administração. Também é possível notar que esta é a única propriedade que tem empregados, os quais também influenciam consideravelmente no aumento das despesas anuais. Desta forma, seria prudente reavaliar a mão-de-obra que é utilizada na propriedade de forma que se pudesse otimizá-la, dando-se maior ênfase no trabalho realizado pela própria família.
uma rentabilidade econômica de 1,32. O custo das mudas de pinheiros, dos herbicidas e do combustível são os insumos que mais pesam no custo de produção. O valor alto das vendas é garantido pela venda da madeira de pinus e pela piscicultura.
A suinocultura, no modelo que está inserida na região Oeste do estado de Santa Catarina, já se mostrou menos rentável economicamente do que a piscicultura integrada à criação de suínos. Então a expansão ou intensificação (tanto em quantidade de peixes como em quantidade de dejetos empregadas nos viveiros) deste sistema seria uma alternativa interessante para garantir uma boa fonte de renda e manutenção em propriedades que apresentam problemas para se manter, como os Sítios Antônio Finco e Francisco Cedovski.
Analisando estes resultados é possível perceber que a rentabilidade das propriedades está ligada a uma série de fatores como:
• As culturas que são produzidas anualmente;
• O tipo e a qualidade dos produtos que são vendidos; • A modalidade de integração com os frigoríficos;
• A quantidade de empregados que é contratada e o numero de integrantes da
família que trabalham;
• A área total de viveiros de peixes; • O destino dos peixes produzidos; • O tamanho da propriedade.
Quanto aos indicadores de trabalhadores/ha, pessoas empregadas/ha, e custo do emprego/ha, todos eles reforçam o caráter de uso de mão-de-obra familiar nos sistemas de produção agrícolas. Isto se deve a característica predominante das propriedades da região que é de pequenas propriedades rurais diversificadas, voltadas ao mercado, diretamente relacionadas ao tipo de recursos naturais disponíveis e associadas á agroindústria. Isto pode ser explicado devido ao processo de colonização que ocorreu nesta região.
A atividade agrícola da região Oeste de Santa Catarina apesar da sua grande importância em termos do volume de sua produção, se caracteriza por pequenas propriedades de agricultura familiar que possuem grande fragilidade quanto aos seus
aspectos ambientais, econômicos e sociais, os quais podem, num futuro bastante próximo, inviabilizar a continuidade da produção.
Para que a produção das pequenas propriedades rurais da região Oeste do estado de Santa Catarina norteie-se pelo desenvolvimento sustentável, como sugerido pelas ações propostas pela Agenda 21 brasileira, é necessário que algumas medidas sejam levadas em consideração. Pode-se citar:
• Mais recursos econômicos para recuperação ambiental das fazendas;
• Aumento da taxação para agricultores que usarem procedimentos danosos ao
meio ambiente;
• Taxação por perda de solo;
• Multas por descarga de fertilizantes e pesticidas nos rios;
• Pagamentos compensatórios anuais por hectare aos produtores que adotam
sistemas produtivos sustentáveis;
• Redução de impostos para o produtor pelo uso de produtos biológicos ou
controle integrado;
• Vinculação da obtenção de crédito rural a técnicas produtivas que evitem a
erosão dos solos e reduzam os impactos ambientais das atividades agrícolas;
• Isenção de impostos, por um determinado período, de produtos biológicos
destinados ao controle de pragas e doenças de plantas;
• Mais apoio ao setor agrícola, em diferentes maneiras, tais como preços
melhores para os produtos agrícolas;
• Melhores procedimentos governamentais em relação a trocas comerciais
com produtos agrícolas subsidiados e importados;
• Alternativas de crédito ao manejo sustentável, crédito para compra de
equipamentos e para investimentos em proteção ambiental;
• Estímulo ao beneficiamento da produção (agroindustrialização) com o
objetivo de agregar valor aos produtos atendendo padrões de qualidade exigidos pelo mercado;
• Estímulo a mecanismos de comercialização, incluindo o processo de
certificação ambiental de produtos agropecuários (certificação participativa e certificação orgânica);
• Incremento das alternativas energéticas (solar, eólica);
• Educação adequada para pequenos agricultores, tais como estudos de
agroecologia, gerenciamento agrícola e organização dos agricultores. De fato parte destas ações já estão sendo feitas por organizações não governamentais e agências governamentais, mas podem ser consolidadas se melhor entendidas. Estes procedimentos podem se constituir em boas e necessárias políticas públicas para a preservação e melhoramento da agricultura dos pequenos agricultores que sustentam a economia das cidades.